terça-feira, 31 de maio de 2011

Senhor Santo Cristo dos Milagres

As festividades em honra do Senhor Santo Cristo dos Milagres estão a decorrer entre os dias 26 de Maio e 2 de Junho, na cidade de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Açores.

O Senhor Santo Cristo

Conta a tradição que, no outono de 1713, durante um grande terramoto na ilha de São Miguel, um grupo de freiras saiu à rua em procissão com uma imagem de Jesus que, até então, não tinha grande culto. A elas se juntou o povo com andores e ladainhas e também os notáveis da terra com os seus trajes de cerimónia. Passaram entre escombros e cadáveres até que um tremor mais forte fez cair a imagem do Cristo do andor para o chão, que ficou direita sem se partir ou sujar. Nesse momento, a terra parou de tremer, o mar amansou e o céu descobriu-se, nascendo assim a grande devoção ao Senhor Santo Cristo dos Milagres.
Sem autor, época, origem ou história definidos, a imagem do Senhor Santo Cristo é uma escultura única, de grande beleza e luminosidade, que uns dizem ser provavelmente do século XII, da escola de Bizâncio, mas que ninguém sabe muito bem ao certo a sua origem. A história da vinda da imagem para os Açores remonta a 1522, quando um grupo de raparigas, querendo dedicar-se à vida religiosa e não pretendendo sair da ilha, decidiu enviar duas delas em segredo a Roma pedir ao Papa autorização para fundar uma comunidade religiosa. Comovido pela sua coragem, Clemente VII deu-lhes autorização para fundarem a comunidade das Clarissas Descalças e ofereceu-lhes uma imagem muito antiga e bonita que existia nos Museus Vaticanos.
Assim surgiu, no século XVI, o Convento de Nossa Senhora da Esperança, cuja celebridade resulta do facto de, na respetiva capela, se encontrar a imagem do Senhor Santo Cristo dos Milagres, colocada num camarim alto, com um valioso tesouro composto por um resplendor, cetro, corda, coroa (em ouro e com um ramo de flores com centenas de pequenos diamantes, esmeraldas, topázios e pérolas) e relicário do século XVII. Estas cinco joias incluem centenas de elementos preciosos em ouro, prata, diamantes, esmeraldas, rubis, ametistas e topázios, resultado de doações feitas ao longo dos séculos. O Tesouro do Senhor Santo Cristo é de incalculável valor, considerado, juntamente com a Custódia de Belém, uma das obras sacras mais preciosas de Portugal. O resplendor é tido como a peça mais sumptuosa do arquipélago e uma das mais importantes de toda a Península Ibérica. As capas que todos os anos cobrem a imagem, profusamente "bordadas" de joias, são oferecidas pelos particulares em cumprimento de promessas.
A procissão do Senhor Santo Cristo, a maior manifestação religiosa açoriana, celebra-se no quinto domingo depois da Páscoa, pelas ruas atapetadas de flores, traçando o percurso onde se situavam os antigos conventos da cidade de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel. Estas festas religiosas chegam a reunir cerca de 50 mil pessoas, entre devotos locais e emigrantes em peregrinação anual, muitas das quais retribuem graças com sacrifícios e oferendas e pagam promessas de joelhos à volta do Campo de S. Francisco.
O Senhor Santo Cristo. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. [Consult. 2011-05-31].
Disponível na www: .

Da licitude moral do voto

Nuno Serras Pereira
31. 05. 2011

As eleições políticas implicam necessariamente uma escolha moral por parte de quem vota ou de quem se abstém. É sobre alguns aspectos desta escolha que
agora me detenho sem considerar a moralidade do político que se apresenta como candidato nem a do líder que decide quem são as pessoas que se
apresentam, em nome do seu partido político, à votação dos eleitores.
Já se sabe que em nenhuma circunstância é lícito escolher o mal.
Consequentemente nunca é legítimo votar num candidato porque ele advoga o aborto, ou a eutanásia, ou a supressão da liberdade de ensinar e de
aprender, enfim porque se propõe repudiar qualquer princípio ou valor inegociável.
Não obstante podem dar-se circunstâncias tais em que a um católico seja lícito votar nas listas desse ou desses partidos não porque mas apesar de apresentarem gente dessa espécie. Aliás, em circunstâncias excepcionais poderá ser inclusive moralmente obrigatório fazê-lo.
Se, por exemplo, o poder estiver nas mãos de políticos perversos cuja governação e legislação se caracterizaram por roubos, matanças e destruições (cf. Jo. 10, 10), quer físicas quer morais, e houver razões fundadas para concluir que o único modo de limitar esses males horrendos será através da votação em um ou mais partidos que, sendo embora deficientes e com alguma perversão, o possam substituir no poder parece, claro, que o católico ao votar nele/s está, não a procurar o mal mas a escolher o bem possível.
Se o eleitor tem razões fundadas para julgar que o voto num partido limpo será, nessa circunstância, inútil no sentido em que poderá impedir a vitória daquele/s que poderiam limitar o mal, parece evidente que deverá canalizar o seu voto para o bem possível nessa circunstância.

Optimismo. Um ponto de partida para melhorar a sua situação

Maria Catarina Nunes, 31 de Maio de 201 i-online
Existem pelo menos duas formas de enfrentar os obstáculos: alterá-los ou alterar-nos para os conseguirmos superar

A troika aterrou em Portugal e na bagagem trazia a obrigação de usar cintos mais curtos, umas quantas doses de stresse e outras tantas de inquietação. Os portugueses andam mais preocupados e é natural que a má disposição tome conta dos ambientes de trabalho. Os chefes não o deixam em paz, os colegas estão carrancudos e entregues ao fado que é ser português. A situação do país é negra. Para vencer a crise devemos consultar quem sabe, os especialistas consideram que só há uma caminho: se as situações são adversas, rir é mesmo o melhor remédio.

O método foi explicado ao i na conferência Talenting the Impossible, organizada pela Talenter - empresa que se dedica a encontrar e a cultivar talentos. Helena Marujo, investigadora e membro do Board of Directors da International Association of Positive Psychology, foi uma das oradoras na palestra que se realizou na sala principal do Teatro Tivoli. Através de uma apresentação divertida, recheada de piadas e descontracção, a psicóloga conseguiu que a plateia se conhecesse por meio de temas mais íntimos, daqueles que não se partilham com estranhos. "Qual foi a coisa mais bela que já viram hoje? Contem a alguém sentado próximo de vocês, mas que não conheçam", pedia Helena Marujo, dando início ao exercício. Sentada na fila em frente à minha, Sofia, uma das participantes, roda meio corpo para trás, pára o olhar no meu, como que a questionar a escolha, e atira: "Isto não é nada fácil com alguém desconhecido!" E de facto não foi, mas acabámos por conversar.

A cada nova pergunta que Helena Marujo fazia, trocávamos de parceiro. A ideia era que rodássemos pela sala, que conhecêssemos gente nova e que, no final da conversa, agradecêssemos à pessoa com quem trocávamos umas intimidades entre piadinhas e risadas.

Gratidão. Esta é, de acordo com a especialista, uma das muitas ferramentas positivas a que se deve recorrer se a ideia é gerar felicidade, bom ambiente e ultrapassar obstáculos: "Os estudos mostram que quem tem níveis de optimismo mais elevados tem também mais capacidade de lidar melhor com as situações desagradáveis", explica Marujo. Ser optimista, diz a investigadora, acarreta diversos elementos que devem ser trabalhados aos longo da vida (ver componentes para o bem-estar).

No final da palestra, Helena Marujo não abandona o palco sem resumir o que é este lema de ''ser positivo'': "É possível ver tanta coisa na mesma realidade. Se há alturas em que não conseguimos deixar o pessimismo? Sim. Mas não deixam de ser uma escolha". Escolha essa que, garante o moderador João Catalão, administrador da YouUp, The Coaching Company, é uma base importante para o segredo da felicidade: "Ninguém vai ter o que merece, apenas o resultado daquilo que investiu."

Qualificação vs. talento Mais do que conhecimento, a sociedade exige vocação e estratégias de valorização que permitam às pessoas manifestá-lo. "A mudança exige esforço, mas o meu cérebro não é mais forte do que eu", assegura João Catalão, lembrando que "querer" deve ser o verbo de eleição para qualquer tarefa que queiramos desempenhar, seja ela ultrapassar uma crise ou descobrir a inclinação escondida. O mote serve para fazer entrar em cena o próximo orador. Rui Fiolhais é gestor do Programa Operacional Potencial Humano e veio falar de talento.

Como o descobrir? E como trabalhar o seu talento? Convém saber que a vocação não tem de ser uma aptidão natural. E que se houver habilidade e disposição, ela se revela: "O talento não é divino. Dá muito trabalho. Além disso é tímido. Mas toda a gente tem uma graça, seja ela qual for", acredita o ex-assessor do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social. É por isso que muitas pessoas não o descobrem.

"Para ser talentoso em alguma área é preciso estar disponível para o ser." O talento dá trabalho. Não só é necessária qualificação, como é preciso muita atitude, muito trabalho e muita dedicação. Rui Fiolhais, que nunca sequer tinha julgado que a sua vocação era descobrir e alimentar talentos, acrescenta que ''para isto andar tudo para a frente'' "é necessário reconhecermos e nutrirmos o talento dos outros".

Este é o ponto onde Portugal mais falha. Fiolhais não acredita que o nosso país tenha capacidade para apostar em pessoas talentosas: "Há políticas preparadas para reter e fazer crescer talentos? Não, infelizmente na maior parte dos casos é negativa", assegura. Uma incapacidade que leva muitos jovens a abandonar o país, tentando crescer lá fora. Mas não fosse esta uma conferência sobre optimismo e, ainda assim, Rui Fiolhais acredita que estamos no caminho certo: "Ninguém pode dizer que o nosso mundo e o nosso país não vão para a frente. Vão. Não há hipótese", conclui.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Fora do tempo e do espaço

Surpreendentemente dei comigo a concordar com Rui Tavares, cronista do público e deputado ao Parlamento Europeu pelo Bloco de Esquerda. Neste artigo, o autor lamenta  falta de critério editorial da televisão quando o país está numa situação difícil e seria preciso uma campanha esclarecedora.
Decidi escolher este artigo porque faz um diagnóstico correcto e bem exemplificado; desconfio, contudo, que o nosso acordo cessará quando falarmos de critérios
Pedro Aguiar Pinto



Fora do tempo e do espaço


Público 2011-05-30 Rui Tavares


Liguei o aparelho na RTP1. Segunda parte do Manchester-Barcelona, uma boa surpresa, tinha-me esquecido do jogo. Esperei pelo Telejornal. O país a uma semana de uma eleição, num momento crítico, etc. - vocês sabem a história.
A primeira notícia do Telejornal foi sobre o jogo de futebol que eu tinha acabado de ver. Era uma final europeia, tudo bem, mas a notícia era redundante: o jogo tinha acabado 30 segundos antes, que diabo, naquele mesmo canal.
Não me lembro de quais eram as notícias seguintes. As chuvadas, um acidente, essas coisas. Sobre a campanha havia primeiro uma peça sobre o lado íntimo, ou lá o que era, de Pedro Passos Coelho: o candidato explicava que nunca foi gordo, que não gostava de se sentar na relva porque lhe doía o rabo, etc. Tive pena dele; é preciso paciência para fazer aquele papel e ouvir aquelas perguntas, sempre com o mesmo sorriso na cara.
Depois veio uma peça sobre Julio Iglesias, que veio fazer um concerto a Portugal. A RTP decidiu entrevistá-lo - pressupõe-se - pela relevância artística e social do cantor espanhol. Um juízo discutível como outros. Vai daí, do que tratava a entrevista? Do seu álbum? Do concerto? Não. De José Mourinho. Se Iglesias gostava de Mourinho. Se Mourinho era ou não o melhor treinador do mundo. Se Mourinho vai ou não ganhar o próximo campeonato.
A falta de critério cultural dessa entrevista - ou a RTP acha que Iglesias é um cantor importante, e pergunta-lhe sobre a sua música, ou acha que ele está acabado, e não lhe pergunta nada - significa apenas uma coisa: que a RTP tinha desistido de ter uma posição, qualquer que ela fosse. Bastava-lhe ir com o tempo: se toda a gente está obcecada com Mourinho, a RTP pergunta sobre Mourinho a toda a gente. Assim o jornalismo fica só uma questão de achar um lugar para pôr a câmara.
A esta falta de critério cultural sucedia-se uma perturbadora falta de critério moral. O telejornal passou para uma peça sobre o caso em que uma adolescente foi agredida por outras duas adolescentes, enquanto tudo era filmado por um jovem. A RTP mostrava o filme, se não quase todo, muito mais do que necessitaria mostrar para que estivéssemos "informados". Ao contrário do que parecia achar o jornalista e o editor responsáveis, eu não preciso de ver uma rapariga apanhar pontapés na cabeça para saber o que se passa; não ficarei mais informado por cada segundo a mais de pancada. Há ainda formas de, no jornalismo, descrever, resumir, interpretar. Creio que a isso até se chama, salvo erro, fazer jornalismo.
Uma das coisas que chocavam naquela história era como podia o rapaz ter filmado a agressão em vez de parar para pensar. Também chocava, num plano diferente, ver como o jornalista tinha decidido mostrar o vídeo em vez de parar para pensar.
Depois do Telejornal, descobri que estar fora do tempo e do espaço vale o mesmo que estar completamente dentro do tempo e do espaço, mas a falar daquilo de que todos já falam, e a fazer aquilo que todos já fazem.
Daqui a poucos dias, a RTP dirá - como todos dirão e precisamente porque todos o dirão - que a campanha foi pouco "esclarecedora".

Espera e encontro: Exposição, bailados e concerto


Espera e Encontro_CONVITE

Novena de adoração eucarística por Portugal

Valor e risco do voto

DN2011-05-30
JOÃO CÉSAR DAS NEVES

As próximas eleições são das mais intensas, decisivas e disputadas de sempre. O País vive uma crise delicada e anseia por liderança sólida e lúcida que facilite a recuperação. Mas até que ponto o sufrágio é relevante? Não está o futuro definido pelos credores com o FMI? Vale a pena votar?
Para entender a situação é preciso ultrapassar o nevoeiro da retórica eleitoral e a tolice dos comentadores de ocasião e avaliar o plano económico. Isso exige algo que poucos fazem: ler o "memorando de entendimento", não para encontrar argumentos, mas para saber o que diz.
O plano tem três aspectos surpreendentes. Primeiro, ao contrário de 1978 e 1983, não se limita ao buraco financeiro, mas preocupa-se com o crescimento e a reestruturação da economia. Do mercado de trabalho (4.1-4.9) à energia (5), saúde (3.49-3.82), bancos (2) e correios (5.20-5.21), as propostas estendem-se a múltiplos aspectos da situação. Claro que as coisas estão ligadas e o pagamento da dívida será facilitado se a estagnação económica for rompida. Mas o FMI costuma ser acusado de visão mesquinha e curta, sacrificando o desenvolvimento futuro aos pagamentos imediatos. Desta vez, pelo menos, adoptou atitude larga e sensata.
Além disso, forçando dolorosos ajustamentos que farão sofrer muita gente, o plano mostra preocupações sociais de justiça: nas pensões (1.11), nos benefícios fiscais (1.20 i), nas taxas moderadoras (3.49), no acesso à saúde (3.69 i), no subsídio de desemprego (4.1 iv), etc. Também isto é inesperado. Mas o elemento central é que, apesar de marcar metas claras e precisas, deixa a Portugal a escolha dos meios para as atingir. Chega a recomendar estudos que indicarão a solução. Haverá controle apertado na obtenção de exigentes objectivos, mas bastantes graus de liberdade na forma de os conseguir.
Este elemento torna as eleições relevantes. O plano apenas fornece um esquema geral, que o nosso Governo concretizará. Ele acerta os totais; mas dá liberdade nas parcelas. Seremos nós a decidir quem paga os custos da solidez financeira. O memorando traça o destino, e nisso o nosso voto é irrelevante. O que decidiremos no domingo é a partilha de sacrifícios. Esta é, ao mesmo tempo, a oportunidade e o perigo, pois torna visível a nossa questão social.
Portugal tem um problema financeiro, de dívida, um problema económico, de estagnação, e um problema social, de corporações. O País não caiu neste buraco por engano. Foi empurrado por forças poderosas que há anos capturaram os mecanismos de poder. Essas forças não desistiram nem emigraram e estão atentas na defesa dos seus privilégios. É verdade que os grupos que bloqueiam a política portuguesa não são maus. Claro que há crimes e abusos, mas não é isso o determinante. Os custos que nos arruinam vêm de direitos exagerados concedidos a pessoas sérias e trabalhadoras, que recebem do País mais do que contribuem. Os direitos em causa são razoáveis e compreensíveis, mas insuportáveis. É preciso não eliminá-los mas equilibrá-los. Não será fácil.
Para que o programa de estabilização funcione de forma eficaz e justa, dois grupos devem ser poupados: as empresas produtivas e as classes necessitadas. Infelizmente, não são essas as forças que comandam o poder político. A direita fala de investimentos, e a esquerda louva os pobres, mas, apesar da retórica, ambas servem a classe média, onde estão os votos decisivos. Hoje em Portugal ninguém representa empresários e proletários, porque todos os partidos querem agradar a funcionários, sindicatos, professores, médicos, autarquias, que decidem eleições.
Será que estamos perdidos? Não, mas o sucesso exige duas condições. Primeiro, maioria absoluta. Depois, um Governo com sentido de Estado, que ponha o interesse nacional acima da popularidade imediata. Se o plano tiver sucesso, dentro de quatro anos ganhará as eleições por mérito próprio. Entretanto, poderá ir atirando a culpas para o FMI.
Portugal tem três problemas: financeiro, económico e social. O memorando tratará dos dois primeiros, se as eleições resolverem o terceiro.

Mais de 2.300 toneladas de alimentos no fim-de-semana

DN 2011-05-30
A presidente do Banco Alimentar, Isabel Jonet, corrigiu hoje para 2.309 o número de toneladas de alimentos recolhidos este fim-de-semana, mantendo que o aumento em relação à campanha de maio foi de 14,9 por cento.
Segundo a instituição, até às 23:00 de domingo, a campanha realizada em mais de 1.560 superfícies comerciais das zonas de Abrantes, Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Oeste, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, Terceira, Viana do Castelo e Viseu, já tinha conseguido um total de 2.132 toneladas de alimentos, mais 10 por cento do que em 2010.
Com a contagem dos donativos feitos nos supermercados, este ano já com horário prolongado, o número elevou-se para as 2.309 toneladas, quantidade que comparada com as toneladas recolhidas em maio de 2010, representa um acréscimo de 14,9 por cento.
Os géneros alimentares recolhidos serão entregues a partir da próxima semana a 1.936 instituições de solidariedade social, que os distribuirão "a cerca de 319 mil pessoas com carências alimentares comprovadas, sob a forma de cabazes ou de refeições confecionadas".
Esta foi "a maior acção de voluntariado", com um total de "31.900 voluntários" envolvidos na recolha de alimentos realizada no fim-de-semana, acrescentou o comunicado do Banco Alimentar.
Até 5 de junho, haverá ainda a possibilidade de doar alimentos através da campanha na Internet, com alternativa de pagamento por multibanco, e através das 3.900 lojas Payshop, sendo as doações em dinheiro posteriormente convertidas em leite.
Em 2010, os 14 Bancos Alimentares Contra a Fome operacionais distribuíram 26.527 toneladas de alimentos (equivalentes a um valor global estimado superior a 37.7 milhões de euros), ou seja, um movimento médio de 90,3 toneladas por dia útil.

30 de Maio - Santa Joana d'Arc

Joana d'Arc na coroação de Charles VII na catedral de Reims
Jean-Auguste-Dominique Ingres
1884
óleo sobre tela
Musée du Louvre
Paris (France)

Última semana

Raquel Abecasis
RR on-line 30-05-2011 06:30

Em campanha eleitoral, os partidos tendem a sair para a rua a prometer oásis aos portugueses.
De campanha para campanha, a adesão popular é cada vez menor e os partidos têm que recorrer aos métodos mais rebuscados, como recrutar emigrantes que nem têm nacionalidade portuguesa, para dar um ar composto aos comícios dos líderes.
A campanha de recolha de alimentos para o Banco Alimentar contra a Fome, que decorreu este fim-de-semana, contrasta com a apatia política dos portugueses. Afinal, os números revelam que as pessoas não são indiferentes ao destino de todos e sabem que os próximos tempos não serão fáceis para ninguém.
Diz a promotora desta iniciativa que "as pessoas dão mesmo que estejam a passar dificuldades, percebem que não precisam de dar muito, basta dar um bocadinho, porque há pessoas em pior situação. Outros dão porque não sabem como será a sua própria situação no dia de amanhã”.
O que isto prova é que, por mais que os políticos se esforcem por esconder a realidade, ela está bem presente na casa das pessoas.
Os portugueses, prova-o a recolha do Banco Alimentar, estão dispostos a travar a batalha para repor o país de pé, mas preferiam uma campanha que lhes falasse da realidade e de como ultrapassar as dificuldades.
Na última semana de campanha, era bom que acabasse o discurso das frases feitas e das acusações e se falasse de como atingir as metas impostas pela troika. Algumas destas metas têm prazo já para o final de Junho e do seu cumprimento depende o financiamento do país.

domingo, 29 de maio de 2011

Deus nos livre

DN2011-05-29
ALBERTO GONÇALVES
Na terça-feira, Pedro Passos Coelho lamentou as nomeações efectuadas em desespero pelo Governo dito em gestão e o eng. Sócrates confessou-se ofendido. Na quarta-feira, Passos Coelho aludiu à cosmética aplicada aos dados da execução orçamental e o eng. Sócrates confessou-se indignado. Na quinta-feira, Passos Coelho aliviou-se de um comentário sobre a lei do aborto e o eng. Sócrates confessou-se chocado. Na sexta-feira, Passos Coelho pediu esclarecimentos acerca das divergências entre o acordo assinado com a troika e o acordo com a troika anunciado. À hora a que escrevo, ignoro se o eng. Sócrates se confessou magoado, tristonho, amuado, revoltado, sorumbático ou destroçado.
Não importa. Importa que à conta das indignações e choques do Chefe Supremo, atitudes que teriam sido mais adequadas à desgraça para que empurrou as contas públicas nos últimos anos, o PS lá vai levando a campanha sem justificar a desgraça nem se atrasar nas sondagens. De norte a sul, os socialistas repetem querer discutir os verdadeiros problemas do país. Na prática, porém, limitam-se a divulgar os estados de alma do eng. Sócrates.
O truque não é inédito, e começo a achar que talvez não seja deliberado. Quando o eng. Sócrates afirma que criticar o seu desempenho equivale a insultar dez milhões de portugueses, é possível que misture sincera e genuinamente ambas as instâncias. Quando o eng. Sócrates reduz uma eleição decisiva para o futuro desses dez milhões de portugueses a uma exibição de sentimentos íntimos, é possível estar mesmo convencido de que tais sentimentos possuem uma dimensão partilhável por todos. O Estado é ele? Aparentemente, ele e um séquito de fiéis assim o julgam, e o empenho dos media em conferir estatuto de notícia (e, às vezes, de manchete) a cada angústia do eng. Sócrates ajuda a manter a ilusão.
Em qualquer democracia, há a tendência para o partido no poder se confundir com a população em peso. Não me lembro de outro caso democrático em que se confunda a população em peso com um único homem. É quase como se Portugal andasse bem desde que o eng. Sócrates ande bem, um exagero e, ao que se tem visto, um brutal equívoco: a relação é exactamente a inversa. Entretanto, as propostas, dúvidas e críticas de Passos Coelho caíram no esquecimento dez minutos depois de proferidas, não porque não eram pertinentes, mas porque insistir nelas perturbaria o eng. Sócrates, logo o país, logo a harmonia do cosmos. Deus nos livre, se no curioso mundo do eng. Sócrates Deus não for uma redundância.
Quarta-feira, 25 de Maio

Os "boys"

Zita Seabra
JN 2011-05-29
Eles acham que são os donos do país. Portugal é deles. O Estado pertence-lhes. Vale tudo. Estão acima da lei e das deontologias. Não conhecem ética em política, nem educação. Não sabem o que é o Estado de direito.
São filhos directos de Maquiavel porque agem sempre como se os fins justificassem os meios. Sentem-se príncipes que desconhecem o Estado de direito porque são os donos absolutos do país. Usam a propaganda como ninguém. Alimentam-se dela. Sabem de cor como inventar cenários, como criar factos que desviem do essencial, como dar a parecer o que não é.
Mentem por palavras, actos e omissões.... Omitem números se não lhes interessam, guardam-nos e escondem-nos para apresentar boas execuções orçamentais. Mudam critérios para contar desempregados, como quem apaga pessoas. As pessoas são números. Afirmam meias- verdades para não serem apanhados na totalidade da mentira e não parecerem mentir tanto quando são apanhados em flagrante.
Levam, sem vergonha, figurantes para comícios eleitorais com bilhetes para oceanários, ou a troco de pequenas excursões, de uma viagem e de um lanche. Valem-se de tudo o que pode ser útil para o objectivo que desejam. Fica bem multiculturalismo? Pois fazem o gesto obsceno de arrebatar para imagem filmada de comício emigrantes paquistaneses ilegais, ou indianos, ou africanos. Levam-nos para exibir publicamente e mostrarem ao país as diferentes cores da pele e põem gente pobre e desprotegida a fazer o triste papel de figurantes televisivos e marcar o dia. Nem notam que são autores de um brutal acto de racismo que faz corar de vergonha qualquer pessoa digna.
Exibem o despudor de usar serviços públicos na campanha como se fossem seus espaços privados e as pessoas que estão em aulas em serviços públicos são exibidas como troféus de campanha e interrogadas por meios de Comunicação Social para se mostrarem agradecidas, reconhecidas e obrigadas. Já não mostram obra feita, mostram pessoas que constrangem em serviços públicos como obra feita.
Revelam pouca memória pois não se lembram das cenas célebres de filmagem de uma criança dando-lhes flores, tantas vezes vistas em outros tristes cenários. Põem mesmo a criança a dizer: "Obrigado pelos Magalhães". Que memórias nos traz aquela imagem e quantas vezes e em que circunstância já foram realizadas.
Levantam sustos e medos contra quem se lhes opõe. Levaram o drama a muitas casas de portugueses quando distribuíram o que não tinham para ganhar as eleições, que ganharam, fazendo depois uma razia de pobreza com milhares de portugueses a perderem o emprego, muitos com mais de 50 anos e sem esperança de voltarem a trabalhar, com os dias contados para receberem o subsídio. A caminharem para o desespero, tiraram-lhes o futuro.
Mas não desistem. É a sua sobrevivência política pessoal. Prometem mundos e fundos com as mãos-cheias de nada. E escondem, escamoteiam a realidade e a verdade, que são valores para eles secundários para tanta ambição. A verdade aparece como uma palavra erradicada da política. A verdade é subjectiva e adaptam-na aos seus interesses de campanha. Interessa, sim, a mensagem a "vender" cada dia aos portugueses.
Escondem o fundamental. Até há dois dias, escondiam o acordo com a troika que nos vai condicionar o dia-a-dia e o futuro imediato. Vai condicionar-nos no dia a seguir às eleições. Evitaram discutir o assunto, fingiram que não existia. Asseguravam que agora, ocupados com as feiras e romarias e com votos, não tinham tempo para estudar o assunto. Não sabiam prazos, nem compromisso. Desconheciam que tinham de baixar a Taxa Social Única. Nem faziam ideia como iam financiar os compromissos. A crise não era com eles. É com as troikas, os alemães e o FMI. Eles estão calmos porque tratarão de nós quando a campanha passar.
Era estranho que não quisessem discutir o que em nome de Portugal assinaram. Era estranho que não houvesse tradução oficial do documento assinado e entregue aos partidos da Oposição. Agora, descobre-se que o documento entregue aos partidos não é igual ao outro. Pequenos pormenores. Minudências. Umas pequenas alterações de prazos, da legislação laboral, por exemplo. Que importância tem isso?, são meros pormenores, dizem. Resultam talvez apenas da dificuldade em traduzir o inglês técnico, certamente. Importante para eles são os votos, são uns bombos na campanha para animar o povo, dirão. É só fazer de conta mais uns dias, uma curta semana e eles, os portugueses, verão, então, fora do ruído da campanha, o que os espera e confrontam-se com a realidade já sem retorno.
Não são de Esquerda, nem socialistas, nem liberais, nem sociais-democratas, são, na feliz expressão do último líder socialista António Guterres, simplesmente "boys".
Mas vai dar muito trabalho ao PSD e a Pedro Passos Coelho fazer regressar à política a nobreza de quem quer apenas que esta volte a ser um mero serviço do bem comum e que a esperança regresse a Portugal.

Eis os invisíveis

Público 2011-05-29  Miguel Esteves Cardoso

Ontem tivemos a sorte de apanhar a empregada de caixa mais rápida e mais bem disposta do Oeste, no Continente de Lourel. Perguntei se as pessoas agradeciam. Ela respondeu que "havia um senhor que, quando chegava, ia cumprimentar todas as empregadas, com um aperto de mão". Deu a entender que este era o único cliente com boas maneiras. Perguntei se eram as pessoas mais velhas que se portavam melhor e ela logo ironizou: "Nem sempre." como quem diz "quase nunca".

A Maria João, solidária, preocupou-se com a coluna dela. Apanhei essa preocupação e perguntei se era sempre tão rápida. Disse logo: "É mais quando começo."

Estávamos diante de uma pessoa generosa e inteligente. A Maria João perguntou há quanto tempo lá trabalhava: há nove meses. Parecia, pelo entusiasmo, que era há nove minutos. Perguntámos se a congratulavam por ser tão rápida. "Sim", respondeu. Mas, quando insistimos ("Toda a gente?"), ela desabafou, contra vontade: "Não, há pessoas que passam por mim como se eu fosse um avião."

É uma grande frase. É um grande pecado não ver as pessoas que são visíveis. As pessoas que lavam as casas de banho; que pintam os muros da praia; que limpam as ruas. Ou os velhos e as criancinhas que passam por nós.

São as pessoas invisíveis, a quem não falamos, que são o anjo Elias entre nós, os outros eus de Lévinas; os convidados inesperados que, se dermos por eles e nos lembrarmos deles, hão-de ajudar a salvar as nossas pobres e comprometidas almas.

sábado, 28 de maio de 2011

Notas de campanha (2)

Público, 2011-05-28 José Pacheco Pereira
Estou convencido que o PSD vai ganhar e não me surpreenderia que o fizesse por margem maior do que mostram as sondagens

Alguém me pode explicar por que razão o documento central para a governação, que é o Memorando da troika, está tão ausente da campanha eleitoral? Só isto mostra o irrealismo em que decorre a campanha.
lguém me pode explicar por que razão se pensa na direcção do PSD que é atacando o CDS que se ganham os votos para o objectivo proclamado da maioria absoluta? Na verdade, uma lógica de bipolarização à direita só existiria se a performance do PSD contra o PS parecesse eficaz na conquista do eleitorado central. Então, sim, arrastaria os indecisos entre PSD e CDS, levando-os a tomar opção pelo PSD. A aparente ineficácia do PSD em impedir um PS com resultados acima dos 30% favorece o voto "solto" a favor do CDS, que parece ser tão "útil" como o do PSD para obter uma maioria sobre o PS.
Alguém me pode explicar por que razão a corrupção não é um problema a levar à campanha e que parece não interessar nenhum dos grandes partidos? Na verdade, vindos de anos e anos de "casos" de corrupção que envolvem políticos, a começar pelo BCP e a acabar nas sucatas do senhor Godinho, numa altura em que existe a convicção popular generalizada de que existe muita corrupção no sistema político e análises técnicas, académicas e policiais apontam no mesmo sentido, a indiferença que PS e PSD mostram perante o tema é inadmissível. Para não ir mais longe.
Alguém me pode explicar por que razão nem uma palavra se diz sobre as grandes áreas de Estado, negócios estrangeiros, Europa e defesa? Isto, no preciso momento em que, nunca como agora, está em causa a soberania e a independência, a nossa pertença a uma Europa cada vez mais distante e hostil, e uma clara deslegitimação das nossas Forças Armadas? Será que PS e PSD acham que nem vale a pena sequer discutir estes temas, porque a independência já se foi, a Europa está a acabar, e não há dinheiro para ter Forças Armadas?
Alguém me pode explicar por que razão a justiça e a segurança estão ainda mais ausentes nesta campanha do que nas anteriores? Na verdade, o CDS ainda costumava falar de segurança, mas desta vez nem isso. Quanto à justiça, será que se pensa que apenas a "justiça económica" tem que ser reformulada porque a troika o exige e nenhum outro problema é sequer enunciado?
Alguém me pode explicar como é que se chegou no PSD ao número mágico de dez para os ministérios e vinte e cinco para as secretarias, e qual o organigrama proposto? E depois como é que se faz a negociação com o CDS, que já disse que não concordava com estes números redondos, que lhe parecem apenas propaganda eleitoral?
Alguém me pode explicar por que razão o PS vai a estas eleições sem programa e isso não incomoda ninguém?
Alguém me pode explicar como é que se "emagrece" o Estado (estamos na época das metáforas orgânicas) sem despedimentos na função pública? Alguém me explica como é que se extinguem centenas de organismos, institutos, empresas públicas nacionais e municipais sem se saber para onde é que vão as dezenas de milhares de pessoas que nelas trabalham? Ou será que se pensa que só há cargos de direcção e administração nesses organismos e não há contínuos, secretárias, pessoal auxiliar, técnicos, motoristas, pessoal de manutenção, etc.? Vai-se alimentar o desemprego ou o subemprego?
Alguém me pode explicar por que razão, apesar de toda a gente entre eleições criticar os modelos de campanha antiquados, baseados nos mercados, feiras e aquilo que agora se chama "arruadas", quando se chega às eleições se faz exactamente o mesmo de sempre?
Alguém me pode explicar por que razão subsiste na zona nobre de três cidades portuguesas uns acampamentos sórdidos, com meia dúzia de pessoas violando a lei sobre a utilização dos espaços públicos, num país em que há toda a liberdade de manifestação e em que não se impede ninguém de protestar segundo regras amplamente permissivas? Que argumentos podem depois dar-se quando qualquer outro grupo, com menos simpatias na comunicação social do que os "acampados", queira fazer o mesmo, ocupando o espaço público? Faço por isso uma sugestão ao povo roma, aos ciganos, que podem nestes dias acampar em melhores condições no Rossio ou no Camões do que nuns terrenos baldios sem quaisquer condições higiénicas, para que são empurrados pela hostilidade de populações e autarquias. Têm é que arranjar um pretexto político, o que não é difícil: basta colocar um cartaz a dizer "a rua é nossa".
Alguém me pode explicar como vai ser a vida depois de 5 de Junho? A minha convicção, que sempre foi a mesma durante toda a campanha, é que o PSD vai ganhar as eleições e não me surpreenderia que o fizesse por uma margem maior do que a que revelam as sondagens. Assenta essa convicção no fenómeno de rejeição de José Sócrates, mais do que em qualquer outra consideração de mérito. Por isso, o único efeito útil de todo este processo de eleições antecipadas pode, sublinho pode, vir a ser o afastamento de um homem, político, e governante que, do meu ponto de vista, é já de há muito tempo perigoso para a nação e para a democracia. Não é resultado despiciendo, mas está longe, muito longe, de resolver o problema da crise política que se sobrepõe e amplia a crise económico-financeira.
Alguém me pode explicar como vai ser a vida depois de 5 de Junho se os resultados eleitorais mantiverem o PS na casa dos 30%, mostrando que não se deu em Portugal a gigantesca punição que na Irlanda e na Espanha tiveram os partidos de Governo? Isso seria um péssimo sinal para a estabilidade pós-eleitoral. Um PS que consiga resistir razoavelmente à derrocada dos partidos de Governo quererá regressar rapidamente ao poder e não dará descanso a quem lá estiver. E se Sócrates continuar a mandar, na luz ou na sombra, porque não sabe fazer outra coisa, ainda mais instável será a situação, porque ele quererá ajustar as contas.
E, por fim, alguém me pode explicar como vai ser aplicado o Memorando com os partidos como são e como estão, com o quadro de forças que provavelmente sairá destas eleições, com o pessoal político que vai querer ir para o Governo, com o agravamento drástico da pobreza e da instabilidade social e a enorme, vasta, poderosa máquina de inércia que é o sistema político português? É tudo tão difícil, tão difícil, que roça o inexequível.
A Grécia não está assim tão longe.
Historiador e deputado do PSD

Banco Alimentar contra a fome - 28 e 29 de Maio

Se não pode ir ao supermercado, agora pode também ajudar sem sair de casa
Alimente esta ideia  até 5 de Junho


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Será que este país não tem emenda?

Público 2011-05-27 José Manuel Fernandes
Em Portugal a resistência à mudança e o apego a privilégios, pequenos ou grandes, condena-nos à decadência

Vamos lá ver se percebi bem. A Opway é uma construtora do Grupo Espírito Santo que é accionista da Ascendi, do grupo Mota-Engil. A Ascendi detém a maioria do capital das concessões rodoviárias do Norte, da Costa de Prata, das Beiras Litoral e Alta, do Grande Porto, da Grande Lisboa, do Douro Interior e do Pinhal Interior, num total de 850 quilómetros de auto-estradas. Almerindo Marques foi presidente das Estradas de Portugal até ao final de Março. No seu mandato o Estado negociou com a Ascendi a revisão de um conjunto de concessões em condições que levantaram as maiores reservas ao Tribunal de Contas e que poderão representar novos encargos para o Estado no valor de milhares de milhões de euros. Mais: segundo o Tribunal de Contas, a Estradas de Portugal comprometeu-se a fazer pagamentos "que carecem de fundamentação jurídica" e podem acabar no Ministério Público. Nada disto impediu Almerindo Marques de ter, entretanto, assumido a presidência da Opway. Porque, diz ele, "quem não deve, não teme". Esqueceu-se, no mínimo, que à mulher de César...
Vamos lá ver se percebi bem, de novo. O Governo anunciou que a execução orçamental dos primeiros três meses do ano tinha sido "histórica" e que a redução do défice tinha sido tão substancial que estaríamos não só no bom caminho, como no melhor dos mundos. Alguns economistas procuraram deitar alguma água na fervura deste entusiasmo e a oposição chamou a atenção para o aumento da carga fiscal. Entretanto, como formiguinhas, os funcionários da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) da Assembleia procederam à análise das contas e revelaram o seu relatório esta semana (algo que o PS tinha tentado impedir que acontecesse). Para a UTAO, os resultados conseguidos só foram possíveis porque houve despesas adiadas (mas que terão de ser feitas), porque se pagaram menos juros (quando, ao longo do ano, a conta dos juros aumentará) e porque se atrasaram as devoluções do IRS. Corrigindo estas distorções conclui-se que a execução orçamental fica aquém do necessário para cumprir as metas de 2011, isto é, que ainda agora assinámos um acordo com a troika e já estamos a entrar em incumprimento. Se isto não é inquietante, não sei o que é inquietante.
Nada, aparentemente, liga estes dois casos. A não ser a realidade pegajosa em que vivemos. A não ser este nosso Portugal onde todas as referências se parecem ter diluído e já ninguém estranha o que nem devia ser aceitável. Mais exemplos, muito diversos, todos da última semana. Na prova de 9.º Ano de Físico-Química houve uma pergunta em que bastava saber contar até oito para responder correctamente. O tribunal de Portimão resolveu não levar a julgamento os únicos indiciados pelo que foi descrito como um "acto de terrorismo", a destruição de uma colheita de milho transgénico em Agosto de 2007. Quase dois meses depois de o Governo ter desmentido que estava a utilizar a Segurança Social para comprar dívida pública, aparece publicado no Diário da República um despacho de Teixeira dos Santos em que são dadas instruções nesse sentido. Ao mesmo tempo soube-se que o Governo deu ordens à Casa da Moeda para não imprimir no Diário da República as nomeações feitas para lugares intermédios da Administração Pública, nomeações que são efectivas e não dependem dessa publicação. A Procuradoria-Geral da República entendeu que a melhor forma de reagir à divulgação, no Facebook, de um vídeo em que se mostrava uma agressão a uma adolescente era dizer que "não tem peritos informáticos ao seu serviço capazes de detectar, em tempo útil, crimes divulgados nas redes sociais". Para encher um comício em Évora, o PS arrebanhou umas centenas de indianos, de paquistaneses e de africanos, alguns dos quais mal falavam português, deu-lhes farnel e T-shirts, pô-los a abanar bandeiras, disse que eram presença habitual da secção do partido da Almirante Reis e, depois, esqueceu-se de dizer aos velhinhos que lá costumam aparecer para confirmarem esta última invenção aos jornalistas. Parece que já em 2007 - antes da crise económica e financeira - havia pelo menos um estudo, entregue às Estradas de Portugal, a avisar que os projectos de concessão das novas auto-estradas eram deficitários. E enquanto se soube que a Guarda Nacional Republicana promoveu, no início deste ano, 40 novos coronéis, numa excepção às regras decididas para a função pública, tomámos conhecimento pela boca de um dirigente sindical da PSP que, em Braga, os polícias fizeram greve por via da entrega de atestados médicos falsos.
Naturalmente que estes episódios não têm todos a mesma gravidade. Longe disso. Mas todos eles, e muitos outros que também poderia ter citado, mostram como é enorme a resistência à mudança e o apego a privilégios pequenos ou grandes. Mostram também que houve uma grave degradação não só dos costumes políticos, como das práticas sociais. O que se pensava intolerável entrou na rotina do dia-a-dia. Velhos defeitos - o atavismo, a aversão aos risco, o gosto pela benesses do Estado, o corporativismo, o clientelismo esmolar, o apreço pelo Chico-esperto - tornaram-se não apenas em hábitos aceites como em virtudes louvadas nas caixas de comentários das redes sociais. E até, se bem embrulhados em palavras eruditas, em temas de campanha eleitoral.
O mundo que produz e reproduz estes episódios acabou. E acabou porque se acabou o dinheiro. Pelo que, verdadeiramente, só nos restam duas alternativas: ou mudamos mesmo de vida, como impõe o memorando da troika e disse o Presidente da República, o que implica mudar de políticas, mudar de dirigentes, mudar de hábitos e rotinas, mudar de referências sociais e culturais, e então seremos capazes de trilhar o difícil caminho da recuperação, ou... Ao contrário das aparências e do bom senso, a escolha existe, como estes episódios mostram. Trata-se de fazer de morto, de arrastar os pés, de tentar que tudo fique na mesma na esperança de passar entre os pingos da chuva, trata-se de continuar a tolerar costumes que corrompem as nossas referências morais, de tentar enganar a troika enquanto se finge que se cumpre o memorando, de continuar a chamar às mentiras meras "faltas à verdade". O resultado será o aprofundar da decadência e o empobrecimento relativo e inelutável, como aquele a que assistimos na última década. Entretanto os melhores portugueses emigrarão.
Infelizmente este país, às vezes, parece que não tem emenda. Que ainda não percebeu o difícil que vai ser continuar a ter quem nos financie - ou seja, o difícil que será cumprir o acordo. E que Portugal não se importa de rolar pela encosta abaixo, porventura a fazer companhia à Grécia. Jornalista

Os custos do amor

Público, 2011-05-27  Miguel Esteves Cardoso

Estava num daqueles momentos de desabafar com o meu amor, como quem ataca e se queixa e reivindica ao mesmo tempo, a ver se ganha alguma atenção. A Maria João ia-se embora para Lisboa, num vestido que, não sei como, ainda conseguia realçar a beleza dela. E eu, pomposa mas sinceramente enciumado, comecei a enunciar o quanto me custava amá-la, dizendo que eram dois os custos que eu pagava com a dor do meu sangue: o ciúme e a preocupação.
Levantei dois dedos. Mal falei, assaltou-me a minha inépcia aritmética. Um a um, fui somando todos os dedos da minha mão: o medo (de perdê-la), a minha dependência de ela e a solidão, repentina e desconhecida, que ela me faz sentir quando se vai embora.
Assim enchi os cinco dedos de uma mão. Mas, antes de avançar para a segunda, ela disse, mais feliz por ser amada do que infeliz por infligir tanto sofrimento escusado, que "afinal não bastam dois dedos", como quem diz que "não sabes contar", mais o choque apaixonado de se dar conta que é a primeira vez que eu conto o meu amor. Como quem não sabe quanto ama - ou sofre.
Só não continuei pela outra mão fora - da solidão para a saudade e daí para a ocupação desnecessária de tempo de alma - pela vergonha de ter dito que eram dois os custos e de ter chegado, de imediato, aos cinco.
Custa muito o amor. Não vale a pena; não é um bom negócio. Mas, como não se pode escolher nem decidir nem pensar nisso, até acaba por ser. Mais se perde em nunca ter ganho.

O Papa no espaço

Aura Miguel
RR on-line  27-05-2011 10:26

Novidade absoluta. Bento XVI dialogou, directamente, com um grupo de astronautas em órbita.
Do lado de cá, estava o Papa, sentado na sua biblioteca, com um ecrã à sua frente. Do lado de lá, no espaço, um grupo bem-disposto de onze homens e uma mulher, cujos cabelos mais pareciam uma juba, por causa da falta de gravidade, circunstância, aliás, que fez sorrir o Papa.
Por várias vezes: por exemplo, quando lhe mostraram uma moeda e ela ficou parada à frente deles sem cair e, também, ao despedirem-se, quando um dos astronautas começou a levitar e tiveram de o puxar por um pé.
A conversa durou 20 minutos. Bento XVI fez perguntas sobre a grandeza do Universo, sobre Deus, sobre o Ambiente, sobre o futuro da Humanidade, mas também se interessou pelo estado de saúde da mulher de um dos comandantes e perguntou a outro, a quem morreu a mãe, como viveu esses momentos de dor.
Perguntas tão pessoais que, aparentemente, contrastavam com aquele momento histórico, mas que revelam, afinal, a profunda humanidade do Papa, pois, ainda mais importante do que o protagonismo técnico, é a capacidade de olhar para cada ser humano no seu todo.

Abstenção: não

Público 2011-05-27  Luís Campos e Cunha
A abstenção não faz qualquer pressão para os partidos se abrirem e reformarem, nem incentiva novas alternativas de voto


Não votar, abstendo-se, ou votar branco (ou nulo) são atitudes radicalmente diferentes. São idênticas do ponto de vista legal, mas politicamente muito diferentes. E estas eleições são as eleições mais importantes desde as eleições para a Assembleia Constituinte em 1975. Portanto, cuidado.
Em eleições, a abstenção tem pouco significado político. Tem aumentado como sabemos, donde se conclui uma vaga insatisfação com o sistema político-partidário que nos rege. Como tem um significado ambíguo, os partidos pouco se incomodam com o aumento da abstenção e apenas choram cínicas lágrimas de crocodilo. É tudo e é pouco.
De facto, mais uma pessoa a abster-se pode ser muita coisa: o sujeito morreu, mudou de residência, o eleitor está com uma amigdalite, está descrente na política, foi à praia, ou ainda os cadernos eleitorais estão desactualizados. Pode ainda ser um sujeito que não acredita na democracia ou, simplesmente, nesta democracia. Nunca saberemos. Politicamente a abstenção não tem, de facto, muito significado, por muito elevada que seja. Além disso, para qualquer partido perder um voto para a abstenção é meia vitória: menos um que não vai votar no partido concorrente e menos um sujeito com quem se preocuparem. Ou seja, a abstenção não faz qualquer pressão para os partidos se abrirem e reformarem, nem incentiva a que apareçam novas alternativas de voto, ou seja, novos partidos. Por isso, abster-se é pouco inteligente.
A democracia e a liberdade assentam nos partidos. A democracia não se esgota nos partidos, mas estes são os pilares do sistema. E todos temos a sensação que algo vai muito mal nos partidos existentes (uns mais do que outros, naturalmente). Falta credibilidade à classe política e partidária e falta interesse por parte dos mais jovens em participarem politicamente nos partidos existentes. Portanto, a renovação da classe política não se faz, e quando se faz é muitas vezes para pior. O fenómeno não é exclusivo de Portugal, mas é particularmente agudo no nosso caso.
As instituições, como as universidades, os hospitais públicos ou os partidos políticos (e contrariamente às empresas em concorrência) não se auto-reformam. No caso dos partidos, é necessário que haja pressão da opinião pública de forma clara e, eventualmente, organizada para os partidos mudarem e para aparecerem mais alternativas. Como?
Como vimos a abstenção não coloca essa pressão nos partidos. Em certo sentido até reduz; é menos um cidadão a chatear. Mas o voto nulo/branco é bem diferente. Quem vota nulo não morreu, não foi à praia, não mudou de residência, não se borrifou , gosta da democracia e exerceu o seu direito e o seu dever de cidadania. Pelo contrário, não tendo morrido, não foi à praia para ir votar branco. Votando branco/nulo foi dizer, de forma muito clara, que gostaria de ter votado num partido, mas que nenhum satisfaz as suas exigências mínimas para lhe dar a confiança de governar. Por isso, votar branco/nulo é, politicamente, tanto ou mais significativo que votar num partido. É votar contra todos os que se apresentam a votos. É portanto muito diferente da abstenção, como fica claro.
Como cidadãos o nosso dever é, antes de mais, votar. Segundo, devemos procurar conscientemente votar num partido. Se, em terceiro lugar, nenhum partido satisfaz, devemos votar branco/nulo.
Os brancos e nulos têm vindo a aumentar, mas continuam a ser um pequeno resto a que não se dá importância. Mas imagine-se que os votos brancos e nulos passam a 10% dos votos expressos! Isto, legalmente, não teria impacto, mas politicamente seria uma pedrada no charco pantanoso em que o país se vem atolando. Nenhum partido ignoraria que 10% dos votantes estão desejosos de conseguir votar nalgum partido digno de os representar. Podem ser os partidos actuais, para o que se teriam de renovar, ou um hipotético novo partido, o que obrigaria os actuais a renovar-se. O resultado de 10% de votos brancos seria o mesmo: um valente susto na classe partidária instalada, num poder a que só os actuais têm acesso.
Para que não fique a ideia de que defendo o voto branco ou nulo em substituição de uma escolha partidária, faço notar que esta eleição é um verdadeiro referendo a Sócrates, que nos levou à bancarrota e à mendicidade internacional. Como Carlos Fiolhais defendeu, a democracia também serve para afastar os que não servem: e Sócrates não serviu nem vai servir. "Se a escolha em Portugal fosse, por hipótese, entre o actual primeiro-ministro e o Rato Mickey, eu não hesitaria em votar no boneco da Disney." Defendo o voto branco ou nulo como alternativa ética e política à abstenção.
Assim, ou votamos branco-nulo, ou votamos num dos partidos actuais: essa é a escolha. Abster-se é um erro grave e sinal de fraca inteligência. É a última esperança de um cidadão consciente. Mais tarde reivindicaremos que o voto branco tenha representação parlamentar com uma cadeira vazia. E nessa altura veremos a abstenção a baixar e muito. Também porque a partir daí os partidos actuais seriam diferentes e para melhor. Professor universitário

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Dias complacentes

Público 2011-05-26 Helena Matos
Seis dias. Seis casos. Seis sinais da nossa complacência

20 de Maio. O escândalo no lugar do crime. Strauss-Kahn continua a abrir noticiários. Curiosamente fala-se cada vez mais de escândalo e menos de crime. Não sei como dizê-lo de outra forma, mas há que esclarecer que um escândalo não é um crime. O escândalo depende de uma apreciação pessoal variável. Por isso, escândalos podem ser as festas de Berlusconi. Mas, como é próprio dos escândalos, essas são circunstâncias pessoais que podemos ou não aprovar, que nos podem ou não escandalizar. Que, no caso dos políticos, podem ou não determinar que votemos ou não neles. E nada mais.

Um crime é algo de muito diferente. E a violação da qual Strauss-Kahn pode estar ou não inocente é um crime. Chamar escândalo a um crime é de alguma forma torná-lo frívolo e, mais grave ainda, transformar as vítimas em parceiras de um despropósito.

21 de Maio. O acampamento da eterna juventude. É oficial: um grupo resolveu acampar no Rossio. Assim informada, olho para a planta de Lisboa com vista a escolher o melhor local para instalar aquela coisa demoníaca constituída por umas tendas de montagem fácil e desmontagem impossível que num dia de menor siso entraram na minha casa. Para o efeito, estou disposta a fazer rastas, gritar contra o capital e declarar que vou redigir um manifesto. Pois desde que uma alma se apresente nestes preparos não só passa automaticamente a ser definida como jovem como pode instalar-se sem explicações de maior onde lhe aprouver, desrespeitar até o dia de reflexão como aconteceu nas recentes eleições espanholas e eximir-se aos mil constrangimentos e taxas que inibem os demais cidadãos. Por exemplo, na Baixa de Lisboa onde este acampamento foi montado, existem licenças e taxas para montras, vitrinas, chapéus de sol, cor das toalhas de mesa nas esplanadas, tamanho das páginas onde os restaurantes imprimem os menus, ocupação do espaço público, colocação de publicidade em mobiliário urbano e fora dele, etc., etc. Tudo isso e muito mais que aqui não enumero, porque ficava sem espaço para a crónica, se aplica aos tolinhos, aqueles que acreditam não só que já têm idade para ter juízo como que têm de ganhar a vida. Para os outros, aqueles que gritam contra o sistema, não existem regras, multas, regulamentos, taxas, licenciamentos... Dadas as muitas vantagens competitivas deste último grupo, acho que vou montar barraca no Rossio, livrando-me assim das ditas tendas e do pagamento do IMI, taxa de esgotos, taxa municipal de direitos de passagem e demais impostos. No entrementes, aproveitando a existência de geradores levados pelos campistas, até posso montar uma venda solidária de tostas catalãs e por lá fico eternamente jovem até a dívida estar paga.

O que de todo pode comprometer este meu projecto é ouvir designar este ajuntamento como "Primavera Árabe". É preciso não ter qualquer noção do ridículo e da História para confundir umas performances de gente farta de viver razoavelmente em Lisboa e Madrid com aquilo que enfrentam os manifestantes em países como a Síria ou a Líbia. Mas enfim, ponho a música alta, que não pago licença de ruído, e lá ultrapassarei esse senão no acampamento da eterna juventude.

22 de Maio. As baixas alegadamente médicas. Agora, que o mundo assinala a erradicação de uma doença - a varíola - e discute se deve ou não extinguir as vacinas e as reservas do respectivo vírus, Portugal descobriu uma nova doença. Tem um nome estranho mas existe e deve ser altamente contagiosa. Chama-se "novo modelo de horário". A fazer fé nas notícias, manifestou-se neste dia 22, na cidade de Braga, onde os 18 agentes da PSP colocados nas três esquadras desta cidade estiveram todos de baixa médica, "contra o novo modelo de horário". Segundo a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, tratou-se de uma forma de protesto. Enfim, teremos de passar não só a definir as baixas como "alegadamente médicas" como a detalhar se são de protesto, de defesa ou contra. A partir daí, passaremos a ter a especialidade de alegada Medicina com especialização em Baixologia e Movimentos Sociais.

23 de Maio. O tabu. Uma jovem morreu num acidente durante as actividades do Dia da Defesa: quando estava a fazer slide numa unidade militar, um cabo de aço partiu-se e caiu de uma torre de cinco metros. A resposta do Exército foi exemplar: foi aberto imediatamente um inquérito, foi dado um prazo para se apurar o sucedido e oferecido apoio à família. Mas nada disso impede que quer o Dia da Defesa quer o próprio papel das Forças Armadas sejam vistos como corpos estranhos e que a morte de Ana Rita Lucas tenha aumentado ainda mais esse sentimento de incomodidade. Porque são caras e sobretudo porque não se debate o seu papel, as Forças Armadas tornaram-se quase um tabu. Não ouvimos falar delas durante os debates eleitorais e dificilmente serão referidas em campanha. Se assim continuarmos nesta ilusão de que só se pode falar das Forças Armadas como se o seu papel fosse o de uma ONG, acabaremos com os militares reduzidos à fanfarra da GNR, que sempre abrilhantam as recepções, enquanto se multiplicam os corpos policiais de intervenção especial.

24 de Maio. Da alienação. Perante o vídeo não só da agressão a uma adolescente mas também da indiferença com que alguns outros jovens assistem a essa agressão - e essa indiferença é muito mais perturbante que a agressão em si mesma -, a Procuradoria-Geral da República declarou que o Ministério Público "não tem peritos informáticos ao seu serviço capazes de detectar, em tempo útil, crimes divulgados nas redes sociais". Desconheço os meios de que o Ministério Público está dotado. Mas não só o local da agressão é facilmente identificável - mandar uns agentes ao local não é propriamente muito difícil - como, após a sua divulgação pelas televisões, rapidamente se descobriu a identidade dos envolvidos. Não sei o que se pensa na PGR quando se fazem declarações deste teor, mas recomenda-se vivamente que, na escolha do próximo PGR, se tenha em conta o factor bom senso. Coincidência ou sinal dos tempos: a família da agredida só apresentou queixa depois de a agressão se ter transformado num caso.

25 de Maio. Isto sim, é um escândalo. A propósito do anúncio pelo Governo dos dados da execução orçamental do primeiro trimestre deste ano - uma melhoria de 1.750 milhões de euros face ao período homólogo -, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) veio explicar que "esta aparente melhor execução da despesa reflecte apenas uma baixa execução do pagamento de juros da dívida pública, que se encontram concentrados no segundo trimestre, bem como uma baixa execução da despesa de capital".

Segundo o Diário Económico, o relatório desta unidade que funciona junto da Assembleia da República apurou que entre os pagamentos não efectuados se contam atrasos nos descontos de IRS referentes aos funcionários da GNR e PSP. Se estivéssemos perante uma empresa privada, escrevia-se: "Corrupção. Empresários não entregam IRS dos trabalhadores às Finanças" e ficava tudo mais claro, não era?

Recordo que, caso tivesse vingado a posição do Governo, não conheceríamos este relatório, pois esta unidade teria a sua actividade suspensa. Mas o dia não se esgota nas notícias sobre o escândalo destas contabilidades criativas, já que o Jornal de Negócios faz título com a notícia mais grave dos últimos tempos: "Governo confirma que pôs Segurança Social ao serviço da dívida pública". Por outras palavras, o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social está a comprar ainda mais dívida pública e pode estar a fazê-lo por pressão governamental. Dando já de barato que ninguém se indigna com o facto de a ministra do Trabalho ter desmentido com veemência há menos de dois meses que os 9,6 mil milhões do FEFSS estivessem a ser usados para socorrer a dívida pública portuguesa, o mínimo que se espera é que os sindicatos, as confederações e os partidos se pronunciem sobre esta notícia. Porque nela estão contidos não apenas os ingredientes de um escândalo mas também daquilo a que dentro de alguns anos se chamará crime. Ensaísta

Luta de classes

Público, 2011-05-26 Pedro Lomba

Há tanto contra José Sócrates e o seu Governo, contra os abusos e ocultações, a sua má gestão dos dinheiros públicos, a sua reincidência na mentira, que o mais difícil é escolher. Ontem foi o "défice oculto": 200 milhões de despesa fora da execução orçamental para iludir as contas; hoje é a confirmação de que o Ministério das Finanças recorreu mesmo ao Fundo da Segurança Social para vender dívida em Abril passado, apesar de o despacho do ministro que autorizou o negócio só ter sido publicado esta segunda-feira e apesar do desmentido oficial que foi feito na altura.
Eles continuarão a dizer que o país apanhou com a pior crise internacional dos últimos 80 anos, mas não explicam por que é que, se a crise chegou a todos, só nós e a Grécia é que estamos em recessão. Não se pode dizer que o caso contra este Governo não esteja bem provido de factos.
Mas nesta campanha Sócrates tem repetido desde o início, por sistema, por necessidade táctica, outro argumento: o "PS é o grande partido do povo". Tem dito e redito que os outros querem uma "educação para ricos e outra para pobres", "transportes para ricos e transportes para pobres"; tem insistido que os outros querem atirar os mais pobres para fora da saúde pública. Num comício em Elvas, Sócrates acusou Passos Coelho de usar um "preconceito de classe social" contra as Novas Oportunidades.
E, história amplamente comentada, para mostrar que os mais pobres estão mesmo atados à campanha socialista não hesitou em usar trabalhadores imigrantes indianos e paquistaneses, que mal falam português e nem sabiam quem ele era, como adereços de campanha a troco de lanches e dos papéis.
Agora já não é a modernidade das renováveis e do carro eléctrico, ou a plasticina da imagem e das estatísticas, agora Sócrates resolveu aparecer como um político socialista tradicional, defensor dos mais pobres e desvalidos, bramindo o estandarte da luta de classes. Depois do Sócrates sofisticado que jurava gerir o país como um empresário, negociando nas altas esferas, chegou-nos o Sócrates classista, o homem do povo, o homem dos simples.
Conheço muitos socialistas para quem esse "povo", real ou mitificado, não é uma simples fantasia nem uma arma política. Tal como não é a redução das desigualdades nem o Estado social. São pessoas, lá está, com convicções, um bem raro nos tempos que correm.
Mas ouvir Sócrates e o seu PS saltearem o medo dos pobres de sempre e dos novos pobres, ouvi-los falar em "povo" e em "classes sociais", é mais do que simplesmente trágico. É obsceno.
E nem sequer estou a falar do fim dos abonos de família, bolsas e prestações sociais. Seria demasiado óbvio. O que é preciso dizer é outra coisa de mais profundo. Sócrates e o seu PS de betinhos e instalados cavaram uma tal cratera de interesses, um tal vaivém promíscuo entre o Estado e certos grupos económicos, que de "povo", de atenção às desigualdades e até de esquerda ou de direita estes puros não têm nada.
Quando os vejo encher a boca com o "povo" e os "pobres, só me lembro dos amigos socialistas que literalmente enriqueceram nestes últimos 15 anos sob o alto patrocínio do poder do Estado. Lembro-me dos Ruis Pedros, Varas, administradores de empresas públicas, banqueiros, construtoras civis. Lembro-me de negociatas como o terminal dos contentores de Alcântara, das adjudicações directas, das Scut, das leis cozinhadas em gabinetes para servirem uns quantos destinatários. Nos anos finais do cavaquismo também havia disso. Esta esquerda dos interesses é igualzinha à direita dos interesses. Suga o país, o Estado, os que trabalham.
E Sócrates assistiu a tudo, permitiu tudo, porque é feito dessa mesma massa. Luta de classes? Tenham vergonha.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Timor: Missionários portugueses proclamados «heróis»

Os sacerdotes jesuitas João Felgueiras e José Martins, e o irmão Daniel de Ornelas, apoiaram povo timorense durante a invasão indonésia
Lisboa, 24 maio 2011 (Ecclesia)
– Três missionários portugueses foram proclamados como «heróis» nacionais pelo Governo de Timor-Leste, por se terem mantido ao lado do povo timorense durante mais de 24 anos, período que durou a invasão indonésia.
De acordo com um comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, os sacerdotes João Felgueiras e José Martins, e o irmão Daniel de Ornelas (este a título póstumo) foram aclamados pelo presidente da República José Ramos Horta, durante as comemorações do Dia Nacional daquele país lusófono, na última sexta-feira.
Aproveitando o exemplo deixado por aqueles três homens, o líder timorense apelou à Igreja Católica para que “assuma a grande responsabilidade da educação nas escolas em Timor”.
Em representação dos seus colegas, o padre João Felgueiras, de 90 anos, sublinhou a necessidade de “mais religiosos e religiosas se animarem a vir para Timor o quanto antes, e em maior número possível, para evangelizar o número crescente de crianças, para que elas se possam assumir, no futuro, como o grande farol da Fé, naquele extremo da Terra”.
Os padres João Felgueiras e José Martins chegaram a Timor-Leste em 1970 e 1974, respetivamente, com a missão de fazerem acompanhamento vocacional e espiritual no Seminário de Díli, e encarregarem-se da educação das crianças e jovens da comunidade.
Apesar da invasão indonésia, em 1975, e de um cenário de violência e opressão que durou até 1999, distinguiram-se por nunca terem posto a hipótese de abandonar o país, insistindo em prosseguir com o seu trabalho junto das populações.

Tempo de assumir responsabilidades

António Pinto Leite
RR on-line 24-05-2011 12:38

É preciso entender bem o contexto em que vamos votar no dia 5 de Junho.
Portugal é como um doente que está ligado à máquina para sobreviver. Se não fosse haver credores estrangeiros que ainda se dispuseram – e com que dificuldade e a que preço – a emprestar dinheiro a Portugal, o nosso país tinha ido à falência.
Sucede que o dinheiro só vem se cumprirmos à risca um programa exigentíssimo, isto é, podem desligar-nos a máquina. O Estado ficará sem dinheiro para pagar os salários da função pública, o Estado Social ficará sem condições para pagar aos pensionistas, os bancos entrarão em colapso e as empresas perderão as condições para assegurar o emprego.
A grande questão para os eleitores é, assim, muito simples e cada português vai ter de assumir a sua responsabilidade pessoal.
A questão é esta: para tirar Portugal da bancarrota, confiamos na mesma pessoa que trouxe Portugal à bancarrota? É que as sondagens dizem que há o risco real de o primeiro-ministro que trouxe Portugal à falência poder continuar a ser primeiro-ministro depois do dia 5 de Junho. Sendo assim, nenhum português pode aligeirar a sua responsabilidade.
E não se diga que todos os políticos são iguais. Porque nenhum político é igual ao político que traz um país à bancarrota.

Tudo sobre sondagens - no blog Margens de erro

 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Começou oficialmente a campanha eleitoral

Raquel Abecasis
RR on-line 23-05-2011 11:55

Nos próximos quinze dias, ouviremos de tudo. Cada partido, conforme o objectivo que pretenda alcançar, vai tentar dramatizar ao máximo as consequências de resultados eleitorais que não lhe convenham.
As campanhas eleitorais são mesmo assim, tempos de dramatização. É por isso que faz pouco sentido apelar à moderação, ou esperar que os líderes estejam disponíveis para dizer o que tencionam fazer se acaso perderem as eleições.
Estas são as regras do jogo democrático e não é por causa delas que o futuro do país será melhor ou pior.
Justificar a abstenção com o desagrado pelo ruído de uma campanha é a pior desculpa que se pode inventar para aliviar a consciência. E já agora é bom lembrar que em democracia não há “eles” e “nós”, somos todos responsáveis pelo que de melhor ou pior nos acontecer.

O ataque social

JOÃO CÉSAR DAS NEVES
DN 2011-05-23
A maior parte das pessoas em Portugal está zangada. Os outros estão assustados ou só tristes. Estas atitudes, se parecem justificadas, são muito inconvenientes. Neste período, mais que nunca, é necessário espírito lúcido, cabeça fria, imaginação serena. Tudo isto é incompatível com medo, tristeza e sobretudo raiva. Não admira a indigência dos debates.
Razão central da fúria é o suposto ataque ao Estado social. Alegadamente os terríveis neoliberais querem usar a crise para desmantelar os direitos laborais, de saúde, protecção e outros benefícios. Autopromovidos defensores da justiça e solidariedade chegam a proclamar uma guerra santa contra a ameaça. Mas os seus argumentos são falsos, enganadores e perversos.
Primeiro são falsos. Ninguém pretende acabar com o Estado social, coisa aliás impossível. Todos os portugueses (como os europeus e agora os americanos) pretendem um sistema de saúde, segurança social e apoios anexos. O que está em causa é, não matar o sistema, mas fazer-lhe uma dieta. A finalidade dos ajustamentos é antes contribuir para a sustentabilidade e saúde do Estado social. Num regime de emagrecimento parece sempre passar-se fome, mas por vezes é indispensável.
A única forma de salvar os sistemas de protecção é torná-los financeiramente sustentáveis, defendendo sobretudo os mais pobres e acautelando as receitas que permitem um funcionamento saudável. Sem serem perfeitas, as medidas do "memorando de entendimento" com o FMI, BCE e Comissão são meios razoáveis de o conseguirem. Aliás, revelam reais preocupações de justiça por exemplo estendendo o subsídio de desemprego aos trabalhadores independentes (4.1.iii), medida que é incrível não ter sido tomada antes, vindo a ser proposta por estrangeiros.
Em segundo lugar as queixas são enganadoras. Porque aqueles que as fazem são precisamente os que criaram a actual situação insustentável. O presente desequilíbrio demonstra, antes de tudo, a enorme incompetência dos responsáveis e agentes que operaram o Estado social nas últimas décadas. A falência financeira não aconteceu por acaso ou pela crise externa, mas deve-se a anos de despesismo, inépcia e extravagância. Chega a ser espantoso que, não só ninguém surja a assumir as responsabilidades e pedir desculpa, mas que aqueles que deveriam ter vergonha apareçam como acusadores e se digam vítimas dos próprios erros.
Há muito tempo que os sistemas de apoio social, que deveriam ser estimados e protegidos por todos, foram usados para promessas irrealistas e projectos insustentáveis. Os responsáveis iam apresentando resultados excelentes, que ignoravam as leis básicas da aritmética. Após décadas de somas desacertadas, acusam-se agora as reformas indispensáveis de matar o Estado social.
É verdade que alguns grupos mais extremistas de defensores da solidariedade estão inocentes do descalabro, porque nunca foram eleitos para o gerir. Mas esses costumam apresentar "soluções à portuguesa", ainda mais tontas que as do licor Beirão e Paulo Futre. Se tivessem poder teriam desmantelado o sistema muito mais depressa que os que o dirigiram nos últimos tempos.
O alvoroço à volta de direitos tem um propósito sinistro. Trata-se de um velho truque bem conhecido, um pânico cultural, criando um susto para conseguir efeitos. A sua finalidade é apenas proteger as benesses dos aparelhos que criaram a actual situação. A começar pelo primeiro-ministro, que baseia a campanha de reeleição no medo da suposta demolição do Estado social, até aos funcionários que querem manter mecanismos, trava-se uma luta de morte, não à volta dos direitos sociais, mas dos privilégios burocráticos.
A maior parte das pessoas em Portugal está zangada. Mas há quem esteja a aproveitar-se dessa zanga e da falta de lucidez que ela gera. Podemos até deduzir uma regra geral que vale a pena começar a usar: quando alguém fala de neo-liberalismo, é bom proteger a carteira. A maioria dos que nos assustam com o supremo papão pretende apenas defender benesses, obrigando-nos a mais despesas.

sábado, 21 de maio de 2011

Carta aberta de uma jovem ao primeiro-ministro

Público, 2011-05-21 Catarina Almeida
Pareceu-me ouvir nas notícias que estaria a falar aos jovens de Portugal, mas admito que tenha havido um mal-entendido

Senhor primeiro-ministro: chamo-me Catarina, tenho 25 anos, e queria pedir-lhe um ou outro favor.
Vi com atenção, como aliás é meu costume, a sua declaração ao país depois da manifestação do passado dia 12 de Março. Afinal, é o senhor que conduz os destinos do nosso país (ou pelo menos tenta, porque a condução do destino é um assunto bem mais filosófico para lhe estar entregue só a si...)!
Pareceu-me ouvir nas notícias que estaria a falar aos jovens de Portugal, mas admito que tenha havido um mal-entendido - tem acontecido várias vezes desde que os nossos compatriotas o escolheram para o cargo que ocupa. Espero que por isso não termine a sua leitura por aqui, não me esqueço que no seu discurso de tomada de posse afirmou o seu desejo de ser chefe de um governo de todos os portugueses. Ah, e portuguesas, claro, para não discriminar.
Pois qual não foi o meu espanto quando me parece ter ouvido - reitero, talvez erroneamente, embora já me tenham garantido o repetiu mais recentemente - que o senhor percebia os problemas dos jovens e, exactamente por isso, tinha feito aprovar as leis do aborto, do casamento homossexual, do divórcio, da paridade, e mais uma ou outra - que elas foram tantas em seis anos - certamente moderna.
O favor que lhe vinha pedir é se não conseguia aprovar uma lei para mim, que sou jovem, e sou portuguesa. Decerto não acreditará, mas eu:
- Não sou casada e, logo, não estou a pensar divorciar-me. Aliás, se estivesse casada, e de algum mal sofresse o meu casamento, gostaria que me ajudasse certamente a concertá-lo e não a desconcertá-lo, que para isso já bastaria eu...
- Não estou grávida, até porque não sou casada e, logo, não estou a pensar abortar. Mas, se estivesse casada, e estivesse grávida, certamente não iria desfazer-me de um filho. Ou de uma filha, para não discriminar, claro. Aliás, se estivesse grávida, e se tivesse alguma dificuldade, gostaria que me ajudasse a encontrar as melhores condições para que a alegria de ter um filho não viesse só...
- Apesar de não estar casada nem grávida, também não sou homossexual. Aliás, penso que já me apresentei, sou a Catarina. E, perdoe-me o conservadorismo, não costumo partilhar a minha intimidade com ninguém - até porque não sou casada - muito menos com o senhor primeiro-ministro, portanto, como lhe hei-de dizer isto, é um assunto que não me ocupa, esse que inventaram, da orientação sexual.
O favor que lhe vinha pedir - é só um, ou outro - era se pudesse entretanto arranjar uma maneira de, quando eu me casar e tiver filhos, poder escolher a escola para onde eles vão, porque não queria que os meus filhos andassem numa escola onde falam de sexo intervalado com matemática e geografia, e onde ensinam que abortar não faz mal (eu cá acho que faz, o senhor não acha?), e que é igual casar com homens ou mulheres, e essas coisas? Se calhar sou um bocadinho conservadora, mas como nenhuma das leis que aprovou me ajudou... Ah! Antes que me esqueça, as escolas onde ensinam estas coisas que eu gostava que os meus filhos soubessem (que os homens casam com as mulheres e têm filhos sem os matar, e que é possível construir uma família que dure até ao fim da vida, e essas coisas), se for reeleito (o que me perdoará não desejo) não vai continuar a tentar dificultar-lhes a vida, pois não?
Em nome da liberdade de educação dos filhos que um dia gostaria de ter, ficava-lhe muito agradecida, senhor primeiro-ministro. Associação Vida Universitária