Eurico de Melo

Corta-fitas, 2012-08-02
João Afonso Machado

Decerto já poucos se lembravam dele, o que, só por si, é um excelente sinal. Não fosse o desespêro de um País que vê partir um dos últimos de uma geração desgraçadamente sem sucessores. A geração em que ainda havia quem entendesse a Política como um serviço e não como um emprego.
Eurico de Melo, de resto, tinha o seu, não precisava da partidocracia para se alimentar ou para enriquecer. Também não sentia, aliás, necessidade de enriquecer. Bastava-lhe ser o que já era.
Era minhoto, era um senhor e se porventura o epíteto de "vice-rei do Norte" lhe assentava bem no espírito e no curriculo... sorte da Região. Eurico de Melo serviu-a, como serviu Portugal - nunca serviu o Estado, nem do Estado se serviu. Obviamente não era republicano.
Por tudo, e por respeito à sua liberdade pessoal, quando entendeu que não era entendido - bateu a porta, regressou à sua terra. E à sua profissão.
Fica o seu exemplo, agora que a doença e a idade o levaram. O exemplo de como e porquê deviam inexistir Mários Soares; e da tontice da "ética republicana" também.

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