sábado, 31 de dezembro de 2011

Te Deum de fim de ano

HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Basílica Vaticana
Sábado, 31 de Dezembro de 2011
Senhores Cardeais,
venerados Irmãos no Episcopado e no Presbiterado,
ilustres Autoridades,
queridos irmãos e irmãs!

Estamos reunidos na Basílica Vaticana para celebrar as primeiras Vésperas da solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, e para agradecer ao Senhor, no final do ano, cantando juntos o Te Deum. Agradeço a todos vós que quisestes unir-vos a mim nesta circunstância tão cheia de sentimentos e significado. Saúdo, em primeiro lugar, os senhores Cardeais, os venerados Irmãos no Episcopado e no Presbiterado, os religiosos e religiosas, as pessoas consagradas e os fiéis leigos que representam a inteira comunidade eclesial de Roma. De modo especial, saúdo as Autoridades presentes, começando pelo Prefeito de Roma, a quem agradeço o cálice que doou, segundo uma bela tradição que se renova cada ano. Desejo de coração que, com o esforço de todos, a fisionomia da nossa cidade possa estar sempre mais em conformidade com os valores de fé, cultura e civilização que pertencem à sua vocação e história milenária.
Outro ano chega à sua conclusão enquanto que, com a inquietação, os desejos e as expectativas de sempre, esperamos um novo. Se pensarmos na experiência da vida, ficamos admirados de como ela é, no fundo, breve e fugaz. Por isso, muitas vezes nos questionamos: qual é o sentido que podemos dar aos nossos dias? Mais concretamente, qual é o sentido que podemos dar aos dias de fadiga e de dor? Esta é uma pergunta que atravessa a história, antes, atravessa o coração de cada geração e de cada ser humano. Mas existe uma resposta para esta pergunta: está escrita no rosto de um Menino que nasceu há dois mil anos, em Belém, e que hoje é o Vivente, ressuscitado para sempre da morte. No tecido da humanidade, rasgado por tantas injustiças, maldades e violências, surge de modo surpreendente a novidade, alegre e libertadora, de Cristo Salvador, que no mistério da sua Encarnação e do seu nascimento nos permite contemplar a bondade e a ternura de Deus. Deus eterno entrou na nossa história e permanece presente de modo único na pessoa de Jesus, o seu Filho feito homem, nosso Salvador, que veio à terra para renovar radicalmente a humanidade e libertá-la do pecado e da morte, para elevar o homem à dignidade de filho de Deus. O Natal não se refere somente ao cumprimento histórico dessa verdade que nos toca diretamente, mas que no-la dá novamente, de modo misterioso e real.
É muito sugestivo, neste fim de ano, escutar novamente o anúncio jubiloso que o apóstolo Paulo dirigia aos cristãos da Galácia: «Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à lei, para resgatar os que eram sujeitos à Lei, para que recebêssemos a adoção filial» (Gal 4,4-5). Essas palavras tocam o cerne da história de todos e a iluminam, antes, a salvam, porque desde o dia do em que nasceu o Senhor, chegou para nós a plenitude do tempo. Portanto, já não há mais lugar para a angústia diante do tempo que passa e não volta para trás; agora é o momento de confiar infinitamente em Deus, por quem sabemos ser amados, para quem vivemos e a quem a nossa vida se orienta, na espera do seu retorno definitivo. Desde que o Salvador desceu do Céu, o homem já não é mais escravo de um tempo que passa sem um porquê, ou que esteja marcado pela fadiga, pela tristeza, pela dor. O homem é filho de um Deus que entrou no tempo para resgatar o tempo da falta de sentido ou da negatividade, e que resgatou toda a humanidade, dando-lhe, como nova perspectiva de vida, o amor que é eterno.
A Igreja vive e professa esta verdade e quer proclamá-la novamente hoje, com renovado vigor espiritual. Nesta celebração, temos motivos especiais para louvar o Senhor pelo seu mistério de salvação, presente no mundo por meio do ministério eclesial. Temos muitos motivos de agradecimento ao Senhor por tudo o que a nossa comunidade eclesial, no coração da Igreja universal, realiza a serviço do Evangelho nesta Cidade. A tal propósito, unido ao Cardeal Vigário, Agostino Vallini, aos Bispos Auxiliares, aos Párocos e todo o presbitério diocesano, quero dar graças ao Senhor, nomeadamente, pelo promissor caminho comunitário dirigido a adequar a pastoral ordinária às exigências do nosso tempo, por meio do projeto «Pertença eclesial e corresponsabilidade pastoral». Este tem o objetivo de colocar a evangelização em primeiro lugar; para fazer mais responsável e frutífera a participação dos fiéis nos Sacramentos, de tal forma que cada um possa falar de Deus ao homem contemporâneo e anunciar o Evangelho com eficácia aos que nunca o conheceram ou o esqueceram.
A questio fidei é também o desafio pastoral prioritário para a Diocese de Roma. Os discípulos de Cristo estão chamados a fazer renascer em si mesmos e nos demais a saudade de Deus e a alegria de viver n'Ele e de testemunhá-Lo, a partir da pergunta, sempre muito pessoal: Por que creio? É necessário conceder o primado à verdade, confirmar a aliança entre a fé e a razão, como as duas asas com as quais o espírito humano se eleva à contemplação da Verdade (cf. João Paulo II, Enc. Fides et ratio, Prólogo); tornar fecundo o diálogo entre o cristianismo e a cultura moderna; levar à redescoberta da beleza e da atualidade da fé, não como um ato em si mesmo, isolado, que diz respeito a algum momento da vida, mas como uma orientação constante, mesmo nas escolhas mais simples, que leva à unidade profunda da pessoa, tornando-a justa, ativa, benéfica, boa. Trata-se de reavivar uma fé que instaure um novo humanismo capaz de gerar cultura e empenho social.
Neste quadro geral, na Assembleia diocesana do passado mês de junho, a Diocese de Roma iniciou um caminho de aprofundamento sobre a iniciação cristã e sobre a alegria de gerar novos cristãos para a fé. De fato, anunciar a fé no Verbo feito carne é o cerne da missão da Igreja, e toda a comunidade eclesial deve redescobrir esta tarefa, com um renovado ardor missionário. As novas gerações que mais sentem a desorientação, acentuada também pela crise atual, não só econômica, mas também de valores, têm necessidade, sobretudo, de reconhecer em Cristo Jesus «a chave, o centro e o fim de toda a história humana» (Conc. Vat. II. Gaudium et spes, 10).
Os pais são os primeiros educadores na fé dos seus filhos desde a mais terna idade; por isso, é necessário apoiar as famílias na sua missão educativa, por meio de iniciativas adequadas. Ao mesmo tempo, é desejável que o caminho batismal, primeira etapa do itinerário formativo da iniciação cristã, além de favorecer uma consciente e digna preparação para a celebração do Sacramento, dê a devida atenção aos anos imediatamente sucessivos ao batismo, com os itinerários apropriados que levem em conta as condições de vida das famílias. Animo, portanto, as comunidades paroquiais e as outras realidades eclesiais a continuarem refletindo para promover uma melhor compreensão e recepção dos sacramentos através dos quais o homem se torna participante da vida mesma de Deus. Que a Igreja de Roma possa sempre contar com fiéis leigos, prontos a oferecer a sua contribuição pessoal para edificar comunidades vivas, que permitam que a Palavra de Deus entre no coração dos que ainda não conheceram o Senhor ou se afastaram d'Ele. Ao mesmo tempo, é oportuno criar ocasiões de encontro com a Cidade, que permitam um diálogo proveitoso com todos os que estão à procura da Verdade.
Queridos amigos, desde que Deus mandou o seu Filho unigênito para que nós pudéssemos ter a filiação adotiva (cf. Gal 4,5), não pode existir para nós uma tarefa mais importante que estar totalmente ao serviço do projeto divino. Neste sentido, quero animar e agradecer todos os fiéis da Diocese de Roma, que sentem a responsabilidade de devolver a alma à nossa sociedade. Obrigado a vós, famílias romanas, células primeiras e fundamentais da sociedade! Obrigado aos membros das muitas Comunidades, Associações e Movimentos comprometidos em animar a vida cristã da nossa cidade!
«Te Deum laudamus!» A Vós, ó Deus, louvamos! A Igreja nos sugere concluir o ano dirigindo ao Senhor o nosso agradecimento por todos os seus benefícios. É em Deus que deve terminar a nossa última hora, a última hora do tempo e da história. Esquecer este final da nossa vida significaria cair no vazio, viver sem sentido. Por isso, a Igreja coloca nos nossos lábios o antigo hino Te Deum. É um hino repleto da sabedoria de tantas gerações cristãs, que sentem a necessidade de elevar o seu coração, na certeza que estamos todos nas mãos cheias de misericórdia do Senhor.
«Te Deum laudamus!». Assim canta também a Igreja que está em Roma, pelas maravilhas que Deus realizou e realiza nela. Com a alma cheia de gratidão nos dispomos a atravessar o limiar do ano 2012, lembrando que o Senhor vela sobre nós e nos protege. Nesta tarde, queremos confiar-Lhe o mundo inteiro. Coloquemos em suas mãos as tragédias do nosso mundo e ofereçamos a Ele também as esperanças de um futuro melhor. Depositemos estes votos nas mãos de Maria, Mãe de Deus, Salus Populi Romani. Amen.
© Copyright 2011 - Libreria Editrice Vaticana

31 de Dezembro

Hoje é o último dia de 2011.
Como muitos jornais fazem, procurei também, olhando para o ano que passa, seleccionar em cada mês aquilo que mais… aquilo com que mais aprendi. O Povo nasce dessa necessidade de compreender o que se passa à nossa volta para poder ajuizar:

Fevereiro – A revolução árabe – Gostava de estar mais entusiasmado…
Julho – Nada me faltará (Maria José Nogueira Pinto)
Agosto – Jornadas Mundiais da Juventude (Madrid)
Outubro – Ligar os pontos (Steve Jobs por Pe. José Tolentino)
Novembro – O essencial

A nós não nos cabe decidir o que acontece!
Tudo o que nos cabe decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado
Gandalf a Frodo em
"A irmandade do Anel"
J. K. R. Tolkien

Sempre me impressionou muito esta afirmação de Tolkien através do conselho sábio de Gandalf. É dela que me lembro na véspera de um ano que se anuncia difícil.
O meu desejo de Novo Ano para todos os leitores do Povo é que usem bem este ano que vos é dado, estendendo o olhar para além da espuma dos dias.
Com amizade
Pedro Aguiar Pinto

Misa de la familia

ABC, 30.12.2011
La madrileña plaza de Colón se convirtió esta tarde en un enorme templo a cielo abierto donde cientos de miles de familias procedentes de distintos puntos de Europa y España se congregraron para celebrar la fiesta de la Sagrada Familia de Nazaret.
Durante la solemne Eucaristía concelebrada por una treintena de obispos y cardenales españoles y europeos, el cardenal arzobispo de Madrid y presidente de la Conferencia Episcopal Española, Antonio María Rouco Varela, recordó que «el hombre no puede disponer» de la institución matrimonial y familiar ni tampoco de la vida «a su antojo como si fuese su dueño».

La vida, «un bien sagrado»

«La vida es un bien sagrado que el ser humano recibe de Dios. El hombre no es el dueño de la vida sino su servidor: desde el momento en el que es concebida en las entrañas maternas hasta el instante de la muerte natural. Ninguna instancia humana puede disponer de la vida de un ser humano inocente. El número de niños a los que en nuestras sociedades, de raíces cristianas, se les ha impedido nacer en estas tres últimas décadas, es sencillamente estremecedor», afirmó el cardenal, al tiempo que afirmó que la vida es un «verdadero derecho natural», que debe ser tenido en cuenta por «todo ordenamiento jurídico que quiera considerarse justo».
Ante las miles de familias congregadas en Cólón, el cardenal reconoció que «cuesta hoy a una sociedad tan intensamente influida y condicionada por una visión materialista y egocentrista del hombre y de su historia comprender y aceptar el Evangelio de la vida, del matrimonio y de la familia!», pero les animó a «seguir comprometiéndose a defender y hacer brillar la atuténtica dignidad de esta institución primaria para la sociedad y tan vital para la Iglesia».

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Estender o olhar

RR on-line
30-12-2011 9:16
Aura Miguel
O brilho e o fulgor ofuscante destes dias de festa pode esconder muita coisa, alertou o Papa, na noite de Natal.
O que deveria ser um tempo de convite para crescer em humildade e simplicidade, transformou-se em festa de negócios.
Ora, será que, depois da confusão dos presentes, dos petiscos natalícios, da correria para ver os saldos e, agora, dos preparativos para a passagem de ano, haverá tempo para parar e pensar no que verdadeiramente desejo para 2012?
Ainda vamos a tempo de reflectir, porque ainda temos um dia e meio…
Por isso, junto-me aos votos de Bento XVI para 2012: peçamos ao Senhor que nos ajude a estender o olhar para além das fachadas lampejantes deste tempo, a fim de podermos descobrir a autêntica alegria e a verdadeira luz.

Para o PCP, com muito amor

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
8:00 Sexta feira, 30 de dezembro de 2011

Não, o problema não é o PCP dar condolências ao povo norte-coreano pela morte do ditador que mantinha a Coreia do Norte num transe colectivo. O problema está no facto de vivermos num país onde os jornalistas têm medo de associar a palavra "ditador" à palavra "comunismo". Li e ouvi várias referências à morte do "líder" ou "presidente" da Coreia do Norte, e não li ou ouvi referências à morte do ditador do regime mais enlouquecido da galeria comunista. Ao pé daquele sujeito, Fidel Castro é um menino. Comparado com aquele comunismo oriental, o comunismo cubano é um spa tropical. Portanto, se as redacções não conseguem dizer que Kim jong-il era um "ditador", vão dizer o quê quando Castro morrer? Que era um notável líder? Um brilho celeste tristemente bloqueado pela canzoada yankee?
Não, o problema não é o humor involuntário do PCP. O problema é continuarmos a viver numa cultura que ainda não aceita críticas impiedosas ao comunismo, que ainda não aceita a equivalência moral entre comunismo e fascismo. O problema é continuarmos a viver cultura que é completamente estranha à narrativa deste filme de Peter Weir. Sim, a estória (isto é, a espessura das personagens durante a fuga do gulag) não nos agarra, mas a História do filme tem um peso que fala por si. Partindo de uma perspectiva polaca, Rumo à Liberdade diz-nos algo que continua a ser tabu: a II Guerra Mundial começou com uma dupla invasão da Polónia; os alemães invadiram pela esquerda e os soviéticos invadiram pela direita. Os comunistas de Estaline também iniciaram a II Guerra.

Peter Weir relembra na tela algo que Norman Davies já tinha carimbado no papel: a Europa não é sinónimo de Europa ocidental. Os agressores e as vítimas da história europeia não estão apenas na Europa ocidental. A Europa oriental também conta. Devemos, portanto, desenterrar esse pormaior: em 1939, comunistas e fascistas invadiram - ao mesmo tempo e em conluio - a Polónia. A URSS não entrou na II Guerra em 1941, mas sim em 1939. Aliás, a segunda agressão da guerra pertence à URSS: a esquecida invasão da Finlândia, em Novembro de 1939. Depois, enquanto a Alemanha já oferecia os habituais tabefes à França, a URSS anexou os Estados bálticos. Não acreditam? Então inquiram um estónio ou um lituano sobre este assunto, e depois reenviem a resposta ali para o "Avante".


30 de Dezembro

Hoje é o dia da Festa da Sagrada Família, que normalmente acontece no Domingo entre o dia de Natal e  o primeiro dia do ano.
Sugiro como ponto de reflexão sobre o estado da família em Portugal este texto (a penúltima crónica do DN) de Maria José Nogueira Pinto; é uma sua contribuição para a reflexão sobre a família e será uma homenagem que lhe fazemos encontrar caminhos que tornem a família naquilo que ela é.
O texto que segue abaixo “Holocausto da Família” escrito há 11 anos é elucidativo sobre as várias contribuições que, indirectamente, tanto enfraqueceram a família.
Agradeço a estes combatentes na primeira linha da defesa da vida e, portanto, da família.

30 de Dezembro - Sagrada Família

A Sagrada Familia com um passarinho.
Bartolomé Esteban Murillo. c.1650. Oil on canvas. 
Museo del Prado, Madrid

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

29 de Dezembro

·         Aproxima-se o dia da Sagrada Família. O papa recorda-nos o papel essencial da família no hábito quotidiano da oração, ontem na Audiência geral de quarta-feira: “Se uma criança não aprende a rezar em família, este vazio será difícil de preencher depois”.
·         Um padre amigo lembra “a Eucaristia que se vai realizar em Madrid, no dia da Sagrada Família, em acção de graças pela família cristã. Trata-se de um evento com uma tradição ininterrupta de 4 ou 5 anos, e que conta habitualmente com todos (repito: todos) os Bispos de Espanha. Conseguiu a proeza de unir os bispos bascos e catalães aos outros. Tem como objectivo sublinhar o valor da família cristã acima daquilo a que os governos de Zapatero e seus congéneres ocidentais a quiseram equipar: uniões de facto, homossexuais, etc. Pretende também defender a vida humana, desde a concepção (e até antes dela) até à morte natural.
Se não me engano, nos últimos dois anos contou com a presença de D. Manuel Clemente, além de outros bispos da Europa. Chegou a congregar cerca de 2 milhões de pessoas no centro de Madrid, em uma ou duas ocasiões, e nas outras o número de participantes foi apenas um pouco inferior. Ao que sei, irão bastantes portugueses.
·      D. Manuel Clemente escreveu uma carta ás famílias da sua diocese intitulada “da família em que Deus nos cria à família em que Deus nos espera”, anunciando o programa da sua diocese para o ano que entra, centrado na família e na juventude..
·      Em arrumações de fim de ano, descobri este artigo do prof. Mário Pinto, escrito no ano do Jubileu. Ainda estamos em tempo de Natal e a tempo de seguir as sugestões que nos faz. Obrigado

Carta do bispo do Porto às famílias da sua diocese

carta_familias

A necessidade de Deus (e de Cristo)

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
8:00 Quinta feira, 29 de dezembro de 2011

 O ar do tempo acha que é completamente independente do cristianismo. O ar do tempo está errado. Mesmo que não acredite no mistério pascal (como eu o percebo), mesmo que não seja um cristão de fé, o cidadão ali da rua é um cristão cultural, educado numa cultura de direitos que só cresceu na civilização judaico-cristã. Tal como defende Nicholas Wolterstorff, os tais "direitos inalienáveis" (a base ética e constitucional das nossas vidinhas) têm uma raiz bíblica. Por outras palavras, o Direito Natural precisa de uma base religiosa, precisa de uma comunicação com a transcendência divina. Porquê? A resposta não é simples, mas aqui vai: sem uma noção de transcendência, sem algo que nos liberte da prisão do aqui-e-agora, o poder político fica com as portas abertas para limitar os direitos inalienáveis dos indivíduos. Não por acaso, os regimes totalitários do século XX anularam por completo qualquer noção de transcendência, destruíram qualquer noção ética com origem em algo exterior à lei positiva determinada pelo chefão. O fascismo e o comunismo foram tiranias da imanência.

Muitos autores contemporâneos, como Alain Dershowitz, defendem um conceito de Direito Natural secular, sem qualquer apelo a Deus. Mas isso é o mesmo que ser do Benfica e gostar do Pinto da Costa ao mesmo tempo. Um Direito Natural completamente secularizado é uma contradição em termos, porque não tem uma gota de transcendência. Quando dizemos que cada indivíduo tem direitos inalienáveis que nenhum poder terreno pode pôr em causa, quando dizemos que cada pessoa tem direitos inalienáveis que nenhum direito positivo pode rasgar, estamos - na verdade - a dar um salto de fé em direcção a uma concepção de amor ao próximo, um concepção de amor que transcende a imanência da lei, da cultura e do nosso próprio corpo (i.e., Deus).

Portanto, convém perceber que a ideia de direitos inalienáveis não foi inventada de raiz pelo pensamento iluminista do século XVIII ou pelo optimismo científico e individualista do século XIX. Esta ideia já fazia parte do património bíblico. Neste sentido, a tese de Wolterstorff não é descabida: sem esta raiz cristã, a nossa cultura de direitos não teria sido desenvolvida. Os críticos desta tese poderão invocar Kant para a defesa de um Direito Natural absolutamente secular, mas ficarão sempre expostos a um ataque óbvio: Kant cresceu numa cultura cristã e não noutra qualquer; Kant não apareceu no paganismo indiano ou chinês. Não por acaso, Nietzsche dizia que Kant era um cristão manhoso, um cristão que inventou uma teoria secular de direitos apenas para fugir da questão de Deus e da fé.

Moral da história? Durante muito tempo, pensei que Kant chegava para as despesas do Direito Natural. Mas não chega

Eucaristia de Acção de Graças pela Família


Para qualquer informação, consulte o site oficial: http://www.porlafamiliacristiana.es/#


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Aprende-se a rezar em família - audiência geral de 4.ª feira, 28 de Dezembro de 2011

AUDIÊNCIA GERAL
Sala Paulo VI
Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2011
Queridos irmãos e irmãs,
No clima natalício que nos envolve, convido-vos a reflectir sobre a oração na vida da Sagrada Família de Nazaré, tomando por modelo Jesus, Maria e José. Como toda a família judia, os pais de Jesus – tinha ele quarenta dias - sobem ao templo para consagrar a Deus o filho primogénito. Maria ouve lá, do velho Simeão, palavras que lhe anunciam glórias e tribulações. Ela «guardava todas estas coisas no seu coração». Esta capacidade de Maria era contagiosa, sendo o seu primeiro beneficiário José. De facto ele, com Maria e sobretudo depois com Jesus, aprende a relacionar-se de modo novo com Deus, colaborando no seu projecto de salvação. Como era tradição, José presidia à oração doméstica no dia a dia: de manhã, à noite e nas refeições. Assim Jesus aprendeu a alternar oração e trabalho, e a oferecer a Deus o suor e cansaço para ganhar o pão de cada dia. Se uma criança não aprende a rezar em família, este vazio será difícil de preencher depois. Possam todos descobrir, na escola de Nazaré, a beleza de rezarem juntos como família.

A vida e a morte de lados opostos da rua

28-12-2011 17:54 por Domingos Pinto

50 metros entre a vida e a morte. Reportagem de Domingos Pinto
Cerca de meia centena de pessoas participou hoje numa vigília de oração organizada pela Missão Mãos Erguidas, que trabalha no terreno para combater o aborto.
Escassos 50 metros separam a morte da vida.
De um lado, a Clínica dos Arcos, onde todos os dias são feitos 50 abortos, cerca de 6000 por ano. Do outro, a Casa Nazaré, um T0 com um corredor a separar uma pequena cozinha e uma sala onde se reza e onde são acolhidas as futuras mães, mulheres que pouco antes, do outro lado da rua, iam abortar.
Manuel Madureira, da “Missão Mãos Erguidas”, que promove este dia de oração, descreve a afluência à clínica dos Arcos: “Isto é um corrupio, de manhã à noite, várias pessoas a virem fazer abortos. Vêm de todos os pontos do país, inclusive das ilhas, apoiadas pelo próprio Governo. É constante”.
Nada que desanime as duas dezenas de voluntários que integram esta associação de defesa da vida, que já salvou mais de 600 bebés desde que foi criada há cinco anos. Trata-se de um trabalho que inclui, mas vai além, da mera abordagem na rua.
“Dirigimo-nos às pessoas, percebemos que vêm para a clínica e tentamos demovê-las, para que percebam que há outras soluções que não esta. E tentamos oferecer soluções. Muitas vezes falam da necessidade de abortar por falta de meios, falta de emprego. Damos indicações de associações, de locais para pernoitar, soluções a todos os níveis”, explica.
Um esforço nada fácil e uma experiência dura, diz Leonor Ribeiro e Castro. A fundadora da Casa de Nazaré não tem dúvidas de que está instalada na sociedade portuguesa uma cultura de morte.
“É uma experiência muito dura, muito dura. Ver mulheres que entram ali com uma normalidade tremenda. ‘Tem consciência de que vai matar o seu filho?’, perguntamos. Respondem ‘tenho e mato quem quiser’. Estamos mergulhados numa cultura de morte e temos de sair dela rapidamente”, refere Leonor Ribeiro e Castro.
Ainda hoje, recorda, a história repetiu-se: “Abordei uma rapariga que se chamava Maria. E quando lhe perguntei se sabia o que ia acontecer, que tem um bebé, que o coração bate, ela olhou para mim e disse ‘sei’. A indiferença, a brutalidade com que se trata, é impressionante. Isto magoa-nos. Isto dói.”

Três Leonores e uma vida salva
Mas nem todas as histórias acabam mal. Leonor Ribeiro e Castro ajudou a salvar uma outra Leonor.

Natural de São Tomé, Leonor Fernandes conta à Renascença a sua própria história: “Eu tinha consulta marcada, tinha a credencial do Centro de Saúde e ia já abortar. Já tinha os exames todos feitos, só que tinha comido e tinha de estar em jejum. Quando saí, a Leonor Castro foi ao meu encontro e percebi, porque eu não tinha sequer noção de como era feito o aborto. Graças a Deus não fiz. Estou superfeliz, a minha filha tem cinco meses e chama-se Leonor, em homenagem à Leonor Castro”.
Leonor Fernandes, a mãe, passou definitivamente para o “outro lado da rua” e hoje também se dedica a dissuadir quem procura abortar: “Já salvei dois bebés, com a ajuda de Nossa Senhora de Fátima, como é lógico”.
A fundadora da Casa Nazaré diz que agora "é preciso ir mais longe", "mexer na lei" e "fazer um novo referendo": “Quem está aqui está desejoso que venha um novo referendo, para acabar com isto, porque estamos no terreno. Referendo? Bem-vindo! Estamos atrasados cinco anos”.
“As pessoas têm de ir para a rua. A Igreja não é padres e leigos, somos todos. Eu tenho uma esperança muito grande neste ano de 2012. As pessoas vão perceber que é preciso rezar mais. Rezando mais vêm os frutos da oração, vem a vida”, conclui Leonor Ribeiro e Castro.

28 de Dezembro

·         Hoje é o dia dos Santos Inocentes. A Missão Mãos Erguidas promove uma jornada de oração pela vida entre as 9:00 e as 19:00 na rua da Mãe d’Água, nº 12, em Lisboa.
·         Na homilia da missa do galo, o papa Bento XVI explica a novidade no conhecimento de Deus introduzida por S. Francisco de Assis, quando representou o primeiro presépio
·         De que é que o nome de Jesus – que significa salvador – nos salva? É disto que trata a Mensagem do Papa à cidade e ao mundo (Urbi et Orbi)

28/12 - Dia dos Santos Inocentes Mártires - Jornada de Oração pela Vida em Lisboa


Aos Amigos da Vida,

No próximo dia 28 de Dezembro, quarta-feira, 
dia dos Santos Inocentes Mártires,
vai haver uma jornada de oração pela vida, 
durante todo o dia, das 9:00 às 19:00,
em frente à Clínica espanhola dos Arcos, 
onde são realizados por ano cerca de
6.000 abortos, a maioria dos quais pagos 
pelos nossos impostos.

Contamos com a sua presença lá nesse dia, durante o tempo que poder dispor,
nem que sejam só alguns minutos.

O local exato é: Rua da Mãe d´Água nº 12, por cima da Praça da Alegria, em Lisboa.

                                             
 
                                                


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Comissão Nacional pro Referendo-Vida
Leonor Ribeiro e Castro, Maria das Dores Folque, Vera de Abreu Coelho, Carlos Fernandes, Luís Botelho, Luís Paiva, Miguel Lima, Rodrigo Castro, Ali Adel Hussain, Eduardo Torcato David

contactos:

email: proreferendovida@gmail.com ...... blogue: http://daconcepcaoamortenatural.blogspot.com/

28 de Dezembro - Santos Inocentes

 
O Massacre dos Inocentes
Matteo di Giovanni (1488)
tempera sobre madeira, 231 x 234 cm 
Museo di Capodimonte 
Galleria Napoletana
Nápoles

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A ÁRVORE DE NATAL DE BEIT SAHOUR

Uma multidão considerável, mais de 5000 pessoas, juntaram se em Beit Sahour, no Sábado dia 17 de Dezembro, para assistirem à inauguração da árvore de Natal num ambiente muito festivo. As iluminações do pinheiro de Natal foram acesas pelas autoridades, nomeadamente o Primeiro Ministro Palestino Salam Fayyad, Monsenhor Shomali bispo auxiliar de Jerusalém assim como o Governador de Belém, ficando a árvore de Natal a brilhar intensamente.
Um desfile composto por numerosas crianças e jovens das escolas de Beit Sahour e de Belémfoi organizado e dirigiu-se para a Árvore de Natal. A multidão comprimida ao longo da estrada e em frente da Igreja acolheu calorosamente um numeroso grupo de escuteiros que avançavam à frente das personalidades oficiais, e que alegrou esta noite de Dezembro com o som dos seus tambores e gaitas de foles.
Diante da igreja, colocou-se um palanque e, desde o fim da tarde, cânticos de natal ressoaram no coração da cidade e, todas as pessoas presentes, entre as quais muito estrangeiros, turistas e peregrinos, cantaram a uma só voz diferentes refrãos conhecidos como o famoso Gloris in exelcis Deo.
A orquestra musical saudou as diferentes autoridades políticas representadas entoando o hino palestino. De seguida, o Presidente da Câmara de Beit Sahour deu as boas-vindas a todas as pessoas alí reunidas por esta ocasião e saudou, especialmente o Primeiro Ministro Salam Fayyad, o Governador de Belém, o Ministro do Interior, o Ministro dos Detidos, os membros do Conselho Legislativo, o Bispo auxiliar de Jerusalém, Monsenhor William Shomali assim como todo o clero presente.
Monsenhor Shomali, no seu discurso, reafirmou o sentido do Natal para os habitantes de Belém dizendo: entre todos os continentes e países, Deus escolheu, gratuitamente, a Palestina para encarnar e nascer, de entre todo as aldeias da Palestina, ele escolheu Belém, e a todas as casas de Belém, preferiu uma gruta para nascer, de todas as mães ele escolheu uma virgem mãe que é Maria, e de entre toda a gente simples que ele queria informar do nascimento do Salvador, ele enviou os anjos aos pastores de Beit Sahour (Belém)?. O bispo exortou os seus concidadãos a manterem a fé e a simplicidade dos pastores, mas também amarem o seu país e a serem-lhes fiéis.
O Bispo felicitou-se pela eminente libertação de prisioneiros e alegrou-se pelos seus parentes e próximos. A este propósito disse: ?É certamente  uma das bênçãos de Natal?.
Lembrou ainda que o pinheiro que ia ser iluminado era sinónimo de esperança num mundo melhor, de um futuro de paz e de reconciliação para toda a região.
Monsenhor Shomali exprimiu, por fim, o desejo que as barreiras caíssem para permitirem a circulação, em liberdade, de todas as pessoas do país sem autorizações nem checkpoint.
O Primeiro-Ministro, Salam Fayyad, lembrou que o Natal é não só uma festa religiosa, mas também nacional para todos os Palestinos, e que os valores que Cristo ensinou aos homens são universais, sobretudo a sua mensagem de paz e de perdão. E afirmou o desejo dos Palestinos de terem o seu próprio Estado livre e viverem em paz com os seus vizinhos Israelitas.
A seguir a estes discursos, o Evangelho do nascimento do Messias foi proclamado, e as autoridades, em conjunto, acenderam as luzes ficando o Pinheiro brilhando com os seus mais belos enfeites. Foi numa atmosfera de bom humor e alegria que a festa terminou, ouvindo-se ainda cânticos de Natal durante a recepção oferecida pela paróquia de Beit Sahour.