domingo, 30 de abril de 2017

Se são seres humanos, são como nós

FRANCISCO ALVIM     OBSERVADOR     30.04.17
Sem o saber, Isabel Moreira escreveu um artigo a defender a vida humana e, por conseguinte, a atacar o aborto, a eutanásia e todas as formas passíveis de incentivar a cultura de morte que apregoa.
1974. Portugal clama. Grita, a plenos pulmões, a Liberdade. A Democracia chega. Os anos passam. O 25 de Abril já lá vai. E o 25 de Novembro também. Os seus legados, esses, inevitavelmente históricos, permanecem. Ainda bem.
2017. O mundo é hoje uma pequena aldeia global. Afundamo-nos vertiginosamente no século XXI. Corremos, todos, sôfregos, apressados, para não perder pitada do que aí vem. Para agarrar a ilusão de que podemos ser aquilo que quisermos ser, independentemente de quem ou do que somos.
Por cá, crescemos em democracia. Mas será que crescemos, do mesmo passo, em liberdade? Afinal que ideia de liberdade é esta, que nos permite escolher que seres humanos queremos ou não deixar viver?
No momento em que Portugal se prepara para discutir mais uma lei que atenta contra o direito dos direitos em democracia e sem o qual todos os outros perdem sentido, alegadamente em prol do mito da autonomia descrito num texto de Diogo Costa Gonçalves, importa perceber que preocupações têm os que promovem tão eficazmente essa batalha.
Há dias no Expresso, Isabel Moreira escreveu um artigo onde chama atenção para o gravíssimo problema dos campos de concentração para homens gay na Tchetchénia. Esta situação, infelizmente, parece ser uma realidade e, mais uma vez, traduz o pior do que o homem pode fazer ao outro. É absolutamente condenável. Quanto a Isabel Moreira, todos sabemos que a causa LGBT é a sua causa. Neste caso, que vai além da mera discussão do mérito da causa, a sua denúncia é importante e urgente.
O que não sabíamos é que Isabel Moreira também sabe escrever um texto a defender a dignidade da vida humana. Confuso? É simples.
Os ataques gratuitos contra a liberdade de qualquer ser humano sem razão atendível ou sem que o mesmo tenha cometido qualquer crime merecem, como não podia deixar de ser, a mais veemente condenação e revolta. De igual modo, qualquer atentado contra a vida desse mesmo ser humano, seja em função da sua orientação sexual ou da sua crença religiosa, cor, raça, etnia, altura, idade ou peso, condição física ou psíquica, consubstancia um vil ataque à sua dignidade e uma grave violação dos seus mais básicos direitos fundamentais. Tenho a certeza de que Isabel Moreira concordará comigo.
A questão está em saber se o argumentário utilizado por Isabel Moreira serve apenas para os casos em que a vida ou a liberdade de um ser humano é posta em causa em função da sua orientação sexual ou se – pasmem-se talvez – servirá também para aqueles casos em que o direito à vida de um ser humano é posto em causa pelo simples facto de o mesmo existir?
A autora permitir-me-á certamente que “roube” algumas das suas ideias (a itálico), para ilustrar o que quero dizer. Experimentemos apenas adaptar certas expressões do seu texto, substituindo-as por outras (a negrito) mais amigas do ser humano, e vejamos o que acontece:
A ver se nos entendemos: demorou demasiado tempo para que fosse reconhecido o que o nazismo fez aos judeus, ciganos, adultos, jovens, crianças, bebés, pretos, brancos, e em 2017 somos confrontados com uma monstruosidade contemporânea sem grandes consequências.
Com base em discursos de base relativista, amoral e feminista, Isabel Moreira (Ups!) e outros de sua espécie justificam a perseguição da Vida, por isso já sabíamos da “lei que permite a interrupção voluntária da gravidez (vulgo, aborto)” do PS, e agora somos bombardeados com uma iniciativa socialista e da extrema esquerda para justificar morte assistida (vulgo, eutanásia).
A falta de empatia relativamente à violação dos direitos humanos das pessoas (…) gritante. É sempre assim e continua a ser assim mesmo quando a notícia é, repito, a existência de clínicas abortistas em Portugal.
Sabemos da existência de clínicas abortistas em Portugal, há uma marcha pela Vida em Lisboa em frente ao Parlamento quase sem imprensa presente, nenhum telejornal tem início neste horror e os líderes nacionais, europeus, a UE e o SG da ONU estão calados.
São bebés, doentes, idosos, não se trata de um grupo étnico, não fomos alarmados pela notícia de um campo de concentração para outra categoria de pessoas, por isso não há empatia, são seres humanos, ninguém está de acordo com as perseguições e com o campo de concentração, mas daí a reagir vai toda uma cultura de adesão total à consideração de que os mais fracos são vítimas históricas e nenhum direito conferido ao resto da população lhes pode ser negado.”
Pois é, o resultado é deveras surpreendente. Mas não se fiquem por estes exemplos. No texto de Isabel Moreira, onde se lê homofobia, leia-se eugenia. E onde se lê gays ou homossexuais, leia-se bebés, doentes, idosos, o que quiserem; tanto faz. Substituam pelos mesmos do costume: os mais fracos.
Sem o saber, Isabel Moreira acaba de escrever um artigo de opinião a defender a vida humana e, por conseguinte, a atacar o aborto, a eutanásia e todas as formas passíveis de incentivar a cultura de morte que a própria apregoa. No fundo, escreveu um texto a atacar-se a si própria. Já não era sem tempo. E o que significa isso: uma nova Isabel Moreira ou um (feliz) erro de percurso? Talvez vá pela segunda opção. Para Isabel Moreira já basta uma, única e irrepetível.
Quanto ao essencial, isso a que chamam de dignidade da pessoa humana e de liberdade, essas não têm dono, nem cor, política ou de pele, nem são património exclusivo de uma minoria que faz parte de um todo. São nossas. São de todos. São universais.
Afinal, se são seres humanos somos todos nós, não é?
Advogado

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Papa chega ao Egipto para visita histórica

RR ONLINE   28.04.17




Mártires no Egipto : "Gente feita de uma substância diferente"

No dia em que o Papa chega ao Egipto para visita histórica, vale a pena ver esta viúva que perdoa ao ISIS a morte do marido, cristão no Egipto, e que comove o apresentador.


28 de Abril | Santa Joana Beretta Molla

http://www.vatican.va

Santa Joana Beretta Molla 
(1922-1962)


Gianna Beretta nasce em Magenta (Milão, Itália) aos 04 de outubro de 1922. Desde sua primeira juventude, acolhe plenamente o dom da fé e a educação cristã, recebidas de seus ótimos pais. Esta formação religiosa ensina-lhe a considerar a vida como um dom maravilhoso de Deus, a ter confiança na Providência e a estimar a necessidade e a eficácia da oração.
Durante os anos de estudos e na Universidade, enquanto se dedicava diligentemente aos seus deveres, vincula sua fé com um compromisso generoso de apostolado entre os jovens da Ação Católica e de caridade para com os idosos e os necessitados nas Conferências de São Vicente. Laureada em medicina e cirurgia em 1949 pela Universidade de Pavia (Itália), em 1950 abre seu consultório médico em Mêsero (nos arredores de Milão). Especializa-se em pediatria na Universidade de Milão em 1952 e, entre seus clientes, demonstra especial cuidado para as mães, crianças, idosos e pobres.
Enquanto exercia sua profissão médica, que a considerava como uma «missão», aumenta seu generoso compromisso para com a Ação Católica, e consagra-se intensivamente em ajudar as adolescentes. Através do alpinismo e do esqui, manifesta sua grande alegria de viver e de gozar os encantos da natureza. Através da oração pessoal e da dos outros, questiona-se sobre sua vocação, considerando-a como dom de Deus. Opta pela vocação matrimonial, que a abraça com entusiasmo, assumindo total doação «para formar uma família realmente cristã».
Inicia seu noivado com o engenheiro Pedro Molla. Prepara-se ao matrimônio com expansiva alegria e sorriso. Ao Senhor tudo agradece, e ora. Na basílica de São Martinho, em Magenta, casa aos 24 de setembro de 1955. Transforma-se em mulher totalmente feliz. Em novembro de 1956, já é a radiosa mãe de Pedro Luís; em dezembro de 1957 de Mariolina e, em julho de 1959, de Laura. Com simplicidade e equilíbrio, harmoniza os deveres de mãe, de esposa, de médica e da grande alegria de viver.
Em setembro de 1961, no final do segundo mês de gravidez, vê-se atingida pelo sofrimento e pela dor. Aparece um fibroma no útero. Antes de ser operada, embora sabendo o grave perigo de prosseguir com a gravidez, suplica ao cirurgião que salve a vida que traz em seu seio e, então, entrega-se à Divina Providência e à oração. Com o feliz sucesso da cirurgia, agradece intensamente a Deus a salvação da vida do filho. Passa os sete meses que a distanciam do parto com admirável força de espírito e com a mesma dedicação de mãe e de médica. Receia e teme que seu filho possa nascer doente e suplica a Deus que isto não aconteça.
Alguns dias antes do parto, sempre com grande confiança na Providência, demonstra-se pronta a sacrificar sua vida para salvar a do filho: «Se deveis decidir entre mim e o filho, nenhuma hesitação: escolhei - e isto o exijo - a criança. Salvai-a». Na manhã de 21 de abril de 1962 nasce Joana Manuela. Apesar dos esforços para salvar a vida de ambos, na manhã de 28 de abril, em meio a atrozes dores e após ter repetido a jaculatória «Jesus eu te amo, eu te amo» morre santamente. Tinha 39 anos. Seus funerais transformaram-se em grande manifestação popular de profunda comoção, de fé e de oração. A Serva de Deus repousa no cemitério de Mêsero, distante 4 quilômetros de Magenta, nos arredores de Milão (Itália).
«Meditata immolazione» (imolação meditada), assim Paulo VI definiu o gesto da Beata Gianna recordando, no Ângelus dominical de 23 de setembro de 1973, «uma jovem mãe da Diocese de Milão que, para dar a vida à sua filha sacrificava, com imolação meditada, a própria». É evidente, nas palavras do Santo Padre, a referência cristológica ao Calvário e à Eucaristia.
Foi beatificada por João Paulo II no dia 24 de abril de 1994, no Ano Internacional da Família. Foi canonizada no dia 16 de maio de 2004 e recebeu do papa João Paulo II o título de "Mãe de Família". Na cerimônia estavam presentes o seu marido, Pietro Molla, suas filhas Gianna Emanuela e Laura, e o filho Pierluigi. 

1 DE MAIO | 15H | S.BENTO | MANIFESTAÇÃO PELA VIDA E CONTRA A EUTANÁSIA

1 DE MAIO  15H Largo de S.Bento, Lisboa

MANIFESTAÇÃO 
PELA DIGNIDADE DE TODA A VIDA
E CONRA A EUTANÁSIA

Um grupo de cidadãos tomou esta iniciativa (uma manifestação primeiro e um momento de oração depois) que se louva e que constitui mais uma oportunidade de fazer ouvir, no debate em curso da eutanásia, uma posição a favor da Vida e da Dignidade Humana. Da presença de cada um (com a sua família e amigos) depende a beleza, importância e força do gesto.

Uma revolução de ternura

Retomo um acontecimento do tempo da quaresma que queria aprofundar, do início do mês de Março. 

O famoso Dia da Mulher. 
Esse dia do calendário internacional que tem vindo a ter maior atenção nesta sociedade obcecada com a igualdade de género. Sinto que é dado ao dia mais atenção do que a mim, mulher. Este sintoma da maneira comercial de celebrar, em que a agenda vale mais que a pessoa. Porque não me revejo nos direitos que estão na agenda para as mulheres. Há no ar uma tensão revolucionária, a que todas têm que aderir por fidelidade ao género. Eu sou claramente uma dissidente dessa revolução e explico porquê.

No passado dia 8 de Março, foi instalada em frente ao conhecido touro de Wall Street uma estatua de uma rapariga reivindicativa, a quem chamaram 'Fearless Girl',  "Rapariga sem medo", na placa aos seus pés lê-se "Know the power of women in leadership", "Conheça o poder das mulheres na liderança".

Três dias depois, fez anos a nossa filha Leonor. A nossa 'única' filha numa casa com outros três rapazes. Ela é amorosa e divertida, mas também é 'fearless', possessiva, e mandona. E os homens cá de casa (que ainda estão em maioria) não lidam nada bem com isso. Nos momentos de ternura derrete-os como ninguém consegue, nas birras e na 'revolução' que trouxe cá para casa não angaria partidários.

Ela fez 2 anos. A fotografia da 'fearless girl' é uma pose que lhe vejo muitas vezes e hei-de ver muitas mais, até que ela, desejavelmente cresça e aprenda aqueles valores que só as dores de crescimento podem ensinar: a humildade, a gratidão, a ternura, e verifique o poder que têm e que nós verificamos  e aprendemos, já agora, na sociedade doméstica cá de casa.

Uma revolução de ternura

Parece então que a revolução que é necessária, como disse o Papa Francisco ainda esta semana, é uma "revolução de ternura"; e diz S. Francisco de Sales que "não há nada mais forte que a ternura." 

Dear 'fearless girl' 
É admirável o teu potencial, são um verdadeiro dom, todos os teus talentos. É bom sentirmos que somos capazes de tudo sozinhos, que o mundo está aos nossos pés. Mas se um dia sentires que falhaste, que não conseguiste, ou descobrires que aquilo que te estabeleceram como objectivo não te satisfaz, " lembra-te de que precisamos todos uns dos outros, nenhum de nós é uma ilha, um eu autónomo e independente, separado dos outros". A arma mais eficaz na revolução que procuras é a ternura, porque tem o poder de desarmar.

Querida Leonor,
30 de Agosto, 2016
Já passaram dois anos desde que nasceu nesta família, que já estava composta e que no início não sabia como a iria encaixar. Se o puzzle era difícil para a família, para si foi muito fácil, encaixou e tratou-nos a todos como se fossemos a sua família. Começou por aprender o meu nome - mãe - e depois o nome do pai - pai - e mais tarde os dos seus irmãos.
É uma delícia ver a cara dos seus irmãos a vê-la fazer as coisas típicas dos dois anos e a alegria deles quando diz os seus nomes. Como eles gostam de ser procurados por si, enquanto a  ouvem ao longo do corredor, chamá-los, na versão ternurenta porque reduzida, que é só sua.
Não imagina o poder que tem, quando estamos cansados ou o dia não correu bem e você chega e diz - bêjinho - boacha - obigada. É uma verdadeira revolução de ternura!
Obigada Leonor

Famílias em rede

Birras. Conflitos em irmãos. Desafios da adolescência. Rotinas diárias. Soa-lhe familiar?
Há mais famílias a passar pelo mesmo!

Gostariam de pensar em conjunto sobre assuntos da vida em família?
Tudo isto entre famílias iguais à vossa!

Convidamos-vos a estarem numa sessão de esclarecimento sobre o Projeto pioneiro e original da nossa Associação - Famílias em Rede. 

Veja o vídeo aqui.  

Dia 4 de maio às 19h30 na nossa sede na Rua José Calheiros nº 15, em Lisboa.

Confirmem por favor a vossa presença para o endereço geral@familiasemrede.pt  

Mais informações no site http://www.familiasemrede.pt/
Melhores cumprimentos,
Soraia Veloso
Secretaria APFN




A força da ternura

POVO  28.04.17

Não há nada tão forte como a ternura, 
e nada tão terno como a verdadeira força.

S. Francisco de Sales (1567 - 1622)

João César das Neves | DOCAT | Bem estar e Justiça para todos | Economia

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Isabel Galriça Neto :: Discurso Sessão Solene 25 de Abril 2017

quarta-feira, 26 de abril de 2017

O 25 de abril foram três revoluções

rui aBLASFÉMIAS.NET  24.04.17


A primeira, que hoje comemora 43 anos, derrubou um regime velho e caduco, que não se soubera modernizar e, pior que tudo, que não foi capaz de resolver politicamente uma guerra com treze anos e sem solução militar à vista. A guerra colonial foi, muito mais do que a questão democrática, o motivo principal que fez com que as Forças Armadas executassem um golpe de estado que, quase imediatamente, se transformou em revolução. Com excepção da tentativa do golpe de Botelho Moniz, em 61, Salazar conseguira sempre assegurar a lealdade das chefias militares, o que Marcello Caetano não foi capaz. A perda de Spínola e Costa Gomes, que surgem, na noite de 24 para 25 de Abril, como os chefes do movimento militar, foi fatal para o regime. A revolução só foi pacífica porque o regime deposto estava anquilosado e não teve reacção. Envelhecido por quarenta anos de salazarismo e por uma sucessão que se mostrou incapaz de cumprir a renovação que prometera e o país aguardava, já nem aqueles que o dirigiam acreditavam nele. O regime foi derrubado, mas não caiu: desfaleceu.
A segunda revolução só surpreendeu os incautos. Teve duas datas: o 28 de Setembro de 1974 e o 11 de Março do ano seguinte. Verdadeiramente, principiara logo uma semana depois do dia em que Marcello Caetano foi preso no Largo do Caldas, quando, no Dia do Trabalhador, o Dr. Cunhal explicou ao Dr. Soares e ao país que o entendeu, aquilo que ele queria dizer com «as mais amplas liberdades». Quem não ignorar a história, sabe que em qualquer revolução democrática, após o romantismo das primeiras intenções, conhece inevitavelmente um momento de radicalização para fazer triunfar a «verdadeira» revolução e partir os dentes aos «reaccionários». É esse o momento em que a escumalha tenta assaltar violentamente o poder e onde, se não houver reacção forte, se fazem os banhos de sangue. Sempre em nome das mais belas intenções e dos mais honestos propósitos. A Revolução Francesa, logo após 89, explica bem como é que essas coisas se fazem. E como infelizmente terminam. Para todos.
A reacção forte aos planos dos Dr. Cunhal veio de dentro e de fora do país, e corporizou-se no 25 de Novembro de 1975, verdadeiramente, o terceiro 25 de Abril, e aquele que instituiu a democracia e o Estado de direito em Portugal. De fora – pasme-se! – da própria União Soviética, que já tinha conseguido o que queria – as independências africanas – e não estava disposta a ceder aos ímpetos leninistas do seu agente em Lisboa, e provocar, com isso, um casus belli de consequências imprevisíveis com os EUA. O rectângulo peninsular não valia esse risco, e quem duvidar das verdadeiras intenções do Dr. Cunhal (que a pequena história tem feito passar por um poço de moderação e sensatez nestas alturas) que leia o livro do José Milhazes intitulado Cunhal, Brejnev e o 25 de Abril… A segunda reacção veio de dentro, do país profundo, e devemo-la a Mário Soares, Jaime Neves, Ramalho Eanes, Sá Carneiro, Emídio Guerreiro, Salgado Zenha, os homens que travaram o Partido Comunista e a radicalização revolucionária. Só com eles – e graças a eles – os propósitos iniciais da revolução foram cumpridos.

A TED talk do Papa Francisco

TED TALKS   26.04.17

"Basta uma só pessoa para que exista a esperança, e essa pessoa podes ser tu, diz Sua Santidade o Papa Francisco nesta sua forte TED Talk dada directamente da cidade do Vaticano. Numa mensagem de esperança para pessoas de todas as fés, para aqueles que têm poder e não têm, o líder espiritual faz um comentário que traz luz sobre o mundo como ele é hoje e chama à igualdade, solidariedade e ternura para persistir. "Ajudemo-nos uns aos outros, juntos, para nos lembrarmos que o outro não é uma estatística, ou um número. "Todos precisamos uns dos outros". 

Uma gloriosa revolução

RAUL DE ALMEIDA  28.03.17  JORNAL ECONÓMICO 
A crise do Ocidente é moral e ideológica, não é económica. Só uma revolução de ideias, compromisso, mobilização coletiva e valorização da Pessoa nos pode salvar de um destino estéril. 

Não me canso de falar ou de escrever sobre os riscos da morte das ideologias, da sumissão da política ao primado de uma governação economicista. Mais do que nunca, no choque de civilizações em curso, na dispersão do sentimento de pertença europeu, as ideologias fazem falta, o regresso do primado da política é urgente. O mundo ocidental, o que ainda resta dele, está exangue, desorientado, sem uma ideia mobilizadora, sem um rumo que conduza a um projecto futuro, que exija o regresso da Pessoa ao centro de tudo.
Enquanto a lógica orientadora do exercício do poder se fundar no condicionamento dos grandes grupos transnacionais sem rosto conhecido, enquanto homens não escrutináveis, como Soros, ditarem na sombra as grandes leis reguladoras do mundo, enquanto finança e economia se misturarem ao serviço exclusivo uma da outra e não ao serviço da sociedade, é facil chegar ao ponto de desligamento e desmotivação em que nos encontramos.
O Ocidente empreendeu uma longa e tenaz guerra com Deus, afastando-O hostilmente do espaço público, vendendo ao Homem a ideia de uma falsa auto-determinação, de facilitação dos prazeres superficiais, de desresponsabilização perante qualquer sistema de ordenamento moral. Curiosamente, ou não, esta estratégia jacobina assenta num atropocentrismo enganador, num engodo que cria a ilusão do Homem central e dono de si próprio para atomizar o seu papel relacional e de pertença, fragilizando a sociedade, tornando-a mais fraca para mais facilmente ser manipulada.
A crise do Ocidente é moral e ideológica, não é económica. Enquanto os governos, da esquerda à direita, preferirem a meta do défice a metas sociais. Enquanto priveligiarem o crescimento económico, sem exigir que sejam as pessoas quem primeiro beneficia desse crescimento. Enquanto a preocupação com o capital e a sua perpetuação for hermética, esquecendo que o capital só é bom se se encontrar ao serviço do Homem. Aí, não tenhamos dúvidas, teremos as portas cada vez mais escancaradas ao populismo indígena e à agressão exógena.
Já por aqui escrevi sobre o fogo das questões fracturantes que a esquerda vai disparando com precisão para distrair a sociedade das suas acções de fundo, criando ruído, divisão, dispersão e enfraquecendo os laços que ligam uma nação. O que não conseguiram desde o início do século XX através da opressão, do terror e do medo, vão conseguindo desde o final dos anos 1960 com a falsa autonomia individualista e o relativismo ético predominantes. Esgotadas, porque contra a sua natureza, as pessoas precisam de valores, de sentimento de pertença, de voltar ao centro num processo de valorização; foi esta a guerra entre Clinton e Trump, e viu-se quem a ganhou. É esta a guerra em curso em muitas eleições europeias, com desfecho ainda incerto no médio e longo prazo.
Os populistas, trabalhando eficazmente sobre os estragos do jacobinismo, ocupam um lugar por preencher na sociedade actual. Os populistas não fazem mais do que ocupar o espaço que deveria ser liderado por homens e mulheres comprometidos politicamente com a Pessoa, com o desenvolvimento da Democracia e de uma sociedade de bem-estar. Os populistas crescem nos campos queimados da esquerda relativista e do capitalismo selvagem, perante a ausência de quem tem capacidade de fazer melhor e muitíssimo mais.
A democracia cristã e a social-democracia, de que são tributários os três partidos democráticos portugueses, e a maioria dos grandes partidos de governo europeus, lembram o partido de Ataturk, outrora grandioso, hoje perdido num auto-contentamento feito da satisfação que o conforto das pequenas benésses alimenta; nunca mais mandará, nunca mais ajudará a que a Turquia cumpra o sonho de Mustafa Kemal.
Não restam dúvidas de que só uma revolução nos pode salvar de um destino estéril – uma revolução de ideias, de compromisso, de mobilização colectiva, de valorização da Pessoa. Não é uma revolução armada, é muitíssimo mais difícil, porque a paz é sempre mais exigente. O Reino Unido prevalece até hoje porque nunca teve uma revolução convencional, teve melhor, teve a sua muito própria Glorious Revolution. Porque temos sempre de dar um nome às coisas, pensemos na urgência desta gloriosa revolução. Por nós.

A liberdade na Livraria Lello e Irmão no Porto


A Liberdade saiu à rua como mostra esta fotografia da montra da Livraria Lello & Irmão que por graça me enviaram do Porto, pela escolha desta frase literária escolhida em comum.

Foi com dificuldade que encontrei citações justas sobre o que é a liberdade. Sendo "um dos dons mais preciosos que aos homens deram os céus" é possivelmente o dom mais mal entendido no tempo em que hoje vivemos. 

"É fazer o que nos apetecer" dizia um dos meus filhos ontem, revelando a imaturidade que nos é comum a todos, no que toca a perceber o que verdadeiramente significa ser livre. Mas logo de seguida vendo o outro, o irmão mais velho, acho que começo a perceber melhor...



No passeio que fizémos ontem, o mais velho empurrava na brincadeira o mais novo, o do 'fazer o que me apetecer', no carrinho de bebé que já não é para a sua idade, enquanto  gritava ordens e direções: 'Para a frente, para a direita, mais rápido!'

 - Que abusador! - pensei eu sobre o mais novo.
 - Não seja tótó! - disse eu ao mais velho. 
 - Oh mãe, deixe lá, ele gosta - disse o mais velho.


Fiquei a pensar quem era o mais livre. O opressor, que vai sentado a dar ordens, ou o oprimido que não se sentia oprimido, mas antes a obedecer porque quer. E eu quem era, a reinvidicar um direito a quem não o quer ver reivindicado? A fiscal daquela liberdade que é 'fazer o que lhe apetecer'? 

Lembrei-me do meu pai dizer uma coisa que nunca mais me esqueci. "Quem tem um direito, tem o direito de abdicar dele."

29 de Abril: Convento dos Capuchos : Concerto de Páscoa

RÚSSIA: Atentado contra liberdade religiosa

 OBSERVATÓRIO PARA A LIBERDADE RELIGIOSA,     21.04.2017


COMUNICADO 

 ATENTADO DA RÚSSIA CONTRA LIBERDADE RELIGIOSA 
DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

O Observatório para a Liberdade Religiosa (OLR), acolhido na área de Ciência das Religiões da Un. Lusófona, segue com atenção todos as ameaças à liberdade religiosa e não podia deixar passar em claro o que, nos últimos dias, se tem vivido na Rússia, onde o grupo religioso Testemunhas de Jeová vê os seus direitos mais comuns postos em causa e é alvo de uma perseguição massiva.

O jornal Moscow Times em grande destaque dá nota de como as Testemunhas de Jeová na Rússia receberam ordem de se dissolverem institucionalmente, tendo sido comparadas a grupos terroristas como o Daesh ou a Al-Qaeda.

Na Rússia estima-se que existam mais de 175 mil crentes deste grupo religioso e quase 400 salões onde se reúnem habitualmente – aos quais se pretende estender uma decisão ainda só aplicada em Moscovo.

O Supremo Tribunal Russo, desde meados de março passado, estava a analisar o caso, já que o ministério Público de São Petersburgo havia intimado as Testemunhas de Jeová daquela cidade a pararem com "a atividade extremista", com atividades prosilitistas alegadamente lesivas da família e da vida.

“Não há outra alternativa, o grupo religioso tem agora de se dissolver” – assumem os crentes em Moscovo

Na sequência da decisão do Tribunal, os membros das Testemunhas de Jeová estão proibidos de se reunirem ou de distribuir qualquer tipo de literatura religiosa em áreas específicas – o que é um atentado à liberdade religiosa e individual.

O mesmo tribunal recusou os pedidos para reconhecer que os membros da organização seriam vítimas de repressão política e também declinou ouvir crentes que garantem que a polícia russa adulterou provas para obter uma condenação.

As Testemunhas de Jeová são um grupo cristão, com uma interpretação bíblica própria, diferente da que é proposta pela teologia ortodoxa, dominante na Rússia. Mediaticamente conhecidos por um proselitismo muito ativo e pela recusa de transfusões de sangue, os membros deste grupo religioso não se revêm em nacionalismos e praticam o pacifismo - recusam pegar em armas e integrar forças armadas. 
Salvaguardando as distâncias circunstanciais e temporais, as Testemunhas de Jeová viveram em Portugal o mesmo clima de perseguição e proibição durante o regime de Salazar, tendo a mesma estrutura sido proscrita oficialmente durante o Estado Novo, período em que operou na clandestinidade. Recorde-se como em Junho de 1966 o Tribunal Plenário Criminal de Lisboa condenou a pena de prisão dezenas de membros da congregação do Feijó, homens e mulheres, sob acusação de "um crime contra a segurança do Estado". A sentença, reconfirmada no ano seguinte pelo Supremo Tribunal, captou a atenção de Portugal e teve consequências diplomáticas.
Em 1933, no mesmo ano em que Adolfo Hitler foi nomeado novo chanceler da Alemanha, o ditador (em nome da ideologia nazi) lançou uma campanha para aniquilar as Testemunhas de Jeová. No ano de 1935 estavam proscritas em toda a “nação ariana”. Milhares de crentes foram mortos nos campos de concentração.

Chocados com a situação na Rússia, membros portugueses do grupo religioso Testemunhas de Jeová recorreram ao OLR, apresentando dados e documentos com revelações muito preocupantes. O OLR exorta os poderes públicos e políticos portugueses a, nos possíveis e adequados campos de ação diplomática, manifestarem total e inequívoca reprovação. 
Mesmo perante evidentes diferenças político-sociais, não é compreensível que países que assumam, na parte ou no todo, a tarefa de construir uma Europa de paz, admitam, na base, a segregação e violação das liberdades, nomeadamente a religiosa.

Discurso presidencial. O que disse Marcelo nas entrelinhas

VITOR MATOS   25.04.17  OBSERVADOR


Fez um discurso profilático contra populismos e nacionalismos e recusou estar a mandar recados. Mas enviou alguns. Aqui pode ler os comentários de Vítor Matos ao que o PR quis dizer.

No seu segundo discurso em cerimónias do 25 de abril, poucos dias depois das eleições francesas, o Presidente da República focou-se nos fenómenos populistas e nacionalistas que têm assolado a Europa e o mundo, para os evitar por cá. Já tinha feito saber que seria mais ou menos inócuo de conteúdo, sem recados ao Governo e aos partidos. No entanto, não se pode considerar inócuo aquilo que Marcelo Rebelo de Sousa foi hoje dizer na Assembleia da República, onde podemos desde logo notar duas ausências: deixou de apelar a consensos e não falou da União Europeia.
O que é que o Presidente disse? E o que se pode ler nas entrelinhas das principais passagens que aqui reproduzimos?
"Faz, hoje, exatamente quarenta anos que, pela primeira vez, aqui, nesta casa da democracia, se iniciou (…) a celebração do 25 de Abril (…). E a dúvida que, de quando em vez, ouvi suscitar, a tantos dos meus jovens alunos foi esta: faria ainda sentido uma cerimónia de mera rotina, num claustro fechado (…) e repetir os argumentos do confronto político e cada instante, nalguns casos pontuado por avisos ou mesmo quase ultimatos presidenciais?”
Marcelo Rebelo de Sousa começa por questionar a própria natureza da cerimónia, e dá logo no início a entender que não fará um discurso de recados ou críticas ao Governo. O Presidente recorda-se dessa primeira comemoração de há 40 anos e sabe que nesse discurso, o então presidente Ramalho Eanes arranjou o primeiro sarilho coabitacional com o Governo socialista de Mário Soares. Foi no 25 de Abril que Jorge Sampaio fez o discurso do "há mais vida para além do défice". E o último discurso de Cavaco Silva durante o mandato de José Sócrates também foi muito duro. 
“Estes tempos são, amiúde, de substituição de substância pela forma, do estudo e da qualificação pelo improviso e a superficialidade, de carreiras laborais expedientes de ocasião, do debate de ideias por proclamações básicas, dizendo o que se pensa ser aprazível ao ouvinte e não o que deve ser dito. É por tudo isto, e mais a contingência de este empobrecimento ético e ético e doutrinário abrir caminho a radicalismo egoístas e excludentes, racismo e xenofobia, messianismos que da democracia apenas gostam de usar o que lhes convenha — que faz sentido manter viva esta tradição. Hoje, mais do que nunca. (…) Há datas, como a do 25 de Abril, que nunca serão indiferentes ao nosso destino coletivo”.
Sendo um homem que viveu nos velhos jornais, o Presidente acha que as redes sociais -- embora não as mencione -- e a velocidade a que se transmite a informação hoje na internet, são aspetos que não contribuem para que haja alguma profundidade na discussão política e na perceção das pessoas. Por isso, ao contrário dos seus alunos, acha que faz cada vez mais sentido manter as cerimónias tradicionais em que se comemora o regime democrático. O Presidente pensa que o empobrecimento e simplificação do discurso ajuda os populistas e xenófobos. Há muitos anos que se preocupa com a forma como a linguagem se vai aligeirando, mesmo nas elites. Este é Marcelo na sua versão mais institucional.
"[Esta é uma forma de] confirmar que preferimos a democracia — apesar de imperfeita, injusta ou incompleta – à mais sedutora das miragens ditatoriais. Reforçar que é, precisamente, porque, entre nós, há tanta diversidade e tão vigorosos combates políticos, que o nosso sistema de partidos é dos mais estáveis na Europa, não deixando espaço a riscos anti-sistémicos conhecidos noutras paragens. (…) Neste tempo dos chamados populistas anti-institucionais, dos tropismos anti-sistémicos (…) queremos viver em democracia, sabemos que ela tem de ser mais livre e mais justa."
Que a democracia é incompleta e imperfeita já se sabe, por ser famosa a frase de ser o pior dos sistemas à exceção de todos os outros. Já não faz assim tanto sentido dizer que são os "vigorosos combates políticos" que tornam Portugal num sistema estável. Aliás, a violência de alguns dos debates parlamentares este ano poderiam ser pasto para populismos anti-sistema que não existem ainda por aqui. Ambíguo como sempre, Marcelo parece usar a sua velha técnica de fazer elogios com o objetivo de gerar desconforto aos sujeitos do elogio, ao dizer que não há espaço "a riscos anti-sistémicos" em Portugal. Não há à direita (por enquanto), mas eles existem à esquerda. O Presidente sabe que o PCP e o BE são partidos "anti-sistémicos" (o que significa anti-UE e anti-euro), mas parece com esta frase fazer uma pequena provocação. Se aqui PCP e BE não representam um risco quando apoiam um Governo centrista, europeísta e eurista, isso significa que estão domesticados ou que o seu radicalismo é irrelevante. 
"Os portugueses constroem a Democracia quando, ao fim de anos de sacrifício, sentem que valeu a pena tudo terem feito para sanear as finanças públicas ou tornar possível crescer e criar emprego de forma duradoura e criar condições para se reduzir a dívida que têm sobre os seus ombros, revelando resistência e constância exemplares."
De forma muito subtil, elogia o anterior Governo, liderado por Pedro Passos Coelho -- e a forma como os portugueses aguentaram -- e de maneira ainda mais subtil critica os ataques da esquerda às decisões tomadas nos difíceis anos da troika. No fundo, enaltece o facto de os portugueses não terem entrado numa deriva populista contra o poder político, uma vez que a coligação que governava até foi a força mais votada nas eleições de 2015, não transformando os sacrifícios em voto de protesto puro e duro, como aconteceu noutros países.
"Há duas maneiras muito diferentes de se amar a nação.
Uma — a que infelizmente, vai grassando noutras sociedades é a de se dizer nacionalista contra o mundo, contra os que não são dos nossos, rejeitando e excluindo, vivendo em medo permanente perante tudo e todos. Outra — a nossa — (…) é a de amar a Nação de coração aberto, de alma universal. Um nacionalismo patriótico e de vocação universal, não um nacionalismo egocêntrico, agarrado a um pretenso passado, recriado porque não real e insuscetível e enfrentar o futuro.”
Aqui Marcelo tenta fazer pedagogia no sentido de que se pode ser patriota sem se ser nacionalista. Mas ao invocar esta natureza universalista do patriotismo português, o Presidente parece basear-se nas mesmas premissas que serviam para justificar o velho Portugal do Minho a Timor ou para difundir a ideia de que o colonialismo português era melhor do que os outros. Marcelo é filho de um ex-ministro do Ultramar e de certeza que não teve a intenção que se fizesse esta interpretação das suas palavras.
"Importa que todas as estruturas do poder político, do topo do Estado à administração pública e, naturalmente, aos tribunais, entendam que devem ser muito mais transparentes, rápidas e eficazes na resposta aos desafios e apelos deste tempo, revendo-se, reformando-se ajustando. Os chamados populismos alimentam-se das deficiências, lentidões, incomepetências e das irresponsabilidades do poder político. Ou da sua confusão ou compadrio com o poder económico e social."
É a parte mais importante do discurso no que se refere à reflexão sobre o sistema e o regime. São recorrentes os casos de falta de transparência na administração pública e no poder político. Mas no caso dos tribunais, a lentidão ou as deficiências podem ajudar a desencadear os populismos que Marcelo deseja evitar. Sem citar casos concretos, o discurso do Presidente leva-nos a pensar de imediato no caso Sócrates que está a resvalar prazos, e sem a certeza de que haverá uma acusação sólida. Quanto a compadrios com o poder económico, daquilo que se sabe os casos Sócrates e BES também são exemplares. Nesta passagem, o Presidente identifica onde está a crise do regime e onde estão os maiores perigos para a democracia em Portugal, assim como os pontos a que a opinião pública é mais sensível.
"Há, neste contexto, um bastião da nossa democracia que merece, hoje, na evocação do 25 de Abril, uma palavra muito especial: o poder local. (…) Já disse e repito — o poder local foi e é um fusível de segurança singular da nossa democracia."
Marcelo é um municipalista, que na juventude chegou a defender a regionalização do Continente, uma ideia de que veio a afastar-se mais tarde. Em ano de eleições autárquicas, a referência ao poder local era obrigatória. Mas num momento em que o PCP tenta colocar a regionalização de novo na agenda para pressionar o PS, o Presidente reforça a importância das autarquias, embora também reconheça, noutra passagem, que o poder local "não é isento de problemas e defeitos"
"Os dois anos e meio que faltam para o termo da legislatura parlamentar terão de ser de maior criação de riqueza e melhor distribuição. Governo, seus apoiantes e oposições, que legitimamente aspiram a voltar a governar, estarão, por certo, atentos a este imperativo, na multiplicidade enriquecedora das suas opções."
É o único recado direto ao Governo e à chamada "geringonça", com um gato escondido: fala dando a entender que a legislatura vai mesmo até ao fim. Já não é a primeira vez que Marcelo faz este apelo, mas esta referência demonstra qual é a prioridade do Presidente: o crescimento económico e a justiça na distribuição da riqueza. Não fala no défice, nem dá os parabéns ao Governo por ter o "mais baixo défice da democracia". Não acentua que há um problema com a dívida. Não diz que os juros da dívida devem baixar para níveis espanhóis ou irlandeses. Não aponta para a classificação do rating das agências de notação financeira. Para Marcelo, o crescimento resolveria parte destes problemas, embora seja preciso dar atenção à forma como depois essa riqueza é distribuída, e aqui se revela a sua faceta social-democrata.
"Somos uma pátria em paz, com apreciável segurança, sem racismo e xenofobia de tomo, aceitando diferenças religiosas e culturais como poucos, com rede de instituições sociais devotada, Poder Local incansável e sistema político flexível, mesmo se carecido de reformas, mais mais sustentável do que muitos outros nossos parceiros europeus. (…) Não trocamos o certo pelo incerto, não sacrificamos um democracia, ainda que imperfeita, seduzidos por cantos de sereia de amanhas ridentes, em que do caos nascerá o paraíso."
No fim da sua intervenção, Marcelo deixa uma nota de otimismo do ponto de vista daquilo que é o país -- tolerante e seguro. No entanto, identifica a necessidade de reformas no sistema político, embora deixe tudo em aberto sobre quais deveriam ser essas mudanças (se os partidos quiserem, podem abrir um processo de revisão constitucional, mas isso o PR não diz). Finalmente, critica aqueles que defendem o "caos" e aí parece estar a referir-se aos que desejam a saída da UE ou do euro, como caminho para o Paraíso. Mais uma vez, parece ser a esquerda um alvo das subtilezas presidenciais. Pode-se dizer que Marcelo fez um discurso de regime, a defender a democracia, exorcizando as tendências estrangeiras -- os populismos e os nacionalismos -- que não entraram ainda pelas nossas portas. Ao mesmo tempo, coloca PCP e BE mais próximos daquilo que ele acha ser o lado errado da história.

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terça-feira, 25 de abril de 2017

Centrar o olhar na Pessoa – O que é ser Pessoa?

GRAÇA VARÃO   http://stopeutanasia.blogspot.pt


O ser humano é Pessoa desde o primeiro momento da sua conceção até ao último minuto de Vida. Ser Pessoa é muito mais do que o corpo, do que a sua biologia, pois engloba também uma dimensão emocional, racional, social e transcendente. O doente em coma profundo ou debaixo de uma anestesia total não pensa, está inerte, insensível e sem entendimento. No entanto a sua vida continua a ser sagrada. Não no sentido religioso do termo mas na medida em que é inviolável e inspira o máximo respeito. A vida é sempre bem Supremo! E esta vida nestas circunstâncias continua a ser Pessoa. Toda a Pessoa é Digna. Afinal o que é a Dignidade?
É o mais poderoso motor de solidariedade e de desenvolvimento integral de todos. Dignidade significa que todo o ser Humano tem um valor intrínseco infinito… que transcende a própria natureza temporal. (também os miseráveis, os degradados, os criminosos,… ) Só assim se compreende as extraordinárias obras e iniciativas de entrega gratuita ao outro.
A Dignidade Humana é intocável. Aceitar a eutanásia é aceitar que a Dignidade e o Valor da Vida Humana podem variar e podem perder-se. A dignidade da vida humana deixa de ser uma qualidade intrínseca, passa a variar em grau e a depender de alguma dessas condições externas. O que exclui a eutanásia é exatamente o respeito pela dignidade humana.
A Dignidade é expressão da Humanidade do Homem. Não depende do reconhecimento do outro, pois é uma qualidade inerente ao próprio Ser e abarca toda a vida humana. A dignidade de uma pessoa não se mede pela sua popularidade, pela sua utilidade para a sociedade, nem diminui com o sofrimento ou a proximidade da morte… e nunca se perde. Se a vida humana não vale por si mesma, qualquer um pode sempre instrumentalizá-la em função de qualquer finalidade. Também não é atribuída pelo Direito. É antes, e sempre, merecedora de proteção pelo Estad
A Pessoa é livre. A Liberdade do homem é constitutiva do próprio Ser Humano. Contudo a sua autonomia, ou autodeterminação não é absoluta. Sabemos que o argumento da liberdade individual é enganador. Que ninguém é autónomo em absoluto. Podemos dispor do que temos e do que é nosso, mas da vida não, pois ela não é algo que temos, é algo que somos.
A Liberdade em termos de Autonomia Pessoal / Autodeterminação
A Liberdade não é absoluta porque o Homem tão pouco o é. Somos seres criados. A nossa Liberdade é condicionada –Ortega Gasset falava em “eu e a minha circunstância” Não dispomos nem determinamos os condicionamentos da nossa própria natureza (não podemos voar, necessitamos de comer e de descansar, não podemos fugir à doença, ao envelhecimento e à morte).
A Liberdade em termos de Independência Social
Ser Livre não é ser independente. Somos seres dependentes e interdependentes. Somos seres Sociais! Desde que nascemos, estamos condicionados pela família, nação, cultura, com uma determinada herança genética ou de saúde. Estas circunstâncias fazem parte da nossa condição humana e definem-nos enquanto pessoa. A vida não pode ser concebida como um objeto de uso privado, como se estivesse de forma incondicional à disposição do seu proprietário para a usar ou a deitar fora de acordo com o seu estado de espírito ou determinada circunstância. Ninguém vive para si mesmo, como também ninguém morre para si próprio. 
A essência do homem é Coexistir. A vida tem uma referência social e transpessoal, associada ao amor, à responsabilidade, à interdependência e ao bem comum. E o valor da vida de cada pessoa para toda a sociedade não desaparece quando essa pessoa deixa de ser útil, deixa de produzir, perde quaisquer capacidades, ou pode vir a ser sentida como “peso” pelos outros.

10 IDEIAS SOLIDÁRIAS
Esta é a Dimensão humana do problema, porque qualquer que seja a situação, o caso ou a doença, ou a perspetiva com que se quer olhar para a mesma, no centro dessa realidade está um ser humano… está uma Pessoa.
Esta dimensão humana da abertura ao outro (coexistência) tem que nos levar a pensar que todos temos uma Missão Humana que passa por olhar para o outro, tocar no outro, dar-se ao outro!
Esta "sede" de Humanidade que todos temos… num mundo tão desumanizado e impessoal… levou-nos a lançar esta iniciativa das 10 IDEIAS SOLIDÁRIAS!
Porque cada um de nós é um Bem para o outro!
É de tal forma inerente à nossa humanidade este “olhar” para o outro, que nos tornamos melhores Pessoas (…”mais Pessoas”) quando Também nos damos aos outros (com uma palavra, um gesto, um sorriso... ou com o nosso tempo)
Consciencializar a nossa missão humana é importante, faz-nos bem… mas compromete-nos!!! 

E com este desafio -10 IDEIAS SOLIDÁRIAS - podemos estar a contribuir para a mudança de paradigma na nossa sociedade tantas vezes fria e pouco humana.