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Uma tragédia escolhida por nós

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HELENA GARRIDO     OBSERVADOR     19.10.2017 António Costa é responsável por políticas que queremos e por isso a tragédia dos incêndios é também um peso para a nossa consciência. Fomos nós que escolhemos abandonar aquelas pessoas. A realidade é violenta, dolorosa, indisfarçável. Mais de cem portugueses morreram porque não conseguimos ser exigentes com os nossos governantes. Deixamo-nos levar pela propaganda e pelo eleitoralismo, pelo mais dinheiro no bolso sem nos perguntarmos como está isso a ser possível. Aquelas pessoas que vimos entregues a si próprias porque, como já muitos disseram, o Estado falhou na sua função mais básica deviam ser uma vergonha para todos nós. Sim, há uns que têm mais responsabilidade do que outros. Sem dúvida que o Governo de António Costa é o primeiro e mais importante responsável. O primeiro-ministro fez-nos pagar este preço pela sua estratégia política de conquista de eleitorado e mais de cem pessoas pagaram-no com a vida. E o Presidente que há muito perceb…

"Meu Querido Portugal"

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OBSERVADOR     18.10.2017Ao longos dos últimos dias recebemos no Observador textos de leitores que são, simultaneamente, testemunhos, desabafos, apelos. Deixamos aqui três deles, começando pelo de uma leitora de 20 anos. Meu querido Portugal, Venho pedir-te desculpa. A ti me dirijo pois é, unicamente para ti, que se me oferece fazê-lo. Hoje, o silêncio vence-me de uma forma avassaladora. Cito-o, para que entendas como me sinto. (…) Ao longo das últimas horas, os séculos de história que te contemplam choraram desalmadamente a tua tragédia – de mão ao peito, com a vista pregada no teu sofrimento, sussurrando o hino a que soas – no desejo de que o verde ardido não levasse consigo a cor da esperança, que a pátria em ti pintou. A dor é colossal e, ao contrário do fogo, não se extingue; não se apaga; não se esquece; nem se perdoa. O Estado que te governa, não te sabe, primeiramente, salvaguardar – e, quando confrontado com o tema, esquiva-se das suas responsabilidades, enveredando pelo desplan…

Porque razão arde Portugal?

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CLEMENTE PEDRO NUNES              19.08.2017

'A natureza está a reclamar o que é seu'

JOSÉ A. CARVALHO       FACEBOOK    17.10.2017
"Viajei, durante os últimos dias, para apreciar e fotografar as cores das árvores na Nova Inglaterra, nordeste dos EUA. Há anos que planeava e pensava nesta viagem. O esplendor das cores de Outono é o mais bonito e pacificador espetáculo natural que jamais pude ver. Foram as árvores que motivaram a minha viagem. No regresso… as árvores do meu país desapareceram! Aterrei ao fim da madrugada de domingo para segunda. Assim que li e ouvi as primeiras notícias senti que metade do país estava em guerra: sem comunicações, sem energia, sem ajuda. Nasci no distrito de Coimbra onde sempre viveu a minha família. Não consegui contactar os meus pais durante todo o dia; nem eles nem ninguém. Não sabia onde andava o fogo; nem qual o desespero das pessoas que conheço desde miúdo. Nas redes sociais muita gente partilhava a angústia do silêncio em busca de notícias. Ao fim da noite consegui finalmente ouvir os meus pais: deslocaram-se vário quilómetros …

Incêndios: a trágica novidade

JOSÉ MARIA DUQUE           17.10.2017
O problema dos incêndios em Portugal é antigo e "resiliente". Infelizmente parece não haver maneira de alterar o estado das coisas: basta um ano mais quente e a floresta já ter recuperado do último grande incêndio para termos o nosso país a arder de um ponta à outra.
Por isso o problema com os incêndios deste ano não são os incêndios em si. Infelizmente este governo é apenas mais um a juntar à lista de governos que até agora foram incapazes de arranjar uma forma eficiente de: 1. evitar os incêndios; 2., combatê-los de maneira eficaz (não posso porém deixar de reparar que o Pinhal de Leiria sobreviveu a quatro dinastias, a duas repúblicas, ás guerras fernandina, à revolução de 1483-85, aos descobrimentos, à dominação espanhola, ao terramoto, às invasões francesas, à guerra entre miguelistas e liberais, à revolução republicana, ao Estado Novo, ao PREC, a 40 anos de democracia, só não sobreviveu ao governo de António Costa).
Já tivemos em anos…

A história do verdadeiro patinho feio

BERNARDO DO VALLE DE CASTRO
Num belo e discreto junco, junto a um lindo lago onde não havia cisnes, mas povoado de rãs, libelinhas, peixes e salamandras coloridas, vivia um simpático casal de patos. Na Primavera, aquela mãe pata pôs os seus ovos e, de vez em quando, ausentava-se do ninho para procurar alimento com o seu bico achatado, entre as pedras lodosas do fundo do lago. Rapidamente, no entanto, lá vinha ela toda choca para o seu ninho. Passado o tempo que a natureza determinou adequado para que os ovos eclodissem, todos eclodiram menos um. A surpresa daquela mãe pata durou apenas mais um dia, até que do seu último ovo nasceu um patito em quase tudo igual aos outros, simplesmente em vez de todo amarelo, tinha laivos de castanho claro. A mãe gostava dele como gostava dos outros: educava-o para ser um bom patinho, para nadar na fila, como os seus irmãos, e para não se afastar demasiado. Para ele, no entanto, eram duras e custavam muito as coisas que os outros lhe faziam, porque o punh…