segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Feliz 2013

Que cada um veja as suas, seja capaz de lhes entender o sentido e as aproveite, uma de cada vez, são os votos do Pedro Aguiar Pinto

O desafio da geração

JOÃO CÉSAR DAS NEVES
DN2012-12-31

Esta crise é um grande teste. Perante a desgraça, todos somos postos à prova. Para a maior parte de nós, esta situação é mesmo o desafio da nossa vida. Um dia perguntarão o que fizemos na grande recessão, como hoje dizemos da Guerra Colonial ou do 25 de Abril. Muitos terão de responder sinceramente que foram parte do problema, não da solução. Terão de dizer que protegeram benesses, sabotaram reformas, resistiram à mudança, incitaram ao ódio.
A tentação da revolta e desânimo é bem compreensível. O pior da conjuntura, o verdadeiro mal que cria no tecido social é a surpresa, a desilusão, a indignação. Confiávamos no sistema que faliu e surgiu o oposto do prometido. Muitos sofrem muito, mas o que mais ocupa os nossos protestos é o desalento, a queixa, a fúria. Este país deixou-nos outra vez ficar mal. Ouvimos muitas histórias degradantes de injustiças, mentiras, direitos violados, inocentes sofrendo, corruptos e burlões. Grande parte é falsa, pois a fúria cria o exagero, mas muitas são verdade. Assim, multidões de argumentos justificam a atitude negativa. O efeito de todas é sempre promover propostas repulsivas, nunca construtivas. A receita é denúncia, revolta, violência, nunca compreensão, solidariedade, perdão.
Perante a indignação é fácil esquecer os valores que sempre guiaram a nossa vida, ou que dizíamos que guiavam em tempos mais serenos. Vemos pessoas honestas dizer e fazer coisas brutais. Quantos cidadãos pacatos não repudiam agora a lei e a autoridade, rejeitam a democracia, desprezam o País, recomendam violência e revolução, agridem o próximo? Todas estas atitudes justificam-se como luta pela justiça, mas apenas produzem vingança. Foi assim que surgiram as maiores barbaridades da história: Hitler e Ben Laden diziam responder a ataques. Invoca-se a dor e a iniquidade, mas isso apenas revela a fragilidade das antigas convicções, renegadas logo que testadas.
Perante o embate é possível subir ou descer. Podemos enfrentar ou criticar, inovar ou gemer, criar ou agredir. É agora que o nosso carácter, a fibra, as raízes, as convicções profundas mostram o seu valor. O embate é brutal e muitos cedem. É fácil desanimar, desistir, acusar, insultar, agredir, odiar, mas o problema fica na mesma. Um pouco pior. Difícil é subir ao nível da dificuldade e enfrentá-la. Vencer ou perder, mas encará-la. Como o fizeram as gerações antigas em encruzilhadas bem mais duras.
O pior da crise não é o desemprego, as falências, a pobreza, o desânimo. O mais negativo não é o peso financeiro, a recessão económica, o choque social, a desorientação política, a paralisia cultural, o bloqueio institucional. O pior da crise é o ódio. Só o ódio poderia realizar as irresponsáveis previsões catastrofistas que dominam a imprensa. O ódio é a única força que pode perpetuar o mal, deixando cicatrizes na economia, na sociedade, na política e na cultura. A situação justifica repulsa, angústia, desânimo, até mesmo desespero ou revolta. Mas não pode justificar o ódio, porque nada o justifica. O ódio nunca nasce das circunstâncias, mas da atitude face às circunstâncias. O ódio, mesmo mascarado de justiceiro, nunca tem razão. É sempre um mal arbitrário, abusivo, inaceitável.
Portugal vencerá o teste, como venceu outros muito maiores. Da crise nascerá um país mais justo, dinâmico e equilibrado. A única dúvida é como cada um de nós se coloca neste processo. Como em épocas passadas, podemos estar do lado do futuro ou da reacção. Podemos desistir, protestar, exigir, gemer, insultar ou, pelo contrário, encarar as dificuldades, procurar resposta, construir a solução. Destes, apenas destes sairá o novo Portugal. Não é do Governo, política, troika, Europa, FMI, que ajudam ou complicam, e geralmente complicam mais do que ajudam. A saída da crise depende de milhões de cidadãos anónimos tentando melhorar a sua vida e encontrando a resposta. Se a percentagem dos que vencem o ódio for superior à dos seus promotores, Portugal passa o teste. Só o nosso carácter, a fibra, as raízes e as convicções profundas nos permitirão vencer o desafio desta geração.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Igreja: Mais de 100 mil cristãos mortos por causa da sua fé em 2012

Agência Ecclesia, 2012-12-30
Dados do Observatório da Liberdade Religiosa

Lisboa, 30 dez 2012 (Ecclesia) - Pelo menos 105 mil cristãos morreram pela sua fé em 2012, segundo o Observatório da Liberdade Religiosa, que opera a partir de Itália.
O sociólogo e coordenador do observatório, Massimo Introvigne, fala em “proporções espantosas” e diz que são muitas as zonas de risco.
“Podemos identificar três zonas principais: Os países onde o fundamentalismo islâmico é mais forte, como a Nigéria, Somália, Mali, Paquistão e algumas zonas do Egito; os regimes totalitários comunistas, encabeçados pela Coreia do Norte, e aqueles onde existem nacionalismos étnicos, como o Estado de Orissa, na Índia”, afirmou, em entrevista à Rádio Vaticano.
Nalguns destes locais a prática religiosa cristã é expressamente proibida, noutras até as mais ténues demonstrações de fé acarretam riscos.
“Em muitos destes países ir à missa ou à catequese – na Nigéria houve uma matança de crianças que estavam na catequese –  transformou-se em algo perigoso”, destaca Introvigne.
O ano que passou ficou marcado, para além das mortes, pelo caso de Rimsha Masih, menina cristã paquistanesa acusada de blasfémia por ter alegadamente queimado páginas do Corão, que viria a ser ilibada e libertada apesar das ameaças dos fundamentalistas islâmicos.

BENVINDO À HOLANDA ou como é a experiência de dar à luz uma criança com deficiência

Emily Perl Knisley, 1987

Frequentemente sou solicitada a descrever a experiência de dar à luz uma criança com deficiência. Uma tentativa de ajudar pessoas que não têm com quem compartilhar essa experiência única a entendê-la, e imaginar como é vivenciá-la.
Seria como...
Ter um bebe é como planear uma fabulosa viagem de férias - para a ITÁLIA! Você compra montes de guias e faz planos maravilhosos! O Coliseu. O Davi de Michelangelo. As Gôndolas em Veneza. Você pode até aprender algumas frases em italiano. É tudo muito excitante.
Após meses de antecipação, finalmente chega o grande dia! Você arruma suas malas e embarca. Algumas horas depois você aterra. O comissário de bordo chega e diz:
"BEM VINDO À HOLANDA!"
"Holanda!?! Diz você, o que quer dizer com Holanda!?!? Eu escolhi a Itália! Eu devia ter chegado à Itália. Toda minha vida eu sonhei em conhecer a Itália"
Mas houve uma mudança de plano de voo. Eles aterraram na Holanda e é lá que você deve ficar.
A coisa mais importante é que eles não te levaram a um lugar horrível, desagradável, cheio de pestilência, fome e doença. É apenas um lugar diferente.
Logo, você deve sair e comprar novos guias. Deve aprender uma nova linguagem. E irá encontrar todo um novo grupo de pessoas que nunca encontrou antes.
É apenas um lugar diferente. É mais baixo e menos ensolarado que a Itália. Mas após alguns minutos, você pode respirar fundo e olhar ao redor, começar a notar que a Holanda tem moinhos de vento, tulipas e até Rembrants e Van Goghs.
Mas, todos que você conhece estão ocupados indo e vindo da Itália, estão sempre a comentar sobre o tempo maravilhoso que passaram lá. E por toda sua vida você dirá: "Sim, era onde eu deveria estar. Era tudo o que eu havia planeado".
E a dor que isso causa, nunca irá embora. Porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa.
Porém, se você passar a sua vida toda remoendo o facto de não ter chegado à Itália, nunca estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais sobre a Holanda.

Homilia da festa da Sagrada Família - 2012.12.30

O mundo não muda se eu não mudar

Vale a pena pensar nisto a sério: o mundo não muda se eu não mudar. Se cada um de nós não melhorar, o mundo também não melhora. E nós podemos fazer a diferença, se quisermos. É fácil ver as injustiças no mundo e gritar contra elas, mas tudo passa pela minha e pela tua vontade de lutar por um mundo mais justo e mais fraterno.
NÃO HÁ SOLUÇÕES, HÁ CAMINHOS
365 vezes por ano não perguntes porquê, mas para quê
Vasco P. Magalhães, sj
Edições Tenacitas
www.tenacitas.pt
http://www.facebook.com/edicoes.tenacitas
O «Financial Times» de quinta-feira 20 de Dezembro, publica um artigo que Bento XVI escreveu a pedido do jornal britânico por ocasião do Natal e da publicação do livro sobre a infância de Jesus.
Um último esforço de fim de ano (se já assinou divulgue junto dos seus amigos)
A Petição Defender o futuro que já foi divulgada no Povo em Abril passado, precisa de mais 500 subscrições para se tornar de apreciação obrigatória pela Assembleia da República e deste modo voltar a colocar estas questões na agenda política do país. Se ainda não assinou assine aqui a petição “Defender o futuro”
13:30 do dia 30 de Dezembro de 2012 há 3850 assinaturas
Se concorda que o aborto não deve ser gratuito e, que, em particular, neste momento em que o país atravessa as dificuldades económicas que sabemos essa gratuidade é imoral “Assine a petição "Acabar com o aborto gratuito".
13:30 do dia 30 de Dezembro de 2012 há 2409 assinaturas
Peço o vosso empenho na divulgação de ambas as petições
Pedro Aguiar Pinto

Macedo trava taxa no aborto

Sol, 30 de Dezembro, 2012 por Helena Pereira

PSD e CDS enfiaram na gaveta a proposta de taxas moderadoras nos abortos devido à oposição do ministro da Saúde.
PSD e CDS desistiram de introduzir taxas moderadoras nos abortos. O anúncio tinha sido feito em Junho e as propostas dos dois partidos deveriam ter sido consensualizadas e entregues na Assembleia da República para discussão na abertura dos trabalhos parlamentares em Setembro. Afinal, isso não aconteceu, nem vai acontecer tão cedo.
O CDS diz que, «por enquanto, não há mudanças» e o PSD considera que «há outras prioridades». São as respostas sucintas dos deputados responsáveis pela área da Saúde em cada um dos partidos, Teresa Caeiro e Nuno Reis.
Na verdade, soube o SOL, o ministro da Saúde pediu aos deputados estabilidade jurídica para se fazer a ponderação dos efeitos do regime legal das taxas moderadoras que entrou em vigor há um ano, ou seja, os mais recentes aumentos. E os partidos da maioria recuaram nas suas apregoadas intenções.
O CDS queria introduzir taxas moderadoras em todos os abortos realizados no Serviço Nacional de Saúde. O PSD achava que apenas deviam ser pagos os abortos reincidentes, um conceito difícil de determinar, uma vez que nem sequer existe conexão de dados dos utentes entre os vários hospitais públicos.
A primeira vez que o ministro da Saúde se pronunciou sobre esta questão, no Verão do ano passado, foi logo com grande cautela, remetendo para mais tarde qualquer alteração.
O tema do aborto é uma questão sensível na maioria. O CDS foi contra a despenalização das interrupções voluntárias de gravidez. Já o PSD dividiu-se muito na votação. O presidente da Comissão Nacional de Ética para as Ciências da Vida, Oliveira e Silva, defende «um limite para os abortos gratuitos». «O aborto recorrente está a tornar-se um grande problema de saúde pública», afirma.
Enquanto isso, está a correr uma petição precisamente a pedir o fim dos abortos gratuitos nos hospitais públicos. «Neste momento de crise nacional, com aumento brutal de impostos, cortes de subsídios, cortes de ordenados e aumento das taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde, o Governo tenta diminuir a despesa pública e aumentar a receita. Assim, torna-se incoerente e ilógico haver aborto gratuito e pagamento de até um mês de subsídio de maternidade a 100% para quem quer abortar quando e quantas vezes quiser, tudo isto às custas do Estado», diz o texto, que conta com cerca de 2.100 assinaturas.

sábado, 29 de dezembro de 2012

Canadá (em alta definição)

Tanta informação, tão pouca educação

José Luís Nunes Martins, i-online 29 Dez 2012
Os homens de hoje são escravos da tecnologia, mais do que senhores dela
Uma explosão de conhecimentos, detonada por volta do século XVII, parece ter atingido dimensões que ultrapassam os limites da imaginação nos últimos 25 anos.
Todas as tradicionais áreas do conhecimento se têm expandido. Há cada vez mais especialistas, que por sua vez percebem que cada vez melhor que os saberes se entrecruzam. Num futuro muito próximo, talvez se retorne ao saber único. Mais profundo e rico do que até agora... ou isso, ou outro modelo tão genial quanto simples.
A informação deve ser recolhida e armazenada. Depois, filtrada e organizada. Mas aqui reside um problema fundamental: ainda estamos a aprender a ver o imenso mar de dados. Andamos, mais ou menos, maravilhados com os prodígios da técnica, brincamos e fingimos não se tratar de nada de relevante. Quando, em boa verdade, nos cumpre adequar, tão rapidamente quanto possível, a nossa inteligência às necessidades importantes, e urgentes, que surgem da imensidão de potencialidades ao nosso dispor. Pois se algumas não podem ser desperdiçadas, outras há que nem mais um passo devemos dar em sua direção.
Vivemos numa sociedade rica em informação. Riquíssima, talvez no pior dos sentidos. Quase tudo está à distância de 2 ou 3 cliques e em 4 ou 5 segundos temos diante dos nossos olhos uma montanha de informação.
Um dos efeitos perversos deste contexto é a desresponsabilização do indivíduo em chamar a si a capacidade de recolher e armazenar os dados importantes da sua própria realidade. Parece não interessar saber este ou aquele conteúdo, desde que se saiba pedir para o irem buscar. Mas, os chamados motores de busca, bem como os conteúdos por onde navegam, resultam de escolhas mais ou menos inteligentes que ultrapassam completamente o comum utilizador. São opções alheias. Resultam de critérios muito específicos, por vezes altamente perversos, tão bem disfarçados de simplicidade e transparência que só poucos chegam a perceber o que alimenta e sustenta esta máquina que parece tão bondosa...
É admirável e estranha esta fé na tecnologia. São aos milhões aqueles que confiam de forma tão completamente voluntária quanto estúpida, o que pensam, sentem e desejam às bases de dados... talvez na secreta esperança de se poderem analisar e avaliar daqui a uns meses ou anos, ou talvez para que alguém, num qualquer dia futuro, lhes diga quem são... mas estas informações são íntimas e constituem, por si mesmas, uma das nossas maiores riquezas: sermos misteriosos aos outros, profundos e absolutamente únicos. Abdicar disto é desistir de se ser quem se é.
Os homens de hoje são escravos da tecnologia, mais do que senhores dela.
Na vida, tudo deve ser gerido com sabedoria. Sem estabelecer critérios, prioridades e importâncias, quase nada sai a direito. A cada um de nós é requerido que, pessoalmente, analise e avalie o que nos rodeia. Descubra valores, trace e siga um caminho. Um só. Nosso. Só nosso. Absolutamente único.
Mas a maioria das gentes prefere grupos, trocam a sua capacidade de ser únicos pelo sorriso de aprovação daqueles a quem imitam...
Na formação de cada ser humano é essencial a promoção da sua total autonomia; uma dignidade que assenta na liberdade e responsabilidade de nos criarmos a nós mesmos de uma forma tão autêntica quanto bela e original.
A educação é crucial, hoje mais do que nunca. Importa aprender a discernir bem o essencial do acessório, o privado do público, o que é valioso do que apenas o parece ser. É importante lançarmo-nos na preparação de seres cada vez mais humanos, que constituam melhores famílias, a fim de que toda a humanidade melhore. Mas, cuidado: É o nosso exemplo que educa, mais, muito mais, do que as nossas melhores palavras...

Ano novo, ano bom

Gonçalo Portocarrero de Almada, i-online  29 Dez 2012
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A propósito de uma efeméride significativa do seu longo pontificado, o Beato João Paulo II foi confrontado com as impressionantes estatísticas relativas ao seu ministério petrino. Eram às dezenas as suas encíclicas, às centenas os países visitados, aos milhares os fiéis que tinha recebido e aos milhões os quilómetros percorridos na ânsia de levar a todo o mundo, literalmente, a Boa Nova do Evangelho. Qualquer um se poderia ter sentido ufano ante aqueles resultados, que atestavam, com rigor matemático, um imenso trabalho. Qualquer pessoa teria ficado satisfeita por um tão positivo saldo. Contudo, o Papa Wojtyla não se impressionou com a grandeza dos números, nem se deixou seduzir pela magnanimidade da obra realizada. E, por isso, num murmúrio, que mais parecia uma oração, interrogou-se: “Sim, é verdade tudo isso, mas… Terei eu amado o bastante?!” Esse seu comentário humilde fazia eco, sem dúvida, ao ensinamento paulino: “Ainda que eu tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e tivesse toda a fé, até ao ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, não serei nada” (1Cor 13, 2). A única realidade verdadeiramente importante, a única que de nós depende e da qual depende a nossa salvação, é a caridade. Não o amor que os outros nos têm, mas o que nós damos, ou não, àqueles que são o nosso próximo, ou seja, o nosso caminho para o céu. Santo Agostinho dizia: “Pondus meus, amor meus”, isto é, valho o que amo, porque cada um de nós não vale o que vale o seu dinheiro, a sua saúde, o seu poder ou a sua inteligência, mas o seu amor. “Ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres e entregasse o meu corpo às chamas, se não tiver caridade, não valho nada” (1Cor 13, 3).
O ano novo só será bom se for, efectivamente, um tempo vivido na graça d’ Aquele que, sendo Deus, é, sobretudo, amor. Santo e feliz 2013!

Remorsos

Inês Teotónio Pereira , i-online 29 Dez 2012
     Uns dos principais factores de sofrimento dos pais são os remorsos. Os remorsos são uma espécie de parasitas que se alimentam da boa consciência dos pais e são propagados pelos filhos com o objectivo maléfico de lançar uma epidemia de remorsos de forma a enfraquecê-los. É basicamente isto. Os remorsos são o cavalo de Tróia dos filhos, são uma forma maliciosa de invadirem quem lhes parece mais forte, e maior, atingindo directamente o coração do adversário: os pais.
Quem é pai ou mãe sofre ou já sofreu desta doença, desta fraqueza, deste martírio. Ou porque nos zangamos com toda a razão e a criança teve uma reacção absolutamente desproporcionada desatando aos gritos em absoluto sofrimento como se não houvesse amanhã; ou porque vamos sair à noite e o menino na hora da despedida baixou a cabeça e perguntou em voz baixa “vai sair outra vez… é?”; ou porque mandamos a criança para a cama só pelo sossego que a ida para a cama de um filho proporciona, e essa é, por isso, uma atitude egoísta; ou porque achamos que devíamos brincar mais com os nossos filhos e zangar-nos menos; ou porque simplesmente trabalhamos e passamos pouco tempo em casa, e é por causa disso que a criança teve negativa a Matemática. Todos os dias, todos os pais têm pelo menos seis ou sete vezes remorsos. Um drama.
É certo que os remorsos, ao contrário de outras doenças, não matam, mas moem. E as crianças sabem. Sabem e controlam os pais e as mães através dos remorsos, como se fossem um comando à distância: “Podes ir jantar fora, mas vais-te arrepender: o bifinho vai saber a vinagre. Ehehe…”
É urgente que seja lançado um Plano Nacional de Erradicação dos Remorsos e da Promoção do Alívio de Consciência. Mais uma vez, somos nós contra eles, os filhos.  

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A diferença entre honestidade e vigarice desapareceu?

No dia dos Santos Inocentes trago esta linda poesia de Miguel Torga e apelo a mais um esforço na divulgação e assinatura das petições Defender o futuro e Acabar com o aborto gratuito. É a forma que temos de contrariar e um dia impedir a morte legalizada de inocentes, mesmo que não haja hoje um rei feio bicho, de resto,  que, sem mais nem menos, mandou matar quantos eram pequenos
Vasco Pulido Valente dá conta da falta de escrúpulo nos meios de comunicação em geral para concluir que a diferença entre honestidade e vigarice desapareceu, o que segundo ele, prenuncia a queda do regime
Um último esforço de fim de ano (se já assinou divulgue junto dos seus amigos)
A Petição Defender o futuro que já foi divulgada no Povo em Abril passado, precisa de mais 500 subscrições para se tornar de apreciação obrigatória pela Assembleia da República e deste modo voltar a colocar estas questões na agenda política do país. Se ainda não assinou assine aqui a petição “Defender o futuro”
11:00 do dia 28 de Dezembro de 2012 há 3809 assinaturas
Se concorda que o aborto não deve ser gratuito e, que, em particular, neste momento em que o país atravessa as dificuldades económicas que sabemos essa gratuidade é imoral “Assine a petição "Acabar com o aborto gratuito".
11:00 do dia 28 de Dezembro de 2012 há 2329 assinaturas
Peço o vosso empenho na divulgação de ambas as petições
Pedro Aguiar Pinto

O silêncio dos culpados

Miguel Alvim

A perseguição do mundo a Jesus Cristo – e a espada de dor que trespassou o coração de Nossa Senhora – começaram imediatamente após o seu nascimento.
Herodes quis matá-lo e para o efeito mandou eliminar em Belém e nos arredores todos os meninos de dois anos para baixo.
A bem dizer, a perseguição à Igreja de Jesus Cristo começou no corpo dessas pequeninas testemunhas inocentes.
Essa perseguição – e a espada de dor que trespassa o coração de Nossa Senhora – continuam até hoje.
A morte, a mentira e o mal (a verdadeira natureza do mundo) opõem-se sempre tenazmente (e malignamente) à vida, à verdade e ao bem (a verdadeira natureza de Deus).
Não é assim por acaso que, sob múltiplos sofismas e perante o olhar complacente, passivo e cúmplice de muitos, se continuem a matar todos os dias milhares e milhares de crianças que podiam nascer.
Através do aborto, é sempre a morte (e os seus poderes mundanos) a perseguir e a matar a vida, o seu milagre e o seu dom.
O Natal de Jesus Cristo, posto que o é, tem de ser ocasião propícia para se meditar no mal e no execrando crime do aborto.
Porque o aborto é praticado escondido e sempre por más razões, camufladas de boas razões.
Não se vê a dor.
Não se ouvem os gritos.
Esconde-se o choro.
Temos de ter a coragem de lutar contra a aparente inexorabilidade do aborto silenciado e silencioso, temos de o expor e denunciar.
Devemos exaltar a vida e lutar por ela.
Ao mal tem de se chamar mal.
E temos de fazer o bem.
O caminho a trilhar, a verdade a proclamar em voz alta e a vida a defender têm um nome.
Jesus.

Duas ou três coisas para ficar a pensar em 2013

José Manuel Fernandes
Público, 28/12/2012

Se os povos europeus não se comportam como um só povo, como se pode querer criar um super-Estado?

Se alguma coisa mostrou o episódio Baptista da Silva é que gostamos de nos enganar a nós mesmos. E um dos logros onde mais gostamos de navegar é aquele que nos diz necessitarmos de "mais Europa" mesmo quando barafustamos com a Europa que temos. É mesmo um dos muitos paradoxos de que se alimenta o debate público. Por um lado, protesta-se contra a falta de soberania associada a termos de obedecer ao BCE, à CE e ao FMI, e reivindica-se a devolução aos portugueses do poder de decidirem sobre as suas leis e os seus orçamentos. Por outro lado, defende-se mais integração europeia, um maior orçamento comunitário e uma Europa mais solidária (um eufemismo para uma Europa que nos envie mais dinheiro). Queremos comer o bolo e queremos ficar com o bolo intacto, pelo que acreditamos no primeiro charlatão que nos diz que isso é possível. É triste mas é assim.
Tomemos um exemplo simples. Numa república federal como os Estados Unidos, todos os anos 3% da população muda de estado e isso é visto como um sinal de dinamismo económico e de mobilidade social. Em Portugal, ao mesmo tempo que se sonha com uma Europa tão federal como os States, choram-se todos os dias os números da emigração. Contudo, se tivéssemos números semelhantes aos americanos, isso significaria que sairiam, só para outros países da UE, 300 mil portugueses por ano, e chegariam outros tantos europeus. Todos os anos, sem parar. Morreríamos de susto e de inaptidão, apesar da nossa lendária capacidade para adoptarmos novas terras e novas gentes.
Transformar a Europa numa federação de estados, como defende à boca pequena a maior parte da elite portuguesa - políticos, empresários, académicos -, não é, com efeito, um mero passe de mágica destinado apenas a permitir que os países ricos paguem aos pobres em nome da "coesão" e da "solidariedade". Será sempre uma transformação profunda que colocará dilemas para os quais não estamos preparados - como esse de mudarmos de estado com a mesma facilidade com que muda um americano. Alguns dirão que não é necessário nem possível ir tão longe, pois é outra a tradição das nações europeias. É verdade. Mas então, se é outra a tradição das nações europeias, como é então possível criar essa nova grande nação destinada a substituí-las? Se não acreditamos ser possível - por razões culturais, por razões linguísticas - imaginar um espaço comum onde a circulação de pessoas entre Lisboa e Berlim, ou Nice e Talin, seja tão natural como é hoje entre Bragança e o Porto, ou entre Sevilha e Barcelona, então como podemos falar de uma cidadania única capaz de suportar uma real democracia europeia? Há quem acredite que esse problema da "democracia europeia" se começa a resolver no dia em que se passarmos a eleger o presidente da Comissão Europeia, sobretudo se obrigarmos os candidatos a fazerem campanha nos 27 países da União. Eu rio-me e só peço que me respondam a uma pergunta: se assim for, em que língua serão os debates entre os candidatos? E vão passar em que canal de televisão? Na Euronews?
Eu sei que perguntas como estas são inconvenientes. É melhor, é mais popular, anunciar uma "grande visão" e pedir aos nossos dirigentes para terem um discurso europeu redentor. Se a nossa pequenez já nos empurrava para fora, o atavismo das elites agarra-se agora à única tábua de salvação que vislumbram para a sua inércia, uma qualquer solução vinda de Bruxelas ou, sobretudo, de Berlim. A porta por onde nos entrou Baptista da Silva é a mesma porta por onde circulam todas as ilusões, e a maior de todas é precisamente essa, a "europeia". Há muitos anos que não têm faltado as vozes a denunciarem essa "grande ilusão" - entre as quais destaco a de Tony Judt, num ensaio intitulado precisamente A Grande Ilusão -, mas os alertas têm caído em orelhas moucas.
Há mais de 60 anos, pelo menos desde o discurso de 1952 de Jean Monnet em Washington sobre os Estados Unidos da Europa, que gerações de líderes e burocratas europeus tentam criar um super-Estado em nome de um objectivo louvável - a manutenção da paz na Europa, um continente mil vezes devastado pela guerra - e de um sonho irrealizável - a criação de uma nova superpotência. Acontece porém que a Europa não necessita de ser um super-Estado federal para viver em paz, ao mesmo tempo que a sua centralização e uniformização conduzem mais depressa ao seu declínio do que ao seu triunfo.
A actual crise está a servir, de novo, para fazer avançar a agenda federal. Tem sido em seu nome que se tem exigido um aumento dos recursos administrados por Bruxelas, como se não fossem gritantes os desperdícios, os luxos e as inanidades. Tem sido também em seu nome que se tem defendido, ou se tem aceitado, novas transferências de soberania (ainda esta semana o favorito às eleições italianas veio dizer que não se importava de passar para Bruxelas poderes orçamentais que hoje estão em Roma). No fundo tem-se seguido o "método Monnet": face a uma realidade económica difícil, convencem-se os decisores políticos a aceitar novas reformas integradoras. Os federalistas acolhem-nas de braços abertos, mas quem olha com um pouco de frieza e de perspectiva histórica para a realidade vai ficando cada vez mais aterrado.
No próximo ano, a zona euro vai andar a discutir a criação de uma espécie de ministro das Finanças com poderes especiais de supervisão sobre os Estados. Compreende-se porquê: os países que contribuem mais para o orçamento comunitário e para os fundos de resgate não querem passar um cheque em branco e exigem ver as contas e os planos dos países que recebem mais ajudas. Já os países que estão aflitos, estes só desejam ver a cor do cheque e não se importam de transferir para fora de fronteiras poderes tidos por soberanos. Comprometem assim a sua liberdade de decisão futura no altar das dívidas de hoje. E ainda festejam.
Durante muito tempo, os povos europeus foram aceitando sem grandes estados de alma esta evolução centralizadora, pois sempre associaram a integração europeia a mais prosperidade económica e mais conforto nas deslocações do dia-a-dia. Ainda rangeram os dentes aqui e além em alguns referendos, mas a coisa foi andando. Agora já não é assim, nem voltará a ser assim. A Europa entrou num período de baixo crescimento económico sem fim à vista e os "visionários" europeus já não fazem avançar os seus projectos com base na promessa do bem-estar eterno. Pelo contrário, vivemos tempos de ressentimento. É por isso que uma das preocupações dos dirigentes europeus é conseguirem alterar os tratados e, sobretudo, os equilíbrios de poder, esvaziando ainda mais de competências os parlamentos nacionais, mas sem para tal terem de consultar os eleitorados. A Europa nunca foi muito democrática, mas agora já nem se tenta disfarçar. Os referendos tornaram-se um tema tabu.
É por isso que, no meio de tudo isto, acabo por simpatizar mais com Angela Merkel do com os seus detractores, pois agradeço-lhe sinceramente a falta de "visão" que lhe criticam. Ainda recentemente, a Der Spiegel sublinhava esta sua característica, mas de uma forma elogiosa que eu subscrevo. Recordando Popper - que Merkel às vezes cita -, a revista lembrava que este defendia que em política se devia avançar por pequenos passos, susceptíveis de serem corrigidos ou mesmo de se voltar atrás. Penso o mesmo, mesmo sabendo que em Portugal campeiam os que só aceitariam uma liderança alemã se esta fosse ao mesmo tempo federalista (o que esta é, mas moderadamente e sem "visões") e mãos largas.
Não se fica rico falsificando notas como Alves dos Reis, não se fica famoso fabricando um cartão-de-visita da ONU como Baptista da Silva, e não deixaremos de ser um país aflito se aceitarmos novas transferências. Apenas trocaremos um momento de ilusão por uma perda de liberdade sem retorno. Pensem nisso em 2013.

Os regimes caem assim

Vasco Pulido Valente
Público, 28/12/2012

Os jornais vêm cheios de artigos de "opinião", assinados pelas mais fantásticas criaturas: pelo director disto, pelo presidente daquilo, pelo dono daqueloutro. A substância e o estilo são sempre de amadores, que resolveram comunicar à Pátria (e quem sabe se ao mundo) a sua irresistível receita para nos salvar. A prosa em si própria não passa de uma variação ou de um puro plágio do que por aí anda escrito. Escrito e dito na rádio e na televisão por políticos de vária pinta - o que aprenderam de cor e despejam por cima de nós, sem a menor espécie de escrúpulo. Os "moderadores", com um arzinho submisso e acolhedor, não abrem a boca, mesmo quando lhes passam à frente do nariz monstruosidades que qualquer adolescente identificaria a dormir.
Ninguém, de resto, pergunta a estes profetas qual é o seu currículo ou em que trabalham agora. Enganar o próximo é o fim universal dos currículos (quem andou pela universidade tem uma ideia de como se fabricam). E, por isso, o nome acaba por bastar, às vezes com indicação de um cargo ambíguo, ou desconhecido, e a tranquilizante segurança de que se trata de um "professor". De onde ou de quê, muito raras vezes se investiga. Num país de falsos drs., para já não falar em engenheiros de grande ambiguidade, a palavra "professor" confere logo a uma criatura a autoridade do Papa; o que permite depois que ela sirva ao indígena ignorante e aflito o sermão económico que bem entender. Há milhares de peixes neste turvo aquário e poucas maneiras de os distinguir.
Tanto mais que o jornal médio português - por causa da crise, dos despedimentos e de maus costumes - não emprega fact-checkers. Nada impede o primeiro maluco - desde que seja baixo, gordinho e ligeiramente careca - de meter a mão no colete e se apresentar num "órgão de referência", declarando que é Sua Majestade, Imperador dos Franceses, Rei de Itália e Protector da Confederação do Reno. Não digo que, ao princípio, não levantasse uma ou outra suspeita. Mas como o homem conhecia muito bem a geografia da terra, fizera na véspera uma conferência num hotel de cinco estrelas, fora apresentado por um "professor" e era partidário da renegociação do "memorando", a redacção começou a tremer. E, com a redacção, o director: e se lhe escapasse aquela extraordinária notícia?... Do resto, toda a gente se ri. Sem razão. Porque a moral da história é esta: em Portugal, a diferença entre a honestidade e a vigarice desapareceu. Os regimes caem assim.

História Antiga

(Miguel Torga)

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.

Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças

28 de Dezembro - Santos Inocentes

O massacre dos inocentes
François-Joseph Navez
(1824)
Metropolitain Museum of Art
New York

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Frase do dia

Sentimentalismo é a exacta medida da inabilidade de experimentar um sentimento genuíno
Auberon Waugh
jornalista inglês (1939-2001)
Um último esforço de fim de ano (se já assinou divulgue junto dos seus amigos)
A Petição Defender o futuro que já foi divulgada no Povo em Abril passado, precisa de mais 500 subscrições para se tornar de apreciação obrigatória pela Assembleia da República e deste modo voltar a colocar estas questões na agenda política do país. Se ainda não assinou assine aqui a petição “Defender o futuro”
10:00 do dia 27 de Dezembro de 2012 há 3776 assinaturas
Se concorda que o aborto não deve ser gratuito e, que, em particular, neste momento em que o país atravessa as dificuldades económicas que sabemos essa gratuidade é imoral “Assine a petição "Acabar com o aborto gratuito".
10:00 do dia 27 de Dezembro de 2012 há 2253 assinaturas
Peço o vosso empenho na divulgação de ambas as petições
Pedro Aguiar Pinto

27 de Dezembro - S. João Evangelista

S. João Evangelista e a taça envenenada
Alonso Cano (1636)
Museu do Louvre

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Frase do dia

«Veio para o que era Seu, e os Seus não O acolheram»
(Jo 1, 11).

Quanto mais rapidamente nos podemos mover, quanto mais eficazes se tornam os meios que nos fazem poupar tempo, tanto menos tempo temos disponível.
(…)
Estamos completamente «cheios» de nós mesmos, de tal modo que não resta qualquer espaço para Deus. E por isso não há espaço sequer para os outros, para as crianças, para os pobres, para os estrangeiros
(dois excertos da espantosa homilia da missa do galo na Basílica de S. Pedro, pelo papa Bento XVI)
Então e eu? Toda a gente me esqueceu? (poema de Natal que tão bem ilustra o modo como celebrando o Natal, nos esquecemos do festejado, como o papa nos lembra na homilia da missa do galo
Os sábios do tempo de Jesus são o símbolo de como o mistério não diminui a razão, antes a sublima.
Só mais um esforço (se já assinou divulgue junto dos seus amigos)
A Petição Defender o futuro que já foi divulgada no Povo em Abril passado, precisa de mais 500 subscrições para se tornar de apreciação obrigatória pela Assembleia da República e deste modo voltar a colocar estas questões na agenda política do país. Se ainda não assinou assine aqui a petição “Defender o futuro”
14:00 do dia 26 de Dezembro de 2012 há 3751 assinaturas
Se concorda que o aborto não deve ser gratuito e, que, em particular, neste momento em que o país atravessa as dificuldades económicas que sabemos essa gratuidade é imoral “Assine a petição "Acabar com o aborto gratuito".
14:00 do dia 26 de Dezembro de 2012 há 2225 assinaturas
Peço o vosso empenho na divulgação de ambas as petições
Pedro Aguiar Pinto

O haraquíri do jornalismo

João Távora
Propaganda, 2012-12-26

O caso Baptista da Silva é todo ele uma irónica parábola sobre a crise que por estes dias perpassa e se agudiza nos media tradicionais. É curioso como o burlão, promovido por um jornalista de nomeada de um semanário de referência nacional não tenha sido denunciado pelas “convenientes” intrujices que proferiu em vários palcos, mas antes pela descoberta do seu falso curriculum. Como sempre em Portugal o que conta é o estatuto.
Numa altura em que através das novas plataformas “sociais” tanto a opinião e análise de qualidade quanto a gestão de agenda politica ou corporativa se autonomizam cada vez mais dos meios de comunicação institucionais, não tenho dúvidas que a prazo poucos deles resistirão no actual modelo de gestão. Apenas irão sobreviver os que fundarem a sua actividade na excelência do profissionalismo, reflectindo os factos de forma isenta, analisados por atentos e meticulosos peritos, que sejam capazes de aferir discursos coerentes ou contestar raciocínios viciados ou cálculos mentirosos. Para alimentar conversas de café e amplificar bitaites sectários, já há para aí batalhões de blogues e ávidos activistas das redes sociais. Deixar-se seduzir e enredar nesta lógica é simplesmente o haraquíri do jornalismo. 

26 de Dezembro - Santo Estevão

Santo Estevão
Hans Memling (1480)
Óleo sobre madeira
48 x 17 cm
Cincinnati Art Museum

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Natal de quem?

Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
- Está bem, eu sei!

- E as garrafas de vinho?
- Já vão a caminho!
- Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
- Não sei, não sei...

Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.

Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!

Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.

Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
- Foi este o Natal de Jesus?!!!

(João Coelho dos Santos in Lágrima do Mar - 1996)

Mensagem urbi et orbi de Sua Santidade Bento XVI

MENSAGEM URBI ET ORBI
DE SUA SANTIDADE
BENTO XVI

Santo Natal, 25 de Dezembro de 2012    

 

«Veritas de terra orta est! – A verdade germinou da terra» (Sal 85, 12).

Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, boas-festas de Natal para todos vós e vossas famílias!

Os meus votos de Natal, neste Ano da Fé, exprimo-os com as palavras seguintes, tiradas de um Salmo: «A verdade germinou da terra». Realmente, no texto do Salmo, a frase está no futuro: «A verdade germinará da terra»: é um anúncio, uma promessa, acompanhada por outras expressões que, juntas, ecoam assim: «O amor e a verdade vão encontrar-se. / Vão beijar-se a justiça e a paz. / A verdade germinará da terra / e a justiça descerá do céu. / O próprio Senhor nos dará os seus bens / e a nossa terra produzirá os seus frutos. / A justiça caminhará diante dele / e a paz, no rasto dos seus pés» (Sal 85, 11-14).

Hoje cumpriu-se esta palavra profética! Em Jesus, nascido da Virgem Maria em Belém, encontram-se realmente o amor e a verdade, beijaram-se a justiça e a paz; a verdade germinou da terra e a justiça desceu do céu. Com feliz concisão, explica Santo Agostinho: «Que é a verdade? O Filho de Deus. Que é a terra? A carne. Interroga-te donde nasceu Cristo, e vê por que a verdade germinou da terra; (...) a verdade nasceu da Virgem Maria» (En. in Ps. 84, 13). E, num sermão do Natal, afirma: «Assim, com esta festa que acontece cada ano, celebramos o dia em que se cumpriu a profecia: “A verdade germinou da terra e a justiça desceu do céu”. A Verdade, que está no seio do Pai, germinou da terra, para estar também no seio de uma mãe. A Verdade que segura o mundo inteiro germinou da terra, para ser segurado pelas mãos de uma mulher. (...) A Verdade, que o céu não consegue conter, germinou da terra, para se reclinar numa manjedoura. Para benefício de quem Se fez assim humilde um Deus tão sublime? Certamente sem nenhum benefício para Ele mesmo, mas com grande proveito para nós, se acreditarmos» (Sermones 185, 1).

«Se acreditarmos…». Que grande poder tem a fé! Deus fez tudo, fez o impossível: fez-Se carne. A sua amorosa omnipotência realizou algo que ultrapassa a compreensão humana: o Infinito tornou-se menino, entrou na humanidade. E, no entanto, este mesmo Deus não pode entrar no meu coração, se não abro eu a porta. Porta fidei! A porta da fé! Poderíamos ficar assustados com a possibilidade desta nossa omnipotência invertida; este poder que o homem tem de se fechar a Deus, pode meter-nos medo. Mas, eis a realidade que afugenta este pensamento tenebroso, a esperança que vence o medo: a verdade germinou! Deus nasceu! «A terra produziu o seu fruto» (Sal 67, 7). Sim! Há uma terra boa, uma terra saudável, livre de todo o egoísmo e entrincheiramento. Há, no mundo, uma terra que Deus preparou para vir habitar no meio de nós; uma morada, para a sua presença no mundo. Esta terra existe; e também hoje, no ano de 2012, desta terra germinou a verdade! Por isso, há esperança no mundo, uma esperança fidedigna, mesmo nos momentos e situações mais difíceis. A verdade germinou, trazendo amor, justiça e paz.

Sim, que a paz germine para o povo da Síria, profundamente ferido e dividido por um conflito que não poupa sequer os inermes, ceifando vítimas inocentes. Uma vez mais faço apelo para que cesse o derramamento de sangue, se facilite o socorro aos prófugos e deslocados e se procure, através do diálogo, uma solução para o conflito.

A paz germine na Terra onde nasceu o Redentor; que Ele dê aos Israelitas e Palestinianos a coragem de por termo a tantos, demasiados, anos de lutas e divisões e empreender, com decisão, o caminho das negociações.

Nos países do norte de África, em profunda transição à procura de um novo futuro – nomeadamente o Egipto, terra amada e abençoada pela infância de Jesus –, que os cidadãos construam, juntos, sociedades baseadas na justiça, no respeito da liberdade e da dignidade de cada pessoa.

A paz germine no vasto continente asiático. Jesus Menino olhe com benevolência para os numerosos povos que habitam naquelas terras e, de modo especial, para quantos crêem n’Ele. Que o Rei da Paz pouse o seu olhar também sobre os novos dirigentes da República Popular da China pela alta tarefa que os aguarda. Espero que, no desempenho da mesma, se valorize o contributo das religiões, no respeito de cada uma delas, de modo que as mesmas possam contribuir para a construção duma sociedade solidária, para beneficio daquele nobre povo e do mundo inteiro.

Que o Natal de Cristo favoreça o retorno da paz ao Mali e da concórdia à Nigéria, onde horrendos atentados terroristas continuam a ceifar vítimas, nomeadamente entre os cristãos. O Redentor proporcione auxílio e conforto aos prófugos do leste da República Democrática do Congo e conceda paz ao Quénia, onde sangrentos atentados se abateram sobre a população civil e os lugares de culto.

Jesus Menino abençoe os inúmeros fiéis que O celebram na América Latina. Faça crescer as suas virtudes humanas e cristãs, sustente quanto se vêem obrigados a emigrar para longe da própria família e da sua terra, revigore os governantes no seu empenho pelo desenvolvimento e na luta contra a criminalidade.

Amados irmãos e irmãs! Amor e verdade, justiça e paz encontraram-se, encarnaram no homem nascido de Maria, em Belém. Aquele homem é o Filho de Deus, é Deus que apareceu na história. O seu nascimento é um rebento de vida nova para toda a humanidade. Possa cada terra tornar-se uma terra boa, que acolhe e faz germinar o amor, a verdade, a justiça e a paz. Bom Natal para todos!

Homilia da missa na noite de Natal pelo papa Bento XVI

HomiliamissadoGalo

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Homilia da Noite de Natal - 2012.12.24

O que é que o Senhor quer disto?

“O Senhor do universo tem sempre uma saída, uma solução, um projecto grandioso ligado a tudo o que faz. O que é que o Senhor quer disto?” Neste Natal, tal como para muitos outros, noutros Natáis, é esta a pergunta a fazer, com a certeza de que foi no Natal, no primeiro Natal que se revelou o projecto grandioso de Deus. Daí para a frente nenhuma circunstância por mais escura que seja, pode esconder a saída, a solução, dizemos nós, os católicos, a salvação. Agradeço neste Natal o maravilhoso Conto de Natal que o Prof. João Cesár das Neves nos oferece.

Veja o que lhe parece esta imaginativa descrição do mural do Facebook de S. José (se ele o tivesse) que, de uma forma nem sempre ortodoxa, conta a história do Natal
A vocação do homem apenas se cumpre quando ele se faz humilde, se esvazia das coisas e das suas opino-razões, para permitir que a vida, na sua generosidade, o edifique e lhe dê consistência (tirado daqui)
Os sábios do tempo de Jesus são o símbolo de como o mistério não diminui a razão, antes a sublima.
Eloquente a mensagem de Mike Hucabee numa entrevista à Fox, que começa perguntando Onde estava Deus no tiroteio na escola primária de Sandy Hook, Newton, no Connecticut?
Só mais um esforço
A Petição Defender o futuro que já foi divulgada no Povo em Abril passado, precisa de mais 500 subscrições para se tornar de apreciação obrigatória pela Assembleia da República e deste modo voltar a colocar estas questões na agenda política do país. Se ainda não assinou assine aqui a petição “Defender o futuro”
16:16 do dia 22 de Dezembro de 2012 há 3731 assinaturas
Se concorda que o aborto não deve ser gratuito e, que, em particular, neste momento em que o país atravessa as dificuldades económicas que sabemos essa gratuidade é imoral “Assine a petição "Acabar com o aborto gratuito".
16:16 do dia 22 de Dezembro de 2012 há 2181 assinaturas
Peço o vosso empenho na divulgação de ambas as petições
Pedro Aguiar Pinto

Conto de Natal

João César das Neves
DN 2012-12-24

Não sei bem o que aconteceu. Foi uma espécie de ataque, que me atirou paralisado para esta cama de hospital. Ouvi há pouco o médico dizer à minha mulher que há hipóteses de eu sobreviver.
Ainda de manhã me levantei cheio de vigor e dinamismo, pleno de ocupações e projectos. Agora estou aqui, prostrado, inútil, vegetativo. Não sei o que foi, mas sei que não consigo falar nem mexer o lado direito. Tenho dores não sei bem onde. A minha tentativa de sorrir deu um esgar que assustou a enfermeira. Acabou tudo, mesmo que haja hipóteses de sobreviver. A minha vida, se ainda lhe posso chamar assim, mudou para sempre. Ou melhor, a vida que eu tinha acabou.
Foi então que me lembrei da pergunta que decidira fazer sempre: "Senhor, o que é que Tu queres disto?" Foi há anos que, perante novidades e acasos que me sucedem, quis ver tudo a partir de Deus. Qual a atitude que Ele quer que eu tome agora? Esta pergunta salvou-me de muitas situações difíceis, onde a minha mesquinhez me ia meter em sarilhos. As coisas vistas de cima ficam muito diferentes. S. Paulo disse que "tudo concorre para o bem dos que amam a Deus" (Rm 8, 28). Do ponto de vista de Deus as coisas são sempre boas, belas, grandes. O Senhor do universo tem sempre uma saída, uma solução, um projecto grandioso ligado a tudo o que faz. O que é que o Senhor quer disto?
Aqui, mais até que nos problemas do emprego ou perplexidades de família, a pergunta parece fazer todo o sentido. Esta cama de hospital é tão inesperada e surpreendente que tem de ter uma razão. O Senhor podia ter-me levado, mas não levou. Não me quis levar. A minha vida acabou mas eu continuo aqui. Porquê? Devo ser preciso para algo. Ou isto tem lógica, ou então nada tem.
Mas que pode o Senhor querer de um paralítico? Qual a tarefa que me compete? O que pretende o Senhor disto? Ser testemunha d'Ele aqui, claro. O Senhor precisa agora de alguém neste sítio e mandou-me a mim. A resposta é a mesma que eu tinha ouvido tantas vezes: "Nada temas, continua a falar e não te cales, porque Eu estou contigo e ninguém porá as mãos em ti para te fazer mal, pois tenho um povo numeroso nesta cidade" (Act 18, 9-10). Ser sua testemunha aqui, paralítico na cama. É isso mesmo. Ainda me falta mais isso, antes de o Senhor me levar.
O meu sofrimento, paciência, alegria na adversidade testemunharão uma presença diferente. "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me. Pois, quem quiser salvar a sua vida há-de perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa há-de salvá-la" (Lc 9, 23-24). A minha cruz agora é a paralisia, as dores. Já foi o desemprego, a falência, o insulto, agora é a cama de hospital. Ligada à Mangedoura e Calvário é testemunha e presença salvadora, de mim e outros, neste sítio.
Mas como? Não consigo falar e mal me posso mexer. As visitas, doentes e pessoal do hospital não entendem o que penso, não ouvem o que digo, não percebem o que sinto. Não pode ser isso. Uma testemunha precisa de meios para testemunhar. Mesmo cheio de boas intenções e propósitos elevados, ninguém dará por eles. Quando ninguém ouve, como se pode ser apóstolo?
Então percebi. Um consegue ouvir-me. Para Ele falo. S. Inácio disse: "O homem é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus Nosso Senhor, e mediante isto salvar a sua alma" (Exercícios Espirituais, 23). Nesta cama não tenho préstimo como servidor, nada posso dizer ou testemunhar, mas posso louvar e reverenciar o Senhor. Neste Natal devia haver falta de quem glorificasse a Deus neste canto do mundo, e por isso Ele me mandou vir. Para a harmonia do universo é preciso que alguém louve a divindade aqui, agora. É isso que o Senhor quer. Essa é a minha tarefa. A última tarefa da minha vida.
Louvar a Deus, paralítico mudo numa cama de hospital no tempo de Natal. Aquilo que os Anjos e os Santos fazem no Céu, que os coros fazem nas igrejas, que em todo o mundo se ouve nesta noite, eu tenho de o fazer aqui. Isso fará deste Natal o mais feliz da minha vida. O último.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Homens cheios de si mesmos

José Luís Nunes Martins, i-online 22 Dez 2012
Somos todos pequenos e quase insignificantes. Aceitarmo-nos uns aos outros nessa condição é o primeiro passo para nos conhecermos e amarmos...
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O mundo começa a ser pequeno para tanta gente que se julga o centro do universo, são cada vez mais aqueles para quem o próximo não passa de um figurante sem qualquer importância numa ópera de que são os únicos protagonistas.
Têm sempre muitas coisas materiais mas nunca têm paz.
São incapazes de acolher a novidade, de se aperfeiçoar, entupidos de egoísmo até aos olhos, têm por valores supremos a razão e a liberdade.
Nem a razão nem a liberdade são males, entenda-se bem, mas quando surgem como pilares únicos da existência potenciam o risco de se falhar completamente o objetivo. Há muito mundo para além daquilo que a razão é capaz de assimilar e compreender. Também o valor da liberdade, que em si mesma não é boa, nem má, depende sempre da forma, mais ou menos sábia, de ser usada. Mas a sabedoria de escolher bem é um dom, a ela não se chega através de torres de livros, opiniões ou razões, por mais altas que sejam... tal como não é por muito abanar os braços que se levanta voo.
Os sentimentos articulam-se de forma não absolutamente lógica entre si e connosco. A vocação do homem apenas se cumpre quando ele se faz humilde, se esvazia das coisas e das suas opino-razões, para permitir que a vida, na sua generosidade, o edifique e lhe dê consistência, a partir da essência.
Acreditar é uma forma de unir o sentir ao pensar, talvez a ponte por onde estas duas dimensões se encontram e complementam. Só tem fé quem sabe e sente que não é ele próprio o centro do mundo.
A liberdade, tal como a justiça que a devia orientar, tem, por vezes, olhos vendados. O seu valor é pois relativo dado que um cego nem sempre é o melhor guia de outro... Não devemos fazer ou ser tudo quanto podemos, embora possamos fazer ou ser tudo quanto devemos. O dever demora até surgir evidente à razão, por vezes cumpre-nos agir numa linha de livre obediência a um desígnio maior que nós. Um tremendo caos, mas apenas aparente, pois que é de uma ordem superior à nossa capacidade de o compreender.
Somos todos pequenos e quase insignificantes. Aceitarmo-nos uns aos outros nessa condição é o primeiro passo para nos conhecermos e amarmos... para nos fazermos uns aos outros humanos, até felizes, por vezes. Verdadeiramente.
Hoje tende-se a aniquilar toda a crença. Como se não fosse admirável em si mesmo um homem esperar contra toda a razão. A fé é um alvo recorrente de gente que, não sendo feliz, tenta estragar a felicidade de todos quantos, com fé, sabem sem saber e sentem sem sentir.
O amor implica uma livre submissão do eu ao outro. Uma dinâmica sem garantia alguma de sucesso, mas que esvaziando o eu de si mesmo, e das coisas, abre espaço para a coragem da alegria, e, por ela, à felicidade.
No Natal devíamos todos celebrar a chegada do Filho de Deus, que por amor a nós se fez Homem, mas andamos cheios de nós mesmos e atafulhados de coisas... e é assim que, de portas fechadas, Ele nos encontra quando pretende dar-nos a Sua paz e a nossa felicidade... somos livres e responsáveis pela nossa vida; por abrir e fechar as portas do nosso ser ao que não compreendemos; por permitirmos que quem nos quer amar nos ame.
De nariz no ar, ignorando o mundo, podiam ao menos abrir os olhos e dar-se conta da estrela que conduz quem, humildemente, percebe que não é, por maior que seja, grande coisa sozinho.
Que neste Natal saibamos escolher o presente certo para dar a quem nos ama: esvaziarmo-nos de nós mesmos e abrir o coração ao seu amor.