Uma Europa dona do seu destino?

ANDRÉ ABRANTES AMARAL    01.06.17   IONLINE
Dias depois de Trump regressar aos EUA vindo da Europa, Putin chegou a Versalhes. O pretexto foi a inauguração da exposição sobre os 300 anos da viagem de Pedro, o Grande, a Paris. De acordo com Vladimir Fedorovski, escritor de origem ucraniana e um dos maiores especialistas franceses sobre a Rússia, a visita de Putin põe termo à frieza com que Hollande marcou as relações com o Kremlin.
A vinda de Putin a Paris não é o único sinal de mudança na Europa. Na cimeira do G7, a primeira com Trump, que teve há dias lugar na Sicília, o presidente dos EUA afirmou que os alemães “são maus, mesmo muito maus”. Parecia a esquerda radical a alimentar os ódios na Europa, mas não, era mesmo o presidente da América.
Depois desse episódio, Merkel afirmou que “o tempo em que podíamos contar totalmente uns com os outros acabou, em certa medida. Verifiquei isso nos últimos dias”, e concluiu: “A única coisa que posso dizer é que nós, europeus, temos de tomar as rédeas do nosso destino.”
Nós, europeus. Merkel di-lo agora, que sabe ter em Macron um aliado válido. Mas que europeus são estes a que se dirige a chanceler alemã? Europeus de uma Europa sem o Reino Unido? De uma Europa sem o guarda-chuva norte-americano? De uma Europa que investe na defesa? E que se associa a quem? À Rússia, ao mesmo tempo que conta com os EUA? Uma Europa una e, se sim, em que termos? E Portugal, aquele país atlântico, aliado tradicional do Reino Unido e dos EUA, como é que fica? É assim que se percebe que ganhar a Eurovisão não basta.
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