domingo, 28 de fevereiro de 2010

2.º Domigo da Quaresma - Transfiguração do Senhor

Transfiguração
Fra Angelico (1439-1443)
Fresco (181 x 152 cm)
Cela 6, Convento de S. Marcos, Florença



28 de Fevereiro - S. Torcato

Mosteiro de S. Torcato - Guimarães

S. Torcato (bispo) séc. I

São Torcato é considerado o primeiro dos Varões Apostólicos, bispos enviados ainda no século I para evangelizar a Península Ibérica. A sua história está envolvida em lenda. Aparentemente, terá aportado a Cádis, no sul de Espanha, onde teria morrido e sido sepultado.
O seu corpo terá sido trazido para o norte da Península no século VIII, quando os cristãos de Cádis fugiram da invasão dos mouros, e depositado no mosteiro de Celanova, perto de Ourense. Mais tarde, as suas relíquias foram distribuídas por vários mosteiros da Galiza e do norte de Portugal. No ano de 1059 (cerca de cem anos antes da independência de Portugal), já existia o mosteiro de S. Torcato, perto de Guimarães, o mais célebre centro português da devoção ao santo bispo, o qual veio a dar o nome a muitas aldeias no Minho.


sábado, 27 de fevereiro de 2010

O buraco negro

Público 20100221 José Pacheco Pereira

Como é possível que não sejamos colocados perante o dilema de fazer algo perante um primeiro-ministro que nos engana

    Existe uma espécie de buraco negro no centro da vida política portuguesa. Ninguém deseja mais do que eu falar de outra coisa, espairecer, ir para outra, focar o que se pensa e diz num universo mais sólido, mesmo que difícil e duro e complexo, nos seus caminhos. Muitas vezes digo a mim mesmo que é preciso falar dos "verdadeiros problemas do país", o desemprego, a crise, a situação da economia portuguesa, a dívida, mas esta frase mais que certeira na sua vontade de sanidade, ainda que sanidade infeliz, acaba por parecer um escapismo irresponsável e, no fundo, um desvio que erra na identificação dos "verdadeiros problemas" do país. Porque, dê-se-lhe a volta que se lhe der, o país tem no seu centro um buraco negro que reside antes de tudo na própria política, e que acaba por engolir tudo à volta, economia, sociedade, cultura, moral, sanidade nacional, recursos escassos, e que, enquanto lá estiver, vai sempre impedir-nos de sequer poder enunciar os outros problemas mais estruturais como deve ser, isso se quisermos defrontá-los em democracia. Ou seja, estamos presos na conjuntura política actual e sem ultrapassar essa conjuntura não conseguimos actuar sobre a estrutura. O buraco negro é esse e o seu centro maciço é a personagem do primeiro-ministro. Enquanto ele lá estiver, não há sossego nas mentes, moralidade pública, estabilidade e paz civil. Não são os seus adversários que criam esta perturbação, é ele próprio e ele está lá porque os portugueses o escolheram nas urnas e numa democracia só sairá de lá nas urnas.
    Eu estou próximo do pessimismo sobre a situação económica e a evolução rápida do país para um abismo evidente, que muitos economistas, a começar pelo mais emblemático no seu pessimismo, Medina Carreira, têm mostrado. Acho há muito tempo que ele tem razão, como têm João Salgueiro, Silva Lopes, João Duque, Daniel Bessa, João César das Neves e muitos outros (e acrescento no plano político, Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite), mas o anúncio da catástrofe não me chega. Ele tem sido muito pedagógico e o verdadeiro pecado de Mário Crespo, que o tornou um problema "a resolver", foi criar um programa de televisão que deu uma voz a esse tom de pessimismo e emergência nacional.
    Mas temo que esse tom também tenha um elemento enganador: é que em democracia não há "ditadura das finanças", em democracia não há governos de sábios, nem de técnicos, em democracia e num país soberano, não é saudável um comando exterior imposto, em democracia só há soluções que passam pelo convencimento dos cidadãos da sua bondade e que esse reconhecimento se traduza em votos. Pode ser preciso um abanão forte, para que nos defrontemos com a nossa verdadeira imagem no espelho e não com as ilusões que alimentamos, mas tudo continuará na mesma, ou seja, pior, se o caminho for qualquer entorse na democracia em nome da eficácia económica e financeira. É por isso que uma parte do discurso da catástrofe, com que, insisto, eu me identifico do ponto de vista analítico e mesmo nas soluções drásticas que a podem travar, me parece ser parte do problema, quando é enunciado sem ter em conta o problema democrático, de como resolvê-la em democracia, ou seja, nas urnas. O problema democrático é que só há solução nos votos, e nenhuma solução nos votos escapa a ser uma solução com o PS, o PSD e o CDS, e mesmo com o PCP, ou seja, com os políticos que temos, com os defeitos dos partidos que temos, escolhendo neles os melhores, ou, se quiserem, os menos maus e os que têm consciência dos problemas do país e atacando os outros. Não pode haver demissão cívica, nem nefelibatismo face aos partidos, porque isso ajuda sempre os piores e deixa os melhores sem apoios. Há políticos conscientes da crise e da sua dimensão e são fragilizados na sua capacidade de poderem fazer melhor, exactamente pela mesma rasoira que trata todos por igual, não apoia e ajuda quem genuinamente deseja mudar as coisas e convencer.
    O discurso antipolíticos e anti-partidos, por muito justificado que pareça ser, e muitas vezes o é, não ajuda um átomo a resolver os mesmos problemas que esses pessimistas identificam, e, bem pelo contrário, ajuda a agravá-los. Em vez de fazerem escolhas realistas, mesmo que fossem de mal menor, acabam por sugerir que os problemas de condução económica e financeira não são do domínio do político em democracia, mas sim apenas do saber e da vontade. Não chega.
    É por isso que a consciência da catástrofe falha, se for apenas isso e se não identificar os bloqueios políticos que a geraram ou que a agravam. De novo é no PS e no PSD, principalmente nestes dois partidos, que existe a única possibilidade de a crise anunciada, e de novo insisto, com lucidez, poder ser resolvida em democracia, ou quando muito mitigada. E é aqui que se tem que ir. O primeiro problema é a actual direcção do PS, o círculo do poder de Sócrates, uma permanente fonte de perturbação da consciência dos portugueses. Como é possível que não sejamos colocados perante o dilema de fazer alguma coisa perante um primeiro-ministro que nos engana, que actua no limite da legalidade, mas com sistemático abuso do poder, que só dá péssimos exemplos e que está a ajudar a perverter um já débil sistema judicial, criando uma situação pastosa em que parece que vale tudo perante uma impunidade generalizada? Sim, o grande bloqueio actual para resolver qualquer problema está num grupo sitiado, mas perigoso e ameaçador, que gera por si só uma enorme dificuldade a qualquer entendimento. Ele não acabará bem, nem a bem.
    É por isso que o segundo problema é o do PS, que ganhou as eleições e tem legitimidade para governar, mas que está, pelos seus silêncios e aquiescências, a inquinar o país e a bloquear o clima de apaziguamento que tem que preceder qualquer defrontar da crise. Não é possível pedir aos portugueses nenhum sacrifício, enquanto o primeiro-ministro for o homem que os enganou e engana sobre o país em que vivem e os seus problemas. Em tempos de depressão, a autoridade moral é a única que ajuda a manter a paz social e uma consciência de um esforço colectivo. Com José Sócrates, não existe essa autoridade moral, sobra só a autoridade e cada vez mais o seu abuso. O PS sabe hoje muito bem disto, mas o apego ao poder está a torná-lo um obstáculo ao esforço nacional para defrontar a crise iminente.
    E o terceiro problema é o PSD, onde o dilema é ficar-se mais parecido com o PS, ou sentir-se como vital a emergência que Portugal atravessa e a necessidade de uma alternativa efectiva e a curto prazo. A preparação do PSD para um cenário eleitoral para que vá sem receios é um dos factores que mais permitem desbloquear a crise que vivemos e tapar o buraco negro não sei bem com que massa, mas sei que nela tem que haver votos, os votos dos portugueses que estão fartos de saberem indignidades todos os dias e de se sentirem impotentes face a elas e que querem mudar. E que já são muitos. Historiador

    sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

    Jornais desportivos

    António Câmara
    RR online 26-02-2010 18:45


    Quando fui para os Estados Unidos da América, em 1977, deixei de ter acesso a jornais portugueses. Adaptei-me lendo jornais americanos. Mas houve um jornal insubstituível: o então tri-semanário A Bola.

    Amigos meu prontificaram-se a assiná-lo perante a minha saudade. Era com prazer imenso que lia de ponta a ponta os números de A Bola que me chegavam com um atraso de vários dias.
    Portugal tem actualmente três diários desportivos. Espanha tem dois, sendo quatro vezes maior. Mas a situação Portuguesa é ainda mais distintiva pelo facto dos nossos jornais desportivos terem tiragens superiores à maioria dos nossos diários de referência.
    Como explicar esta situação? Alguns dizem que ela se deve à nossa incultura. Mas há certamente intelectuais a lerem A Bola, o Record e O Jogo.
    O facto de Portugal ter equipas competitivas internacionalmente em futebol é outra das razões possíveis para a imensa legião de leitores desses jornais.
    Mas não é fácil encontrar explicações que sejam consistentes cientificamente sem o estudo de uma amostra significativa de leitores.
    Mas eu posso justificar os meus quarenta anos de leitura diária de jornais desportivos. Neles se documentam diariamente as minhas paixões clubistas e desportivas, a que associo inúmeros momentos de felicidade.
    Nos últimos tempos, cheguei também a outra justificação que diz bem do momento actual: esses são os únicos jornais que me trazem, em geral, boas notícias.

    António Câmara
    Presidente da YDreams

    "Errei todo o discurso de meus anos"

    Público, 20100225  Helena Matos
    Resolvi que quero fazer parte desse conglomerado político-económico das empresas públicas e participadas pelo Estado
    A cada artigo sobre o Taguspark ou mais propriamente sobre a associação entre Rui Pedro Soares, na qualidade de administrador executivo da PT, Armando Vara, enquanto vice-presidente da CGD, e Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras, tornou-se-me cada vez mais presente este verso de Camões: "Errei todo o discurso de meus anos". Porquê? Porque estou cansada de viver do outro lado. Do lado daqueles que têm de sustentar isto. Do lado daqueles que põem o dinheiro e pagam os consultores, os estudos e as cerimónias para que, como se ficou a saber ontem pelo artigo de José António Cerejo, Isaltino Morais possa ter afiançado ao então presidente da TagusPark, um quadro da mesma Câmara Municipal de Oeiras, que, se antecipasse voluntariamente o termo do seu mandato, seriam tanto ele como os vogais compensados com "indemnizações bastante favoráveis".
    Até à passada semana eu teria reagido a isto muito papalvamente perguntando-me, e quiçá perguntando neste espaço do PÚBLICO, quem pagaria essas indemnizações e mais uma vez faria figura de bota-abaixista, liberal e profundamente ignorante. Pois agora isso acabou.
    Resolvi que quero fazer parte desse conglomerado político-económico das empresas públicas e participadas pelo Estado. As ligações partidário-empresariais daquelas pessoas e a sua concepção do poder político como a de um facilitador para o exercício da sua particularíssima vocação empresarial, sem conta nem risco, que antes me teriam chocado, agora surgem-me como a luz no fundo do túnel. Olho para essa gente que passa do telemarketing para o carro de administrador e que faz negócios e negoceia contrapartidas em que nunca arrisca nada de seu porque no derradeiro momento lá estará o contribuinte a passar o cheque com a mesma admiração que leva aqueles fans histéricos à entradas das estrelas na noite dos Óscares.
    O que me levou a tão drástica decisão não foi a expressão "indemnizações bastante favoráveis", embora se os leitores quiserem concluir tal coisa também não me pareça mal. Bem vistas as coisas, o que eu passei a querer é um desses cargos em que, tal como aconteceu no TagusPark, o final dos mandatos dos administradores foi antecipado - custou meio milhão de euros em indemnizações - para entrarem outras pessoas que provavelmente também terão de antecipar o final dos seus mandatos por razões igualmente vagas e serem, por sua vez, elas mesmas indemnizadas também e assim sucessivamente.
    O detonador desta minha epifania foi o Plano de Estabilidade e Crescimento, PEC de seu nome. Desde já me recuso a ficar no sítio do costume quando o dito PEC chegar, ou seja, no lado daqueles que trabalham por conta própria e são acusados de nunca ganharem o suficiente para pagar os impostos necessários para sustentar o Estado-empresário, o Estado promotor de novas atitudes, o Estado dinamizador cultural, o Estado educador, o Estado sonhador, o Estado comunicador, enfim o Estado que for necessário ao sustento dessa oligarquia que dantes me repugnava mas onde agora solicito o direito de admissão.
    Por outro lado, há que ser pragmático: este território das empresas municipais, das entidades públicas empresariais e participadas pelo Estado, dos institutos não sei de quê e das unidades de negócio é de facto o único que tem o futuro assegurado. E eu, como sou optimista, acho que ainda terei alguns anos de vida pela frente. Logo, resolvi mudar-me de armas e bagagens para o sector empresarial do Estado. Por exemplo, para a Parque Escolar, a qual irá receber os edifícios escolares até agora propriedade do Ministério da Educação. A pessoa que eu fui não só teria muitas dúvidas sobre o interesse público desta operação como defenderia que o Estado atribuísse o valor que gasta na educação de cada criança à escola, pública ou privada, escolhida pelas respectivas famílias. A pessoa que eu fui seria mais uma vez insultada pela oligarquia partidário-empresarial por defender o que dizem ser o "ataque à escola pública". Pois a pessoa que eu agora sou desde já se declara disponível para integrar essa entidade pública empresarial e, sempre em nome da escola pública, ir contratando por ajuste directo as empresas que fazem as obras nas escolas. E naturalmente ir ganhando o suficiente para poder colocar os meus filhos no ensino privado e livrá-los dos projectos pedagógicos transversais com muita motivação, integração e dinamização que, esses sim, destruíram o ensino público.
    Confesso, contudo, que houve ainda um terceiro elemento a decidir-me a dar tal passo. Talvez por deformação académica e profissional, sempre dei muita importância às palavras e quase sem eu dar por isso fui-me deixando seduzir pelo ideolecto desse círculo mágico em que nunca se percebe onde acaba o político e começa o público e onde acaba o público e começa o privado. Por exemplo, nos casos onde os papalvos como eu era até há bem poucos dias falam de tráfico de influências, os membros do círculo só vêem decisões fundamentais e inquestionavelmente justificadas, como aconteceu no Taguspark, pela necessidade de encontrar "uma solução de gestão em completa consonância com a CMO [Câmara Municipal de Oeiras]".
    Perfeito, não é? E o que dizer do conhecimento formal versus o conhecimento informal? Nem aquela poesia barroca em que o sujeito lírico provava uma coisa e o seu contrário atingiu este patamar de jogo conceptual.
    Aqui chegados ou mais propriamente aqui chegada eu e perante o inexorável de tudo isto e sobretudo face ao ar satisfeitíssimo e próspero de toda aquela gente que vive lá desse outro lado, só posso concluir que Camões tinha razão: "Errei todo o discurso de meus anos". Ensaísta

    quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

    Pior Solução

    DESTAK | 24 | 02 | 2010   21.20H

    João César das Neves | naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt
    É espantoso como as coisas se dirigem para a pior solução possível. Em nome da estabilidade institucional ficamos com um Governo em quem ninguém acredita. Demoliram o Primeiro-ministro e, depois de demolido, mantêm-no. Parece ser a solução que agrada a todos. Vamos andar meses a fingir que o Governo não derrocou, enquanto os jornais dão diariamente novos detalhes dos escombros.
    As suspeitas existem e são profundas. Não vale a pena negar a realidade, como alguns tentam. Dada essa realidade, as soluções seriam duas. Infelizmente nenhuma funciona, precisamente pelas razões que geraram o problema. Pode até dizer-se que a incapacidade de solução é o pior sinal do que há a resolver.
    Poderia haver uma solução jurídica. Mas foi a incapacidade operativa dos tribunais que lançou a suspeita, a qual, por sua vez, ainda minou mais a confiança na Justiça. Poderia haver uma solução política. Mas foi a inexistência de alternativa credível que levou à reeleição do Primeiro-ministro, sobre quem na altura já existiam fortes suspeitas.
    Por isso a melhor solução é a pior: não haver solução. Isto prejudica sobretudo a vida política. Para o Primeiro-ministro, quanto mais ele prolongar o processo para sorver as últimas gotas de poder, pior o seu futuro político e do partido. Para as instituições a perda de credibilidade é crescente.
    O país até nem sofre muito, porque o barulho é lateral ao essencial. Nas Finanças, Saúde e Educação a coisa é secundária. Quem mais sofre é a estabilidade institucional. Precisamente aquilo que se diz preservar.

    quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

    A QUARESMA E AS CALÇAS

                 Quando Luísa viu aquele par de calças, foi amor à primeira vista. Acabara de assistir à Missa dominical e, cumprindo uma antiga rotina, fora tomar a bica do costume no café da praxe, ali mesmo no centro comercial, a meio caminho entre a sua casa e a igreja paroquial.

    Na homilia, por sinal, o Padre Sérgio tinha falado da Quaresma, aconselhando a prática da mortificação cristã, nomeadamente o jejum na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa, e a abstinência todas as sextas-feiras. Incomodara-a aquela abordagem, que lhe pareceu anacrónica e até um pouco disparatada: que tem Deus a ver com a ementa do almoço ou do jantar?! Que relação há entre o bem da alma e a qualidade do menu?! Na realidade, parecia-lhe tão improcedente o convite à penitência como lhe resultaria despropositado que, por absurdo, o seu médico lhe receitasse duas Avé Marias antes de cada refeição!
    O namoro com aquele trapo de estimação não durou muito pois, com medo de que qualquer eventual cliente se lhe antecipasse, Luísa foi logo no dia seguinte à boutique comprar aquelas calças que a tinham fascinado. É verdade que o preço não era convidativo, mas era um investimento – desculpou-se – pois, decerto, mais tarde seriam ainda mais caras. Voltou para casa tão satisfeita consigo mesmo que nem reparou no mendigo que lhe estendera a mão, numa atitude de humilde súplica, e que, ao contrário de outras vezes, não teve a esmola costumeira, nem outra resposta do que a indiferença da sua precipitação.
    Chegar a casa e experimentar a compra foi tudo um: desembrulhou com cuidado o presente que magnanimamente se concedera, retirou as etiquetas e vestiu finalmente as calças. O tecido era macio e parecia de boa qualidade, a altura era a ideal e a cor não podia ser mais o seu género. Mas, quando tentou abotoar as calças, não o conseguiu. Repetiu a operação uma e outra vez, contraindo-se o mais que podia, mas a verdade é que a cintura estava muito apertada e, por mais que se esforçasse, o botão fugia à respectiva casa com uma teimosia tão irritante que Luísa impacientou-se. A diferença era apenas de 1,5 centímetros, mas era o suficiente para que as calças não lhe servissem e, como na loja não havia nenhum número maior, resignou-se à rigorosa dieta que se impunha: para grandes males, grandes remédios!
    Foram dias a fio de sacrifícios, alimentando-se apenas de sopas, frutas, legumes e iogurtes magros, mas cada milímetro a menos pesava uma tonelada de dolorosas privações, que Luísa padecia estoicamente, por amor às calças.
    Foi num dia de chuva que, ao atravessar a rua apressadamente, Luísa foi colhida por um táxi a grande velocidade. A brutalidade do choque, que a projectou a vários metros de distância, teve o efeito imediato de lhe produzir um sério traumatismo craniano, que a induziu num estado comatoso. Era confusa a sua percepção: sentia dores, mas parecia-lhe que não eram dela, embora fossem do seu organismo. Notou vagamente a azáfama dos populares, polícias, maqueiros, enfermeiros e médicos à sua volta, mas o torpor do seu corpo desfeito foi progressivamente alienando-a de tudo o que a rodeava e que lhe parecia cada vez mais longínquo. O seu último pensamento foi para as suas calças novas, que estreava.
    Depois, viu-se definitivamente desprendida da sua materialidade e atraída pela misteriosa luz de um outro mundo. Mas quando se dispôs a cruzar o limiar da eternidade, Luísa não o conseguiu: por 1,5 centímetros a sua alma não coube na porta estreita que conduz à Vida.

    P. Gonçalo Portocarrero de Almada            

    Frase do dia

    O Diabo pode citar as Escrituras quando isso lhe convém
    William Shakespeare

    O desafio da manifestação pela família e pelo casamento

    Público, 2010.02.24 António Pinheiro Torres
    É preciso partir da realidade e não da ideologia, partir do homem e não do Estado, é preciso mais liberdade!
    •  
    Sábado, 20 de Fevereiro: conforme se encontra amplamente documentado nos diversos órgãos de comunicação social nacionais e estrangeiros, milhares de pessoas concentraram-se no Marquês de Pombal, desceram a Avenida da Liberdade e participaram na Festa da Família nos Restauradores.
    Não sabemos o número exacto de pessoas que estiveram presentes e ninguém honestamente poderá dizer com certeza quantos eram. Mas apenas que eram muitos milhares, de todas as idades, pobres, ricos e remediados, alguns, poucos, conhecidos e na sua esmagadora maioria anónimos, de diferentes partidos, confissões religiosas e clubes desportivos, de muitas raças e de todas as cores culturais e sociais. Um caleidoscópio de portugueses unidos pela determinação comum em mostrar a beleza do casamento e da família e em gritar bem alto a exigência de que o povo se possa pronunciar sobre o seu destino. Daí a alegria, tranquilidade e firme determinação que caracterizaram esta iniciativa da Plataforma Cidadania e Casamento.
    Da mesma forma que no momento da chegada da faixa dianteira aos Restauradores ainda havia manifestantes a sair do Marquês de Pombal, também o processo de contestação do casamento entre pessoas do mesmo sexo e de exigência de um referendo sobre a matéria não se iniciou nem se encerra com a manifestação de ontem. Antes prossegue na serenidade de quem sabe assistir-lhe a razão, de quem lhe sobra em determinação, de quem não abdica de lutar pela liberdade e pela afirmação da beleza dos valores que defende.
    Esperamos que uma tão expressiva manifestação, a presença na rua de milhares de pessoas, com o significado imanente de que por uma que se manifesta, muitas mais pensam como ela, venha completar o que pelos vistos faltou na avaliação do significado das mais de 92 mil assinaturas recolhidas pela Iniciativa Popular de Referendo: a consciência por todos os actores políticos, dos partidos aos órgãos de soberania, de que existe em Portugal uma exigência clara de que o casamento entre pessoas do mesmo sexo seja sujeito a referendo, que o Estado não é o dono da família nem da vida dos homens e mulheres que se casam, têm filhos, os educam, trabalham, amam, vivem os seus limites, buscam a sua felicidade e a dos outros.
    Mas para além do seu valor próprio no processo de contestação da lei proposta pelo Governo, a manifestação da Plataforma Cidadania e Casamento tem outro significado que se constitui como desafio no actual momento político do país. A manifestação mostrou uma vez mais que existe um povo, um movimento social independente e autónomo dos partidos, com uma agenda clara (liberdade de educação e religiosa, subsidiariedade, vida e família), uma estrutura permanente e quotidiana, capaz de mobilizar milhares de assinaturas, manifestantes ou votos, que, com excepção de algumas ocasiões ou pessoas, não encontra no sistema dos partidos de poder o eco correspondente.
    Numa ocasião em que no principal partido de oposição se disputa a respectiva liderança, mas sobretudo este procura reencontrar a sua identidade, numa altura em que o país constata que precisa de mudar de governo e uma imensa maioria silenciosa clama por uma alternativa democrática capaz de unidade e pluralidade, propostas claras e distintas do PS, em especial nas questões de civilização, a resposta ao desafio da manifestação pela família e pelo casamento é a resposta de que carece Portugal: é preciso partir da realidade e não da ideologia, partir do homem e não do Estado, é preciso mais liberdade! 
    Mandatário da Plataforma Cidadania e Casamento

    terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

    Frase do dia

    Será que a finalidade da vida é apenas viver?
    Paul Claudel
    (poeta, dramaturgo e diplomata francês católico
    1868-1955)

    Maior base de dados sobre Portugal está hoje na Internet

    Diário digital, 2010.02.23
    Maior base de dados sobre Portugal está hoje na Internet

    http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=18&id_news=436865

    A maior base de dados estatísticos sobre Portugal com acesso universal e gratuito estará disponível a partir de desta terça-feira na Internet, resultado de uma iniciativa da Fundação Francisco Manuel dos Santos, presidida pelo investigador António Barreto.

    A Pordata, disponível em http://www.pordata.pt, reúne estatísticas sobre «quase todos os capítulos da sociedade portuguesa», com dados relativos aos últimos 50 anos, fornecidos por mais de 30 entidades que produzem estatísticas certificadas, explicou à Lusa António Barreto.

    No entanto, a Pordata é mais do que uma grande base de dados com séries estatísticas, já que permite ao utilizador escolher e cruzar variáveis, criar os seus próprios quadros e gráficos «estáticos e dinâmicos», calcular taxas de variação e percentagens. Tudo, no máximo, em três cliques, segundo os responsáveis pelo projeto.
    Diário Digital / Lusa


    segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

    COMUNICADO da PLATAFORMA CIDADANIA CASAMENTO

    MANIFESTAÇÃO PELO CASAMENTO E PELA FAMILIA
    Ontem conforme se encontra amplamente documentado nos diversos órgãos de comunicação social nacionais e estrangeiros, milhares de pessoas concentraram-se no Marquês de Pombal, desceram a Avenida da Liberdade e participaram na Festa da Família nos Restauradores.
    Não sabemos o número exacto de pessoas que estiveram presentes e ninguém honestamente poderá dizer com certeza quantos eram. Mas apenas que eram muitos milhares, de todas as idades, pobres, ricos e remediados, alguns poucos conhecidos e na sua esmagadora maioria anónimos, de diferentes partidos, confissões religiosas e clubes desportivos, de muitas raças e de todas as cores culturais e sociais. Um caleidoscópio de portugueses unidos pela determinação comum em mostrar a beleza do casamento e da família e em gritar bem alto a exigência de que o povo se possa pronunciar sobre o seu destino. Daí a alegria, tranquilidade e firme determinação, que caracterizaram esta iniciativa da Plataforma Cidadania e Casamento.
    Da mesma forma que no momento da chegada da faixa dianteira aos Restauradores, ainda havia manifestantes a sair do Marquês de Pombal, também o processo de contestação do casamento entre pessoas do mesmo sexo e de exigência de um referendo sobre a matéria, não se iniciou nem se encerra com a manifestação de ontem. Antes prossegue na serenidade de quem sabe assistir-lhe a razão, de quem lhe sobra em determinação, de quem não abdica de lutar pela liberdade e pela afirmação da beleza dos valores que defende.
    Esperamos uma tão expressiva manifestação, a presença na rua de milhares de pessoas, com o significado imanente de que por uma que se manifesta, outras milhares pensam como ela, venha completar o que pelos vistos faltou na avaliação do significado das mais de 92 mil assinaturas recolhidas: a consciência por todos os actores políticos, dos partidos aos órgãos de soberania, que existe em Portugal uma exigência clara de que o casamento entre pessoas do mesmo sexo seja sujeito a referendo, que o Estado não é o dono da Família nem da vida dos homens e mulheres que casam, têm filhos, os educam, trabalham, amam e se confrontam, buscam a sua felicidade e a dos outros.

    A natureza das cavernas

    A natureza das cavernas
    DN 2010.02.22
     JOÃO CÉSAR DAS NEVES
    Um líder nacional ganha a reeleição para depois da vitória surgirem falcatruas que praticou para ganhar. O escândalo faz cair o seu Governo. Conhece a história? Claro! É Watergate. As diferenças ideológicas entre Richard Nixon e José Sócrates são enormes. Ambos detestariam estar juntos na mesma sala. Mas enfrentam o mesmo problema por razões parecidas. A história evolui e as mudanças multiplicam-se, mas os elementos subterrâneos permanecem.
    Cairá o Governo português com o escândalo? Para isso era preciso vergonha. As diferenças de Watergate e "Face Oculta" são as diferenças de Abraham Lincoln e Fontes Pereira de Melo, um século depois. Os EUA têm uma democracia; com defeitos, abusos e dificuldades, mas uma democracia. Portugal vive no caciquismo tribal, pacato, benevolente e oportunista, em várias formas históricas. Por exemplo, o Governo diz-se vítima de uma cabala política, mas queixa-se de que a oposição não o quer derrubar. Então quem fez a tal cabala e para quê? Ou não haverá cabala?
    O progresso muda tudo. Tudo menos uma coisa, a natureza humana. A história não se repete; só os erros. Dentro de nós estamos iguais ao que éramos nas cavernas. A luta entre barbárie e civilização retoma todos os dias o seu fragor. Nenhuma pessoa se pode dizer honesta; todos reganhamos diariamente a honestidade. Os piores são os que se acham seguros. "Quem pensa estar de pé, tome cuidado para não cair." (1Co 10, 12). Os jovens do PS português, socialistas e democráticos, sabiam que a sua ideologia os impediria de cometer os crimes da velha raposa ianque republicana. Mas males desses não vêm da envolvente; mas do coração, da natureza que permanece.
    Esta evidência acaba sempre esquecida. Os sonhos de sociedade ideal, nova economia, sistema sólido, ressurgem sempre, venham eles de mudança social, descoberta tecnológica ou inovação de regime. E causam grandes catástrofes. Das guilhotinas da França de 1791 à derrocada do NASDAQ em 2001, as diferenças não podem ser maiores. Mas o mal é o mesmo: a segurança arrogante de um mundo novo. Confiantes de que agora tudo será diferente, caem cegamente nas mesmas tolices que enterraram os antecessores e cujo repúdio proclamavam. Quando lhe disserem que há uma revolução e nada será como dantes, fuja! Mudam as moscas, o resto fica.
    Se deixarmos o folclore da actualidade mediática e passarmos à verdadeira questão política do momento, reencontramos o mesmo tema. Na campanha contra a família e o casamento retomam-se atitudes e técnicas que julgávamos enterradas há muito. Os mais velhos ainda se lembram do desprezo latente como há 30 anos eram olhados os que defendiam a liberdade de empresas e mercados. Um pequeno grupo de iluminados, controlando a cultura oficial, queria impor um modelo alternativo, com mudanças drásticas, subvertendo velhos conceitos e revolucionando economia e sociedade. Quem fosse contra eles era contra a justiça, liberdade, progresso e opunha- -se ao bem-estar de operários e pobres.
    Hoje o tema não é a economia, é o sexo. Mas vemos as mesmas acusações, certezas, raivas e suspeitas, os mesmos sermões e olhares de esguelha. Ouvimos de novo que, sem mudanças radicais em velhos conceitos, como casamento, nascimento e morte, não há justiça e liberdade. É preciso que a lei permita a morte dos embriões e doentes e o casamento de homossexuais. Isso surge não como proposta legítima e contestável de alguns mas por imposição inelutável. Os temas mudam, mas arrogância, retórica e manipulação são iguais. Até os extremistas são os mesmos, convencendo-nos da nova revolução depois de terem falhado a anterior há 20 anos. Os verdadeiros democratas sabem responder: os capitães de Abril acabam de escrever uma carta aberta contra o casamento homossexual.
    É espantoso que o Governo que se arroga o direito de mudar leis seculares e conceitos básicos seja aquele que os jornais mostram como incapaz de respeitar a decência e elementares princípios do Estado de direito. Mas a história também mostra que são sempre esses que fazem isso.
    naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

    domingo, 21 de fevereiro de 2010

    47 dicas para a Quaresma

    DicasVersao2010

    Milhares "em defesa da família"

    A reportagem do Diário de Notícias (2010.02.21)
    por RITA CARVALHOHoje
    Milhares "em defesa da família"
    Plataforma Cidadania e Casamento exigiu um referendo à lei e consequências políticas da manifestação.
    "O poder não pode alterar a sociedade por decreto." A frase da porta-voz da Plataforma Cidadania e Casamento arranca uma salva de palmas entusiasta aos milhares de pessoas reunidos na Praça dos Restauradores e é intercalada por um coro de jovens que entoam a música We are family. No palco, Isilda Pegado exige o referendo à lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo - já aprovada e a aguardar resposta do Presidente -, e reclama "soberania para o povo". Depois disto, diz ao DN, tem de "haver consequências políticas".
    Os discursos e a música animada encerram o protesto que encheu ontem a Avenida da Liberdade, em Lisboa, de defensores da família tradicional e de opositores ao casamento homossexual. Uma adesão que superou as expectativas da organização, que arriscou falar em dez mil participantes.
    Na rua vêem-se muitas famílias com crianças, bebés e gente de idade, segurando balões e cartazes onde se pode ler "O Estado não é dono da família" ou "Casamento é entre homem e mulher". Mas a esmagadora maioria são jovens. Desfilam ao lado de religiosas e alguns padres vestidos à civil, pois a Igreja não se quis associar à iniciativa. E de nomes como Marcelo Rebelo de Sousa, D. Duarte, a deputada do PSD Maria José Nogueira Pinto, o deputado do CDS Ribeiro e Castro e o ex-deputado José Paulo Carvalho.
    A representar os 25 militares de Abril que escreveram uma carta aberta ao Governo e ao Parlamento a criticar a lei, está o general Garcia Leandro. Sobe ao palco para defender, emocionado, os valores tradicionais da família. "Fico sempre comovido ao ver muita gente a acreditar numa causa", desabafa ao DN, criticando José Sócrates que diz ser "pressionado" pelo Bloco de Esquerda. "Este processo está inquinado e foi tratado com muita superficialidade", diz, afirmando conhecer deputados do PS "muito incomodados" com a imposição da disciplina de voto.
    A meio da avenida, os bombos e apitos tocados por dezenas de gays situados em frente ao cinema São Jorge sobem de tom. Não chegam para calar as palavras de ordem dos milhares de manifestantes que desfilam, gritando vivas à família e condenando o casamento de pessoas do mesmo sexo.
    A polícia, atenta à tensão, aperta a segurança, chegando a chamar reforços, pois no fim do cortejo vem um grupo de extrema-direita.
    Um incidente é rapidamente resolvido pelos agentes colados a esta contramanifestação e pelos manifestantes de colete amarelo encarregues do cordão de segurança à manifestação. Daí alguém se indigna com a impassividade da polícia, "que sabe que esta não é autorizada mas não faz nada, nem identifica as pessoas".
    "Eu amo quem quiser, seja homem ou mulher", respondem, em coro, os apoiantes dos homossexuais. Rui Duarte, um dos presentes, lamenta o que vê e desabafa: "A nossa iniciativa é um grito colectivo contra gente que se manifesta contra os direitos dos outros. Eles estão a ser radicais." Na berma, um espectador faz um lamento ainda mais profundo: "Isto nem devia ter chegado a este ponto...


    sábado, 20 de fevereiro de 2010

    Manifestação pela Família e pelo Casamento



    Milhares de pessoas em manifestação a favor do referendo

    Milhares de pessoas desceram hoje a avenida da Liberdade, em Lisboa, e encheram meia praça dos Restauradores, numa manifestação convocada pela Plataforma Cidadania e Casamento a favor do referendo ao casamento entre pessoas do mesmo sexo

    «Casamento é entre homem e mulher» e «a família unida jamais será vencida» foram algumas das palavras de ordem ouvidas enquanto a manifestação, que partiu pouco depois das 15h da praça do Marquês de Pombal, descia a avenida mais conhecida de Lisboa.

    Segundo disse fonte da organização, estiveram presentes na manifestação «mais de cinco mil pessoas».

    Os agentes da PSP presentes no local não adiantaram qualquer número, remetendo para o comando distrital da corporação, o qual não foi possível contactar até ao momento.

    Na manifestação da Plataforma Cidadania e Casamento marcaram presença figuras públicas como o arquiteto Gonçalo Ribeiro Telles, o general Garcia Leandro, o deputado do CDS-PP Ribeiro e Castro e os antigos deputados centristas Luís Nobre Guedes e José Paulo de Carvalho, Dom Duarte Pio ou o reitor da Universidade Católica, Manuel Braga da Cruz.

    Já na praça dos Restauradores, cartazes com frases como 'Pelo casamento, pela família, exigimos o referendo' e bandeiras de Portugal, agitaram-se ao som do êxito das Sister Sledge, We are family.

    Junto ao cinema São Jorge, sensivelmente a meio da avenida da Liberdade, uma pequena ‘contra manifestação’ esperava a iniciativa organizada pela Plataforma Cidadania e Casamento, o que gerou alguma tensão e levou à mobilização de um maior número de agentes para o local.

    Rui Duarte, um dos presentes na 'contra manifestação', adiantou que a concentração foi convocada por mensagem de telemóvel e pelas redes sociais e não partiu de nenhuma associação LGBT em concreto, apesar de estarem vários membros presentes na avenida da Liberdade


    PROPAGANDA FALSA PAGA COM O NOSSO DINHEIRO

    COISAS DA SÁBADO: PROPAGANDA FALSA PAGA COM O NOSSO DINEHIRO in Abrupto, 20100219

    Este cartaz, profusamente distribuído em Lisboa. é pago com o nosso dinheiro e é um exemplo mais de como o dinheiro dos contribuintes e dos munícipes lisboetas de há muito tempo é usado para alimentar as chamadas causas “fracturantes” e os grupos radicais que as suportam, na sua maioria ligados ao Bloco de Esquerda. Não é novidade nenhuma mas nunca vi uma discussão sobre os abusos do financiamento público que tivesse em conta esta realidade: o dinheiro dos contribuintes é usado para promover causas políticas em que a maioria não se revê, de organizações cuja contabilidade eaccountability desconhece, deturpando a transparência da vida pública . Basta colar a uma organização qualquer o título de que luta contra a “discriminação” ou o “racismo” (o caso do SOS Racismo é outro exemplo de organizações do Bloco de Esquerda financiadas pelo dinheiro dos contribuintes) para se pensar justificado dar-lhes dinheiro público.


    No caso deste cartaz acresce que estamos a financiar uma mentira. A pergunta do cartaz é uma pura sugestão de falsidade e a resposta que sugere é pura e simplesmente falsa. “Se a tua mãe fosse lésbica, mudava alguma coisa?” Claro que mudava muita coisa, por boas e más razões, principalmente por más, mas reais. O cartaz no fundo está a dizer-nos, em nome da luta contra os preconceitos à volta da homossexualidade, que esses preconceitos não existem tornando inútil o cartaz.

    Ama a criança a sua mãe, seja lésbica, amarela, militante da “vida”, punk ou apenas mãe? Certamente que sim, mas não se fazem cartazes sobre os afectos. Existem ou não, o Estado não cura, ou não deve curar de os tornar em propaganda. No resto, a resposta séria tem que ser “muda” e nalguns casos muda muito, e esse é que é o terreno da discriminação. Aliás o cartaz tem implícita outra falsidade no modo de fazer a pergunta: porque não se pergunta “se as tuas mães fossem lésbicas, mudava alguma coisa?”, porque essa seria a situação que justificaria a pergunta. A mãe lésbica vive com uma mulher que na família é o quê senão a outra mãe, mesmo sem o nome nem a biologia? Ou pode viver com o pai, supostamente separado pelas preferências de género da mãe, ou, caso esta seja bissexual, em conúbio carnal, como se dizia? Pode no meio disto tudo nada “mudar” para a criança? Pode, muito excepcionalmente, mas nunca como a regra que o cartaz indicia com falsidade.

    Esta maneira pouco séria como se tratam questões de grande complexidade afectiva, cultural, social e societal, como se fossem (como são) “causas” de grupos, gera muitos mais problemas do que os que resolve. Mas que nos mintam com o nosso dinheiro para servir agendas radicais cujo alcance permanece obscuro, isso é pouco admissível.

    sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

    Aura Miguel
    RR on-line, 2010.02.19
    A nossa maneira de viver resvala constantemente para a superficialidade. O problema é que, na maioria dos casos, nunca achamos que é connosco.

    Não fazemos mal a ninguém, até vamos à missa e ajudamos de vez em quando os que precisam, tentamos não fazer asneiras durante a Quaresma e achamos que assim nos convertemos.

    Nada disso! Converter-se significa fazer uma inversão de marcha no caminho da vida! E quem o diz é Bento XVI, no início desta Quaresma: a conversão não é só ajustar um aspecto na vida, mas é andar contra-corrente, justamente quando a corrente é o estilo de vida superficial, incoerente e ilusório que nos arrasta e domina ou, então, faz de nós prisioneiros da mediocridade moral.

    Se fizermos este percurso, percebemos que somos pó e ao pó regressaremos. É esta a ideia do Papa e da Igreja: pôr-nos no nosso lugar! Ajudar-nos a tomar consciência de que somos pó, mas um pó precioso aos olhos de Deus.

    Privacidade e sigilos

    Público 2010-02-19 Luís Campos e Cunha

    Tenho um grande temor com os novos métodos de vigilância a que todos, quer queiramos quer não, estamos sujeitos


    Um dos aspectos mais aterradores da sociedade actual é a falta de privacidade. Em tempos, mais precisamente em 2004, defendi a manutenção do sigilo bancário e o fim do sigilo fiscal como mais apropriado para combater a fraude fiscal. Recentemente, três deputados do PS, com grandes responsabilidades no grupo parlamentar, voltaram a sugerir tal medida. Agora que a poeira caiu e a discussão do poder dentro do grupo parlamentar passou, calmamente, vale a pena revisitar a questão do fim do sigilo fiscal.

    Antes de mais, tenho uma grande preocupação e, porque não dizê-lo, um grande temor com os novos métodos de vigilância a que todos, quer queiramos quer não, estamos sujeitos. Não sou o único a partilhar tais preocupações mas quase. Um qualquer sobressalto político pode desencadear uma onda de vigilantismo (não sei se a palavra existe) sobre pessoas incómodas e pode tornar a nossa vida colectiva num inferno sem precedentes. Isto é verdade em Portugal, como em qualquer outro país tecnologicamente bem equipado. E, não nos esqueçamos, os nazis também foram eleitos.

    As câmaras de vigilância por todo o lado, o "plástico" como meio de pagamento, a via verde, a inexistência de segredo de justiça, a facilidade técnica com que se realizam escutas telefónicas, ou, simplesmente, o fim do sigilo bancário fazem-me temer o pior. Um dia.

    Não há privacidade e alguém, com poder e determinação, facilmente poderá chantagear, silenciar e perseguir quem melhor entender, sem que a maioria dos cidadãos tenha disso consciência. E não vale a pena pensar que somos honestos e nada temos a esconder: a privacidade é sempre para esconder e é ilegítimo presumir que, por isso, se tenha praticado algo de ilegal. Além disso, o possível vigilantismo, já de si ilegal, não hesitará em distorcer os factos e usá-los como entender.

    A conta bancária, a que o fisco tem acesso quase irrestrito, tem a nossa vida toda na coluna das despesas: onde esteve, onde almoçou, o que comprou, os médicos que consultou e as análises que mandou fazer, etc. Embora ao fisco, para saber se pagámos os impostos, só lhe devesse interessar a coluna das receitas: quem, quando e quanto nos pagou. Quanto ao sigilo bancário, estamos conversados, acabou para sempre. Temos apenas que pagar em dinheiro aquilo que não queremos que outros saibam: se tiver uma doença grave e não gostar que tal se saiba, pague em notas.

    O sigilo fiscal é diferente. Porque essa informação é, grosso modo, conhecida dos nossos amigos: onde trabalhamos, quanto ganhamos e o estilo de vida que temos. O fim do sigilo fiscal revela apenas com precisão, em princípio, aquilo que os nossos conhecidos já adivinham. Aliás, as pessoas com altos cargos públicos têm a obrigação de o revelar e quem quiser saber só tem que ir ao Tribunal Constitucional. Já agora, alguns políticos não entregaram anualmente tal declaração, como deviam, e, pasme-se, nada aconteceu.

    Antes de acabar com o sigilo fiscal devemos pensar (coisa difícil em política) nos termos exactos em que tal pode acontecer. Desde logo, temos de decidir que informação deve estar disponível. A declaração do IRS tem apenas os rendimentos do trabalho. Em certo sentido, alguém cumpridor das suas obrigações pode não pagar IRS e ser muito rico, porque os seus ganhos são de capital, ou seja, juros e lucros. Todos os rendimentos deverão estar disponíveis para não discriminar uma fonte de rendimentos em relação a outra.

    Segundo aspecto importante, nunca deveria estar disponível toda a declaração de impostos, porque lá vêm os descontos com doenças, por exemplo. Mais uma vez, é o problema da intimidade que está em causa, o que é mais importante do que a fuga a algum imposto ou o vigilantismo de certas pessoas. Esta excepção não está prevista no caso das pessoas que detêm altos cargos.

    Terceiro, há que decidir quem pode ter acesso. Se restringimos muito, acaba o efeito dissuasor de fuga aos impostos; se abrimos demasiado, a informação pode ser utilizada por máfias internacionais. Uma consulta à Judiciária seria da mais elementar precaução.

    Quarto aspecto, que tem também a ver com quem acede a essa informação: deveria haver um registo de quem quer aceder, sendo o próprio informado sobre quem acedeu. Seria importante um compromisso sério dos jornalistas de não publicitarem tais informações para segurança das pessoas. Exceptuar-se-iam as situações de manifesto interesse público e não a simples coscuvilhice. Será possível? Duvido.

    Quinto, há que ter em conta o que se faz noutros países. De facto, alguns, mas muito poucos, países têm total ausência de sigilo fiscal. A experiência deles é importante.

    Por último, há que escolher o momento de entrada em vigor do fim do sigilo fiscal. Nas actuais circunstâncias não parece ser o momento adequado: recentemente a confiança no sistema bancário esteve muito abalada e a fuga de capitais pode acontecer por pânico de tal medida; e, mais importante, as máfias internacionais entraram no nosso país com grande impunidade. Possivelmente, já não haverá o momento adequado.

    Ponderar estes factores e responder a todas aquelas questões (e mais algumas outras de carácter operacional) é fundamental antes de sequer se pensar em propor o fim do sigilo fiscal. Mas, se alguma vez tivesse de escolher, entre o fim do sigilo bancário e a acabar com o sigilo fiscal não teria muitas dúvidas em escolher este, com as devidas precauções. Em nome da privacidade.

    Professor universitário

    quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

    Fechadura

    DESTAK |18 | 02 | 2010 08.42H

    João César das Neves | naohaalmocosgratis@fcee.ucp.pt

    Assistimos a um grande embate entre Governo e imprensa, onde os políticos estão a perder em toda a linha. Mas se as irregularidades governamentais são muito graves, é bom não perder de vista também as culpas do outro lado. Os políticos corromperam os valores, mas é verdade que as escutas e o jornalismo de buraco de fechadura são péssimos. Os jornais apresentam-se como juízes nacionais e garantes da moral pública, mas acabam envolvidos na sujidade que dizem limpar. Um caricato exemplo recente, alheio à controvérsia, mostra-o bem.

    O Papa vem a Portugal em Maio. Essa visita levanta muitas questões, algumas polémicas, várias dificuldades. Há muito a dizer sobre ela. O Expresso, uma das principais publicações nacionais, decidiu fazer uma reportagem sobre o tema. Mandou uma repórter às lojinhas do santuário e fez uma notícia de página inteira com chamada à capa: «Bento XVI é um fracasso de vendas em Fátima» (13/Fev.).

    O assunto é menor, mas revelador. Há muitas opiniões sobre a personalidade do Papa e o seu significado. Mas será que ninguém nesse grande semanário tem influência para dizer que isto é muito estúpido? Será tal especulação tonta digna de primeira página? Porque entrou o periódico em boçalidade tão infantil, jornalismo de cordel que confirma o pior que dizem?

    O principal mal dos escândalos nacionais é que desmoralizam o País. Quando os líderes são arrastados na lama os cidadãos sentem-se mergulhados em maldade. O exemplo público da corrupção propaga a mediocridade em todas as actividades. Até naquela que o denuncia.

    Os situacionistas

    Público 20100218 Helena Matos

    Academicamente bem apetrechados, esta nova geração passou rapidamente após 1975 da oposição para o poder


    Nos anos 60 passaram do liceu para as universidades. São do tempo em que ser senhor doutor valia alguma coisa e as famílias apostaram fortemente na sua formação, confiando que, apesar de cada ano lectivo corresponder a maior irreverência, no fim eles teriam o canudo. Para o futuro ficaram conhecidos como geração de 60. Em Portugal, a PIDE e a censura deram-lhes um enquadramento de resistência que vai para lá do que aconteceu aos seus congéneres nos países democráticos. Após 1975 cortaram o cabelo, apararam a barba e quando a tropa, já sem MFA, recolheu aos quartéis começaram a sentar-se no aparelho de Estado. Academicamente bem apetrechados e com o país a precisar de se refazer das vagas de saneamentos, esta nova geração passou rapidamente da oposição para o poder. Alguns dos mais destacados elementos dessa geração vieram a tornar-se notáveis do PS. O que de algum modo fazia todo o sentido: tinham lutado contra o fascismo, o social-fascismo e outros ismos. Na democracia tiveram no PS o seu espaço natural e em Soares o líder que trataram como já não se tratam os reis.

    Nem sempre as coisas correram bem, mas havia a íntima convicção que nos grandes momentos eles escolheriam a liberdade, tal como a tinham escolhido durante as crises académicas. Mas não é isso que está a acontecer. Agora estão calados. Calados como nunca estiveram com Guterres ou sequer Soares. Fazem o pino para justificar o injustificável ou passam discretos a ver se descobrem algo em que possam pegar naqueles que não estão dentro do seu círculo (ou triângulo, se se preferir o imaginário maçónico onde muitos acabaram após a fase juvenil do ateísmo).

    Durante meses interroguei-me por que estaria isto a acontecer. Ainda esta semana me caiu no mail aquele PDF com o diploma da licenciatura de José Sócrates, datado de Agosto de 1996, mas de cujo papel timbrado fazem parte números de telefone que só passaram a existir no final de 1999. Quem mandava o mail perguntava: isto já é conhecido, não é? Claro que sim. Isso e tudo o que veio depois é sobejamente conhecido. Mas eles, tão ciosos das suas notas no Técnico, em Direito e em Letras, como no seu tempo se dizia, fazem agora de conta que não é nada com eles ou tornam-se peritos instantâneos em procedimentos jurídicos que levam invariavelmente a anulações e arquivamentos. Por que se calam? Não os move certamente o dinheiro, tanto mais que estão à beira de ser a última geração a gozar as reformas douradas do Estado que essa geração dizia social.

    A resposta encontrei-a ao ver na televisão as notícias sobre a ronda de contactos entre o secretário-geral do PS e as estruturas partidárias. Eles, os contestatários dos anos 60, são agora a Situação. Sem Sócrates, que obviamente não é um deles, acaba-se a Situação, esta coisa que ninguém sabe o que é mas que se arrasta. Esta coisa em que se mergulha na dúvida, no boato, nos casos e em que os detentores do poder não se afirmam pelo que oficialmente fazem, mas sim por conseguirem passar a mensagem de que não existe alternativa às suas pessoas.

    Não são de modo algum a primeira geração a ficar refém dum tempo político. "Falhámos a vida, menino" - é uma das frases finais de Os Maias. Mas no caso da geração de 60 não só não parece que esteja interessada em fazer balanços do seu legado - à excepção daquelas evocações que os transformam em heróis -, como, por ironia, eles, que em jovens foram tão eficazes a combater o poder, revelam-se agora, à beira de se tornarem velhos, dispostos a quase tudo quando alguém os confronta com aquilo em que se tornaram. E note-se que eles não se tornaram poder, que isso já o eram. O que Sócrates fez deles foi transformá-los na Situação.

    Ensaísta

    No reino das aparências

    Público, 20100218 Pedro Lomba


    O que quer o propagandista não é controlar a realidade. A sua primeira ambição é outra: gerir a aparência. Não lhe interessa refutar factos e suspeitas desfavoráveis, mas manipular a forma como esses factos são lidos e interpretados pelo maior número de pessoas. É nessa contra-informação metódica que o propagandista cava a distância entre o que é e o que parece.
    Por isso, o grande motor de toda a propaganda - política, económica ou cultural - residiu sempre na criação sofisticada de aparências. As aparências também assentam em opiniões. Mas essas opiniões são distorcidas, falsificadas, enviesadas. São opiniões falsas que pretendem gerar outras opiniões falsas. Nas sociedades de massas, as aparências circulam como produtos tóxicos. E o mais difícil nisto tudo é isolar e compreender a realidade.
    No caso do plano com que alegadamente o Governo queria tomar conta da TVI - a que podemos chamar plano A, porque resta apurar se a operação não acabou por ser executada através de um plano B, com protagonistas diferentes -, é elucidativo ver o empenho com que todos os intervenientes no negócio falhado quiseram alimentar a ideia de que tudo seria na aparência algo diferente daquilo que de facto era. O Solconta, por exemplo, que Zeinal Bava, obviamente para proteger a imagem da sua empresa, tudo fez para que a operação se fizesse sem que a PT "aparecesse"; o administrador Rui Pedro Soares mais o seu ajudante jurídico, Paulo Penedos, também parecem ter conduzido esforços para que o negócio fosse visto como uma "guerra entre empresas".
    Remover José Eduardo Moniz antes de a PT entrar reforçaria o jogo de aparências. Até quando Moniz verbalizou publicamente que ponderava candidatar-se a presidente do Benfica, os "executores" do "plano" terão esfregado as mãos. Isso significava que a posição de Moniz na TVI não estava certa e os motivos da sua contratação poderiam ser mascarados com outra eficácia e sucesso. A "guerra entre empresas" seria, em princípio, o contexto perfeito para se esconder o carácter político do negócio.
    Quando hoje pergunta o primeiro-ministro ou, dizendo rigorosamente, quando outros perguntam por ele: eu menti ao Parlamento? Quem não mentiu? Eu quis controlar a comunicação social? Quem não o quis no passado? Eu pus os "meus" boys nas empresas públicas? Atire a primeira pedra quem não o fez. Quando estes "argumentos" são soprados por ele e pelos seus defensores mais desesperados, trata-se da mesma onda mistificadora que abastece o reino das aparências.
    Quando ontem, o dirigente socialista José Junqueiro veio lembrar que o Expresso e a SIC pertencem a fundadores do PSD - e de um ex-primeiro-ministro, Francisco Pinto Balsemão, - e o PÚBLICO é propriedade de Belmiro de Azevedo e o semanário Sol tem "como accionistas e ideólogos as principais figuras do PSD" (sic), o enredo, cada vez mais implausível, passa a ser outro. Deixamos de estar perante uma guerra entre empresas mas entre partidos e órgãos de comunicação social.
    Assim se percebe por que José Sócrates deixou ontem o Olimpo do Governo para, descendo às bases, incitar a "família PS" a assumir as dores do cerco que lhe foi criado. Interessa-lhe agora a aparência de uma provocação partidária para, eventualmente, conseguir dissolver a sua própria responsabilidade. Uma disputa PS contra o PSD é mais uma aparência conveniente.
    Neste circo de aparências, a única coisa que não interessa enfrentar é a realidade. Fez ou não o primeiro-ministro aquilo de que muita gente o acusa? Enquanto tarda esta resposta, vamos apodrecendo como país no reino das aparências, em que a prestação de contas e a responsabilidade política não existem, não valem de nada. Belo regime.
    Jurista