segunda-feira, 15 de maio de 2017

FÁTIMA 2017

JOSÉ MARIA C.S.ANDRÉ     13.05.17


Conjunto de notas enviadas de Fátima, durante a peregrinação do Santo Padre Francisco, no centenário das Aparições de Nossa Senhora na Cova da Iria

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O homem vestido de branco

Hoje, na oração na Capelinha, o Papa Francisco denomina-se a si próprio «o homem vestido de branco», aplicando a expressão usada pela Irmã Lúcia ao escrever o terceiro Segredo de Fátima. Os Pastorinhos nunca tinham visto o Papa e, na época, e tão longe da cidade, não havia imagens disponíveis. Por isso, a terrível visão do terceiro Segredo de Fátima teve também um matiz difícil de perceber. Quem era aquela multidão fiel ao «homem vestido de branco», que é dizimada pelas forças do mal? Quem é essa personagem vestida de branco? Algum tempo mais tarde, Lúcia percebeu claramente a resposta.
Em Fátima, Francisco identifica-se directamente com essa figura. Na visão, o homem vestido de branco avança por um monte de desolação, rodeado por uma grande multidão que se mantém fiel, e sofrendo o combate encarniçado dos que se lhe opõem. Não luta, não ataca, não responde com violência à agressividade de que é vítima, e, no momento culminante, ele próprio é abatido.
João Paulo II, atingido no dia 13 de Maio na Praça de S. Pedro, mal recuperou a consciência, ainda no hospital, pediu a documentação escrita pela Irmã Lúcia. As circunstâncias e o facto de o Papa ter sobrevivido às balas daquele profissional do crime sugeriam uma relação muito directa com Fátima. Depois de capturado pela polícia italiana, o que o assassino, Ali Agca, não entendia era a razão de o Papa estar vivo. Soube-se, de fonte da prisão, que quando alguém lhe falou das aparições de Fátima, ele ficou sumamente interessado. 
Francisco, ao chamar a si mesmo «o homem vestido de branco», retoma o sentido profundo da visão do terceiro Segredo. O líder que cai, atingido pela hegemonia do mal, não é apenas um Papa alvejado por um Ali Agca. E aquela multidão fiel que derrama o seu sangue com o homem vestido de branco não é apenas imagem dos mártires do século XX. A visão refere-se à grande apostasia em que caiu uma parte importante do globo e ao combate contra a Igreja. O livro do Apocalipse tem uma página semelhante, quando fala da serpente fazendo guerra à Mulher, a uma mulher que é Mãe, e ao seu Filho.
Desabam sobre o Papa e a Igreja os pecados dos católicos e a loucura dos gentios, os preconceitos, as difamações. A cada momento da história, dá a impressão de que Deus perde batalhas e que aqueles que O seguem estão em desvantagem. Tudo isso é verdade, mas há um plano que escapa à visão dos homens. Foi essa a visão do terceiro Segredo. Deus vê. Deus é fiel.
Ao chamar-se a si «o homem vestido de branco», Francisco indicou a esta multidão que enche a esplanada de Fátima – e a todos aqueles que aqui estão em espírito – que eles são o imenso povo fiel.
José Maria C.S. André
Fátima, 12-V-2017
[2]
O milagre do sol em Roma

Em 1950, a poucos dias da proclamação do Dogma da Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao Céu, Pio XII presenciou, no jardim do Vaticano, o mesmo fenómeno extraordinário que os peregrinos viram em Fátima, a 13 de Outubro de 1917, quando o sol dançou, mudou de cor e se podia olhar directamente sem ferir os olhos. Pio XII referiu aos seus colaboradores mais próximos o que tinha visto e o Cardeal Tedeschini contou-o durante uma homilia. Há alguns anos, descobriu-se a folha manuscrita pelo próprio Pio XII com a descrição do que aconteceu. Como costumava fazer, Pio XII escrevia em folhas de rascunho, utilizadas pelo outro lado.
Pelas 4 horas da tarde do dia 30 de Outubro, «quando dava a passeata habitual pelo jardim do Vaticano, lendo e estudando», ao sair da praceta onde está a imagem de Nossa Senhora de Lourdes, levantou os olhos das folhas que lia. «Assisti a um fenómeno que nunca tinha visto. O sol, que ainda ia bastante alto, parecia um disco amarelado, circundado de uma auréola luminosa», que não feria os olhos. Havia uma pequenina nuvem diante. «O disco opaço movia-se ligeiramente na periferia ora girando, ora inclinando-se para a esquerda ou para a direita. Mas no interior do disco viam-se com toda a clareza uns movimentos fortíssimos, sem interrupção».
Pio XII voltou a assistir a este fenómeno no dia seguinte, 31 de Outubro, e novamente no dia a seguir, 1 de Novembro, no qual definiu, numa sessão solene em S. Pedro, o referido Dogma da Assunção de Nossa Senhora.
Nos dias seguintes, Pio XII tentou voltar a olhar para o Sol, para ver o mesmo fenómeno, mas só voltou a acontecer uma vez, no dia 8 de Novembro. Tentou várias vezes, mas nem sequer conseguia fixar directamente a luz solar sem ficar ofuscado. 
O Cardeal Tedeschini, legado pontifício a Fátima, mencionou estes acontecimentos, apesar de o próprio Papa preferir não lhes dar muita publicidade. Pio XII compreendeu que a mensagem era principalmente para ele e não devia transformar-se numa distracção para o anúncio do Evangelho.
Quando teve notícia das aparições de Fátima, Pio XII compreendeu outro pequeno sinal do Céu. É que o Papa da época tinha-o ordenado bispo na capela Sistina, exactamente no 13 de Maio de 1917. 
Segundo a «Agência Ecclesia», o Papa Pio XII ter-se-ia encontrado com a Irmã Lúcia e ordenou-lhe que transcrevesse as mensagens recebidas de Nossa Senhora. Não conseguimos confirmar esta notícia, mas é verdade que foi a autoridade eclesiástica que pediu à Irmã Lúcia que escrevesse em pormenor sobre as aparições e foi Pio XII o primeiro Papa que reconheceu a credibilidade das aparições.
José Maria C.S. André
Fátima, 12-V-2017
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Ensinar os Papas

A história de Fátima está particularmente relacionada com o Romano Pontífice e os últimos Papas tiveram muitas perguntas para fazer à Irmã Lúcia.
Pio XII leu atentamente os escritos da Irmã Lúcia e compreendeu a importância de Fátima em relação ao pontificado. Mais convencido ficou quando, em 1950, em vários dias próximos da proclamação do Dogma da Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao Céu, assistiu, no Vaticano, ao mesmo «milagre do Sol» que os peregrinos tinham visto em Fátima, a 13 de Outubro de 1917.
Em 1967, numa altura em que ainda era raro um Papa sair de Roma, Paulo VI veio a este santuário e quis falar com a Irmã Lúcia.
Em 1977, o Patriarca de Veneza, Albino Luciani, que seria depois o Papa João Paulo I, fez uma peregrinação a Fátima e, graças aos bons ofícios de Olga Cadaval (a célebre figura da música clássica), encontrou-se com a Irmã Lúcia no convento em que ela vivia, em Coimbra. A conversa foi longuíssima e impressionou vivamente o futuro Papa. Mais tarde, correram boatos de que a vidente lhe teria anunciado a eleição pontifícia e a sua morte pouco depois, mas nada disto parece verdade. Na entrevista do Pe. Mario Senigaglia, secretário do Patriarca Luciani, à revista «30 Giorni», não se confirmam esses rumores. O que ficou bastante claro, e coincide com as recordações do irmão do Patriarca, é que o encontro deixou nele uma marca profunda. «Nem consigo imaginar o que a Irmã Lúcia me disse», comentou ele ao irmão. No regresso a Veneza, o secretário do Cardeal recorda que ele lhe disse o habitual «senta-te», quando havia coisas para tratar. Falou da viagem, do clima de oração e penitência que tinha visto na Cova da Iria, dos voluntários que ajudavam os peregrinos. A certa altura, o secretário perguntou pela visita à Irmã Lúcia e o Patriarca respondeu: «Sim, sim, estive com ela... Ah! esta freirinha bendita pegou-me nas mãos e começou a falar... estas benditas freiras, quando começam a falar, não acabam!». Abordaram longamente os problemas da Igreja, mas não as aparições, excepto nalgum pormenor. Na sequência, num artigo que publicou num jornal de Veneza, ao fazer a síntese, escreveu que os santuários servem para lembrar o Evangelho, que isso é que é preciso anunciar.
O Papa João Paulo II captou, mais do que ninguém a importância da mensagem de Fátima e é evidente que as suas várias viagens a Portugal tiveram um foco muito especial neste local. Várias vezes, consagrou o mundo a Nossa Senhora. A mais importante destas cerimónias, em que consagrou especialmente a Rússia, foi em 25 de Março de 1984 na Praça de S. Pedro, diante da imagem de Nossa Senhora de Fátima propositadamente transportada para Roma. O Papa pediu a todos os bispos do mundo que se unissem em simultâneo àquela consagração e quis cumprir tudo o que Nossa Senhora tinha pedido em Fátima. No final, enviou um emissário a Coimbra perguntar à Irmã Lúcia se a consagração correspondia exactamente ao pedido da Virgem. Como se sabe, passado 5 anos, contra todas as previsões, a União Soviética colapsou e abriu-se um inesperado momento de liberdade e de paz.
Numa entrevista ao jornalista João Francisco Gomes, do «Observador», O Bispo de Fátima, D. António Marto, recorda que quando recebeu Bento XVI em 2010, ouviu perplexo ele comentar-lhe que «não há nada como Fátima em toda a Igreja Católica no mundo».
O Papa Francisco disse várias vezes que estava convencido da importância da mensagem de Fátima. Em momentos particularmente importantes, quis ter a imagem de Nossa Senhora de Fátima junto de si, na Praça de S. Pedro.
Antes de partir para este santuário de Fátima, Francisco, como habitualmente antes de cada viagem, foi à basílica romana de Santa Maria Maior, confiar a viagem a Maria, rezando em silêncio diante da imagem chamada «Salus Populi Romani». À chegada das suas 18 viagens nunca falhou o regresso a Santa Maria Maior, para agradecer. Que acontecerá desta vez, no regresso a Roma, depois de ter estado connosco em Fátima?
José Maria C.S. André
Fátima, 12-V-2017
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Vivi distraído?...

De dia, Fátima inunda-se de um mar de lenços brancos que saúdam Nossa Senhora e o Papa, à noite brilham milhares de velas, fazendo do recinto um céu povoado de estrelas. O ambiente convida especialmente à oração. A meditação do Papa na procissão das velas foi particularmente longa e densa, levando-nos à alegria, ao agradecimento e a um exame de consciência.
– «Pelo orgulho do meu coração, vivi distraído, atrás das minhas ambições e interesses...», afinal sem êxito: «...não ocupei nenhum trono, Senhor! A única possibilidade de exaltação que tenho é que a vossa Mãe me pegue ao colo, me cubra com o seu manto e me ponha junto do vosso coração».
Houve um momento particularmente emotivo, quando o Papa falou de nós:
– «Sinto que Jesus vos confiou a mim».
Nessa preocupação por todos, especialmente pelos que mais precisarem, como pedia Nossa Senhora em Fátima, o Papa abençoou cada uma das nossas necessidades. Uma bênção maravilhosa.
– «A bênção [de Deus] cumpriu-se cabalmente na Virgem Maria, pois nenhuma outra criatura viu brilhar sobre si a face de Deus como Ela (...). Na verdade, [citando Paulo VI] “se queremos ser cristãos, devemos ser marianos; isto é, devemos reconhecer a relação essencial, vital e providencial que une Nossa Senhora a Jesus e nos abre o caminho que leva a Ele”». 
– Maria é «Mestra de vida espiritual», «a primeira que seguiu Cristo pelo caminho “estreito” da cruz», a «bendita por ter acreditado, sempre e em todas as circunstâncias», a «Virgem Maria do Evangelho, venerada pela Igreja orante»...
Sentimo-nos frustrados pelos nossos pecados?
– «Grande injustiça fazemos a Deus e à sua graça quando se afirma em primeiro lugar que os pecados são punidos pelo seu julgamento, sem antepor que são perdoados pela sua misericórdia!»
Por Maria, vem-nos essa misericórdia [citando novamente Paulo VI]:
– «Sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do carinho. Nela vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes (...). Esta dinâmica de justiça e de ternura, de contemplação e de caminho ao encontro dos outros é aquilo que faz d’Ela um modelo eclesial para a evangelização».

José Maria C.S. André
Fátima, 12-V-2017
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Os protestantes

Na sua alocução antes da procissão das velas, o Papa não se esqueceu de explicar, pensando naqueles que conhecem pior a Igreja, o que é a devoção a Nossa Senhora. Fê-lo através de um conjunto de contraposições.
Por um lado, «a Mestra espiritual, a primeira que segui o caminho estreito da cruz»..., do outro, «uma Senhora “inantigível” e inimitável»...
Por um lado, a «bendita por ter acreditado», como diz o Evangelho,... por outro, «uma “santinha” a quem se recorre para obter favores a baixo preço»...
Por um lado, a «Virgem Maria do Evangelho»... por outro, «sensibilidades subjectivas, (...) uma Maria melhor do que Cristo»...
Estas explicações foram importantes para se entender em toda a profundidade o que o Papa sublinhou, repetindo uma frase de Paulo VI: « se queremos ser cristãos, devemos ser marianos».

José Maria C.S. André
Fátima, 12-V-2017
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Impressões de Fátima
Neste santuário, cruza-se gente de todo o mundo e de todas as condições. Grupos de feições asiáticas, africanos de várias raças, europeus do norte e do sul, representações de todo o continente americano. E também conhecidos e amigos que não se vêem há muito tempo. Vêm-me cumprimentar alunos do Instituto Superior Técnico, acenam-me colegas de outras universidades. 
Na zona dedicada aos jornalistas, onde reina uma azáfama indescritível, reencontro grandes vaticanistas, que viajaram no avião do Papa e têm tantas histórias para contar. A Aura Miguel comenta a expressão com que Francisco se referiu a si mesmo, o «homem vestido de branco», a expressão que os Pastorinhos usaram ao narrar o terceiro Segredo de Fátima: na roda de imprensa, no voo de regresso, vou perguntar ao Papa o que quis dizer!
Na confusão, fazem-se amizades. O «cameraman» italiano que filma a jornalista brasileira da TV Globo; o repórter de uma cadeia norte-americana; o fotógrafo de um jornal português; a equipa da rádio COPE espanhola (roubei-lhes por um momento o lugar na sala de imprensa, mas acabámos amigos e a colaborar)...
Os jornalistas dormiram esta noite como foi possível, alguns, de forma bem precária, estendidos no chão da sala de imprensa, ou dormitando dentro do automóvel. Os peregrinos também se acomodaram, alguns ao relento no chão da esplanada. Nesta madrugada, vêm-se rios de caminhantes pelas estradas, em direcção ao Santuário. Às 10h00, o Papa celebrará a Missa e canonizará a Jacinta e o Francisco.
José Maria C.S. André
Fátima, 13-V-2017
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Ofertas do Papa a Portugal

O Papa ofereceu à capela da base aérea de Monte Real um baixo-relevo em mármore cor de marfim, de pequenas dimensões mas de grande qualidade. É uma representação de S. Francisco de Assis, rezando num bosque, na encosta do monte Verna. Naquela oração, viu Cristo com o aspecto de um Serafim, crucificado, que projectou sobre as mãos, os pés e o lado do santo os estigmas (as feridas) de Jesus. Essas feridas nunca curaram, até à morte.
Na casa onde ficou alojado, o Papa deixou uma placa de prata da Última Ceia, cópia de uma peça do Museu do Louvre. A placa está emoldurada num quadro de madre-pérola.
Ao Presidente da República, Francisco ofereceu um mosaico (35 cm x 60 cm) de Nossa Senhora de Fátima sobre a azinheira, com os três Pastorinhos ajoelhados.
José Maria C.S. André
Fátima, 13-V-2017
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«Não vês tanta estrada?...»

Um sol magnífico. No recinto imenso de Fátima e nas ruas à volta, ecoa a voz pausada do Papa.
Faz-nos sonhar com a poesia de imagens tiradas do Apocalipse, fala da «Mulher revestida de sol», refulgente de beleza. Ela, disse-nos o Papa, é a nossa mãe! Depois de ver Nossa Senhora, a pequena Jacinta não se conteve e desvendou o segredo à mãe: «Hoje vi Nossa Senhora!».
Também nós a veremos pela eternidade inteira, se formos para o Céu – diz o Papa. Por isso o preocupa o risco do Inferno «onde leva a vida sem Deus e profanando Deus nas suas criaturas».
O assunto é da máxima gravidade: «Nas suas “Memórias”, a Irmã Lúcia dá a palavra à Jacinta que beneficiara de uma visão: “Não vês tanta estrada, tantos caminhos e campos cheios de gente, a chorar com fome, e não têm nada para comer? E o Santo Padre numa igreja, diante do Imaculado Coração de Maria, a rezar? E tanta a gente a rezar com ele?”».
As circunstâncias desta homilia despertam-nos para a actualidade da visão. O Santo Padre diante de Maria, e uma multidão rezando... Mas é o próprio Papa que sublinha o que quer dizer: «Irmãos e irmãs, obrigado por me acompanhardes!». Sim, somos nós e é ele. Um arrepio de responsabilidade leva-nos a viver mais intensamente este momento que une o Céu e a Terra.
No meio das tribulações que desabam sobre a Igreja e a humanidade, o Papa aponta o caminho da esperança: sob o seu manto, não se perdem os filhos de Nossa Senhora – diz o Papa. 
Com essa esperança, o Papa põe-nos a caminho:
– «Ele criou-nos como uma esperança para os outros, uma esperança real e realizável, segundo o estado de vida de cada um. Ao “pedir” e “exigir” o cumprimentos dos nossos deveres de estado (a citação é de uma carta da Irmã Lúcia de 1943), o Céu desencadeia aqui uma verdadeira mobilização geral contra esta indiferença, que nos gela o coração e agrava a miopia do olhar. Não queiramos ser uma esperança abortada! A vida só pode sobreviver graças à generosidade de outra vida. Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto” (Jo 12, 24) ».
No espaço desta homilia, cruzaram-se o esplendor da beleza e os abismos do mal, a esperança de Deus e a nossa responsabilidade. Com uma intensidade multiplicada pela multidão que ouve as palavras do Papa e reza com ele. Os que aqui estamos, somos, em primeira linha, a multidão imensa que a Jacinta viu.
José Maria C.S. André
Fátima, 13-V-2017
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«Quereis oferecer-vos a Deus?...»

A bênção dos doentes é sempre um momento comovedor, no final das Eucaristias solenes de Fátima. O Papa Francisco aproveitou para lhes explicar o seu papel na Igreja e a nossa missão junto deles.
Retomando a homilia, afirma que «Jesus sabe o que significa o sofrimento». Sabe, por o ter experimentado: «quando passamos por alguma cruz, Ele já passou antes».
«Hoje, a Virgem Maria repete a todos nós a pergunta que fez, há cem anos, aos Pastorinhos: “quereis oferecer-vos a Deus?”. A resposta – “Sim, queremos!” – dá-nos a possibilidade de compreender e imitar as suas vidas. (...) Queridos doentes, vivei a vossa vida como um dom e dizei a Nossa Senhora, como os Pastorinhos, que vos quereis oferecer a Deus de todo o coração. (...) Não tenhais vergonha de ser um tesouro precioso da Igreja».
Como é que Jesus, que conhece o sofrimento, nos consola?
«Penso no Apóstolo Pedro, acorrentado na prisão de Jerusalém, enquanto toda a Igreja rezava por Ele. E o Senhor consolou Pedro. Isto é o mistério da Igreja: a Igreja pede ao Senhor para consolar os atribulados como vós e Ele consola-vos, mesmo às escondidas; consola-vos na intimidade do coração e consola com a fortaleza».
Diante de uma custódia enorme, em prata, ostentando a Hóstia consagrada, o Papa dirige-se agora a nós:
«Amados peregrinos, diante dos nossos olhos, temos Jesus escondido, mas presente na Eucaristia; como temos Jesus escondido, mas presente nas chagas dos nossos irmãos e irmãs doentes e atribulados. No altar, adoramos a Carne de Jesus; neles, encontramos as chagas de Jesus. Hoje, a Virgem Maria repete a todos nós a pergunta: “Quereis oferecer-vos a Deus?”».
A pergunta fica a ecoar no coração de todos nós.
José Maria C.S. André
Fátima, 13-V-2017

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