segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

20 de Fevereiro: Dia dos Pastorinhos

POVO 20.02.17


"A grande virtude dos pastorinhos não foi terem visto Nossa Senhora, mas essencialmente a heroicidade no sofrimento"

Capelão do Hospital de Dona Estefância


No centenário das Aparições de Fátima, possamos reacender a nossa devoção aos Pastorinhos, não só pelo facto de serem videntes, mas como heróis no sofrimento. A sua vida tão curta marcou o mundo até aos dias de hoje, com o seu amor à Paz, à Igreja e ao Santo Padre. Este ano, no centenário das aparições de Fátima, a celebração deste dia estendeu-se a Londres e uniu a Paróquia de Cascais à Igreja que sofre no Iraque.

Beatos Francisco e Jacinta, rogai por nós


Também na preparação para o centenário das Aparições de Fátima, 
a paróquia de Alverca convida todos a um Concerto na Igreja dos Pastorinhos

4 de Março, às 21:30
Concerto
O POVO CRISTÃO EM PEREGRINAÇÃO 
CANTA A NOSSA SENHORA
ENTRADA LIVRE

Nadador português bate recorde mundial e europeu

O nadador português de natação adaptada, Filipe Santos, bateu o recorde do Mundo dos 25 metros livres e da Europa dos 25 metros mariposa, no decorrer do Campeonato Nacional de Inverno da Mealhada.
O atleta, portador de Síndrome de Down, nadou a distância em 14.15 minutos, superando o anterior recorde mundial de 14.56 minutos que estava na posse do sul-africano Sean O’Neil, desde 2007.
Antes deste feito e ainda na mesma competição, o nadador do FC Ferreiras, havia superado o recorde europeu dos 25 metros mariposa ao registar no cronómetro 15.89 minutos.

Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa no Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima

O milagre dos pastorinhos

Pe. GONÇALO PORTOCARRERO DE ALMADA   www.vozdaverdade.org     20.02.17

Consta um novo milagre atribuído à intercessão dos beatos Francisco e Jacinta Marto. A notícia ainda não foi oficialmente confirmada mas, se o for, ficará aberto o caminho para a canonização dos dois mais novos pastorinhos de Fátima. Tendo em conta que a sua beatificação ocorreu em Fátima, a 13 de Maio de 2000, quando São João Paulo II peregrinou pela última vez ao santuário da Cova da Iria, não seria impossível, embora muito improvável, que o Papa Francisco ambos canonizasse no próximo dia 13 de Maio, por ocasião da sua peregrinação a Fátima, no centenário da primeira aparição mariana. 
O alegado milagre só poderá ser reconhecido como tal depois de analisado por três comissões. À científica cabe provar que o facto extraordinário não é susceptível de explicação natural. A comissão teológica tem que reconhecer que o eventual milagre se deve à intercessão dos bem-aventurados Francisco e Jacinta. Por último, o pleno da Congregação para as Causas dos Santos deverá aprovar a canonização que, em última instância, é decidida pelo Papa. Nestas questões, a Igreja é particularmente cautelosa e, por isso, não é de estranhar que seja longo o processo a realizar desde o rumor de um possível milagre até à beatificação, ou canonização, do servo de Deus em causa.
Mas, mesmo que, por razão da necessária complexidade e demora deste processo, já não seja possível que o Papa Francisco os canonize por ocasião da sua vinda a Fátima, a verdade é que, a confirmar-se o possível milagre atribuído aos dois mais novos pastorinhos, está agora mais próxima a sua tão desejada canonização.
Embora muito se tenha já feito no sentido de dar a conhecer a vida santa de Jacinta e Francisco Marto, é pena que, mesmo entre os cristãos, nem todos conheçam suficientemente estes tão impressionantes exemplos de santidade. De facto, ao ler as Memórias da Irmã Lúcia – cujo processo de beatificação, concluída a fase diocesana, prossegue agora em Roma – fica-se muito impressionado com a heroica virtude a que, em muito pouco tempo, chegaram aqueles dois irmãos.
A sua mudança e conversão é tanto mais significativa quanto é certo que tais crianças eram, antes das aparições, muito normais, também nos seus defeitos infantis. A Jacinta tinha os caprichos próprios das meninas da sua idade e o Francisco fazia as travessuras comuns aos rapazes da sua aldeia: numa ocasião, por exemplo, atirou pedras aos miúdos de uma povoação vizinha, com outros garotos de Aljustrel. Outra vez, ao ver em casa um irmão mais velho que, à lareira, dormitava, só não lhe meteu pela boca um bicharoco porque o pai, in extremis, o impediu de consumar a malandrice … Nem sequer eram crianças particularmente piedosas: apesar de terem todo o dia por sua conta e os pais lhes recomendarem a reza diária do terço, nem isso faziam, para terem mais tempo para as suas brincadeiras pueris, enquanto pastoreavam os rebanhos familiares.
Se é verdade que, de início, de ‘santinhos’ não tinham nada, quando morreram eram já de uma comprovada virtude: impressiona ver a sua rija piedade, a sua mortificação heroica, a sua extraordinária devoção eucarística, sobretudo do Francisco, sempre desejoso de fazer companhia a ‘Jesus escondido’ no sacrário; o seu terno amor pela Senhora mais brilhante do que o sol que se lhes aparecera; as suas ânsias de reparação pelos pecados de todos os homens; a sua filial oração pela Igreja e pelo Santo Padre; o seu empenho em sufragar as almas do purgatório; a sua generosidade na oração e expiação pela conversão dos pecadores, aterrorizados como ficaram com a visão do inferno.
Mesmo que Fátima não estivesse associada a mais nenhum fenómeno extraordinário, a santidade dos pastorinhos seria ‘milagre’ mais do que suficiente para atestar a sua autenticidade sobrenatural. Mas é também um repto e, quase, uma provocação: se eles, em tão pouco tempo, progrediram tanto espiritualmente, porque não aprendemos nós a lição?! Porquê esta nossa demora em segui-los pelos caminhos da santidade, que eles tão heroicamente percorreram em tão pouco tempo?!
Em boa hora a Conferência Episcopal quis assinalar o centenário das aparições marianas da Cova da Iria com uma carta pastoral, “Fátima, sinal de esperança para o nosso tempo”, para ler e meditar. Para os mais novos, que bom seria dar-lhes a conhecer as vidas heroicas dos bem-aventurados Jacinta e Francisco Marto! Se Nossa Senhora confiou tanto naquelas três crianças, que escolheu para suas interlocutoras e mensageiras, porque não fazer outro tanto com os jovens das nossas famílias, catequeses e escolas?

O pós-polvo

HELENA MATOS  OBSERVADOR   20.02.17

Todos os dias vemos crescer, qual polvo, dentro do Estado, os tentáculos da ideologia. Na Educação, na Saúde, no Trabalho. Quando a geringonça se desfizer o polvo lá ficará trabalhando para ela.

Menos Matemática e menos Português. Mais ideologia e muita conversa da treta ou seja o regresso da Cidadania e Área de Projecto. À primeira vista é o que se oferece dizer sobre as mudanças curriculares agora anunciadas. Claro que também se pode acrescentar que se adivinha promissor o negócio das explicações de Português e Matemática e dos colégios particulares (os tais que a abastada esquerda caviar diz escolher não por causa dos bons resultados mas sim por causa dos horários ou até por simples acaso, como sucede com a senhora secretária de Estado da Educação cujas filhas frequentam por acaso, mas só por acaso, uma escola alemã) pois as disciplinas de Cidadania e a Área de Projecto não servem para nada de nada a não ser, claro, para doutrinar as crianças e jovens.
Como é óbvio a quem tenha minimamente acompanhado o que se ministra nessas aulas, elas versam as maravilhas do socialismo ou melhor dizendo denunciam a infâmia do capitalismo e da indústria, exaltam o regresso a uma economia de trocas, a superioridade das causas fracturantes do momento e, como ensina a experiência de quem foi encarregada de educação nos tempos em essas disciplinas existiam, afectam horas e horas à problemática da turma, o que está a acontecer à turma, o que vai fazer a turma…
O ataque às escolas com contrato de associação já o anunciara: não são os resultados escolares que importam ao Ministério da Educação, mas sim garantir o poder da corporação do senhor Nogueira e do PCP e fazer da sala de aula um espaço de ideologia à espera das causas inventadas e por inventar pelas agremiações que pululam em torno de BE e do PS.
Mas o fenómeno que estamos a viver é muito mais amplo que uma simples mudança curricular. E está longe de se restringir à Educação. Se repararmos, em nome de causas apresentadas como progressistas, todas as semanas vemos crescer, qual polvo, dentro do Estado, os tentáculos da ideologia: uma semana são os curricula que perdem conteúdos para dar lugar aos comportamentos; na outra as comissões para avaliar o racismo e o que é o racismo e porque não há queixas por racismo; na outra e na outra, que o assunto é muito sério e rentável, a reversão da legislação do trabalho, oficialmente sempre em nome dos trabalhadores e na prática um esquema em que estruturas cada vez menos representativas tratam de blindar o seu monopólio na contratação colectiva.
Dos efeitos devastadores da actividade dos comissários-tentáculos não me restam dúvidas, seja nas escolas, seja na legislação laboral, seja na saúde, seja nesses bairros das periferias onde, certamente inspirados pelo exemplo francês, activistas vários tentam criar casos que uma comunicação social cada vez mais a trabalhar nas redes sociais e menos na rua transmite sem qualquer noção da realidade. (Quando foi a última vez que um jornalista foi ao Bairro 6 de Maio na Damaia sem ser tutelado por um activista, cientista social ou membro de uma associação?)
O controlo ideológico das decisões técnicas, que há anos parecia impossível, acontece agora sem gerara quaisquer perguntas. Veja-se, por exemplo, o caso da integração dos gays na população de risco para dádiva de sangue: a Direcção-Geral de Saúde defende que existe risco ou pelo menos defendia até 17 deste mês. Mas os “activistas” e o polvo ideológico defendem que não e basta tal acontecer para que logo apareçam os títulos que fazem a desgraça de qualquer ser com existência pública. Resultado, a DGS mudou as suas normas. Discussão sobre o assunto? Nenhuma. Há risco? Não sabemos.
É este polvo, muito mais do que a economia ou as finanças, que vai condicionar Portugal nos próximos anos. Porque mesmo quando a geringonça se desfizer, eles, os comissários, vão ficar lá, blindados nas funções criadas à sua medida, nos seus cargos ideológicos, nos seus programas que implicam sempre mais programas. O dízimo que Costa está a pagar à esquerda radical vai atrasar-nos anos e anos e aumentará em muito a conflitualidade pois o preço da descrispação presente é a enorme crispação futura que teremos de suportar. Por cada dia de silêncio e descrispação é mais uma comissão nomeada, um programa aprovado, um plano equacionado. Todos durante anos e anos vão determinar não só o que podemos fazer mas também o que devemos pensar e sobretudo o que devem pensar os nossos filhos e netos.
E aqui chegamos ao que me intriga: como vai ser o pós-polvo? Ou melhor dizendo, como vai ser o momento em que a geringonça sair do governo e lá deixar, trabalhando para si, o polvo? Voltaremos ao tempo em que os ministros da Educação viviam sitiados na 5 de Outubro? Provavelmente sim mas sobretudo veremos como esse estado dentro do estado, na verdade a sua casta, usará todos os meios ao seu alcance para manter os seus privilégios e poderes não escrutinados e desse modo prolongar a geringonça muito para lá da sua vida eleitoral.
Que governo lidará ou pactuará com isto? Terá o centrão de regressar para desalojar o polvo? Não sei. Mas sei que seja quem for não vão ser tempos fáceis de viver.
PS. Curiosamente quanto menos sei sobre um futuro governo mais claro se me afigura o que pode acontecer na Presidência da República: caso se consiga demitir a tempo – ou seja antes de se tornar óbvia a fatura da reposição e das reversões – e com uma boa desculpa, muito provavelmente António Costa será candidato nas próximas presidenciais e ainda mais provavelmente ganhará pois Marcelo, mesmo que conte com a indiferença do PSD, dificilmente contará com o voto dos eleitores do PSD ou do CDS.

Três Serões sobre Educação

O Colégio de S. José do Ramalhão, propõe a todos, três serões sobre educação. Além dos temas, datas e oradores, que se seguem, em cada encontro, haverá o testemunho de uma família e um tempo de diálogo.

Vida de Jacinta Marto continua a ser «muito inspiradora»

ECCLESIA.PT   20.02.16

Frisa o capelão do Hospital Dona Estefânia, onde a mais nova dos três pastorinhos faleceu a 20 de fevereiro de 1920 

Lisboa, 20 fev 2016 (Ecclesia) – O Santuário de Fátima assinala hoje o Dia dos Pastorinhos, com especial menção pela data da morte da beata Jacinta Marto, a mais nova dos três videntes de Fátima, falecida a 20 de fevereiro de 1920.
Em entrevista à Agência ECCLESIA, o capelão do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, onde Jacinta passou os seus últimos dias, destaca uma figura “muito inspiradora” para a Igreja Católica, para a pessoa doente e para o próprio hospital.
O padre Carlos Azevedo recorda que os pastorinhos de Fátima - Francisco, Jacinta e Lúcia – foram não apenas exemplos de devoção e de fé mas também de “heroicidade no sofrimento”.
E no caso de Jacinta Marto, que morreu vítima de doença bronco-pulmonar, “ela passou por muitas provações, não só no Dona Estefânia mas especialmente aqui”, frisa o sacerdote.
O Hospital Dona Estefânia é uma unidade de saúde particularmente orientada para o tratamento de crianças e jovens.
“Jacinta Marto foi aqui sujeita a uma intervenção cirúrgica muito difícil. O facto de ela ter passado aqui tantas horas sozinha, sem a família, inspirou muitos profissionais a estimularem os pais para que a sua presença não fosse só durante uma curta visita durante o dia, mas que pudessem estar todo o dia junto delas, das suas camas, enquanto estivessem internadas", conta o capelão.
Os sinais da presença de Jacinta Marto naquela casa continuam a dar alento a todos quantos por ali passam.
“Muita gente diz que veio para a Estefânia trabalhar pelo facto de Jacinta Marto ter passado por aqui, e pela sua devoção e fé católica. Temos também muitos voluntários que vêm tocados pela mensagem de Fátima e aqui servem a instituição e os seus principais utentes, as crianças”, explica o padre Carlos Azevedo.
Além disso, “muitas crianças se recomendam a Jacinta Marto, pedem a sua intercessão, muitos profissionais também, e muita gente procura a capela do hospital diariamente como um espaço para encontrarem alento para o seu sofrimento, um pouco mais de força e de coragem”, acrescenta.
Para o sacerdote, o exemplo dos três pastorinhos, e concretamente de Jacinta, continua hoje a ser essencial, também para o modo como as pessoas podem ultrapassar o seu sofrimento.
 “Muitas vezes isto serve para passarmos para a restante comunidade hospitalar um bocadinho dessa fortaleza, para que nas horas de maior dificuldade, não seja só o sofrimento a comandar a vida, mas também a nossa valentia, a nossa fé, o nosso amor, a esperança que é tão fundamental nestas horas”, conclui o padre Carlos Azevedo.
Este domingo, o Programa ECCLESIA na Antena 1, pelas 6h00 da manhã, vai assinalar o aniversário da morte de Jacinta Marto, com uma conversa com o capelão do Hospital Dona Estefânia, que falará também sobre a forma como o legado da pastorinha continua a atrair à unidade de saúde inúmeros peregrinos.
Já há inclusivamente um roteiro de peregrinação que passa também pelo Convento das Clarissas, na Estrela, onde Jacinta Marto esteve, e a igreja dos Anjos, onde a pastorinha foi velada.

20 de Fevereiro: Dia dos Pastorinhos Jacinta e Francisco Marto


BEATOS FRANCISCO E JACINTA MARTO


FRANCISCO MARTO


Nasceu a 11 de Junho de 1908.
Faleceu a 4 de Abril de 1919.
Foi beatificado em Fátima por João Paulo II, a 13 de Maio de 2000.
Já na sua humilde família aprendeu com sua irmã Jacinta a conhecer e louvar a Deus e a Virgem Maria.
Um anjo e a Santíssima Virgem exortaram-no a rezar e a fazer penitência pela remissão dos pecados, para obter a conversão dos pecadores e a paz para o mundo. A partir de então teve só uma preocupação: cumprir os pedidos do Anjo e de Maria, progredindo assim continuamente no caminho da perfeição.
Foram as palavras do Anjo «Consolai o vosso Deus» que vivamente impressionaram o Francisco e orientaram toda a sua vida. Ele quis ser o Consolador de Jesus principalmente pela recitação do terço e pela adoração a Jesus Escondido no sacrário da igreja paroquial.
Em Fátima, a 13 de Maio, no ano jubilar 2000, o Papa João Paulo II inscreveu-o no número dos bem-aventurados.
1908
Junho 11: nasce em Aljustrel, paróquia de Fátima, penúltimo dos sete filhos de Manuel Pedro Marto e Olímpia de Jesus.
Junho 20: é baptizado com o nome de Francisco na Igreja paroquial de Fátima.
1916
Com 8 anos começa a pastorear o rebanho de seus pais.
Primavera: 1.ª aparição do Anjo no Cabeço.
Verão: 2.ª aparição do Anjo no poço do Arneiro.
Outono: 3.ª aparição do Anjo no Cabeço.
1917
Maio, Junho e Julho 13: 1.ª, 2.ª e 3.ª aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria.
Agosto 13: é levado para  Vila Nova de Ourém.
Agosto 15: regressa a Aljustrel.
Agosto 19: 4.ª aparição de Nossa Senhora nos Valinhos.
Setembro e Outubro 13: 5.ª e 6.ª aparições de Nossa Senhora.
1918
Outubro 18: adoece com a epidemia da gripe espanhola.
1919
Março 19: agrava-se a doença.
Abril 2: recebe o sacramento da Reconciliação pelo Padre Moreira.
Abril 3: recebe o Viático – 1.ª Comunhão.
Abril 4: morre serenamente pelas 22h00.
Abril 5: é sepultado no cemitério de Fátima.

1950
Março 29: D. José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria, recebeu licença, da Sagrada Congregação dos Ritos, para organizar o Processo Diocesano sobre a fama de santidade, virtudes e milagres do Francisco.
1952
Fevereiro 17: identificação dos seus restos mortais.
Março 13: trasladação para a Basílica de Fátima.
Abril 30: início do processo informativo diocesano (63 sessões e 25 testemunhas).
1979
Agosto 1: encerramento do processo.
Agosto 3: entrega do processo à Sagrada Congregação dos Santos.
Dezembro 20: abertura do processo em Roma.
1989
Maio 13: João Paulo II decretou a heroicidade das virtudes de Francisco (decreto sobre as virtudes) concedendo-lhe o título de venerável.
1997
Junho 26: entrega em Roma do processo sobre a cura de Emília Santos.
1999
Junho 28: decreto sobre o milagre da cura de Emília Santos.
2000
Maio 13: beatificação, em Fátima, pelo Papa João Paulo II.


JACINTA MARTO

Nascida a 11 de Março de 1910.
Falecida a 20 de Fevereiro de 1920.
Beatificada em Fátima por João Paulo II, a 13 de Maio de 2000.
Já na sua humilde família aprendeu com seu irmão Francisco a doutrina cristã.
Um anjo e a Santíssima Virgem exortaram-na a rezar e a fazer penitência pela remissão dos pecados, para obter a conversão dos pecadores e a paz para o mundo. A partir de então fez todos os sacrifícios possíveis para converter os pecadores e desagravar o Coração Imaculado de Maria. Dedicava um amor especial também ao Santo Padre. «Sofro muito, mas ofereço tudo pela conversão dos pecadores e para reparar o Coração Imaculado de Maria, e também pelo Santo Padre», confidenciou a Lúcia. «No Céu vou amar muito a Jesus e o Coração Imaculado de Maria», declarou pouco antes de morrer.
Em Fátima, a 13 de Maio, no ano jubilar 2000, o Papa João Paulo II inscreveu-a no número dos bem-aventurados.

1910
Março 11: nasce em Aljustrel, paróquia de Fátima; sétima e última filha de Manuel Pedro Marto e Olímpia de Jesus.
Março 19: é baptizada na Igreja paroquial de Fátima.

1916
Com 6 anos começa a trabalhar como pastorinha juntamente com seu irmão acompanhando o rebanho dos seus pais.
Primavera: 1.ª aparição do Anjo na Loca do Cabeço.
Verão: 2.ª aparição do Anjo no poço do Arneiro.
Outono: 3.ª aparição do Anjo na Loca do Cabeço.

1917
Maio, Junho e Julho 13: 1.ª, 2.ª e 3.ª aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria.
Agosto 13: é levada para Vila Nova de Ourém.
Agosto 15: regressa a Aljustrel.
Agosto 19: 4.ª aparição da Senhora nos Valinhos.
Setembro e Outubro, 13: 5.ª e 6.ª aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria.

1918
Outono: adoece com a epidemia da gripe espanhola.

1919
Abril 4: Morte de Francisco.
Julho 1 a Agosto 31: é internada no Hospital de Vila Nova de Ourém.

1920
Fins de Janeiro: é admitida no Orfanato de N. Sr.ª dos Milagres, em Lisboa.
Fevereiro 2: é internada no Hospital de D. Estefânia.
Fevereiro 10: é operada.
Fevereiro 16: aparece-lhe Nossa Senhora e fica sem dores.
Fevereiro 20: recebe o sacramento da Reconciliação pelas 20h00.
Fevereiro 20: morre pelas 22h30.
Fevereiro 24: é sepultada em Vila Nova de Ourém.

1935
Setembro 12: trasladação do seu corpo para o Cemitério de Fátima.

1950
Março 29: D. José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria, recebeu licença, da Sagrada Congregação dos Ritos, para organizar o Processo Diocesano sobre a fama de santidade, virtudes e milagres da Jacinta.

1951
Abril 30: identificação dos seus restos mortais.
Maio 1: trasladação para a Basílica de Fátima.

1952
Abril 30: início do processo informativo diocesano (77 sessões e 27 testemunhas).

1979
Julho 2: encerramento do processo.
Agosto 3: entrega do processo à Sagrada Congregação dos Santos.
Dezembro 20: abertura do processo em Roma.

1989
Maio 13: João Paulo II decretou a heroicidade das virtudes de Jacinta (decreto sobre as virtudes) concedendo-lhe o título de venerável.

1997
Junho 26: entrega em Roma do processo sobre a cura de Emília Santos.

1999
Junho 28: decreto sobre o milagre da cura de Emília Santos.

2000

Maio 13: beatificação, em Fátima, pelo Papa João Paulo II.

Paróquia de Cascais envia apoio financeiro para refugiados cristãos no Iraque

WWW.ECCLESIA.PT    16.02.17


A Paróquia de Cascais, no Patriarcado de Lisboa, promoveu uma campanha de recolha de fundos a favor de uma clínica de saúde em Erbil, no Curdistão Iraquiano, que presta apoia a mais de 2800 cristãos refugiados e deslocados.
De acordo com um comunicado da paróquia, enviado à Agência ECCLESIA, a verba angariada vai ser entregue este domingo, dia 19 de fevereiro, à Fundação Ajuda a Igreja que Sofre (AIS), no final de uma missa presidida pelo cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente.
O projeto solidário nasceu na sequência de uma visita recente do arcebispo de Erbil a Portugal, a convite da AIS.
Na altura, em novembro de 2016, D. Bashar Warda “alertou para a situação trágica em que se encontram as comunidades cristãs na sua diocese e em todo o país”.
Durante a celebração, que tem início marcado para as 11h00 e está integrada no Dia dos Pastorinhos de Fátima, a Vigararia de Cascais vai também cumprir outra “promessa” feita ao arcebispo iraquiano, e “enviar uma imagem de Nossa Senhora para a Catedral de Erbil”.
A acompanhar a referida imagem, que será benzida este domingo por D. Manuel Clemente, irão “centenas de terços, dezenas e postais feitos pelas crianças da catequese de Cascais”, explica a AIS.
A Missa com o cardeal-patriarca vai ter lugar no hipódromo da vila de Cascais e está inserida no programa comemorativo do Centenário das Aparições de Nossa Senhora de Fátima.
Antes da Eucaristia, crianças da paróquia local e de outras paróquais da Vigararia de Cascais vão animar a oração do terço.
Os milhares de cristãos atualmente refugiados e deslocados em Erbil, no Curdistão Iraquiano, tiveram de deixar as suas casas e fugir na sequência de um ataque do Estado Islâmico na Planície de Nínive, em agosto de 2014.



Imagem de Nossa Senhora de Fátima coroada na Catedral de Westminster

www.rtp.pt    18.02.2017

A cerimónia foi presidida pelo cardeal Vincent Nichols, arcebispo de Westminster e presidente da Conferência Episcopal de Inglaterra e País de Gales, teve a assistência de centenas de pessoas, que esgotaram a capacidade do templo, estimada em 3.000 pessoas. 
A imagem recebeu uma réplica da coroa feita pela mesma joalharia portuguesa que elaborou a joia que em 1942 coroou a imagem original que está em Fátima.
A imagem peregrina foi benzida em Fátima pelo papa Paulo VI e entregue em Inglaterra em 1968 - numa altura em que "uma série de imagens peregrinas" foram colocadas em vários países pelo Apostolado Mundial. 
A nova coroa foi benzida pelo bispo de Leiria/Fátima, António Marto, antes de ser transportada pessoalmente por Jorge Leitão, neto do autor da joia original e responsável pela joalharia Leitão e Irmão.
"Pediram-me para fazer uma coroa para Inglaterra. Eu acho um tema apaixonante, como joalheiros da coroa, fazer coroas para a Nossa Senhora. A partir daí, envolvemo-nos em modernizar a coroa que está na Capelinha das Aparições, fazer uma reinterpretação dessa peça e criando uma coroa para uma rainha do século XXI", disse Jorge Leitão à agência Lusa 
A coroa original é uma joia de ouro com 1.200 gramas, 950 brilhantes, 1.400 diamantes, 313 pérolas, uma esmeralda grande, 13 esmeraldas pequenas, 33 safiras, 17 rubis, 260 turquesas, uma ametista e quatro águas marinhas, tendo o material sido oferecido por populares portugueses.
A coroa que foi instalada hoje na cabeça da imagem peregrina é feita de prata dourada.

 
FOTO DE @FRANCISCONORONHAANDRADE
"A prata e o material vão ser recolhidos durante a peregrinação centenária por Inglaterra e por isso vai repor aquilo que a Casa Leitão adiantou", adiantou o responsável. 
O diretor do secretariado internacional do Apostolado Mundial, Nuno Prazeres, saudou o evento, que considerou de grande importância por ter sido realizado na Catedral de Westminster e pelo primaz de Inglaterra. 
"Este evento tem uma grande importância porque, com a visita da imagem peregrina à Inglaterra e ao País de Gales, iniciam-se aqui solenemente as celebrações do centenário das aparições de Fátima", afirmou à Lusa. 
O Apostolado Mundial, que tem como missão divulgar a mensagem de Nossa Senhora de Fátima em todo o mundo, vincou, "alegra-se com esta iniciativa neste país, de forma a dar ao povo inglês e também à comunidade de portugueses presente neste país, poderem venerar a imagem de nossa senhora de Fátima e prestar a sua homenagem". 
A organização do evento teve um envolvimento muito grande da comunidade filipina, cujos membros senão guardiões da imagem peregrina, tendo três crianças vestido-se como Lúcia, Francisco e Jacinta para transportar réplicas das "relíquias" dos pastorinhas.
 
FOTO DE @FRANCISCONORONHAANDRADE

No entanto, também atraiu a atenção de vários portugueses residentes em Londres, como foi o caso de Lídia Cabral.
"Como portuguesa, temos muita fé na Nossa Senhora de Fátima e, uma vez que ela está cá em Londres hoje, acho que tínhamos de estar aqui. É uma grande alegria", confessou. 
A imagem peregrina mantém-se na Catedral até domingo, iniciando em maio uma visita às várias dioceses de Inglaterra e País de Gales, sob a coordenação do Apostulado Mundial de Fátima em Inglaterra e Gales [http://www.worldfatima-englandwales.org.uk].
Segundo o calendário indicado, a imagem vai começar a digressão em Downside Abbey em 04 de maio e vai passar depois por dioceses e igrejas em Cardiff, Belmont Abbey, Southwark, Shrewsbury, Santuário de Nossa Senhora de Taper [País de Gales], Menevia, Nottingham, Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham [Londres], Plymouth, Brighton, Birmingham, Hallam, Clifton, Portsmouth, Leeds, Middlesborough, Newcastle, East Anglia, Northampton, Salford e Wrexham. 
Hoje, após a coroação e uma missa, realizou-se num edifício adjacente à Catedral um simpósio com especialistas sobre Fátima.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Concerto: O povo cristão em peregrinação canta a Nossa Senhora

RAINHA DA PAZ 
O povo cristão em peregrinação canta a Nossa Senhora

Concerto de angariação de fundos 
promovido pela Igreja dos Pastorinhos 
no âmbito do caminho de preparação
para o Centenário das Aparições de Fátima.

A ideologia de género é prejudicial às crianças

SEMPREFAMILIA.COM.BR              AMERICAN COLLEGE OF PAEDIATRICIANS           http://www.acpeds.org         JANEIRO 2017

1 – A sexualidade humana é uma característica biológica binária objetiva: “XY” e “XX” são marcadores genéticos saudáveis – e não marcadores genéticos de uma desordem. A norma da concepção humana é ser masculino ou feminino. A sexualidade humana é planejadamente binária com o propósito óbvio da reprodução e da prosperidade da nossa espécie. Esse princípio é autoevidente. As desordens extremamente raras no desenvolvimento sexual, que incluem, entre outras, a feminização testicular e a hiperplasia adrenal congênita, são todas desvios medicamente identificáveis da norma binária sexual, e são com razão reconhecidas como desordens da formação humana. Indivíduos que as portam não constituem um terceiro sexo.
2 – Ninguém nasce com um gênero. Todos nascem com um sexo biológico. O gênero (uma consciência e um senso de si mesmo como homem ou mulher) é um conceito sociológico e psicológico, e não biologicamente objetivo. Ninguém nasce com a consciência de si como homem ou mulher: essa consciência se desenvolve com o tempo e, como todo processo de desenvolvimento, pode ser prejudicada por percepções subjetivas da criança, relacionamentos e experiências adversas desde a infância. Pessoas que se identificam como “se sentissem do sexo oposto” ou “nem masculinas nem femininas, algo entre os dois” não constituem um terceiro sexo. Elas permanecem, biologicamente, homens e mulheres.
3 – A crença de uma pessoa de ser algo que ela não é, na melhor das hipóteses, é um sinal de pensamento confuso. Quando um menino biologicamente saudável acredita que é uma menina, ou uma menina biologicamente saudável acredita que é um menino, existe um problema psicológico objetivo, que está na mente, não no corpo, e deve ser tratado dessa forma. Essas crianças sofrem de disforia de gênero, formalmente conhecida como transtorno de identidade de gênero, uma desordem mental reconhecida na edição mais recente do Manual Diagnóstico e Estatístico da American Psychiatric Association. A psicodinâmica e as teorias de aprendizagem social dessa desordem nunca foram refutadas.
4 – A puberdade não é uma doença e a injeção de hormônios bloqueadores da puberdade pode ser perigosa. Reversíveis ou não, hormônios bloqueadores de puberdade induzem um estado de enfermidade – a ausência de puberdade – e inibem o crescimento e a fertilidade em uma criança anteriormente saudável biologicamente.
5 – Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico, 98% dos meninos e 88% das meninas confusos com seu gênero aceitam o seu sexo biológico naturalmente ao passar pela puberdade.
6 – Crianças que usam bloqueadores de puberdade para personificar o sexo oposto precisarão de hormônios do sexo oposto no final da adolescência. Esses hormônios estão associados com graves riscos para a saúde, incluindo pressão alta, coágulos sanguíneos, AVC e câncer, mas não se limitando a isso.
7 – As taxas de suicídio são vinte vezes maiores entre adultos que usam hormônios do sexo oposto e passam por cirurgias de mudança de sexo, mesmo na Suécia, que é um dos países de maior ação afirmativa LGBQT. Que pessoa razoável e compassiva condenaria crianças a esse destino, sabendo que depois da puberdade 88% das meninas e 98% dos meninos aceitarão o seu sexo real e terão saúde física e mental?
8 – Condicionar as crianças a acreditar que uma vida inteira de personificação química e cirúrgica do sexo oposto é normal e saudável é abuso infantil. Apoiar a discordância de gênero como normal através da educação pública e de políticas legais confundirá as crianças e os pais, levando mais crianças a procurar “clínicas de gênero”, onde tomarão drogas bloqueadoras da puberdade. Por sua vez, isso garantirá que elas “escolherão” uma vida toda de hormônios cancerígenos e tóxicos e provavelmente considerarão passar por uma mutilação cirúrgica desnecessária de partes saudáveis do seu corpo ao chegar à vida adulta.
leia aqui o texto na íntegra: 


Idosos órfãos de filhos

ANA FRAIMAN   REVISTAPAZES.COM
Atenção e carinho estão para a alegria da alma, como o ar que respiramos está para a saúde do corpo. Nestas últimas décadas surgiu uma geração de pais sem filhos presentes, por força de uma cultura de independência e autonomia levada ao extremo, que impacta negativamente no modo de vida de toda a família. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões
A ordem era essa: em busca de melhores oportunidades, vinham para as cidades os filhos mais crescidos e não necessariamente os mais fortes, que logo traziam seus irmãos, que logo traziam seus pais e moravam todos sob um mesmo teto, até que a vida e o trabalho duro e honesto lhes propiciassem melhores condições. Este senhor, com olhos sonhadores, rememorava com saudade os tempos em que cavavam buracos nas terras e ali dormiam, cheios de sonho que lhes fortalecia os músculos cansados. Não importava dormir ao relento. Cediam ao cansaço sob a luz das estrelas e das esperanças.
A evasão dos mais jovens em busca de recursos de sobrevivência e de desenvolvimento, sempre ocorreu. Trabalho, estudos, fugas das guerras e perseguições, a seca e a fome brutal, desde que o mundo é mundo pressionou os jovens a abandonarem o lar paterno. Também os jovens fugiram da violência e brutalidade de seus pais ignorantes e de mau gênio. Nada disso, porém, era vivido como abandono: era rompimento nos casos mais drásticos. Era separação vivida como intervalo, breve ou tornado definitivo, caso a vida não lhes concedesse condição futura de reencontro, de reunião.

Separação e responsabilidade

Assim como os pais deixavam e, ainda deixam seus filhos em mãos de outros familiares, ao partirem em busca de melhores condições de vida, de trabalho e estudos, houve filhos que se separaram de seus pais. Em geral, porém, isso não é percebido como abandono emocional. Não há descaso nem esquecimento. Os filhos que partem e partiam, também assumiam responsabilidades pesadas de ampará-los e aos irmãos mais jovens. Gratidão e retorno, em forma de cuidados ainda que à distância. Mesmo quando um filho não está presente na vida de seus pais, sua voz ao telefone, agora enviada pelas modernas tecnologias e, com ela as imagens nas telinhas, carrega a melodia do afeto, da saudade e da genuína preocupação. E os mais velhos nutrem seus corações e curam as feridas de suas almas, por que se sentem amados e podem abençoá-los. Nos tempos de hoje, porém, dentro de um espectro social muito amplo e profundo, os abandonos e as distâncias não ocupam mais do que algumas quadras ou quilômetros que podem ser vencidos em poucas horas. Nasceu uma geração de ‘pais órfãos de filhos’. Pais órfãos que não se negam a prestar ajuda financeira. Pais mais velhos que sustentam os netos nas escolas e pagam viagens de estudo fora do país. Pais que cedem seus créditos consignados para filhos contraírem dívidas em seus honrados nomes, que lhes antecipam herança. Mas que não têm assento à vida familiar dos mais jovens, seus próprios filhos e netos, em razão – talvez, não diretamente de seu desinteresse, nem de sua falta de tempo – mas da crença de que seus pais se bastam.
Este estilo de vida, nos dias comuns, que não inclui conversa amena e exclui a ‘presença a troco de nada, só para ficar junto’, dificulta ou, mesmo, impede o compartilhar de valores e interesses por parte dos membros de uma família na atualidade, resulta de uma cultura baseada na afirmação das individualidades e na política familiar focada nos mais jovens, nos que tomam decisões ego-centradas e na alta velocidade: tudo muito veloz, tudo fugaz, tudo incerto e instável. Vida líquida, como diz Zygmunt Bauman, sociólogo polonês. Instalou-se e aprofundou-se nos pais, nem tão velhos assim, o sentimento de abandono. E de desespero. O universo de relacionamento nas sociedades líquidas assegura a insegurança permanente e monta uma armadilha em que redes sociais são suficientes para gerar controle e sentimento de pertença. Não passam, porém de ilusões que mascaram as distâncias interpessoais que se acentuam e que esvaziam de afeto, mesmo aquelas que são primordiais: entre pais e filhos e entre irmãos. O desespero calado dos pais desvalidos, órfãos de quem lhes asseguraria conforto emocional e, quiçá material, não faz parte de uma genuína renúncia da parte destes pais, que ‘não querem incomodar ninguém’, uma falsa racionalidade – e é para isso que se prestam as racionalizações – que abala a saúde, a segurança pessoal, o senso de pertença. É do medo de perder o pouco que seus filhos lhes concedem em termos de atenção e presença afetuosa. O primado da ‘falta de tempo’ torna muito difícil viver um dia a dia em que a pessoa está sujeita ao pânico de não ter com quem contar.
A irritação por precisar mudar alguns hábitos. Muitos filhos adultos ficam irritados por precisarem acompanhar os pais idosos ao médico, aos laboratórios. Irritam-se pelo seu andar mais lento e suas dificuldades de se organizar no tempo, sua incapacidade crescente de serem ágeis nos gestos e decisões. Desde os poucos minutos dos sinais luminosos para se atravessar uma rua, até as grandes filas nos supermercados, a dificuldade de caminhar por calçadas quebradas e a hesitação ao digitar uma senha de computador, qualquer coisa que tire o adulto de seu tempo de trabalho e do seu lazer, ao acompanhar os pais, é causa de irritação. Inclusive por que o próprio lazer, igualmente, é executado com horário marcado e em espaço determinado. Nas salas de espera veem-se os idosos calados e seus filhos entretidos nos seus jornais, revistas, tablets e celulares. Vive-se uma vida velocíssima, em que quase todo o tempo do simples existir deve ser vertido para tempo útil, entendendo-se tempo útil como aquele que também é investido nas redes sociais. Enquanto isso, para os mais velhos o relógio gira mais lento, à medida que percebem, eles próprios, irem passando pelo tempo. O tempo para estar parado, o tempo da fruição está limitado. Os adultos correm para diminuir suas ansiosas marchas em aulas de meditação. Os mais velhos têm tempo sobrante para escutar os outros, ou para lerem seus livros, a Bíblia, tudo aquilo que possa requerer reflexão. Ou somente uma leve distração. Os idosos leem o de que gostam. Adultos devoram artigos, revistas e informações sobre o seu trabalho, em suas hiper especializações. Têm que estar a par de tudo just in time – o que não significa exatamente saber, posto que existe grande diferença entre saber e tomar conhecimento. Já, os mais velhos querem mais é se livrar do excesso de conhecimento e manter suas mentes mais abertas e em repouso. Ou, então, focadas naquilo que realmente lhes faz bem como pessoa. Restam poucos interesses em comum a compartilhar. Idosos precisam de tempo para fazer nada e, simplesmente recordar. Idosos apreciam prosear. Adultos têm necessidade de dizer e de contar. A prosa poética e contemplativa ausentou-se do seu dia a dia. Ela não é útil, não produz resultados palpáveis.

A dificuldade de reconhecer a falta que o outro faz.

Do prisma dos relacionamentos afetivos e dos compromissos existenciais, todas as gerações têm medo de confessar o quanto o outro faz falta em suas vidas, como se isso fraqueza fosse. Montou-se, coletivamente, uma enorme e terrível armadilha existencial, como se ninguém mais precisasse de ninguém. A família nuclear é muito ameaçadora. para o conforto, segurança e bem-estar: um número grande de filhos não mais é bemvindo, pais longevos não são bem tolerados e tudo isso custa muito caro, financeira, material e psicologicamente falando. Sobrevieram a solidão e o medo permanente que impregnam a cultura utilitarista, que transformou as relações humanas em transações comerciais. As pessoas se enxergam como recursos ou clientes. Pais em desespero tentam comprar o amor dos filhos e temem os ataques e abandono de clientes descontentes. Mas, carinho de filho não se compra, assim como ausência de pai e mãe não se compensa com presentes, dinheiro e silêncio sobre as dores profundas as gerações em conflito se infringem. Por vezes a estratégia de condutas desviantes dão certo, para os adolescentes conseguirem trazer seus pais para mais perto, enquanto os mais idosos caem doentes, necessitando – objetivamente – de cuidados especiais. Tudo isso, porém, tem um altíssimo custo. Diálogo? Só existe o verdadeiro diálogo entre aqueles que não comungam das mesmas crenças e valores, que são efetivamente diferentes. Conversar, trocar ideias não é dialogar. Dialogar é abrir-se para o outro. É experiência delicada e profunda de auto revelação. Dialogar requer tempo, ambiente e clima, para que se realizem escutas autênticas e para que sejam afastadas as mútuas projeções. O que sabem, pais e filhos, sobre as noites insones de uns e de outros? O que conversam eles sobre os receios, inseguranças e solidão? E sobre os novos amores? Cada geração se encerra dentro de si própria e age como se tudo estivesse certo e correto, quando isso não é verdade.
A dificuldade de reconhecer limites característicos do envelhecimento dos pais. Este é o modelo que se pode identificar. Muito mais grave seria não ter modelo. A questão é que as dores são tão mascaradas, profundas e bem alimentadas pelas novas tecnologias, inclusive, que todas as gerações estão envolvidas pelo desejo exacerbado de viver fortes emoções e correr riscos desnecessários, quase que diariamente. Drogas e violência toldam a visão de consequências e sequestram as responsabilidades. Na infância e adolescência os pais devem ser responsáveis pelos seus filhos. Depois, os adultos, cada qual deve ser responsável por si próprio. Mais além, os filhos devem ser responsáveis por seus pais de mais idade. E quando não se é mais nem tão jovem e, ainda não tão idoso que se necessite de cuidados permanentes por parte dos filhos? Temos aí a geração de pais desvalidos: pais órfãos de seus filhos vivos. E estes respondem, de maneira geral, ou com negligência ou, com superproteção. Qualquer das formas caracteriza maus cuidados e violência emocional.
Na vida dos mais velhos alguns dos limites físicos e mentais vão se instalando e vão mudando com a idade. Dos pais e dos filhos. Desobrigados que foram de serem solidários aos seus pais, os filhos adultos como que se habituaram a não prestarem atenção às necessidades de seus pais, conforme envelhecem. Mantêm expectativas irrealistas e não têm pálida ideia do que é ter lutado toda uma vida para se auto afirmar, para depois passar a viver com dependências relativas e dar de frente com a grande dor da exclusão social. A começar pela perda dos postos de trabalho e, a continuar, pela enxurrada de preconceitos que se abatem sobre os idosos, nas sociedades profundamente preconceituosas e fóbicas em relação à morte e à velhice. Somente que, em vez de se flexibilizarem, uns e outros, os filhos tentam modificar seus pais, ensinando-lhes como envelhecer. Chega a ser patético. Então, eles impõem suas verdades pós-modernas e os idosos fingem acatar seus conselhos, que não foram pedidos e nem lhes cabem de fato.
De onde vem a prepotência de filhos adultos e netos adolescentes que se arrogam saber como seus pais e avós devem ser, fazer, sentir e pensar ao envelhecer? É risível o esforço das gerações mais jovens, querendo educa-los, quando o envelhecimento é uma obra social e, mais, profundamente coletiva, da qual os adultos de hoje – que justa, porém indevidamente – cultivam os valores da juventude permanente e, da velhice não fazem a mais pálida ideia. Além do que, também não têm a menor noção de como haverão eles próprios de envelhecer, uma vez que está em curso uma profunda mudança nas formas, estilos e no tempo de se viver até envelhecer naturalmente e, morrer a Boa Morte. Penso ser uma verdadeira utopia propor, neste momento crítico, mudanças definidas na interação entre pais e filhos e entre irmãos. Mudanças definidas e, de nenhuma forma definitivas, porém, um tanto mais humanas, sensíveis e confortáveis. O compartilhar é imperativo. O dialogar poderá interpor-se entre os conflitos geracionais, quem sabe atenuando-os e reafirmando a necessidade de resgatar a simplicidade dos afetos garantidos e das presenças necessárias para a segurança de todos.
Quando a solidão e o desamparo, o abandono emocional, forem reconhecidos como altamente nocivos, pela experiência e pelas autoridades médicas, em redes públicas de saúde e de comunicação, quem sabe ouviremos mais pessoas que pensam desta mesma forma, porém se auto impuseram a lei do silêncio. Por vergonha de se declararem abandonados justamente por aqueles a quem mais se dedicaram até então. É necessário aprender a enfrentar o que constitui perigo, alto risco para a saúde moral e emocional para cada faixa etária. Temos previsão de que, chegados ao ano de 2.035, no Brasil haverá mais pessoas com 55 anos ou mais de idade, do que crianças de até dez anos, em toda a população. E, com certeza, no seio das famílias. Estudos de grande envergadura em relação ao envelhecimento populacional afirmam que a população de 80 anos e mais é a que vai quadruplicar de hoje até o ano de 2.050. O diálogo, portanto, intra e intergeracional deve ensaiar seus passos desde agora. O aumento expressivo de idosos acima dos 80 anos nas políticas públicas ainda não está, nem de longe, sendo contemplado pelas autoridades competentes. As medidas a serem tomadas serão muito duras. Ninguém de nós vai ficar de fora. Como não deve permanecer fora da discussão sobre o envelhecimento populacional mundial e as estratégias para enfrentá-lo.
Leia o artigo na íntegra:

Ser-se humilhado

POVO 19.02.17
7º Domingo do Tempo Comum


"Ser-se humilhado é um grande privilégio"

Maria José Nogueira Pinto
in "A Rebelde da Direita"
sobre o seu tempo no campo de refugiados Culminam em África


evangelho de hoje é todo sobre Dar. Dar a outra face, dar aquilo que não é justo, ser-se humilhado. Ontem participámos na recolha de medicamentos do Banco Farmacêutico. Mais uma vez caio na conta que tanto é mais fácil dar quanto mais se reconhece ter-se recebido, como conta a Maria José Nogueira Pinto do seu tempo num campo de refugiados: 

"Quando me vi numa fila a caminho da sopa, percebi que me tinha tocado a mim uma coisa que tinha assistido anos a fio. Mas tinha estado sempre do outro lado da panela." 

É esta educação a dar que recebeu da avó que permite ver na humilhação, um privilégio. E ver a santidade, não como uma coroa de glória, mas como as humildes chuteiras, a normalidade do bem.

Participámos com os nossos filhos, vivendo juntos o pedir contributos e o receber as diferentes reacções para, como jardineiros, tentar regar o seu coração com essa humilhação que mais tarde possa vir a dar o fruto da humildade.


AGENDA

1 de Março a 9 de Abril: 40 DIAS PELA VIDA
Inscreva-se e assegure período(s) de oração pela vida, divulgue nas suas comunidades e convide a sua paróquia a assegurar um dia. Esta acção desenrola-se em Lisboa, mas todo o país é convidado a uma quaresma de oração mais intensa pela vida. 

23 a 26 DE MARÇO: MEETING LISBOA
A edição deste ano do Meeting volta ao Campo Pequeno. Marque já na sua agenda. Vale muito a pena: Todos ao Meeting!




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