quinta-feira, 31 de maio de 2012

Hollande

30 | 05 | 2012 20.22H
João César das Neves | naohaalmocosgratis@ucp.pt

Quem é o verdadeiro François Hollande? Esta é uma das perguntas mais urgentes do momento. A evolução da França nos próximos anos, além da Itália, Alemanha, Espanha e Grécia, terá grande influência na nossa vida, determinando o futuro do projecto europeu. Nela, a intervenção do presidente, longe de ser decisiva, não deixa de ser um factor importante. Daí o interesse em saber quem é Hollande.
Neste momento a maior parte das respostas a esta pergunta passa ao lado do problema. Aquilo que sabemos ajuda pouco a entender a verdadeira atitude do novo ocupante do Eliseu. O que ele fez no passado e sobretudo o que disse na campanha são aspectos interessantes mas geralmente inúteis para determinar a sua futura condução da presidência.
Prova clara disso está no seu antecessor. Quando há cinco anos todo o mundo fazia pergunta equivalente acerca do verdadeiro Nicolas Sarkozy, poucos dedu-ziriam o comportamento tímido, errático, gabarola e vácuo que acabou por ser o do seu mandato. A anterior prestação como ministro do Interior e a retórica eleitoral faziam prever traços que nunca se concretizaram.
Igualmente, o sucesso empresarial de Silvio Berlusconi foi fraco prognóstico para a estrondosa palhaçada da sua governação. Por outro lado sucessos, como Blair, Aznar ou Merkel, foram inesperados.Os jornais andam cheios de análises, celebrações ou ameaças acerca do novo presidente francês. E há boas razões para isso, pois ele será importante para nós, embora muito menos do que e diz. Mas só uma entidade nos dirá quem ele realmente é: o tempo.

31 de Maio - Visitação de Nossa Senhora a sua prima Santa Isabel

Cenas da vida da Virgem
7. Visitação
Giotto di Bondone
1306
Fresco, 150 x 140 cm
Cappella Scrovegni ( Capela Arena), Padua
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A Igreja celebra a festa da Visitação de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel, em Ain-Karin, na Judeia. Isabel estava grávida de São João Baptista, o precursor de Jesus. É o encontro de duas mulheres que celebram jubilosas a vinda de Jesus Salvador: o Reino de Deus, a Boa Nova, as promessas de Deus já estão cumpridas e continuam a cumprir-se no meio dos homens de boa vontade.
No seu Evangelho, São Lucas afirma: naqueles dias, Maria pôs-se a caminho para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade de Judá. Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu ventre e Isabel ficou replecta do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: "Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre!" (Lucas 1,39ss.).
É o milagre da vida que brota com força e poder e vence o mundo. É a força e o poder da Palavra de Deus que faz a Virgem conceber e permite que aquela que era estéril dê à luz (Lucas 1,30ss.). É por isso que Maria, trazendo Jesus em seu seio, irrompe neste sublime canto de alegria e júbilo que é o "Magnificat" (Lucas 1,46-55).

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Nós somos católicos

Paulo Rocha
Agência Ecclesia, 2012-05-29


Tantos “dias de” onde é possível – e preciso - reclamar a afirmação “Nós somos católicos” e exigir a presença, a participação, o compromisso!


A mobilização virtual em torno de um slogan foi imediata: um vídeo espalhado pelas redes sociais, partilhado repetidamente e recomendado entre amigos fez de uma certeza – “Nós somos católicos” – uma sintonia global entre os que concretizam a experiência do cristianismo numa família, a da Igreja Católica.
A afirmação é traduzida por muitas imagens, pela poesia, pela evocação do empreendedorismo de pessoas e organizações, a inovação humanizante em cada época na saúde, na educação, na assistência. Tudo à escala global e a cada passo comprovada pelas referências constantes, em ruas e cidades, a figuras maiores desta família.
Em dois minutos, o filme percorre mais de 2000 mil anos de História, evoca grandes feitos e criações e provoca convergências espontâneas entre povos de qualquer canto do mundo para uma certeza: todos estamos unidos a uma Pessoa, Jesus Cristo.
Diante de qualquer caos, é essa convicção que permite a permanência: a da Igreja e a de muitos nessa família. Existe entre todos um denominador comum que permite somar ou subtrair, acrescentar ou tirar, mas nunca dividir.
A memória deste vídeo, que qualquer motor de pesquisa traz ao ecrã, acontece no contexto de iniciativas que, em todos os tempos e com particular incidência nestes dias, ocorre no nosso “jardim à beira mar plantado” e que reclamam, dos que pertencem a esta grande família, a afirmação clara e convicta de que “Nós somos católicos”.
Abundam as oportunidades para o fazer, nas dioceses que se reorganizam ou nos projetos que inovam. Basta seguir as propostas que fazem convergir núcleos desta família para um “Dia da Diocese”, “Dia da Juventude”, “Dia da Família”, “Dia das Comunicações Sociais”… Tantos “dias de” onde é possível – e preciso - reclamar a afirmação “Nós somos católicos” e exigir a presença, a participação, o compromisso!
Não menor é o desafio que recai sobre os promotores de qualquer convocatória. Num contexto social cruzado de eventos e convites é urgente a reformulação de propostas e a qualificação de todos os projetos, mesmo os que acontecem em família.
Só dessa forma será possível dizer não apenas “Nós somos católicos”, mas acrescentar com confiança e a todas as pessoas “Bem-vindo à tua casa!”
Paulo Rocha


Nós somos católicos - Bem-vindo a casa


Pecado original

O pecado original é o que faz o homem capaz de conceber a sua própria perfeição, mas fá-lo também incapaz de a atingir.
Reinhold Niebuhr

terça-feira, 29 de maio de 2012

Da "modernidade"

Miguel Alvim
Vivemos num tempo estranho.
De falsa promessa niilista.
Supõe-se superada a metafísica.
Ultrapassada a religião.
Os arautos da modernidade, na pretensão do rumo inexorável ao alegado futuro do cientismo tecno-naturalista pagão, do relativismo desvalorativo, descarnam o homem.
Desumanizam-no.
E condenam-no à pior morte: a morte antecipada do espírito em vida.
O homem é carne feita por Deus e animado pelo Seu espírito (o homem nunca foi, não é e nunca será autor de si mesmo).
O progresso e a mudança sem Deus já têm um nome: podia ser Auschwitz-Birkenau.

Cem vezes mais agora

…quem deixar casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou campos por minha causa e por causa do Evangelho, receberá cem vezes mais agora, no tempo presente, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, juntamente com perseguições, e, no tempo futuro, a vida eterna.
Mc 10, 29-30

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Babel ou Pentecostes

Na homilia de Pentecostes, o papa Bento XVI põe em confronto o acontecimento de Pentecostes com a alegoria bíblica da Torre de Babel.
“Pentecostes é a festa da unidade, da compreensão e da comunhão humana” enquanto Babel é uma história de obsessão de poder que tem como consequência o afastamento de Deus e o desentendimento entre os homens.
O papa chama-nos também a atenção para o paradoxo que é “estarmos cada vez mais próximos uns dos outros devido ao desenvolvimento dos meios de comunicação e ao encurtamento das distâncias geográficas, ao mesmo tempo que a compreensão e comunhão entre as pessoas parece cada vez mais superficial e difícil…. entender-se parece algo muito trabalhoso e prefere-se permanecer no próprio ego, nos próprios interesses”.
Hoje mesmo, no seu habitual artigo das segundas-feiras, João César das Neves observa a relação do ministro das finanças, Vítor Gaspar, com a comunicação social. “Foi logo evidente que ele não iria obedecer às regras mediáticas há décadas ditadas pelo jornalismo. Exigência de pontualidade, estilo pausado e meticuloso, intransigente linguagem técnica, tudo violava os princípios elementares da comunicação social, a que todos os políticos obedecem cegamente”.
A atitude do ministro das Finanças perante a comunicação social só pode ser considerada subversiva, mas contem uma semente de esperança: há alguém que preza mais o interesse colectivo que defende do que a própria imagem. Se mais fizerem assim, Babel não triunfará.

God save the Queen... e a libra esterlina

Público, 2012-05-28
João Carlos Espada

Para o resto do mundo, a excitação britânica com o Diamond Jubilee da sua rainha não é compreensível


O próximo será um fim-de-semana prolongado em Inglaterra, de 2 a 5 de Junho, para assinalar os 60 anos de reinado da rainha Isabel II. Os mais excêntricos preparativos estão em curso, da mais recôndita aldeia à capital do reino, e outrora do império, a excitante cidade de Londres. ("When a man is tired of London - disse o dr. Johnson - a man is tired of life.")

Para o resto do mundo, esta excitação britânica com o Diamond Jubilee da sua octogenária rainha será tudo menos compreensível. À esquerda, os filósofos racionalistas considerarão absurdo o culto de um sistema hereditário que não é susceptível de escolha pelo indivíduo soberano. À direita, os filósofos irracionalistas dirão que a monarquia britânica é uma peça de museu que sobrevive hipocritamente, sem autenticidade, numa sociedade essencialmente igualitária. Fazendo a ponte entre aquelas duas correntes, os eurofederalistas dirão que o culto da rainha pelos ingleses é apenas mais uma expressão do seu nacionalismo insular e do seu arcaico desinteresse por uma Europa federal... bem como pelo euro.

Estas críticas estão todas muito certas, sobretudo de um ponto de vista lógico. Só que, como gostava de dizer Winston Churchill, "devemos precaver-nos contra a inovação desnecessária, sobretudo quando é ditada pela lógica". E esta é, em boa parte, a chave para compreender a monarquia britânica e a sua popularidade.

A Inglaterra teve a sua experiência precoce, no século XVII, com o choque irredentista entre doutrinas lógicas e absolutistas rivais. Carlos I e depois Jaime II defendiam logicamente a doutrina do direito divino do rei a governar e dirigir o seu rebanho. Cromwell e os puritanos igualitários defendiam logicamente a doutrina do direito divino dos "eleitos" a dirigirem o resto do rebanho. Os dois lados desprezavam a simples ideia de compromisso e desconfiavam de todas as instituições intermédias espontâneas e autónomas - as universidades, as empresas, as instituições locais, até as famílias - que não perfilhassem a "doutrina justa".

Este conflito entre doutrinas lógicas e justas rivais custou a Inglaterra a melhor parte do século XVII. Gerou uma guerra civil, uma república autoritária e uma restauração monárquica, inicialmente tranquila, com Carlos II, depois de novo intransigente, com Jaime II.

Foi então, em 1688, que um bloco central moderado emergiu. Uns eram monárquicos, outros republicanos. Mas convergiam na necessidade de pôr cobro às guerras dogmáticas entre doutrinas lógicas; e de reencontrar o quadro legal estável, consagrado na Magna Carta de 1215, que, garantindo a vida, a liberdade e a segurança das posses e dos contratos, permitisse também que a sociedade respirasse sem sobressaltos revolucionários - umas vezes mais para a direita, outras vezes mais para a esquerda.

Este compromisso implicava abdicar da ambição de "mudar o país" por qualquer facção particular, em nome de uma doutrina lógica particular. Diferentes doutrinas, de preferência não demasiado lógicas (isto é, irredutíveis), deveriam poder concorrer e dialogar pacificamente num lugar que já existia e não era preciso inventar: o Parlamento, composto por duas câmaras, a dos Lordes e a dos Comuns.

Para que esta rivalidade pacífica entre interesses e opiniões diferentes pudesse funcionar da forma mais aberta e elástica, seria prudente manter um ponto fixo em todo o sistema. Esse ponto fixo seria fornecido pelo monarca constitucional. Não pertencendo a nenhuma facção, o monarca garantiria a concorrência leal entre as facções. Representaria todo o país, situando-se acima das facções. Mas, para isso, teria de abdicar de querer "dirigir ou mudar o país". Deveria, apenas, servir o país; e tentaria inspirá-lo com o sentido de dever que distingue a gentlemanship. Este era o seu dever, não o seu direito.

Esta doutrina não é obviamente muito lógica e está cheia de imperfeições. Não consegue satisfazer nenhuma doutrina irredentista rival. Não é absolutamente democrática ou republicana. Nem é absolutamente monárquica ou, sequer, aristocrática. Não é, em rigor, uma teoria. É o resultado de uma longa experiência, de uma memória, e de uma disposição fundamental para usufruir a dádiva da vida, em vez de sonhar com um futuro perfeito, ou com um passado perdido.

Foi esta tranquila disposição para usufruir a dádiva da vida que gerou entre os ingleses uma atitude céptica perante grandes teorias, quer inovadoras quer restauradoras. É essa atitude que explica a sua sábia adesão à monarquia constitucional... bem como a sua sábia conservação da libra esterlina.

Banco Alimentar: mais doações e voluntários

Lisboa, 28 mai 2012 (Ecclesia) – Os Bancos Alimentares Contra a Fome recolheram este sábado e domingo mais 13,7% de alimentos do que no mesmo período de 2011 e registaram cerca de 37 mil voluntários, um recorde absoluto na campanha.


Os dados avançados pelo site da Federação dos Bancos Alimentares referem que nas 1655 superfícies comerciais onde a iniciativa decorreu foram oferecidas 2644 toneladas de alimentos, resultado que ultrapassa “todas as expectativas” devido à “evidente contração do rendimento disponível e do poder de compra dos portugueses”.
O número de colaborações gratuitas, por seu lado, “demonstra que esta iniciativa de voluntariado não tem, ao nível da dimensão, qualquer paralelo no nosso país”, refere a nota da campanha intitulada "A crise é grande mas a solidariedade dos portugueses é ainda maior".
“As pessoas responderam ao apelo e quiseram demonstrar que, apesar da profunda crise económica que afeta tantas famílias portuguesas, não se conformam com a situação e estão disponíveis para reagir e para ajudar a minorar as dificuldades”,sublinhou Isabel Jonet, presidente da Federação dos Bancos Alimentares Contra a Fome.
As doações continuam até domingo no site http://www.alimentestaideia.net/, plataforma na internet que em 2011, ano da abertura, permitiu recolher cerca de 162 toneladas de alimentos, no valor aproximado de 185 mil euros.
O canal, que apresenta um contador de doação por alimento em tempo real, dispõe de duas modalidades de pagamento: através de uma caixa multibanco ou pelos sites dos bancos.
A ferramenta pode ser consultada por computador, ‘tablet’ e telemóvel a partir de qualquer programa de navegação na internet ('browser'), estando também disponíveis os acessos pela rede social Facebook, plataforma de conversação Messenger, correio eletrónico da Hotmail, portal de conteúdos MSN (www.msn.pt) e uma aplicação nos canais ZON.
As ofertas de alimentos prosseguem igualmente até domingo nas lojas Pingo Doce/Feira Nova, Dia/Minipreço, El Corte Inglés, Jumbo/Pão de Açúcar, Lidl e Modelo/Continente, onde são disponibilizados vales de produtos selecionados (azeite, óleo, leite, salsichas, atum e esparguete).
As 19 instituições federadas no Banco Alimentar Contra a Fome distribuíram em 2011 mais de 30 mil toneladas de alimentos, numa média de 121 toneladas por dia útil, equivalentes a um valor global estimado superior a mais de 42 milhões de euros.
Os géneros são distribuídos ao longo de todo o ano através de instituições de solidariedade social escolhidas pelo Banco Alimentar e acompanhadas em permanência pelos seus voluntários.
O primeiro Banco Alimentar Contra a Fome em Portugal abriu em 1991 e na Europa existem 247 entidades congéneres que em 2011 deram produtos a cerca de 5 milhões de pessoas, através de 31 mil associações, reunidas no sitehttp://www.eurofoodbank.org/.

Torre de Babel

A torre de Babel
Pietr Brueghel ( 1563)
Óleo sobre madeira (114 x 155 cm)
 Kunsthistorisches Museum
Viena de Áustria

A suprema rebeldia

JOÃO CÉSAR DAS NEVES
DN 2012-05-28
Nesta triste crise existem alguns casos patuscos e divertidos. Um dos mais hilariantes foi a reacção da imprensa ao novo ministro das Finanças, que ainda não parou de evoluir ao fim de quase um ano de relação ambígua.
O primeiro momento foi de surpresa. O professor Vítor Gaspar não constava em nenhuma das longas listas de candidatos, tão demoradamente elaboradas e comentadas durante semanas. Isso não chega para criar espanto jornalístico, pois é comum os novos ministros serem desconhecidos. Só que isso costuma acontecer por mediocridade ou apagamento. Neste caso o nome tinha todas as características adequadas: vasta e profunda formação técnico-científica, larga experiência governamental e administrativa, forte curriculum internacional. De qualquer ponto de vista, parecia a solução ideal, em que nenhum dos especialistas tinha pensado. Era desconcertante!
O pior foi quando o professor abriu a boca. Foi logo evidente que ele não iria obedecer às regras mediáticas há décadas ditadas pelo jornalismo. Exigência de pontualidade, estilo pausado e meticuloso, intransigente linguagem técnica, tudo violava os princípios elementares da comunicação social, a que todos os políticos obedecem cegamente. À primeira podia ser ignorância, à segunda deslize, mas a partir da terceira a conclusão era inegável: havia um ministro com ideias próprias.
Os espantados jornalistas não sabiam como classificá-lo. Autista? Pedante? Retardado? Brincalhão? Todas as teses aderiam mal ao curriculum. Então espalhou-se uma pergunta feita a qualquer um que tivesse conhecimento mínimo da personagem: Vítor Gaspar tem sentido de humor? Quando os amigos confirmavam que ele era, não só muito inteligente com vasta experiência nas Finanças, mas divertido e irónico, a confusão explodia. Dado não ser tolo ou distraído, tinha de ser opção pessoal de não atender às regras totalitárias do discurso mediático. Como é que alguém na sua posição se atrevia a desafiar as imposições jornalísticas?
Já se andava há largas semanas nisto quando surgiu um elemento ainda mais surpreendente. Gaspar era primo direito do professor Francisco Louçã, outro académico fortemente envolvido na política. A situação era insólita mas não inédita, pois existem muitos casos de familiares com orientações divergentes. Mas surpreende que ninguém tenha meditado no contraste dos dois estilos de rebeldia.
A atitude do ministro das Finanças perante a comunicação social só pode ser considerada subversiva. Há décadas que todos os políticos aprendem a seguir linhas bem definidas nas relações com a imprensa. Existem mesmo cursos e ensaios para os mais limitados. Agora aparecia um responsável que se atrevia a fazer à sua maneira, sem ceder à formalidade.
Rebeldia é a própria imagem de marca do seu primo, há muitos anos líder dos radicais descontentes. Só que a insubordinação do Bloco de Esquerda é do género confortável. Louçã desafia as regras, mas perante o aplauso generalizado e fazendo as delícias da comunicação social. Afinal são raros os casos em que os seus atrevimentos lhe tenham trazido amargos de boca, num tempo que apoia a heterodoxia e acarinha a indisciplina. Tudo somado, arrisca muito mais o primo ministro, quando defende medidas duras e necessárias de forma serena, pausada e pouco mediática, do que o primo coordenador da Comissão Política com as suas propostas extremistas e superficiais. É caso para perguntar qual dos dois é realmente mais rebelde.
Após meses de governação já passou a surpresa, e todos se foram habituando ao novo estilo ministerial. Chegámos à fase mais hilariante: de vez em quando um comentador põe a sua atitude mais pomposa para afirmar gravemente que a pose de rigor e seriedade do ministro foi seriamente beliscada por uma qualquer decisão ou afirmação. No fundo, isto tem muito de orgulho ferido, perante um político que parece genuinamente mais interessado na substância que na forma, mais respeitador da realidade que da imagem, mais centrado no país que na elite. Enfim, a suprema rebeldia.

domingo, 27 de maio de 2012

Homilia do Papa Bento XVI por ocasião da celebração de Pentecostes

ROMA, domingo, 27 de maio de 2012 (ZENIT.org)
***
Queridos irmãos e irmãs!
Sinto-me feliz por celebrar esta Santa Missa convosco, também animada hoje pelo Coro da Academia de Santa Cecília e pela Orquestra da Juventude – que agradeço -, na Solenidade de Pentecostes.
Este mistério é o batismo da Igreja, é um evento que lhe tem dado, por assim dizer, a forma inicial e o impulso para a sua missão. E essa "forma" e este "empurrão" são sempre válidos, sempre atuais, e se renovam de uma maneira especial através das ações litúrgicas.
Esta manhã quero destacar um aspecto essencial do mistério de Pentecostes, que nos nossos dias mantém toda a sua importância. Pentecostes é a festa da unidade, da compreensão e da comunhão humana. Todos podemos constatar como no nosso mundo, ainda que estejamos sempre mais próximos uns dos outros com o desenvolvimento dos meios de comunicação, e as distâncias geográficas parecerem desaparecer, a compreensão e a comunhão entre as pessoas é, muitas vezes superficial e difícil. Permanecem desequilíbrios que muitas vezes levam a conflitos; o diálogo entre as gerações torna-se difícil e as vezes prevalece a contraposição; assistimos a fatos quotidianos que nos fazem pensar que os homens estão se tornando mais agressivos e mais conflituosos; entender-se parece algo muito trabalhoso e prefere-se permanecer no próprio ego, nos próprios interesses. Nesta situação, podemos encontrar realmente e viver aquela unidade da qual temos necessidade?
A narração de Pentecostes nos Atos dos Apóstolos, que ouvimos na primeira leitura (cf. At 2,1-11), contém no fundo de uma das últimas grandes alegorias que encontramos no início do Antigo Testamento: a antiga história da construção da Torre de Babel (cf. Gn 11, 1-9). Mas o que é Babel? É a descrição de um reino em que os homens acumularam tanto poder ao ponto de não fazerem mais referência a um Deus distante e de serem tão fortes ao ponto de construírem sozinhos uma estrada que levasse até o céu para abrir as portas e colocar-se no lugar de Deus. Mas é precisamente  nesta situação que ocorre algo estranho e especial. Enquanto os homens estavam trabalhando juntos para construir a torre, de repente, perceberam que estavam construindo um contra o outro. Enquanto tentavam ser como Deus, corriam o perigo de não serem nem sequer homens, porque tinham perdido um elemento fundamental do ser pessoa humana: a capacidade de entender-se, de compreender-se, e de trabalhar juntos.
Esta história bíblica tem a sua verdade perene; podemos vê-la ao longo da história, mas também em nosso mundo. Com o avanço da ciência e da tecnologia temos chegado ao poder de dominar as forças da natureza, de manipular os elementos, de fabricar seres vivos, chegando até mesmo quase ao ser humano. Nesta situação, orar a Deus parece algo ultrapassado, inútil, porque nós mesmos podemos construir e realizar tudo o que quisermos. Mas não nos damos conta de que estamos revivendo a mesma experiência de Babel. É verdade, multiplicamos as nossas possibilidades de comunicação, de ter informações, de transmitir notícias, mas podemos dizer que cresceu a capacidade de compreender-nos ou talvez, paradoxalmente, nos compreendemos cada vez menos? Entre os homens não parece serpentear talvez um sentimento de desconfiança, de suspeita, de medo um do outro, até se tornar até mesmo perigoso um para o outro? Retornemos agora à pergunta inicial: pode existir realmente unidade, concórdia? E como?
Encontramos a resposta na Sagrada Escritura: A unidade só pode existir com o dom do Espírito de Deus, que nos dará um coração novo e uma lingua nova, uma nova capacidade de comunicar. E é isso o que ocorreu no dia de Pentecostes. Naquela manhã, cinqüenta dias depois da Páscoa, um forte vento soprou sobre Jerusalém e a chama do Espírito Santo desceu sobre os discípulos reunidos, pousou sobre cada um deles e acendeu neles o fogo divino, um fogo de amor capaz de transformar. O medo desapareceu, o coração sentiu uma nova força, as línguas se soltaram e começaram a falar com franqueza, de modo que todos pudessem entender o anúncio de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Em Pentecostes, onde havia divisão e desconfiança, nasceram a unidade e o entendimento.
Mas olhemos para o Evangelho de hoje, no qual Jesus afirma: " Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16, 13). Aqui, Jesus, falando do Espírito Santo, nos explica o que é a Igreja e como essa deva viver para ser ela mesma, para ser o lugar da unidade e da comunhão na Verdade; nos diz que agir como cristãos significa não estar fechados no próprio “eu”, mas orientar-se para o todo; significa acolher em si mesmo a toda a Igreja ou, ainda melhor, deixar interiormente que ela nos acolha. Então, quando eu falo, penso, ajo como cristão, não o faço fechando-me no meu eu, mas o faço sempre no todo e a partir do todo: assim o Espírito Santo, Espírito de unidade e de verdade, pode continuar a ressoar nos nossos corações e nas mentes dos homens e empurrá-los a encontrar-se e acolher-se mutuamente. O Espírito, justamente porque age assim, nos introduz em toda a verdade, que é Jesus, nos orienta no aprofundá-la, no compreendê-la: nós não crescemos no conhecimento fechando-nos no nosso eu, mas somente tornando-nos capazes de escutar e de compartilhar, somente no “nós” da Igreja, com uma atitude de profunda humildade interior. E assim torna-se mais claro porque Babel é Babel e Pentecostes é Pentecostes. Onde os homens querem fazer-se Deus, só podem chegar fazer-se um contra o outro. Onde se colocam na verdade do Senhor, abrem-se à ação do seu Espírito que lhes sustenta e lhes une.
O contraste entre Babel e Pentecostes ecoa também na segunda leitura, onde o Apóstolo diz: "Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne.” (Gl 5,16). São Paulo nos explica que a nossa vida pessoal está marcada por um conflito interior, por uma divisão, entre os impulsos que provém da carne e aqueles que provém do Espírito; e não podemos seguir a todos. Não podemos, de fato, ser ao mesmo tempo egoístas e generosas, seguir a tendência a dominar os outros e provar a alegria do serviço desinteressado. Devemos sempre escolher qual impulso seguir e o possamos fazer de modo autêntico somente com a ajuda do Espírito de Cristo. São Paulo elenca – como escutamos – as obras da carne, são os pecados de egoísmo e de violência, como inimizade, discórdia, inveja, discórdias; são pensamentos e ações que não fazem viver de modo verdadeiramente humano e cristão, no amor. É uma direção que leva a perder a própria vida. Em vez disso, o Espírito Santo nos guia para as alturas de Deus, porque podemos viver já nesta terra o germe de vida divina que está em nós. Afirma, de fato, São Paulo: "O fruto do Espírito é amor, alegria, paz" (Gal 5,22). E percebe-se que o Apóstolo usa o plural para descrever as obras da carne, que provocam a dispersão do ser humano, enquanto usa o singular para definir a ação do Espírito, fala de “fruto”, como na dispersão de Babel opõe-se à unidade de Pentecostes.
Caros amigos, devemos viver segundo o Espírito de unidade e de verdade, e por isso devemos orar para que o Espírito nos ilumine e nos guie para vencer o encanto de seguir nossas verdades, e a acolher a verdade de Cristo transmitida na Igreja. A narração lucana de Pentecostes nos diz que Jesus antes de subir ao céu pediu aos Apóstolos para permanecerem juntos e se preparassem para receber o dom do Espírito Santo. E eles se uniram em oração com Maria no Cenáculo à espera do evento prometido (cf. At 1,14).  Recolhida com Maria, como no seu nascimento, a Igreja também hoje reza: "Veni Sancte Spiritus! - Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor ". Amen.

Caminhantes ou peregrinos?

D. Nuno Brás
A Voz da Verdade, 2012-05-27

“Eu era um caminhante; agora sou um peregrino” – confidenciava alguém, há dias, no final de uma peregrinação a pé a Fátima. Não era a primeira vez que fazia o percurso. No entanto, antes caminhava com devoção, é certo, mas pelo prazer de caminhar juntamente com o resto do grupo. Agora, que se tinha deixado encontrar por Jesus Cristo, precisamente durante a caminhada em direcção a Fátima, tinha passado a ser “peregrino”.
O que sucedeu a este cristão durante a sua peregrinação para Fátima, integrado num dos muitos grupos que para lá se dirigem durante estes meses, em particular durante o mês de Maio, acontece-nos também na nossa vida. Também aqui, não raras vezes, vivemos pelo simples facto de estarmos vivos; vivemos com os outros e na sua companhia mas vivemos por viver; vivemos mesmo com objectivos altruístas, para ajudar os que mais necessitam, mas procurando, afinal, “sentirmo-nos bem connosco mesmos”.
Outra coisa é encontrar um rumo para a vida; e, outra ainda, é aceitar que este rumo não seja um objectivo qualquer ou determinado simplesmente por cada um, mas o fruto de um encontro com Jesus, “Caminho, Verdade e Vida”, que nos ajuda a peregrinar até junto do Pai.
“Eu sou, junto de Vós, um peregrino”, rezava o salmista (Sl 39,12). Viver como “peregrino de Deus”, à procura do Seu rosto, conscientes que este percurso se realiza com Aquele que se faz “peregrino” entre os homens, que os acompanha hoje como outrora aos discípulos de Emaús – eis o que distingue o cristão.
Ser cristão não é nunca algo que esteja completamente realizado à partida. Pelo contrário: exige um peregrinar diário, não apenas interior e muito menos solitário, mas igualmente uma mudança exterior de atitudes e de modos de ser e de viver com os outros, e a percepção de que Aquele que se nos apresenta como “Caminho, Verdade e Vida” o encontramos na comunidade dos crentes que é a Igreja.
Trata-se, afinal, de nos deixarmos conduzir, nesta peregrinação da nossa vida, pelo Espírito Santo que, actuando no nosso coração, nos aponta como meta o encontro pleno com Deus. Eis também em que consiste a verdadeira felicidade.

Pentecostes

O Espírito Santo em forma de pomba
Altar da Cátedra de Pedro
Basílica de S. Pedro
Vaticano

27 de Maio - Sto. Agostinho de Cantuária

Santo Agostinho de Cantuária
 England.

Catedral de Cantuária


Catedral de Canterbury
Kent, Inglaterra
(597, 1070)

sábado, 26 de maio de 2012

Remendos em pano velho

O Banco Alimentar Contra a Fome faz mais uma campanha de recolha de alimentos este fim-de-semana. Os mais de 37 mil voluntários vão estar em 1.500 super e hipermercados a apelar à doação de alimentos para os mais carenciados.
Continua sob os holofotes a questão, melhor, os números do aborto em Portugal. Agora, uma deputada do PSD propõe uma taxa sobre as receitas do aborto que seja usada para um fundo de apoio à infância.
“Não se pode pôr remendos novos em pano velho” ou a falta de sentido que vem ao de cima quando se esquece o valor das raízes

Deputada do PSD propõe fundo para a infância com dinheiros do aborto

Público 2012-05-26  Catarina Gomes
Relatório parlamentar defende que as mulheres que abortem passem a pagar taxas moderadoras, em linha com uma proposta do CDS. Tema voltará a ser discutido no próximo mês na Assembleia da República

As unidades privadas onde se realizam interrupções voluntárias da gravidez por opção da mulher deveriam dar entre 2% a 5% da facturação por acto para um fundo dedicado à infância, defende a deputada social-democrata Conceição Ruão no relatório final elaborado a propósito de uma petição apresentada pela Federação Portuguesa pela Vida (FPV). Por causa desta iniciativa de cidadãos, o tema deverávoltar à discussão no Parlamento no próximo mês.

Há cerca de um ano, esta organização não governamental antiaborto apresentou no Parlamento uma petição, que reuniu 5601 assinaturas, pedindo que a lei que em 2007 descriminalizou o aborto por opção da mulher até às dez semanas seja revista. Entendem também os peticionários que as mulheres que recorrem ao aborto devem deixar de ser beneficiadas, em contraste com a falta de recursos de instituições no terreno que ajudam mulheres e crianças em risco.

Tendo sido reunidas mais de quatro mil assinaturas de cidadãos, a lei obriga a que o Parlamento discuta a petição em plenário, assim como o relatório que dela resultou, algo que deverá acontecer no próximo mês, refere Nuno Reis, deputado e coordenador do grupo parlamentar do PSD para a área da saúde. A petição é encabeçada pela advogada Isilda Pegado, da FPV. Coube à deputada Conceição Ruão analisar as contribuições recolhidas junto de 13 instituições e tirar as suas conclusões.

PSD: taxas sim, mas...

A Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) até às dez semanas por opção da mulher voltou à ordem do dia depois de a deputada do CDS Teresa Caeiro ter anunciado, na semana passada, que vai propor no Parlamento que as mulheres que fazem IVG por sua opção passem a pagar taxas moderadoras. Teresa Caeiro disse na altura que a ideia é dar "equidade e justiça" ao sistema de pagamento de taxas moderadoras. 

"Este acto médico é sempre isento do pagamento de taxa moderadora, ao contrário do que acontece com o tratamento de outras doenças e a realização de outras cirurgias, como tirar um apêndice ou um tumor, uma hérnia discal ou uma intervenção ao coração", explicou. A deputada sublinhou que o projecto - que deverá ser apresentado ainda antes do final da sessão legislativa - "não pretende prejudicar o acesso" à IVG. 

Mais moderado, o grupo parlamentar do PSD veio mostrar-se favorável à cobrança de taxas moderadoras apenas no caso de reincidências. Entre as 20.290 interrupções de gravidez realizadas em 2011, 5130 dizem respeito a mulheres que já tinham realizado pelo menos um aborto em anos anteriores. 

No relatório final da petição, Conceição Ruão vai mais longe do que o seu grupo parlamentar e subscreve o fim da isenção do pagamento de taxas para estas mulheres. Na sua opinião, a isenção "é desprovida do sentido de justiça relativa, colocando a situação de IVG numa situação de discriminação positiva". Do mesmo modo, manifesta-se contra a atribuição de baixas a 100% a estas mulheres, tal como acontece por motivo de maternidade, paternidade e adopção. "É tratar de igual modo situações antagónicas e conflituantes em matéria de interesses a proteger."

Custos de 33 milhões

Dos dados recolhidos pela deputada não foi possível chegar ao custo real dos abortos por opção da mulher, mas constatou-se que o total facturado das IVG em Portugal continental ascendeu, entre 2007 e 2010, a cerca de 33 milhões de euros - um valor muito longe do apurado pelos peticionários, que num comunicado divulgado em 2011 estimaram que as IVG por opção da mulher custavam ao Sistema Nacional de Saúde 100 milhões de euros.

Conceição Ruão defende que "na exacta medida dos custos, em cada ano, com a interrupção voluntária da gravidez", o Estado deve assumir a obrigação de proteger e apoiar a maternidade e as famílias com filhos, instando o Ministério da Solidariedade e Segurança Social a gastar o mesmo que o Ministério da Saúde gasta em abortos por opção da mulher "em favor de medidas de apoio à maternidade e à família".

A parlamentar propõe mesmo que as entidades privadas que praticam IVG contribuam com uma taxa que vá de 2% a 5% por acto, a ser entregue a um fundo da segurança social que distribuiria depois essas verbas por instituições de solidariedade social que se dedicam ao apoio da infância. 

Nuno Reis ressalva que as opiniões incluídas no relatório vinculam apenas a deputada relatora. Já o PSD está a ponderar apresentar um projecto de resolução propondo a introdução de taxas moderadoras apenas para as mulheres que fazem abortos repetidos, admitindo que "numa percentagem significativa de mulheres o aborto está a ser usado como método contraceptivo".

De acordo com dados fornecidos à deputada pela Direcção-Geral da Saúde, haverá cerca de 5% de mulheres que voltam atrás na sua decisão após consulta prévia e decidem não abortar. 

O valor das raízes

“Uma terra fecunda pode vir a tornar-se um deserto inóspito”, alertou o Papa.
RR on-line 25-05-2012 8:43 por Aura Miguel
A Igreja ocidental está a viver uma crise de fé, disse ontem o Papa aos bispos italianos. 
“Muitos baptizados perderam identidade, não conhecem os conteúdos da fé ou pensam que a podem cultivar
sem passar pela Igreja. (...) Diminui a prática religiosa, a frequência da missa ao domingo e da confissão. Muitos olham desconfiados para as verdades ensinadas pela Igreja ou então reduzem o reino de Deus a valores evangélicos, afastando-se, no entanto, do núcleo central da fé cristã”. 
Este retrato italiano, também pode ser o retrato português. 
É que hoje, disse o Papa, “o património moral e espiritual sobre o qual o Ocidente fundou as suas raízes e a sua linfa vital, já não é entendido no seu valor mais profundo, nem considerado como instância de verdade (...) capaz de abraçar toda a existência humana”. 
Por isso, Bento XVI alerta: cuidado que “uma terra fecunda pode vir a tornar-se um deserto inóspito e uma boa semente pode vir a ser sufocada, pisada e destruída”!

Campanha de recolha do Banco Alimentar nas ruas este fim-de-semana

26-05-2012 8:55 por Ana Lisboa
O Banco Alimentar Contra a Fome faz mais uma campanha de recolha de alimentos este fim-de-semana. Os mais de 37 mil voluntários vão estar em 1.500 super e hipermercados a apelar à doação de alimentos para os mais carenciados.

Toda a ajuda recolhida pelos 19 bancos alimentares destina-se a 2.116 instituições que ajudam mais de 330 mil pessoas carenciadas.
O agravamento da crise fez aumentar as dificuldades das famílias. Daí que as instituições de solidariedade social recebam diariamente pedidos de ajuda, o que as leva a solicitar mais apoio ao Banco Alimentar.
Para poder dar sempre resposta, o Banco tem procurado diversificar as fontes de abastecimento para evitar situações de ruptura. Até agora isso nunca sucedeu, porque são as próprias instituições que estão a atingir o limite de ajuda.
"A nossa capacidade de ajuda é condicionada, por um lado, pelo facto de não podermos ter tantos produtos, mas é sobretudo condicionada pelo canal das instituições, que muitas vezes, elas próprias é que já atingiram o limite físico daquilo que podem ajudar”, diz à Renascença Isabel Jonet.
A presidente do Banco Alimentar explica que, por isso, “aquilo que fazemos é dizer às instituições que têm de ser criteriosas na atribuição dos alimentos”.
Para dar resposta a este aumento dos pedidos de ajuda, o Banco tem novas maneiras de recolher alimentos, uma das formas inovadoras é através do portal de doações de alimentos cuja campanha decorre até 3 de Junho, que pode ser acedido em www.alimentestaideia.net.
Há ainda a campanha ajuda vale que decorre também até 3 de Junho, em que cada vale é equivalente a um produto. E depois, apenas neste fim-de-semana, a campanha tradicional em que são distribuídos sacos para os alimentos básicos, como o leite, azeite, açúcar e enlatados.
Toda a ajuda recolhida pelos 19 bancos alimentares destina-se a 2.116 instituições que ajudam mais de 330 mil pessoas carenciadas.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

O ideal é realista

É talvez o equilíbrio mais difícil na vida pessoal: viver completamente imerso no mundo, meter as mãos na massa, sem deixar de ter um horizonte ideal. Não um sonho inatingível, mas um objectivo concreto que é um objectivo de bem maior, que aumenta o bem.
A propósito disto recordo um comentário ao post Taxas moderadoras no aborto? Onde a pergunta nos colocava perante o facto de o aborto efectuado no Serviço Nacional de Saúde ser ou não isento de taxa moderadora. O leitor diz que somos colocados perante uma pergunta sem possibilidade de resposta porque a resposta que “concorda com taxas moderadoras” “dá a entender que se concorda com o aborto no SNS”. A resposta pode ser outra pergunta? E é melhor que passe a mensagem que os portugueses inquiridos não só concordam que o aborto seja realizado no SNS, como ainda, sem qualquer taxa moderadora, nos implica como cúmplices por via dos impostos que pagamos?
Já Pio XII dizia que a política é a arte do compromisso. E o compromisso é, exactamente, este maior bem ideal que se procura olhando para o céu, mas com os pés (e as mãos) totalmente assentes na terra. O ideal não é sonho. É realista

Contágio

23 | 05 | 2012   19.12H
João César das Neves | naohaalmocosgratis@ucp.pt

Uma pergunta domina a actualidade: a queda da Grécia gerará contágio sobre Portugal? Infelizmente, nessa discus-são é costume esquecer os elementos básicos do problema. O facto decisivo é a quase inevitabilidade da queda grega. Não existem muitas hipóteses de se evitar aí uma derrocada político-social com o consequente choque económico-financeiro.
Ora este triste facto é também a razão decisiva para não existir o tão badalado contágio. Com poucas relações directas, os eventuais efeitos da situação grega sobre nós não se justificam por razões económicas. Isso significa que só podem acontecer num pânico irracional. Esse medo é compreensível no meio da incerteza internacional que potencia turbulência e criou tantas ameaças nos últimos anos.
Mas é preciso lembrar que ninguém entra em histeria com aviso. O pavor é um fenómeno súbito, inesperado, instintivo, que nunca acontece de forma antecipada e programada. Ou seja, há dois ou três anos uma ruptura grega teria efeitos devastadores por toda a Europa. Agora já toda a gente descontou o que havia a descontar, já provisionou todos os riscos previsíveis. Uma queda grega será muito dolorosa e séria para a Europa, mas dificilmente gerará contágios financeiros.
Dali surpresas só positivas, porque todos há muito esperam o pior. Isso significa que toda esta conversa sobre contágio é, não uma análise séria da situação, mas um palpite instintivo e retórico, opinião a metro que infelizmente domina boa parte da imprensa. Essa tese só mostra como a tolice infelizmente é sempre tão contagiosa.

Frase do dia

É a capacidade do homem para a justiça que torna a democracia possível, mas é a inclinação do homem para a injustiça que torna a democracia necessária

Reinhold Niebuhr

Realismo ideal

É preciso viver com os pés na terra e a cabeça no céu. Isto é, ser realista sem perder o ideal. Aliás, um ideal - e não um idealismo - é uma meta concreta, possível, onde se pretende chegar. Por isso, a primeira coisa que a pessoa de ideais tem a fazer é conhecer muito bem a sua realidade. Só conhecendo e amando essa realidade, saberá fazê-la crescer e purificá-la do que não é ideal.
NÃO HÁ SOLUÇÕES, HÁ CAMINHOS
Vasco P. Magalhães, sj
Edições Tenacitas  - www.tenacitas.pt
365 vezes por ano não perguntes porquê, mas para quê.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Taxas moderadoras no aborto?

Está a correr no site da TSF um inquérito on-line que pergunta:
http://www.tsf.pt/paginainicial/ lado direito acima do Futebol


Concorda com a aplicação de taxas moderadoras às interrupções voluntárias da gravidez?
Sim                  73% 134 votos              78%     528 votos
Não                  25%  46 votos              21%     141 votos
Sem opinião       2%    4 votos                 1%        9 votos
Às 17:10 de  22 de Maio                                                   às 10:00 de 23 de Maio

terça-feira, 22 de maio de 2012

Apresentação do livro "Marca d'África"

Aborto. Estado gastou 45 milhões de euros desde que a lei entrou em vigor

Por Luís Claro, publicado em 22 Maio 2012 - 03:10 i-online

Cada interrupção voluntária da gravidez custa 700 euros, em média. Em 2011 foram gastos 11,5 milhões de euros
Desde que a lei entrou em vigor, em meados de 2007, a interrupção voluntária da gravidez (IVG) custou aos cofres do Estado quase 45 milhões de euros. Contas feitas, em média, cada aborto custa quase 700 euros ao Serviço Nacional de Saúde. Os números são revelados numa resposta do Ministério da Saúde a deputados do CDS, que questionaram o governo sobre os encargos da IVG para o sistema público de saúde.
É a primeira vez que o governo dá a conhecer dados sobre os custos do aborto e a tendência aponta para gastos na ordem dos 12 milhões de euros por ano. Só nos primeiros dois anos – 2007 e 2008 – os valores foram inferiores. De acordo com os mesmos dados, as mulheres que necessitam de intervenção cirúrgica são em número mais reduzido (cerca de 30%) que as que recorrem ao método químico (através de comprimidos) e representam também por isso um gasto menor.
No primeiro ano em que a legislação foi aplicada – só esteve em vigor seis meses –, as interrupções voluntárias da gravidez custaram pouco mais de 2 milhões de euros e no ano seguinte 7,5 milhões de euros.
Estes números traduzem uma subida no número de abortos no serviço público (ou subcontratados a entidades privadas) a partir de 2009 e os dados do Ministério da Saúde – provisórios em relação a 2010 e 2011 – apontam para a realização de quase 64 mil abortos desde a entrada em vigor da lei, após um referendo em que o “sim” venceu com quase 60% dos votos.
Os gastos do Estado com a interrupção voluntária da gravidez têm sido um dos argumentos dos defensores do “não” à despenalização, mas os números apresentados pela Federação pela Vida são muito superiores aos do governo. Um estudo deste movimento apontava, em Fevereiro, para gastos, directos e indirectos, na ordem dos 100 milhões de euros.
Ao certo ninguém sabia quanto custa aplicar a lei aprovada há cinco anos e o CDS avançou, na anterior legislatura, com um requerimento, entre outros, que questionava o governo sobre os encargos da despenalização da IVG. Durante os mandatos de José Sócrates não houve resposta e os deputados insistiram, em Janeiro, já com Paulo Macedo na Saúde, e conseguiram por fim uma resposta.
O aborto voltou à agenda política pela mão do CDS, que quer avançar em breve com um projecto de lei que acabe com a isenção das taxas moderadoras para as mulheres que recorram aos serviços públicos para IVG. O tema não é pacífico dentro da coligação, já que o PSD só admite alterar a legislação para os casos reincidentes, que são uma minoria, como o i noticiou ontem. De acordo com os últimos dados da Direcção-Geral da Saúde, mais de 75% das mulheres que interromperam a gravidez em 2011 fizeram-no pela primeira vez, o que faz com que as diferenças entre os dois partidos não sejam uma nuance.
Já o PS contesta qualquer mudança nas isenções e, salvaguardando que o projecto de lei ainda não é conhecido, acusa o CDS de estar a preparar-se para limitar “o acesso a esta prática”.
O deputado António Serrano avisa que os portugueses estão “massacrados com taxas moderadoras e não faz sentido alterar o que foi uma opção dos portugueses”.
A intenção do CDS é retirar a IVG do estatuto de “excepção e privilégio”, explicou anteontem ao i.

Inquérito na TSF on-line sobre taxas moderadoras

Caros amigos.
Um dos aspectos da irracionalidade do Estado que foi sublinhada hoje de manhã é, não só a liberalização do aborto, como o seu financiamento.
Está a decorrer no site da TSF um daqueles inquéritos on-line que pergunta se concorda com “a aplicação de taxas moderadoras ao aborto”.
Se quiser manifestar a sua opinião de cidadão tem aqui informações para votar

5º Congresso Nacional ACEGE - Associação Cristã de Empresários e Gestores

Caros Associados e Amigos

Estão abertas as inscrições para o V Congresso Nacional da ACEGE, que se realizará nos próximos dias 1 e 2 de Junho, no auditório Cardeal Medeiros, na Universidade Católica, em Lisboa.

Este é o Congresso em que celebramos os 60 anos de História da nossa Associação. Eis, pois, uma razão adicional para estarmos presentes.

O tema do Congresso a todos convoca: «Amor ao Próximo como Critério de Gestão».

Não se trata de reflectir sobre um critério sentimental, ou à revelia das ciências económicas ou de gestão, mas sobre um critério operacional e incontornável para um líder empresarial cristão: tratar os outros como gostaríamos de ser tratados se estivéssemos no lugar deles.

Um outro ciclo se abre, em 2012. Este Congresso é o início de um caminho onde cada um dos associados da ACEGE tem um papel a desempenhar.

Estamos firmemente convencidos que este é um Congresso que pode fazer história e reforçar a história da ACEGE. É importante que esteja presente. Contamos consigo!

Consulte aqui o Programa e inscreva-se já.

Com Amizade
Pela Direcção Nacional
António Pinto Leite

O cidadão e o estado

A visão governamental da economia pode ser resumida em três curtas frases: se se move, taxa-se; se continua a mexer, regula-se; e se pára, subsidia-se.
Ronald Reagan

Nas sociedades modernas em que vivemos, o Estado tende a perpetuar-se como um organismo que não pára de crescer, inventando cada vez mais novas funções, nem sempre necessárias. É o dinheiro do Estado que não é mais do que o dinheiro dos cidadãos que é usado para estes fins. É por isso, absolutamente necessário que os governantes encarem o dinheiro público como sagrado e percebam que deve ser o Governo a trabalhar para os cidadãos e não os cidadãos a trabalhar para alimentar o Governo

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Democracia e delícias do mar

JN 2012-05-21
Jorge Fiel

Como o Pedro estava a atulhar o prato com delícias do mar, chamei-lhe a atenção para a existência de pedaços de lagosta no bufete frio do restaurante de rodízio. Achava preferível que ele se banqueteasse com o verdadeiro produto, que nem todos os dias estava ao seu alcance, em vez de se empanturrar com aqueles baratos sticks de contraplacado, aromatizados com extrato de caranguejo e tingidos de vermelho por fora.
Estávamos a jantar no Chimarrão da Expo, antes de assistirmos ao arranque da Up Tour, dos REM, no Pavilhão Atlântico. Como só tinha 11 anos, o meu filho encarou a sugestão como uma ordem, mas depois de provar a lagosta confessou gostar mais das delícias do mar.
Tem a ver com a maneira como o nosso gosto é educado. O meu filho Pedro estava tão habituado ao sucedâneo que estranhou o paladar do produto. Tem também a ver com o facto de, por norma, nós apenas gostarmos do que já gostamos e querermos o que já quisemos.
Eu próprio, viciado em salmão de aviário - que apenas ganhou a sua cor característica graças à ação de um corante -, temo estranhar o sabor se um dia, numa escala em Anchorage, Alaska, ou algures junto à foz de um rio escocês, me aterrar no prato uma posta de salmão selvagem.
Vem esta deriva gastronómica a propósito do sistema político em que vivemos, a que nos habituamos a chamar democracia, apesar de, bem vistas as coisas, ter tanto a ver com a democracia original como as delícias do mar com a lagosta.
Há bem mais tempo do que seria desejável, os dois pilares em que tradicionalmente assentava a democracia - a igualdade dos cidadãos e a soberania do povo - deixaram de ser observados pelos administradores do regime político vigente, de acordo com a opinião dos mais diretamente interessados na matéria: o povo.
Consultada pelo Barómetro da Qualidade da Democracia, uma larga maioria representativa de 59% dos portugueses acusa a Justiça de tratar os cidadãos de maneira diferente, consoante o seu estatuto económico, social e político. Basta recordar o caso Isaltino para ficarmos conversados sobre o princípio da igualdade dos cidadãos.
O mesmo barómetro revela que 78% dos cidadãos acham que os políticos se preocupam apenas com os seus interesses e que as decisões políticas no nosso país favorecem sobretudo os grandes interesses económicos. Ou seja, também estamos conversados sobre o princípio da soberania do povo.
A regeneração do nosso sistema político implica que os governantes encarem o dinheiro público como sagrado e percebam que deve ser o Governo a trabalhar para os cidadãos e não os cidadãos a trabalhar para alimentar o Governo.
A qualificação da nossa democracia exige, ainda, que todos nós tenhamos consciência que o Estado não dá nada, apenas distribui o que recebe de nós, cobrando para si uma gorda comissão que alimenta um anafado aparelho de Estado que não há meio de emagrecer.

Indivíduo vs. Estado