sábado, 31 de janeiro de 2015

A honra, não a glória

José Luís Nunes Martins
ionline 2015.0.31

A nossa existência é toda ela um conjunto enorme de surpresas, importa muito ter a capacidade de compreender que vivemos num mundo que nada nos deve… 
A minha honra não depende da opinião dos outros. É uma qualidade pessoal que me diz respeito apenas a mim. Funda-se nas minhas ações e apenas delas depende. Posso honrar alguém, mas não posso contribuir para a sua honra, senão através do meu exemplo.

O mérito que resulta do exercício das virtudes (e dos deveres) não é algo que obtenha sempre a estima ou a admiração alheias, muitas vezes o resultado é mesmo o oposto: indiferença e desprezo. Poucos se dão bem com quem faz o que eles não fazem, mas deviam.

Quem espera o reconhecimento da multidão vive num plano onde nada é o que parece, nem mesmo a admiração. Para a multidão, hoje, as aparências valem muito mais do que a verdade.

Por vezes, em contexto formal, referimo-nos a outros utilizando a fórmula Vossa Excelência, no entanto, a maioria de nós não faz a mais pequena ideia da verdadeira excelência dessa pessoa, do que será capaz, se é honrada ou… se já não o é.  

É compreensível que desejemos ser tidos em boa conta pelos nossos semelhantes e pelos que nos estão mais próximos, queremos merecer a sua estima e estar à altura da dignidade da sua atenção. Mas é essencial buscar sempre a honra, nunca as honras.

Ser responsável passa por ter sempre presentes os fundamentos do que escolhemos ser, as respostas para as perguntas sobre o porquê e o para quê das nossas decisões… devemos ser inteiros e consistentes. Ainda que isso nos custe o sacrifício da reprovação pelas opiniões alheias.

A honra é a prática da virtude, não é uma vaidade. Trata-se de algo que se conquista com muita dificuldade, mas que se pode perder com a maior das facilidades. Cabe a cada um de nós erguer e zelar pela sua honra. Sabendo que a nossa simples existência é, em si mesma, um prémio enorme, que se constitui como um pilar fundamental de uma dignidade que não está dependente de mais ninguém. Manter a honra de combatermos por ser quem melhor podemos e devemos ser é mais importante do que conquistar as mais ilustres glórias mundanas.

Por vezes a honra é ferida. Basta uma simples desatenção e o dano pode ser trágico…. mas, ainda assim, cumpre a quem a perdeu lutar pela sua reconquista. Restabelecendo o que é. Alcançando o que pode. Chegando a ser tudo quanto deve.

A honra de alguém vale mais do que qualquer fama. Resulta da vontade de exercer os seus talentos e cumprir o dever de ser virtuoso, num mundo onde as modas, regras e prémios não estão alinhados com a verdadeira excelência.

A reputação, as vénias e as vaias são sempre realidades passageiras, o mundo dá-as e tira-as, numa lógica infantil que não é senão um jogo de humores superficiais, momentâneos e sem qualquer fundamento profundo.

A nossa existência é toda ela um conjunto enorme de surpresas, importa muito ter a capacidade de compreender que vivemos num mundo que nada nos deve…

A atitude correta perante a vida é a da humildade absoluta... o que somos e tudo quanto temos são dádivas puras, que nos chegam sem que se espere nada em troca... ser capaz de usufruir delas, aceitando a sua completa impermanência, é ver a vida à luz da verdade.

Que em cada um dos nossos dias não falte o agradecimento e a súplica.

Nas minhas noites mais escuras, que eu não esqueça que a minha maior honra é ser quem sou e poder retribuir a gratuitidade deste dom da vida, sendo dádiva na vida de outros.

A existência é uma esmola. Um dom imerecido. Que será apenas para quem o souber acolher e fortificar… com verdade e honra… mas sem garantia nenhuma.


Eu coelha me confesso

Inês Teotónio Pereira, ionline, 2015.01.31

Foi preciso o Papa falar de coelhos para que todos percebessem que estavam errados... Bastou uma frase e um estilo diferente
Esta crónica está atrasada uma semana: esta semana já ninguém fala de revoluções na Igreja motivadas pelas declarações do Papa nas Filipinas. Mas a culpa não é minha, o concerto da Violetta foi a semana passada e não controlei o impulso de escrever sobre o fenómeno. Posto isto, passemos ao Papa. Disse o Papa: "Alguns pensam, e desculpem o termo, que para sermos bons católicos temos de ser como coelhos. Mas não." Esta declaração, e a utilização desta linguagem, foi notícia em todo o mundo. E foi notícia por duas razões: a primeira, porque ninguém sabia que a Igreja considera irrelevante o número de filhos das suas ovelhas e que a quantidade não diz nada sobre a qualidade de um católico; a segunda razão, porque se adivinhou que vinha daí uma viragem dos princípios e que agora, com o Papa Francisco, os preservativos passariam a ser distribuídos nas igrejas. Mas nada como esperar uma semana para se perceber que afinal as notícias é que são a verdadeira notícia.

Quanto à primeira razão, a história dos coelhos, o que o Papa Francisco fez, falando a propósito de uma filipina que vai a caminho da oitava cesariana pondo em risco a sua vida, foi dizer o óbvio. Ter filhos não é sinónimo de nada espiritualmente relevante e muitas vezes é até sinónimo de irresponsabilidade. Considerar isto uma novidade doutrinária revela que os preceitos e preconceitos que existem nos católicos e sobre os católicos são muitos e alguns deles estão mesmo cristalizados.

É claro para toda a gente que me conhece minimamente que eu não tenho nada de Madre Teresa de Calcutá, apesar de ter seis filhos, e quem me conhece melhor sabe perfeitamente que os meus seis filhos, em vez de me levarem à santidade, levam-me mesmo a pecar várias vezes ao dia em pensamentos, actos e omissões (basta passarem em minha casa num fim de tarde ou no fim de umas férias para o confirmarem). Graças a Deus que tenho a noção de que Deus não me tem em melhor consideração do que a uma mãe de um só filho. Mas é verdade que nem toda a gente pensa assim. Muitos não-católicos acham que os católicos que controlam a natalidade são hipócritas e os aqueles que têm muitos filhos beatos; já os católicos acham que vivem em pecado por não terem os filhos que "Deus quiser" e consideram os pais de famílias numerosas verdadeiros modelos de virtude.

Foi preciso o Papa falar de coelhos para que todos percebessem que estavam errados. Não foi preciso rever o catecismo ou publicar novas encíclicas, bastou uma frase e um estilo diferente.

A segunda razão que fez com que esta frase fosse notícia foi considerar que a Igreja estava a revogar toda a sua doutrina sobre a contracepção. Rapidamente se percebeu que não. E percebeu-se ainda que, não sendo incoerente a frase do Papa com a posição da Igreja face a este tema polémico, quer dizer que as razões que levam a Igreja a não incentivar, aceitar ou defender os métodos contraceptivos nada tem a ver com o número de filhos mas sim com a questão da conduta e vivência sexual defendida pelas várias encíclicas.

Nada de novo. A única novidade é o estilo que vai desvendando coisas antigas. E é aqui que o papa Francisco está a fazer a grande revolução: traduzir a Igreja e revelar a sua essência. Explicar que a Igreja não julga, apenas acolhe, e que não existem categorias de católicos, de crentes ou de não crentes: somos todos pecadores e somos todos boa gente. Se se quiser fazer uma tabela, o número de filhos não é certamente uma variável a ter em conta.


Anjo da guarda


"Perante a tentação, invoca o teu anjo. Ele está mais desejoso de te ajudar do que tu de ser ajudado! Ignora o diabo e não tenhas medo dele: Ele treme e foge à vista do teu anjo da guarda."


31 de Janeiro - S. João Bosco

S. João Bosco
(1815 Becchi -1888 Turim)

Blasfémia

    observador, 2015.01.31
    Impor, pela força, uma fé religiosa, ou negar a vida ou a liberdade a quem a não tem é, também, blasfemar. É crucificar de novo quem, tido por blasfemo, deu a vida pela liberdade de todos os homens.

    A blasfémia está na moda mas, infelizmente, pelos piores motivos. Há quem defenda, em nome da liberdade de expressão, o direito à blasfémia e há quem entenda, pelo contrário, que são criminosos não só os que matam inocentes, mas também os que ofendem o santo nome de Deus. Mas, seria razoável criminalizar a blasfémia? Alguns crentes, nomeadamente muçulmanos, acham que sim. E os cristãos?
    No Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz-se que a blasfémia "consiste em proferir contra Deus – interior ou exteriormente – palavras de ódio, de censura, de desafio; dizer mal de Deus, (…) abusar do nome d'Ele". E que "a proibição da blasfémia estende-se às palavras contra a Igreja de Cristo, contra os santos, contra as coisas sagradas" (CIC, nº 2148).
    A Igreja católica afirma que Jesus, sendo Deus, deve ser adorado. Mas, só pela fé se pode afirmar a natureza divina de Cristo e, como é óbvio, não se pode ser culpabilizado por não ter recebido essa graça. Com efeito, a fé é um dom divino gratuito e, por isso, ninguém pode ser constrangido a crer, ou a venerar alguém em quem não acredita. Nenhuma pessoa deve ser forçada, pelo poder político (CIC, nº 2108), a agir contra a própria consciência em matéria religiosa (CIC, nº 2106).
    Contudo, quem não crê não pode, por esse motivo, ofender os crentes ou as suas crenças e, se o fizer, deve ser judicialmente responsabilizado, não porque a sua atitude constitui uma blasfémia, mas porque incorre num delito de injúrias ou de difamação. Os fiéis não podem ser discriminados por terem fé, como também os agnósticos e ateus o não podem ser por não crerem.
    Aquilo que é blasfémia para alguns crentes, pode ser de fé para quem tem outra religião. Com efeito, o que os cristãos professam – que Jesus é Deus – é uma blasfémia para judeus e muçulmanos. Mas dizer que Jesus não é Deus, nem um profeta, como afirmam os judeus, é uma blasfémia para cristãos e muçulmanos, respectivamente. Que Deus é Alá e Maomé o seu profeta, como diz o islão, é, por sua vez, inaceitável para judeus e cristãos. Se o que para uns é de fé, para outros é uma blasfémia, só num estado confessional é possível a criminalização da blasfémia. Assim eram a Judeia, há dois mil anos, e os reinos da cristandade medieval. E assim é, ainda hoje, nos países em que vigora a lei islâmica. Criminalizar a blasfémia, em nome de uma religião, só é possível criminalizando todas as outras crenças e abolindo a liberdade religiosa.
    "É também blasfematório recorrer ao nome de Deus para justificar práticas criminosas, reduzir povos à escravidão, torturar ou condenar à morte" (CIC, nº 2148). Ou seja, quem pretende justificar um crime, invocando o nome de Deus, blasfema. Tê-lo-ão feito os terroristas que, em nome de Alá, assassinaram pessoas inocentes, mas também judeus e cristãos o fizeram noutros tempos, embora se espere e deseje que tal nunca mais volte a acontecer.
    Todas as crenças e todos os crentes e incrédulos merecem respeito, excepto se usarem o nome de Deus para legitimar um delito. Os assassinos dos atentados em França não foram menos culpados por terem agido por motivações religiosas, nem algumas das suas vítimas foram menos inocentes por causa da sua manifesta irreligiosidade. Quando a blasfémia se expressa em atentados contra a vida, ou contra a liberdade religiosa, de pensamento ou de expressão dos cidadãos, deve ser susceptível de uma sanção penal. Não porque é uma blasfémia, mas porque é um crime.
    Qualquer pessoa tem o direito de crer, ou não crer, no que quiser, mas ninguém tem o direito de atentar contra a vida ou a liberdade de seres humanos inocentes, muito menos em nome de Deus.
    Como também recorda o Catecismo, Jesus foi injustamente condenado à morte… por blasfémia! (CIC, nº 574). É confrangedor e paradoxal que, ao longo da história bimilenar da Igreja, alguns cristãos tenham matado outras pessoas, em nome de Cristo, pelo mesmo crime que Ele, há dois mil anos, foi iniquamente morto!
    Impor, pela força, uma fé religiosa, ou negar a vida ou a liberdade a quem a não professa é, também, blasfemar. É crucificar de novo quem, tido por blasfemo, deu a sua vida pela liberdade das consciências de todos os homens, sem excepção.

    sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

    Recomeçar



    Considerai todo o passado como se fosse nada e dizei, como David: Hoje eu começo a amar o meu Deus
    S. Francisco de Sales

    «Ministro da Cultura» do Vaticano defende presença da Igreja na internet, mas alerta para riscos de comunicação sem rosto

    Agência Ecclesia,  

    Lisboa, 30 jan 2015 (Ecclesia) – O presidente do Conselho Pontifício da Cultura (Santa Sé), que recebe hoje o doutoramento «honoris causa» da Universidade Católica, afirmou esta quinta-feira em Lisboa que a Igreja Católica tem de se apresentar com a sua mensagem na internet.

     "Temos de comunicar a raiz da nossa fé. E a raiz da nossa fé é, sem dúvida, a palavra, a Bíblia. Até porque a Bíblia tem em si um extraordinário potencial cultural e não apenas religioso", começou por explicar o cardeal Gianfranco Ravasi, no auditório Cardeal Medeiros, durante conferência 'Parábolas mediáticas e parábolas evangélicas – Comunicar a fé no tempo da internet'.
    O 'ministro da Cultura' do Vaticano admitiu que este é um "tema complexo, difícil" mas "fundamental" para a cultura, a teologia e a religião, em geral.
    "Num mundo que tende cada vez mais a ser virtual, temos de recuperar o encontro, o diálogo, a comunicação", apelou.
    O responsável dividiu a sua apresentação em três percursos e assinalou que a religião e a cultura "são fenómenos de natureza comunicativa", que se cruzam com a cultura digital, "uma nova linguagem".
    Neste sentido, destacou que agora "o ambiente, a antropologia" mudaram, porque um nativo digital pode estar até seis horas, por exemplo, no computador onde interage com outras pessoas através de "uma comunicação fria, perigosa" porque não vê o outro, "não penetra no encontro interpessoal".
    "O modelo de conhecimento muda e muda também a antropologia. Estamos no início, não sabemos como será no futuro", observou, alertando que não se pode "usar apenas o telefone, ou o computador" e exemplificou que a Eucaristia "supõe assembleia".
    "O cristianismo é religião de corpos, de carne", comentou.
    Segundo o cardeal Gianfranco Ravasi, a comunicação "está a viver uma experiência fundamental" e é necessário que os cristãos saibam "comunicar a razão da fé", a Palavra, a Bíblia, porque contém uma "extraordinária potencialidade cultural" com "Cristo e a força da sua
    "O cristão na sua cultura não pode ser fundamentalista", explicou porque o modo de comunicar a fé cristã deve ser como uma religião que "reconhece o valor das outras experiências, que é diferente de fundamentalismo".
    À imagem do que tem vindo a defender nos últimos anos, o presidente do CPC sublinhou que Jesus usava o Twitter do seu tempo, dando como exemplo a sua intervenção sobre a relação entre fé e política: "Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus".
    "Tem de ter conteúdo de um tweet. Essencialidade, clareza", precisou.
    O cardeal Gianfranco Ravasi distinguiu o discurso do Papa Francisco, alguém que usa o essencial – "sujeito, verbo, complemento" –, do discurso do Papa emérito Bento XVI, que era mais "ramificado".
    Nesse sentido, observou ainda que Francisco "compreende bem a comunicação" destacando as suas audiências, onde tem um discurso de cerca de 20 minutos mas "interage" durante muito mais tempo ao passar entre as pessoas.
    A Universidade Católica Portuguesa vai atribuir hoje um doutoramento 'honoris causa' ao cardeal Gianfranco Ravasi, por ocasião do dia nacional da instituição académica.
    A cerimónia vai decorrer a partir das 16h30, no auditório Cardeal Medeiros (Lisboa), tendo como lema 'Alargar Horizontes'.
    CB/OC

    quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

    “Tenho, muito orgulho em ser professor à 10 anos”

    Henrique Monteiro, Expresso, 2015.01.28

    A Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC) revelou a falta que fazia. Pesem algumas perguntas confusas, cujo enunciado é infeliz, teve o condão de nos revelar o inimaginável: há professores que não distinguem verbos de preposições e que desconhecem que não se colocam vírgulas entre o sujeito e o predicado.
    Não me refiro, obviamente, apenas a professores de português, ou das áreas de Letras. Há coisas que são como 2+2 – todos têm de saber o resultado e as regras básicas (como que a ordem dos factores é arbitrária, ou vice-versa, a raiz quadrada de um número), independentemente da área de que provem. Para aqueles que diziam que o exame era inútil, esta é uma resposta inequívoca.
    Devo dizer que, apesar de aluno de Letras, nunca percebi duas coisas: uma, é por que razão a pedagogia acabou por tomar o lugar do conhecimento na construção da carreira de professor. São ambas erradas. Eu penso que não fui professor e que o país (e eu pessoalmente, sem dúvida) ganhou com isso.
    Respeito demasiado os professors sérios e competentes para pensar que poderia ser como eles. Repetir vezes sem conta a matéria, até os alunos a entenderem; viver num meio agressivo e, por vezes, mal criado e violento sem poder responder à altura; ser, no geral, mal pago.
    Dito isto, não entendo igualmente por que motivo, caso uma escola me quisesse contratar para dar aulas de alguma disciplina em que eu tivesse ou tenha conhecimentos necessários para leccionar uma ou mais turmas, um ou mais anos, não o possa fazer porque nunca teve formação em pedagogia.
    Conheço, todos conhecemos pessoas sem qualquer formação em pedagogia que são professores natos. Qualquer jornalista habituado a entrevistar as mais diversas pessoas sabe que algumas delas têm um poder fantástico para interessar os outros sobre as matérias mais estranhas. E sem nunca passarem por cursos de pedagogia.
    Na verdade, o amor à arte e ao conhecimento, o entusiasmo que se põe em cada tarefa, é do meu ponto de vista, a melhor pedagogia, ou se preferirem, o modo simples de transmitir a outros o nosso conhecimento. Não nego que haja aspetos da pedagogia que são fundamentais, o que não posso crer é que se transforme a  pedagogia em condição sine qua non.
    Na verdade, de que serve ela, quando um professor não distingue, como se viu, a contração de uma proposição com um artigo (à) com o presente do indicativo do verbo haver (há) – peço desculpa se as palavras 'indicativo' e 'proposição' já não correspondem ao que quero dizer, mas há muito que não pego em manuais modernos de gramática.
    Dir-me-ão: mas os jornais, os teus próprios textos, não estão cheios de gralhas e erros. Sim é verdade, e essa seria outra conversa. Por três motivos: alguns de nós sabem pouco sobre a língua portuguesa, outros são obrigados a escrever a velocidades quase supersónicas e nenhum de nós é professor. Ou seja, não tem por objectivo essencial cultivar, ensinar, transmitir conhecimentos, mas informar. Ora, informar, não é o mesmo do que conhecer; assim como conhecer não é o mesmo do que saber. São três categorias diferentes que obviamente dariam, como se costuma dizer, muito pano para mangas.
    Mas volto à minha: um professor não distinguir 'à' de 'há', não saber quando uma palavra tem 'ç' ou dois 's'? , separar o sujeito e o verbo por uma vírgula é indesculpável.
    O resto, aquilo que o Ministério considera a avaliação do "raciocínio lógico e crítico" tem também muito que se lhe diga. Até porque alguns enunciados são tudo menos lógicos. Mas penso que basta um punhado de professors não saber o básico, para ficarmos preocupados com o modo como eles são formados.

    Amizade


    Não há nada nesta terra que deva ser mais apreciado do que a verdadeira amizade
    S. Tomás de Aquino