Teresa Olazabal

TIAGO CAVACO              TUMBLER             26.07.17


Os protestantes desconfiam das pessoas que quando falam de fé se concentram nas obras. É um facto com quase 500 anos. Por isso podem imaginar a tendência para não sentir grande emoção quando a conversa é ajuda aos pobres, assistência aos marginais ou investimento em filantropia (e podem imaginar também o consequente risco de menosprezar a importância destas coisas numa fé que não lhes é indiferente). Quando a generosidade do Padre Miguel Ferreira o levou a convidar-me para participar no encontro Fé e Ética soube que ia ser acompanhado pela Teresa Olazabal, que não conhecia. Vi que o currículo era essencialmente esse e por isso não estava à espera da pessoa que encontrei. Gerou-se uma boa oportunidade para que alguns dos meus preconceitos fossem desafiados.
A Teresa tem décadas de serviço a pessoas a quem é difícil (e às vezes pura e simplesmente desaconselhável) servir. Sem-abrigos, drogados, prostitutas, doentes terminais, deficientes profundos. Nos quinze minutos da sua intervenção concentrou-se em três histórias. Contadas sem uma centelha de vaidade ou orgulho. Três relatos de alguém que se mete na rua por puro apego às palavras que conhece de Jesus. Já lhe tentaram bater, já lhe abusaram da hospitalidade, já lhe destruíram o trabalho. E ela, mais do que apresentar sucessos, diz que reza. E as poucas centenas que a ouviam tinham a certeza que sim. Porque há coisas que não se fingem e que nem sequer alguém tentaria fingir. Sentimos que a força dela é arrastada por uma outra maior ainda.
Mesmo quando a Teresa enfatizou coisas da sua fé com as quais só posso discordar (acreditar que a hóstia é o corpo de Cristo ou orar a Maria) não interrompeu o atropelamento à minha vaidade, que se preparava para falar logo a seguir. Quando ia começar sentia-me arrasado porque nada do que poderia partilhar da minha vida se comparava (ou melhor, apesar da discrepância, a palidez da minha experiência a rigor é sustentada pelo mesmo poder que sustém a da Teresa, os resultados é que são diferentes). Todos nos apercebemos que não estávamos na presença de uma pessoa qualquer. E isto não é um louvor à Teresa Olazabal mas ao Deus dela.
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