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A mostrar mensagens de Março, 2014

Um rapaz de 17 já pode trabalhar, um homem de 50 ainda pode recomeçar

Henrique Raposo Expresso Segunda feira, 31 de março de 2014
Por vezes, fica a impressão de que as sociedades escolhem o suicídio de forma livre e consciente. Portugal tem sido particularmente assíduo neste guichet. Reparem numa coisa: num passado ainda recente, um português podia começar a trabalhar aos 12 ou 13 anos.  Excessivo? Sim. Mas, de repente, passámos do 8 ao 80 e diabolizámos o ensino profissional que dava a chave do mercado de trabalho a jovens de 17 anos que queriam começar cedo a vida adulta. O meu irmão, por exemplo, começou a bulir aos 17 anos e ainda me lembro dos olhares de reprovação. Parecia que só se podia começar a trabalhar aos 25 ou ainda mais tarde. Ora, a sociedade que recusava o início da vida adulta aos 17 era a mesmíssima sociedade que achava bem que as pessoas se reformassem aos 55 ou 60. Em 2012, cerca de 55% dos reformados da função pública tinha menos de 60 anos. Repare-se na concepção de sociedade que estava aqui em cima da mesa: apenas 30 anos de tra…

Morreu o Padre Miguel Ponces de Carvalho

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MIGUEL PONCES DE CARVALHO
Morreu o formador de estudantes católicos Assistente religioso da Juventude Universitária Católica (JUC), ajudou a formar várias gerações de estudantes, entre as quais António Guterres, Roberto Carneiro, Pedro e Helena Roseta, Carlos Marques e José Leitão.   José Pedro Castanheira Expresso, 18:55 Segunda feira, 31 de março de 2014
P. Miguel Ponces de Carvalho, nos anos setenta, quando era assistente da JUC

A Basílica da Estrela, em Lisboa, encheu-se para uma última homenagem ao padre Miguel Ponces de Carvalho, que foi assistente religioso da Juventude Universitária Católica durante os anos sessenta e setenta. Falecido no dia 29, a missa de corpo presente, realizada ao princípio da tarde de 30, foi presidida pelo patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente. Licenciado em Biologia, com estudos em Medicina, melómano apaixonado e pianista, ajudou a formar várias gerações de estudantes universitários católicos, entre os quais se incluiu o ex-primeiro-ministro António Gu…

A escola pública é um inferno?

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Alexandre Homem Cristo | ionline, 2014,03,31


Não é porque há escolas onde tudo corre mal que o sistema está comprometido. E não é porque há escolas onde tudo corre bem que não há espaço para melhorias O que se passa nas nossas escolas? Maria Filomena Mónica (MFM), num livro recentemente editado pela Fundação Francisco Soares dos Santos, responde. E a sua resposta não poderia ser mais incisiva: retratou um inferno, identificou factores para o insucesso e concluiu que a escola pública é má. Nada de surpreendente. Afinal, as conclusões a que chega não diferem das que tinha à partida, e que lhe conhecemos de outras intervenções públicas. Conclusões, aliás, alinhadas com as críticas habituais dos que desconfiam das escolas do Estado - a indisciplina reina, a exigência é baixa, os programas das disciplinas são todos péssimos e os miúdos não aprendem sequer o elementar. Acontece que essas conclusões são muito discutíveis. Principalmente, por três razões. A primeira deriva da própria natureza …

O sofrimento: um mistério que interpela o homem

Sobre Adolfo Suárez e uma entrevista de Durão Barroso

JOÃO CARLOS ESPADA Público, 31/03/2014 Numa democracia que é obra comum de partidos rivais, assume particular importância o papel de um árbitro imparcial. A morte de Adolfo Suárez, o homem que liderou no país vizinho a transição da ditadura franquista à democracia, gerou também entre nós merecidas homenagens de diferentes sectores políticos. Mário Soares observou neste jornal, com a sua clássica sabedoria, que Suárez tinha sido o "anti-Marcelo Caetano". A observação é muito relevante, a mais do que um título. Em primeiro lugar, o contraste entre Adolfo Suárez e Marcelo Caetano explica em grande parte o contraste entre a transição revolucionária portuguesa e a "transição pactada" espanhola. Edmund Burke costumava dizer que as revoluções são em regra produto de reformas adiadas, e que as sociedades que não têm meios para reformar também não têm meios para preservar. As diferenças entre as transições portuguesa e espanhola ilustram essas observações de Burke. Porque fo…

Os antigos tinham razão?

Ensinar Religião, Educar para a liberdade

Guia para a confissão

Porque elegemos o Presidente da República por sufrágio directo e universal

O fósforo e a gasolina

JOÃO CÉSAR DAS NEVES DN 2014.03.31
Os antigos eram excelentes sociólogos. Os nossos esforços para abandonar os seus ensinamentos apenas serviram para manifestar a sua sabedoria. Há umas décadas a cultura ocidental, após ter tentado nos séculos anteriores revolucionar religião, política e economia, decidiu abalar a família. A ordem tradicional foi declarada um tabu tacanho e irracional impondo-se, em vez dela, como novidade a libertinagem mais total. Foi formulado um axioma sensual, decretando o prazer venéreo como supremo e absoluto. Cada um faz o que quer e a única regra é a falta dela. Este fenómeno é estranho a vários níveis. Primeiro porque progresso e técnica pouco ou nada influíram neste campo. O que vem proposto como modernidade são realmente práticas arcaicas. Depois porque a justificação básica é o princípio de "os outros não terem nada" com a nossa vida pessoal. Ora é evidente que isso é precisamente algo em que outros têm muito a ver. Desequilíbrio e ruptura famili…

Lealdade

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A pobreza observada

Alberto Gonçalves DN 20140330
Segundo dados do INE, a taxa de risco de pobreza em Portugal aumentou em 2012 para 18,7%. Dito assim, parece justificado o alarme geral e a presença nas televisões de estudiosos aflitos. Porém, ao acrescentar-se, de modo a acentuar as sombras, que a taxa é a mais elevada desde 2005, obtém-se o efeito inverso ao desejado e a coisa muda de figura. Se não erro, em 2005 os poderes públicos tinham acabado de construir uma resma de úteis campos da bola (e organizado o "melhor Europeu da História"), planeado o TGV e prometido o futuro aeroporto de Lisboa, entre outros desígnios nacionais que nos haveriam de conduzir à felicidade eterna. Os tempos, pois, eram risonhos, tão risonhos que o facto de o número de pobres de então superar o actual não incomodava ninguém, ou quase ninguém. E achava-se importantíssimo lembrar que os portugueses, incluindo os menos afortunados, não são números: são pessoas. Infelizmente, as pessoas em causa vêem-se transformadas e…

Procedei como filhos da luz

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