Férias de montanha

POVO 02.04.17

"...recorda-te que quando chegamos lá acima só podemos descer. Acima, de determinada altitude, o homem não consegue passar!”

S. João Paulo II
num diálogo com o seu instrutor de ski, Lino Zani


Parto hoje com a família, até às montanhas. Os últimos meses têm nos dado muito, mas também desafiado a todos, de formas diferentes. Por isso pensámos ser importante levar os nossos filhos mais velhos a 'respirar' noutra altitude, a abri-los a um horizonte que nunca viram, para que nem mesmo a tristeza se torne um obstáculo impossivel de escalar, mas antes lhes apresente a hipótese de que haja um sentido bom que está para além do que vemos.

Um amigo nosso introduziu-nos a uma história de amizade do Papa S. João Paulo II com as montanhas, em particular o glaciar de Adamello nos Alpes, e com o seu instrutor de ski. Daí termos preparado a nossa viagem na expectativa de que se realize o pedido de proximidade  com o Senhor que contam quer o Papa João Paulo II, quer o Papa Bento XVI. 


João Paulo II
Glaciar de Adamello, Alpes. Altitude: 3050 m. Homilia da missa, 16 Julho 1988:


AQUI, onde a natureza é um hino perene à grandeza do Criador, é fácil dispor a alma para pensamentos altos e edificantes, e deter-se em oração. As montanhas sempre tiveram um fascínio especial para a minha alma: elas convidam a elevar-nos não só materialmente, mas espiritualmente em direcção à realidade que não tem ocaso. Aqui, neste espaço sem barreiras e no silêncio imponente dos montes, apercebemo-nos do sentido do infinito! Neste cenário majestoso e possante, o homem sente-se pequeno e frágil, e mais facilmente percebe a magnificência e omnipotência de Deus, criador do universo e redentor do género humano. Aqui verdadeiramente o pensamento, contemplando a criação, penetrando, pelo contrário, na ordem admirável de todo o universo, faz-se oração de adoração e abandono confiante.

Palavras de agradecimento no final da missa:

Era necessário que o Papa regressasse a este lugar, depois de já ter vindo uma vez com skiador. Devia vir neste ano mariano para celebrar aqui a Eucaristia. Não existe lugar

mais adequado que nos convide a este sacrifício de Cristo. Devia ser celebrado o sacrifício de Cristo que nos recorda a sua morte, que nos dá a vida, que nos assegura a vitória da vida n’Ele e para nós. Convidaram-me num dia muito especial para mim, o dia de Nossa Senhora do Carmo, do Monte Carmelo.
Está presente Nossa Senhora das Montanhas, como nos recorda São Lucas que, depois de ter concebido pelo Espírito Santo o verbo divino, foi para a montanha para visitar a sua prima Isabel. Foi para a montanha, para a montanha da sua terra, a Judeia. Nestas montanhas ouviu as palavras: “Bendita és tu, porque acreditaste”. Esta invocação de Nossa Senhora deve ser sinal da sua fé que nos guia a todos, que guia toda a Igreja, todos os povos, todas as pessoas. Guia todas as comunidades na peregrinação terrestre, mas uma peregrinação da fé que nos leva à vida, à vida sobrenatural. Agradeço-vos este convite para a montanha, onde neste ano mariano podemos celebrar a Virgem, direi, montanheira. De facto, estando na montanha, na casa de Isabel, Maria pronunciou o Magnificat. E isto inspira-nos sempre, inspira-nos juntamente com a fé de Maria. E a palavra da natureza, a grandeza das montanhas inspira-nos a repetir “Magnificat”. Grandes coisas fez por nós o Senhor. Desejo-vos, caros irmãos e irmãs, esta inspiração mariana, sobretudo a vós caríssimos alpinos, desejo também a todos os alpinistas e a todos os skiadores, a todos os habitantes das montanhas, a toda a gente das montanhas, a todos aqueles que amam as montanhas, que nas montanhas esteja sempre o sinal da peregrinação que conduz às alturas, que nos conduz a Deus. Com estes votos agradeço- vos mais uma vez, deixo-vos regressando não a pé, não com os skis, mas com um helicóptero. Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo! 

Bento XVI
Angelus, Domingo 8 de Julho 2007

O clima de montanha far-me-á bem, e poderei assim espero dedicar-me mais livremente à reflexão e à oração. Desejo que todos, especialmente aqueles que sentem maior necessidade, possam ter um pouco de férias, para recuperar as energias físicas e espirituais, e restabelecer um contacto saudável com a natureza. Em particular, a montanha evoca a ascese do espírito ao alto, elevando a "medida alta" da nossa humanidade, que infelizmente a vida de todos os dias tende a abaixar. A este propósito, quero recordar a quinta peregrinação dos jovens até à Cruz do Adamello, que o Santo Padre João Paulo II visitou duas vezes. Esta peregrinação realizou-se nestes dias, e há pouco foi concluída com uma Santa Missa celebrada a cerca de três mil metros de altitude. 
A Virgem Maria nos proteja sempre, tanto na missão como no justo descanso, para que possamos desenvolver o nosso compromisso com alegria e fruto, na vinha do Senhor.
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